terça-feira, fevereiro 19, 2008

Traduções... (?)

Confesso que nada tenho contra o uso de expressões estrangeiras no português ou de neologismos derivados de alguma ou algumas delas. Eu próprio, habituado a exprimir-me ao longo da vida com alguma frequência em outras línguas que não a minha língua materna (a paterna já é outra conversa), o faço frequentemente e não acho isso seja crime de lesa pátria, se é que pátria existe, dúvida que frequentemente me assalta. Muito menos quando tenho na família quem, em processo inicial de aprendizagem da fala, vá, ao longo da frase, mudando de idioma conforme lhe dá mais jeito ou em função de um outro qualquer racional que por acaso me escapa. Mas, convenhamos, existem algumas liberdades, ou faltas de rigor, com as quais francamente embirro (é que é mesmo esse o termo). E não falo só daquelas que alteram completamente o sentido da frase quando traduzidas (uma das mais frequentes é traduzir "eventually" por "eventualmente"), mas de outras que, não estando a tradução completamente errada, resulta pelo menos um pouco menos correcta.

Duas que ouvi recentemente, a propósito do estado de saúde de Ramos Horta e das eleições no Paquistão, foram, no primeiro caso, a tradução de “progress” por “progresso”, quando o termo correcto seria “evolução” (do estado de saúde); no segundo caso, ouvido hoje, a tradução de “appointed” por “apontado”, quando a tradução correcta seria “designado” ou, no limite, “considerado” (o PPP foi considerado ou designado vencedor...). Sim, eu sei, percebe-se o sentido da frase e é a lei do menor esforço a funcionar. Mas é isso mesmo que eu contesto: a lei do menor esforço. Importam-se?