Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Rangel candidata-se. Porquê agora?
quinta-feira, abril 16, 2009
O candidato europeu Paulo Castro Rangel e a retórica parlamentar
Tenho lido insistentemente que a nomeação de Paulo Rangel como cabeça de lista do PSD para as eleições europeias significa o colocar do foco nas questões de política interna, o terreno que mais convém ao PSD. Certo, e dificilmente se esperaria que acontecesse de outro modo, como seria de espantar que o PS não tentasse que a discussão se fizesse em torno das questões europeias. Federalista e europeísta convicto, que sou, preferiria esta última hipótese, mas reconheço inteira legitimidade a quem, com alguma razão, espera tirar dividendos actuando de outro modo. Penso, no entanto, todos perderemos assim uma oportunidade.
Algo, no entanto, quero acrescentar. Pelo que tenho lido e ouvido das suas intervenções pós-nomeação, o agora candidato europeu Paulo Rangel parece querer transpor para o debate a tradicional retórica e chicana política da Assembleia da República, o seu terreno de eleição. Seria de espantar o não fizesse, potenciando aquele que é reconhecidamente o seu ponto forte. Mas devo também dizer que já não estarei assim tão certo isso lhe traga dividendos eleitorais. Além de que perderemos duas vezes.
domingo, fevereiro 22, 2009
A "esperteza" do advogado Paulo Castro Rangel
terça-feira, novembro 04, 2008
Paulo Castro Rangel, com nome do meio e tudo!
Existem nas sociedades – em todas – pessoas das quais nunca escutámos ou lemos nada de especialmente brilhante ou inovador, sinais de desempenho notável nas funções que desempenharam no passado, nada, mas mesmo nada, que as tivesse feito stand out from the crowd, mas que, no entanto, nos são sistematicamente apresentadas como sendo a antítese de tudo isso: brilhantes, notáveis, eruditas, cultas, de uma competência técnica e profissional a toda a prova. Existem vários exemplos bastante próximos, e já aqui falei da desilusão que tem constituído a performance da António Costa enquanto presidente da CML e comentador residente na “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias, duas funções suficientemente distantes nas suas características para que, em pelo menos uma delas, fosse possível ouvir ou notar no citado algo que confirmasse as “suspeitas” de brilhantismo, ou pelo menos de competência, que tão bem nos tinham sido “vendidas”. Mas quando o produto é mau não existe boa campanha promocional que o torne um êxito e, mais cedo ou mais tarde, perante a “prova do algodão”, o engano é descoberto e o flop destino certo. Razões? Certamente várias, desde a preguiça na utilização das “little grey cells” (é muito mais fácil repetir o que se ouviu) à falta de qualidade e/ou interesses vários de muitos jornalistas e fazedores de opinião, blogosfera incluída para que não me acusem de discriminação.
Bom, mas toda esta introdução tem um outro destinatário, para além do já mencionado António Costa. Refiro-me, agora, ao actual presidente do grupo parlamentar do PSD, Paulo Castro Rangel de seu nome, como diria o malogrado e divertido Alves dos Santos da TV dos meus salad days. Confesso, quando da sua nomeação para o cargo, nunca ter percebido das razões do entusiasmo que, um pouco por todo o lado, entre apoiantes do PSD e seus opositores, por aí grassou, na cidade e no mundo, como se alguém houvera descoberto a quintissência do génio político. Do ouvido e lido no antecedente, nada me ficara, excepto o irresistível impulso para não ler ou mudar de canal ou frequência. Mau sinal! Mas eis senão quando, do passado fim de semana, aí vem um enorme coelho saído da cartola, quase diria uma lebre bem orelhuda: no preciso momento em que o governo nacionaliza o BPN perante quase unânime aprovação e reconhecimento dessa mesma inevitabilidade, por questões que são do conhecimento geral e por isso me escuso referir (já agora, gostaria de saber o que aconteceria se, na conjuntura actual, o governo deixasse falir o banco, como alguns à posteriori sugerem), Paulo Castro Rangel, com uma rigorosa noção dos timings políticos, acusa-o de querer impor um “capitalismo de estado”. De repente, esfrego os olhos; talvez tenha lido mal. Não, não o que Paulo Castro Rangel afirmou (diz que se referia às obras públicas, mas, na sua falta de noção de timing, esta afirmação apenas o terá convencido a si próprio), mas a lista de administradores e gestores do BPN. A rever: José Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro, Daniel Sanches, Guilherme Oliveira Martins. Ah, e o inevitável Miguel Cadilhe, o mais político dos ex-ministros das finanças – agora queixando-se de ter sido vitimado pelo seu próprio veneno - e personalidade desde sempre dedicada a efectuar a ligação entre os interesses económicos nortenhos, o Estado e os governos. Tudo empreendedores de reconhecido mérito, executivos graduados nas melhores escolas de gestão - de Stanford a Kellog, do INSEAD ao MIT, pois claro. Gente de primeira água da chamada “sociedade civil”... Mas será que alguém duvida?
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Uma Organização Todt para o eurodeputado Paulo Rangel
quarta-feira, março 03, 2010
Rangel vs Passos Coelho
Bom, muito simples. Independentemente da justeza, consistência ou do meu acordo ou desacordo com as ideias (que, para já, não é para aqui chamado), de um lado vi alguém com um discurso de modernidade, apelativo para a geração dos que estarão agora na casa dos trinta ou dos quarenta anos, que parece querer romper com o modo de fazer política que tem caracterizado estes últimos (largos) meses de chumbo e de cansaço da democracia portuguesa. Alguém que, para além disso, fala do futuro e é portador de uma imagem urbana e cosmopolita. Pedro Passos Coelho, está bem dever. Do outro, um discurso retórico e ansioso por ter opinião sobre tudo e mais alguma coisa - quase como se de uma máquina falante se tratasse - demasiado conservador, passadista (para não dizer reaccionário) e, ao contrário do que afirma, incapaz de romper com o passado mais recente e o way of doing the things da actual direcção partido, que com ela tem arrastado todo o modo de fazer política em Portugal. A protagonizá-lo alguém portador de uma imagem provinciana, de velho precoce, de mau gosto: Paulo Rangel, evidentemente.
Serão as características que acima enuncio importantes ou decisivas para a eleição do futuro líder do PSD? Como disse, desconheço. Mas se a eleição de Passos Coelho poderá ter a virtualidade de “arejar” o país e fazer a discussão política voltar para o campo da ideias, a de Rangel tem grandes hipóteses de apenas prolongar os recentes meses de chumbo. E isso é tudo o que não quero.
sábado, março 27, 2010
Rangel: o epílogo esperado
Tendo em consideração todo este “handicap” já de si penalizador à partida de uma disputa eleitoral que, em função disso, sempre terá sido desigual, Rangel cometeu ainda gafes imperdoáveis, como o foram as histórias da aprendizagem de ofícios por crianças e adolescentes, o discurso patético no Parlamento Europeu e a questão das Comissões Coordenadoras Regionais (e não sei se estou a deixar escapar qualquer outra...). Demasiados obstáculos para bater um Passos Coelho “clean cut” a quem bastou ligar o piloto automático para conquistar um partido em busca de um “new look” e de uma “fresh start”.
sexta-feira, junho 05, 2009
Vital e Rangel...
sábado, abril 25, 2009
Discursos, discursos...
- Conforme tinha aqui previsto, as afirmações do primeiro-ministro na sua entrevista à RTP sobre os parâmetros que deveriam presidir ao seu relacionamento institucional com Belém serviram fundamentalmente para condicionar futuras intervenções públicas do Presidente da República em período eleitoral, começando pelo conteúdo do tradicional discurso do 25 de Abril. Por essa ou qualquer outra razão, Cavaco Silva terá proferido o seu discurso mais neutral enquanto presidente, permitindo ao PS optar, com vantagem, por uma intervenção evocativa emocional na sessão solene da AR em vez de se decidir por um discurso mais vincadamente político. Resta-me tirar o chapéu...
- Também como aqui previ, Paulo Rangel trouxe para a campanha a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu o tom - da retórica e chicana parlamentares - em que, saber de experiência feito, se sentirá mais à vontade. Se dúvidas ainda restassem depois das suas anteriores intervenções, o despropositado discurso de hoje serviria de prova. Está no seu direito, mas se tivesse chapéu não o tirava...
- Jerónimo de Sousa acertou em cheio quando falou das pouco veladas alusões do Presidente da República à hipótese de um futuro “Bloco Central”. Cavaco Silva foi-se precavendo assim para uma eventual perda da maioria absoluta por parte do PS e tentou deste modo marcar a sua equidistância partidária. Acontece, no entanto, que o objectivo do PS é a maioria absoluta... De qualquer modo, tiro a chapéu a ambos, Jerónimo de Sousa e Cavaco Silva.
- Seja pela crise, seja pelo ano eleitoral, seja isso corresponda a um sentimento geral no país que os deputados assim julgam capitalizar (será um pouco de tudo?), não me lembro, nos últimos anos, de uma tão grande radicalização de discursos em sessões evocativas do 25 de Abril na Assembleia da República. Sei que a tentação é grande e o recurso ao discurso do tipo “os jovens capitães que na gloriosa madrugada do 25 de Abril devolveram a liberdade ao povo português” não será muito motivador. Mas, neste caso, ainda bem que não uso chapéu...
- Que desse por isso, ninguém se referiu especificamente ao Cardeal Patriarca nas alusões às entidades convidadas. D. José Policarpo não estava presente ou isto é mesmo um progresso? Nada tenho contra D. José Policarpo, para além de ser do Sporting e fumar demais... Mas se isto corresponder a um caminho percorrido na efectiva laicidade do Estado, tiro o chapéu três vezes.
domingo, março 07, 2010
Ligeirinho, porque hoje joga o Benfica - 2. O CDS e o queijo Limiano
sexta-feira, maio 29, 2009
Pobre Vital...
terça-feira, setembro 16, 2008
O discurso do PR no Supremo Tribunal
A propósito do discurso do Presidente da República na cerimónia comemorativa dos 175 anos do Supremo Tribunal de Justiça, que subscrevo top to bottom sem qualquer hesitação, repito um post recente e bem a propósito, publicado no dia 3 de Setembro último.
"Por alguma razão os julgamentos adoptam um certo ritual e não se realizam, por exemplo, sentando todos os intervenientes à volta de uma mesa redonda, cada um pedindo a palavra quando lhe aprouver. A disposição da sala está sujeita a um planeamento pré-definido, concedendo aos juizes, que administram a justiça em nome do Estado, única entidade que o pode fazer, um lugar de proeminência face a todos os outros intervenientes; sujeitando estes e advogados a um dress code específico (“toga” e “”beca”); todos os presentes a um grau elevado de decoro e respeito, que vai desde as formas de tratamento à ocasião própria para usar da palavra passando pela atitude de respeito, levantando-se, quando se inicia e encerra a sessão com a entrada e saída dos juizes, etc, etc. Tudo isto não acontece por acaso ou meramente por tradição, mas no sentido de conceder solenidade a um acto em que o Estado administra justiça em nome de todos os cidadãos, podendo dispor, em nome desses mesmos cidadãos, de todos nós, do indivíduo, da sua liberdade, do seu património, julgando da licitude ou ilicitude dos actos praticados.
Por isso me interrogo - se queremos, enquanto cidadãos, que tudo o que acima descrevi tenha de facto um conteúdo (e eu acho que deve ter) e não se trate apenas de mero folclore justificado pela tradição – se, para lá da sala de um tribunal, estas normas, relativamente restritivas, que contribuem para conceder aos juizes a necessária respeitabilidade enquanto administradores da justiça em nome de todos nós e a necessária solenidade ao acto de julgar devem dar lugar a uma total ausência de regras acabando isso, na actual sociedade mediatizada, por anular ou minimizar o objectivo pretendido com a ritualização dos julgamentos.
Tudo isto, claro está, vem a propósito de algumas imagens que me foram ontem dadas a ver pelas televisões a propósito do caso Paulo Pedroso. A primeira pergunta será esta: deve um jornalista estar autorizado a perseguir um juiz (estou a falar de Rui Teixeira), de microfone em punho, á porta do tribunal ou em qualquer outro local? Deve este, ou qualquer outro juiz, estar autorizado a apresentar-se de "t-shirt", ténis, jeans e camisa desportiva aos quadrados durante o seu dia de trabalho (mesmo que na pausa para almoço) e não estar sujeitos a um dress code específico (fato e gravata, por exemplo)? Deve um juiz estar autorizado (estou neste caso a referir-me a Rui Rangel) a estar presente num estúdio de televisão comentando com o pivot de serviço o “tema do dia” (uma decisão de um tribunal) mesmo que sem se referir a casos concretos?
Sim, eu sei que vão dizer que se tratam apenas de pormenores, faits divers, se comparados com o facto dos juizes, orgão de soberania, terem o seu próprio sindicato e exporem publicamente as suas reivindicações. Certo. Mas... o rigor e a seriedade começam e acabam, na maioria das vezes, por se verem nas muito pequenas coisas. Perguntem, por favor, a Elizabeth II e ao pessoal do Palácio de Buckingham."
quarta-feira, setembro 03, 2008
Juizes, jornalistas, rituais e normas
Por isso me interrogo - se queremos, enquanto cidadãos, que tudo o que acima descrevi tenha de facto um conteúdo (e eu acho que deve ter) e não se trate apenas de mero folclore justificado pela tradição – se, para lá da sala de um tribunal, estas normas, relativamente restritivas, que contribuem para conceder aos juizes a necessária respeitabilidade enquanto administradores da justiça em nome de todos nós e a necessária solenidade ao acto de julgar devem dar lugar a uma total ausência de regras acabando isso, na actual sociedade mediatizada, por anular ou minimizar o objectivo pretendido com a ritualização dos julgamentos.
Tudo isto, claro está, vem a propósito de algumas imagens que me foram ontem dadas a ver pelas televisões a propósito do caso Paulo Pedroso. A primeira pergunta será esta: deve um jornalista estar autorizado a perseguir um juiz (estou a falar de Rui Teixeira), de microfone em punho, á porta do tribunal ou em qualquer outro local? Deve este, ou qualquer outro juiz, estar autorizado a apresentar-se de "t-shirt", ténis, jeans e camisa desportiva aos quadrados durante o seu dia de trabalho (mesmo que na pausa para almoço) e não estar sujeitos a um dress code específico (fato e gravata, por exemplo)? Deve um juiz estar autorizado (estou neste caso a referir-me a Rui Rangel) a estar presente num estúdio de televisão comentando com o pivot de serviço o “tema do dia” (uma decisão de um tribunal) mesmo que sem se referir a casos concretos?
Sim, eu sei que vão dizer que se tratam apenas de pormenores, faits divers, se comparados com o facto dos juizes, orgão de soberania, terem o seu próprio sindicato e exporem publicamente as suas reivindicações. Certo. Mas... o rigor e a seriedade começam e acabam, na maioria das vezes, por se verem nas muito pequenas coisas. Perguntem, por favor, a Elizabeth II e ao pessoal do Palácio de Buckingham.
