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sexta-feira, maio 06, 2011

O "filet mignon" e o "dirty work"

Arriscando-me a ser acusado de "socratismo militante" (militante só do "Glorioso", e mesmo assim crítico...), confesso não entender as razões dos que apontam o dedo a José Sócrates por ter reservado para si o anúncio das boas notícias e reservado para Teixeira dos Santos, no dia seguinte, o dirty work, ou seja, a comunicação das propostas mais penalizadoras do "memorando de entendimento". Pergunto: sendo José Sócrates candidato a primeiro-ministro e estando Teixeira dos Santos ausente das listas de candidatos, não era natural que assim fosse, resguardando-se quem é candidato e expondo-se quem não o é? Ou não seria o contrário de uma enorme estupidez?

Poupem-me...

quarta-feira, abril 27, 2011

Ainda o "caso" Teixeira dos Santos

Estamos numa época em que parto do princípio que tudo o que vem nos jornais é mentira, ou pelo menos de veracidade duvidosa, até prova em contrário. Peço desculpa, mas é assim mesmo. Por isso, esta notícia, cirurgicamente publicada no "Jornal de Negócios" e citada no "União de Facto" (não está totalmente disponível na versão "on line" do jornal) no dia imediato ao da entrevista a José Sócrates onde este deu a sua explicação para a ausência de Teixeira dos Santos nas listas de candidatura do PS, carece de confirmação ou desmentido do próprio Teixeira dos Santos, conforme, aliás, bem assinala o Francisco Teixeira. Mas a minha pergunta é bem outra: caso seja verdadeira, e numa atitude de coerência política e lealdade para com os eleitores que deveria ultrapassar qualquer também legítima noção de lealdade pessoal e governamental, porque não se demitiu o Ministro das Finanças? Não acha, nesse caso, talvez tivesse prestado um bom serviço ao país? Ou será que, facto absolutamente implausível e absurdo, para ficar lhe fizeram "uma oferta que não poderia recusar"?

sexta-feira, abril 22, 2011

O sacrifício pascal de Teixeira dos Santos

Ingratidão? Não me parece: a política pouco tem a ver com sentimentos... O afastamento de Teixeira dos Santos das listas do PS parece-me, isso sim, ter mais a ver com a combinação dos seguintes dois factores, ambos políticos.
  1. Em primeiro lugar a necessidade do PS, com muitos nomes nas listas ligados aos dois últimos governos, criar perante os eleitores alguma imagem de ruptura com esses mesmos governos. Não o podendo nem querendo fazer através de José Sócrates, o nome mais lógico seria, e foi, o de Teixeira dos Santos, que nos últimos meses, como Ministro das Finanças, viu a sua imagem colar-se à dos fracassos do governo.
  2. Depois das afirmações muito negativas de António Costa sobre a conferência de imprensa da manhã de 11 de Março (foi esta a data, não foi?), não custa a crer que Teixeira dos Santos tenha sido sacrificado em nome do equilíbrio de nomes e tendências no seio do Partido Socialista.   
Sabendo como funcionam estas coisas, não me custa a crer que Teixeira dos Santos venha a ser recompensado mais tarde com algum cargo de prestígio a nível internacional. Gratidão? Nada disso: uma vez mais uma decisão política: o partido sabe proteger os seus, e protegendo os seus resguarda-se a si próprio.