- Nunca, desde que Portugal vive em democracia plena, os portugueses (e os imigrantes que connosco convivem) - assalariados, a grande maioria dos empresários (grandes, médios e pequenos), funcionários públicos, reformados e pensionistas, classe média, viram a sua vida, o seu presente e o seu futuro, as suas perspectivas de trabalho, desenvolvimento e rendimento, a liberdade, enfim, tão ameaçados. E, no entanto, foram estes mesmos portugueses que elegeram este PSD de Gaspar e Passos Coelho, deram duas presidências a Cavaco Silva e, excepto no caso da manifestação de 15 de Setembro de 2012, contra a TSU, se mostram incapazes de sair à rua, deixando esta entregue aos rituais, estimáveis mas repetitivos, das centrais sindicais e PCP e os protestos entregues ao comodismo inconsequente e à maledicência dos "fóruns de opinião". Não vou dizer têm o que merecem, mas lamento dizer que terão de fazer algo mais para conseguirem reverter a actual situação.
- Gostaria de ter visto António José Seguro e a direcção e deputados do PS nos desfiles do 1º de Maio e do 25 de Abril, em vez do partido se ter limitado à presença oficial envergonhada de um seu obscuro dirigente nas manifestações de ontem de UGT e CGTP. No fundo, grande parte do mundo do trabalho revê-se em muitas posições do PS e vota no partido, estando certo gostariam de ter visto os seus dirigentes junto de si, no desfiles, em conjuntura tão difícil. Mas enquanto o PS tiver vergonha da "rua", como se isso o inibisse ou enfraquecesse no seu indispensável papel de partido interclassista, moderado e de poder, dando primazia a jogos de bastidores envolvendo um Presidente da República que nunca escondeu ser seu adversário político, não se pode esperar nada de essencial mude.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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quinta-feira, maio 02, 2013
A propósito do 1º de Maio
quinta-feira, maio 10, 2012
"Grande distribuição": o "lobo mau" e o "capuchinho vermelho"?
No muito que se tem falado, nos últimos dias, sobre a "grande distribuição", esta é normalmente apresentada como o todo poderoso "lobo mau" que explora os indefesos "capuchinhos" na figura dos "pequenos e médios" fornecedores. Desculpem o talvez exagero, mas tem sido mais ou menos assim. Como já disse - e repito - existe uma situação de oligopólio no lado na "grande distribuição que lhe confere um poder desproporcionado perante muitos desses fornecedores, algo que os governos deveriam ter em atenção e regular mas que compete também a esses fornecedores minorar através da criação de associações e grupos. Mas convém também dizer, em abono da verdade, que nem sempre tal dicotomia, entre o poderoso comprador e o quase indefeso fornecedor, é verdadeira: muitos dos principais fornecedores da "grande distribuição" são grandes empresas, uma maioria agrupada na associação Centromarca e muitas delas multinacionais bem mais poderosas do que Sonae ou JM juntas, com marcas que a "grande distribuição" não se pode dar ao luxo de ignorar ou delas prescindir. Exemplos? Procter & Gamble (Gilette - quase monopolista no mercado de lâminas de barbear - Duracell, Tampax, etc), Colgate-Palmolive, Beiersdorf (Nivea), Nestlé (Sical, Nespresso, Chocapic, Cérélac, etc), LOréal (em parte detida pela Nestlé), Unilever, associada à JM (Vaqueiro, Knorr, Becel, Lipton, OMO, CIF, Lux, Rexona, Olá, Skip e dezenas de outras), Danone, Pescanova, Central de Cervejas (pertencente ao grupo Heineken), Unicer (com ligações à Carlsberg e incluindo as águas das Pedras e Vidago) e tantas outras. Vale a pena continuar?
Pois... nem tudo o que luz é oiro e nem tudo o que balança cai, e os accionistas e executivos destas grandes companhias devem estar nestes últimos tempos "a encher a barriga de gozo" por verem uma boa parte da esquerda e outro tanto da boa consciência moral nacional a agirem em sua defesa.
terça-feira, maio 08, 2012
Pingo Doce: a participação dos fornecedores
O jornalismo português, e até mesmo o "económico", descobriu agora que o "Pingo Doce" vai repercutir, total ou parcialmente, em alguns dos seus fornecedores os custos da sua promoção do 1º de Maio. Acordaram tarde, pois desde sempre tal acontece em todas as promoções da "grande distribuição", quer se tratem de localizações especiais nas lojas, descontos nos preços, inserção em folhetos, acções de promotoras ou menções em campanhas publicitárias (e por aí fora). Aliás, até já o tinha afirmado neste "blog" em comentário de resposta a algumas questões pertinentes levantadas por um leitor. No entanto, esquece-se a comunicação social de acrescentar que os próprios fornecedores também beneficiam com tais promoções, por via do acréscimo de vendas assim gerado. Compete-lhes fazer contas (e fazem-no) para verificarem se o acréscimo de vendas obtido compensa ou não o investimento que realizam ao participarem nessas acções. Claro que o que aqui digo não obsta a que não exista um desequilíbrio evidente entre a "grande distribuição" e os fornecedores, por via da situação oligopolista do lado da oferta, deixando aos fornecedores uma reduzida margem de manobra. E também, como por aqui já tenho repetido, é esse o grande problema, e não os tais "dumping", "margens de lucro escandalosas" e outros disparates que se tornaram comuns nos últimos dias e aos quais nem a impreparada ministra Assunção Cristas escapou.
Já agora... Durante todo este processo os sindicatos tiveram um comportamento patético, começando com os apelos a uma greve e um boicote que sabiam nunca seriam cumpridos e acabando agora numa queixa à Autoridade para as Condições de Trabalho por "discriminação". Ainda não devem ter percebido que este é o modo mais fácil e directo para descredibilizarem e conduzirem ao isolamento o movimento sindical, num momento em que o fortalecimento de um sindicalismo reformista seria desejável.
domingo, maio 06, 2012
Ainda o "Pingo Doce". "Dumping"?
Vamos lá ver se a gente se entende e sabe do que fala. No caso "Pingo Doce" (começo a estar cansado de tanta demagogia e ignorância e de um assunto que não merecia tanta discussão) de modo nenhum se pode falar de "dumping", que é um termo que se aplica ao comércio internacional e se utiliza quando um exportador (repito: exportador) decide vender determinada mercadoria a um comprador de um país estrangeiro a um preço abaixo do custo ou do praticado no seu próprio mercado. Nada isto aconteceu no passado dia 1 de Maio.
Do que podemos estar a falar é do conceito de "predatory pricing" (a distinção de conceitos não é pormenor de somenos pois a legislação aplicável pode ser, e normalmente é, muito diferente), que consiste em vender um produto a um preço muito baixo, até por vezes inferior ao seu custo, para obter uma posição dominante no mercado, afastando concorrentes existentes e dificultando a entrada de novos. No caso da promoção "Pingo Doce", poderemos estar perante uma situação deste tipo, mas mesmo assim terei as minhas dúvidas por duas ordens de razões:
- Não existiu venda a um preço inferior: os preços mantiveram-se e quem comprasse um conjunto de produtos de valor inferior a €100 não teria qualquer desconto. Isto significa também que o valor global do desconto foi muito provavelmente financiado com as verbas de promoção e publicidade, mantendo-se as "margens brutas" dos produtos inalteráveis.
- Vamos no entanto partir do princípio (errado e absurdo, quanto a mim) de que existiu mesmo uma redução de preços e, portanto, as "margens brutas" dos produtos foram também elas reduzidas nesse dia. Nunca trabalhei na "grande distribuição", mas, conhecendo "de fora" o negócio, duvido tenham sido reduzidas ao ponto de se terem praticado preços abaixo do respectivo custo. Porquê? Bom, porque, como aqui expliquei, das respectivas "margens brutas", do seu "operating profit", a empresa tem ainda de pagar todos os seus custos (e não são poucos) de funcionamento (ver aqui), pelo que duvido, mesmo tendo em conta a natureza também financeira do negócio, possa ser rentável praticando, a não ser "aqui e ali", "margens brutas" iguais ou inferiores aos tais 50%. Veremos o que conclui a Autoridade da Concorrência.
Nota: nada disto, já o disse e repito-o, significa que não exista uma situação oligopolista da parte da oferta e que deveria ser objecto de atenção governamental. Mas isso é outra conversa, e espero esta promoção do "Pingo Doce" sirva para que se comece a pensar seriamente em tentar resolver tal distorção.
sexta-feira, maio 04, 2012
Grande distribuição: "margem de lucro", confusão de conceitos ou demagogia à solta.
Desde ontem que oiço e leio repetidamente que a grande distribuição e, em particular, a cadeia "Pingo Doce" praticam "margens de lucro" superiores a 50%. Não é preciso nunca ter trabalhado na grande distribuição, ou mesmo na pequena, como acontece comigo, para concluir que se trata de um enorme disparate, fruto de uma total ignorância geradora de ainda maior confusão de conceitos. Quando vejo referidas tais "margens de lucro", aquilo que está em causa é bem outra coisa: a chamada "margem bruta" ou, em inglês, "gross profit". Vou explicar:
Se uma empresa (qualquer uma) compra um produto por 50, por exemplo, e o vende por 100 a sua "margem bruta" é calculada subtraindo ao preço de venda o preço de compra e dividindo o resultado apurado por aquele. Ou seja, no exemplo apresentado: 100-50=50:100=0.5 (50%). Portanto, neste caso a sua margem bruta será de 50%. Se comprou 100 unidades, isso significa que despendeu 5 000 (€, por exemplo) e arrecadou 10 000 com a venda, gerando um "lucro bruto" ("operating profit") de 5 000.
Ora acontece que estamos apenas a falar de "margem bruta" e "lucro bruto" (acho o termo "operating profit" mais rigoroso) já que, com os meios assim gerados, a empresa irá ter ainda que pagar todos os seus custos fixos e variáveis, como, por exemplo, custos com pessoal (salário - incluindo segurança social -, subsídios, bónus e outros), despesas de promoção e publicidade, transportes, manutenção, rendas, energia e comunicações, quebras e perdas de produtos, seguros, juros e amortizações e por aí fora até chegarmos, por fim, aos inevitáveis impostos. Isto significa que de uma "margem bruta" de 50%, ou mais, se pode facilmente chegar a um "lucro liquido", antes ou depois de impostos, que nem de perto nem de longe se aproxime dos tais 50% de "margem bruta". Aliás, e aqui falo da minha própria experiência, é relativamente comum também empresas fabricantes e produtoras trabalharem com "margens brutas" que, em alguns produtos, podem mesmo chegar aos 70 ou 80% (até mais), sem que isso se reflicta directa e necessariamente nos respectivos lucros antes ou depois de impostos. Aliás, tal resultado depende ainda da forma como são "alocados" os "custos fixos" da empresa a cada um dos produtos vendidos, mas não vale a pena entrar em questões mais complexas. Não conhecendo "por dentro" a grande distribuição, estou quase certo o caso não será muito diferente, até porque parte relevante do seu negócio é financeiro, recebendo dos clientes "a pronto" e pagando a fornecedores a 90 ou mais dias.
Tendo dito isto, resta um problema importante: estamos num sector pouco concorrencial, onde existe um claro oligopólio do lado da oferta, com Sonae o Jerónimo Martins, conjuntamente, a ultrapassarem largamente os 50% de quota de mercado. Mas isso são já "outros quinhentos", a que os governos e Autoridade da Concorrência deveriam estar bem mais atentos.
quinta-feira, maio 03, 2012
quarta-feira, maio 02, 2012
O 1º de Maio de ontem a as classes sociais
Uma questão essencial que o fracasso da greve convocada para o "Pingo Doce" e apelos sem resultado ao boicote às compras nessa cadeia de supermercados veio novamente lembrar, mesmo de forma talvez brutal, é que a divisão da sociedade em classes baseada na relação destas com os meios de produção, como essencialmente a definiam os clássicos do marxismo (alienação ou posse que determinavam "proletariado" e "burguesia"), já pouco ou nada tem a ver com a realidade. A terciarização das sociedades desenvolvidas, a "proletarização" de algumas profissões como os professores e funcionários públicos, a penetração das novas tecnologias e da sociedade da informação na organização industrial, a mobilidade social acrescida e a "financeirização" da economia destruíram em grande parte a noção de "pertença de classe", da identidade e cultura operárias forjadas no trabalho duro das fábricas, na admiração pelos grandes dirigentes operários, na solidariedade construída no bairro entre os seus iguais e na cultura e socialização aprendidas e vividas nas sociedades recreativas. Hoje em dia a questão é bem mais complexa, e não terei muitas dúvidas em afirmar, por exemplo, que o trabalhador de bata branca que comanda um "robot" na linha de produção da AutoEuropa (tenho dificuldade em chamar-lhe operário) se identificará bem mais com certos procedimentos e regras de gestão, comportamentos sociais até, da sociedade alemã, mesmo com alguns dos seus quadros técnicos, arrisco, do que com muitos dos seus colegas de uma pequena empresa industrial portuguesa. Tanto - outro exemplo - como a "rapariguinha do shoping", suburbana, se identificará com os seus ídolos da TV ou das revistas "cor de rosa", condição a que espera um dia aceder. E não se iludam, essa identificação e solidariedade de antanho, essa comunhão de interesses permanente, não foi substituída por outra feita de situações apenas transitórias de vínculo laboral ou da sua ausência, como a do trabalho precário, dos contratos a prazo ou do desemprego. Embora a precariedade e a "pressão dos patrões" possa ter, como afirmam as centrais sindicais, alguma influência no fracasso de muitas greves no sector privado - não o nego - estão longe de ser essas as questões fundamentais e determinantes que também permitem compreender, por exemplo, o facto de muitos militantes e votantes comunistas se voltarem em França para a FN da família Le Pen. Estas são questões que os sindicatos, erigidos na primeira metade do século XX, não surpreendentemente, em função do que acima descrevo, transformados quase exclusivamente em organizações agregadoras dos trabalhadores do sector público e que tendem a funcionar em função quase exclusiva destes, têm forçosamente de compreender se querem evitar o isolamento e salvaguardar algumas das conquistas mais importantes do mundo do trabalho.
terça-feira, maio 01, 2012
Ainda o 1º de Maio do "Pingo Doce"
Ora vamos lá ver...
- Um governo eleito pelos portugueses (acho que um dos anteriores) permitiu que as grandes superfícies comerciais passassem a estar abertas no 1º de Maio, tal como acontece em todos os outros feriados e domingos com excepção do Natal e Ano Novo - onde, diga-se, não teriam quase clientes. Podemos, claro, contestar e estar em desacordo com a lei, mas as organizações dos trabalhadores, partidos que se lhe opuseram e outras organizações que advogavam em contrário, como algumas associações de pequenos comerciantes, não tiveram até agora força suficiente para se lhe opor.
- Em função dessa disposição legal, os supermercados "Pingo Doce" decidiram abrir hoje com uma promoção especial que atraiu milhares de clientes. Uma vez legal, é uma decisão legítima que só ao "Pingo Doce" compete, podendo qualquer de nós estar de acordo ou criticá-la. E se existiu alguma ilegalidade deve partir de quem se sentiu lesado (sindicatos, concorrência, clientes, etc) denunciá-la a às autoridades competentes (Inspecção do Trabalho, Autoridade da Concorrência, ASAE, etc), que obrigatoriamente terão de investigar.
- Os sindicatos do sector terão convocado uma greve, que não foi obedecida. Porque uma maioria dos trabalhadores do "Pingo Doce" está numa situação de precariedade? É provável, mas tal era um dado do problema que desaconselhava a greve fosse declarada.Também um boicote, com idêntico resultado. Felizmente, não existem notícias de piquetes terem sido impedidos de actuar e esclarecer quem quer que fosse, trabalhadores ou clientes.
- Há relatos de pequenos e ligeiros incidentes sem consequências que a PSP rapidamente sanou, sem queixas. Nada que não aconteça nos grandes saldos do Harrods (é só um exemplo), em que as pessoas passam a noite na rua à espera da abertura dos armazéns. Ou das "bichas" para comprar bilhetes para alguns concertos.
- Para espanto meu, ouvi há pouco a jornalista São José Almeida ("Público"), acho que na TVI e a propósito deste assunto, falar em "atentado à dignidade humana". Como disse? Os consumidores foram obrigados a ir comprar ao "Pingo Doce"? Os produtos estavam fora de prazo? Eram por acaso restos de qualidade deficiente? Tinham os clientes de apresentar "atestado de pobreza", declaração de rendimentos ou passar por testes como aqueles a que se sujeitam alguns concorrentes de "reality shows"? Haja algum decoro, se fazem favor...
O 1º de Maio do Pingo Doce
Podemos simpatizar ou não de Alexandre Soares dos Santos (e eu declaro já não apreciar muito o género de algumas das suas intervenções públicas), achar ou não que se está a pôr em causa o Dia do Trabalhador, mas a operação de "marketing" montada para hoje pelas lojas Pingo Doce (50% de desconto nas compras acima de €100) é brilhante e merece uma enorme chapelada. As lojas estão a abarrotar, permitindo assim desenvolver o negócio, atrair novos clientes e, por via disso, compensar melhor os seus trabalhadores. Para além disso, concorde-se ou não com os pressupostos e objectivos, ao oferecer grandes descontos aos cidadãos em conjuntura de crise, exerce também uma função ideológica, justificando a abertura no 1º de Maio e funcionando como contraponto às manifestações essencialmente reivindicativas das centrais sindicais, que insistem em repetir as mesmas acções de sempre sem grandes resultados em termos de eficácia. Para o movimento sindical e para o mundo do trabalho, seria bom que os seus dirigentes aprendessem um pouco com esta ideia e pensassem, também eles, um pouco em inovar.
Nota pelas 17.35: O sucesso da operação de "marketing" de hoje na cadeia Pingo Doce, depois dos sindicatos terem apelado à greve e ao boicote, está a transformar-se no acontecimento do dia, suplantando as tradicionais manifestações de UGT e CGTP. De certo modo, isto reflecte o isolamento a que as direcções das centrais estão a conduzir os trabalhadores e o mundo sindical, num período de refluxo dos seus direitos. Um aviso muito sério e razão acrescida para uma reflexão.
Nota pelas 17.35: O sucesso da operação de "marketing" de hoje na cadeia Pingo Doce, depois dos sindicatos terem apelado à greve e ao boicote, está a transformar-se no acontecimento do dia, suplantando as tradicionais manifestações de UGT e CGTP. De certo modo, isto reflecte o isolamento a que as direcções das centrais estão a conduzir os trabalhadores e o mundo sindical, num período de refluxo dos seus direitos. Um aviso muito sério e razão acrescida para uma reflexão.
domingo, maio 03, 2009
Uma última nota sobre os incidentes do 1º de Maio: da responsabilidade da CGTP
Uma última nota (já por aí há demasiado ruído) sobre os incidentes do 1º de Maio para aqueles que são de opinião não se poder responsabilizar a CGTP sobre o que aconteceu.
Em primeiro lugar a organização do evento pertencia à CGTP, que até tem por hábito, normalmente, pôr a funcionar um serviço de ordem bem eficaz destinado a assegurar o normal funcionamento das suas manifestações. Não vi, nas imagens passadas pelas televisões, qualquer actuação desse serviço de ordem no sentido de evitar as agressões e injúrias a Vital Moreira; o que vi, sim, foi uma tentativa esforçada de alguns (poucos) dirigentes para evitar um mal maior. Claro que, ao contrário do que acontece com os autores das injúrias e agressões, que podiam e deviam ser processados criminalmente, não me parece isso possa acontecer com a CGTP; mas da responsabilização cívica e política ninguém os livra.
Em segundo lugar, serei forçado a concordar parcialmente com Vitalino Canas (pelo qual, note-se, não nutro qualquer espécie de simpatia) quando ele afirma que a CGTP, nas suas manifestações, andou a semear ódios que dificilmente poderiam ter outro desenlace. Parcialmente – disse – porque não posso concordar com o foco ele coloca nas “esperas” e assobios ao primeiro-ministro e nas manifestações à porta das sedes do PS. Desde que legais, ou mesmo que até um pouco para além da legalidade pois prefiro sacrificar um pouco da lei a qualquer tique de autoritarismo, nada tenho a obstar. O problema não é esse, portanto. O problema está mais em certas atitudes e palavras de ordem vistas e ouvidas em manifestações anteriores, que me parecem para além do democraticamente tolerável. Para que não existam dúvidas: nada tenho contra manifestações combativas (antes pelo contrário), em que os manifestantes (concordando ou discordando eu dos seus objectivos) exprimam “alto e bom som” ao que vão, o que querem e o que lhes vai na alma. Muito bem! Que chamem até “mentiroso” a José Sócrates, acusando-o do não cumprimento de promessas eleitorais: tivesse ou não a isso sido forçado pelas circunstâncias, trata-se de uma legítima acusação política. Agora, como já ouvi, que seja acusado de corrupto, ladrão, “fascista” e outras “tretas” no género de carácter pessoal (não me lembro se já chegaram ao “cabrão” e “filho da puta”), há muito que os dirigentes sindicais deviam a isso ter posto cobro. Não o tendo feito, a tempestade política estava agora pronta a ser colhida.
Em primeiro lugar a organização do evento pertencia à CGTP, que até tem por hábito, normalmente, pôr a funcionar um serviço de ordem bem eficaz destinado a assegurar o normal funcionamento das suas manifestações. Não vi, nas imagens passadas pelas televisões, qualquer actuação desse serviço de ordem no sentido de evitar as agressões e injúrias a Vital Moreira; o que vi, sim, foi uma tentativa esforçada de alguns (poucos) dirigentes para evitar um mal maior. Claro que, ao contrário do que acontece com os autores das injúrias e agressões, que podiam e deviam ser processados criminalmente, não me parece isso possa acontecer com a CGTP; mas da responsabilização cívica e política ninguém os livra.
Em segundo lugar, serei forçado a concordar parcialmente com Vitalino Canas (pelo qual, note-se, não nutro qualquer espécie de simpatia) quando ele afirma que a CGTP, nas suas manifestações, andou a semear ódios que dificilmente poderiam ter outro desenlace. Parcialmente – disse – porque não posso concordar com o foco ele coloca nas “esperas” e assobios ao primeiro-ministro e nas manifestações à porta das sedes do PS. Desde que legais, ou mesmo que até um pouco para além da legalidade pois prefiro sacrificar um pouco da lei a qualquer tique de autoritarismo, nada tenho a obstar. O problema não é esse, portanto. O problema está mais em certas atitudes e palavras de ordem vistas e ouvidas em manifestações anteriores, que me parecem para além do democraticamente tolerável. Para que não existam dúvidas: nada tenho contra manifestações combativas (antes pelo contrário), em que os manifestantes (concordando ou discordando eu dos seus objectivos) exprimam “alto e bom som” ao que vão, o que querem e o que lhes vai na alma. Muito bem! Que chamem até “mentiroso” a José Sócrates, acusando-o do não cumprimento de promessas eleitorais: tivesse ou não a isso sido forçado pelas circunstâncias, trata-se de uma legítima acusação política. Agora, como já ouvi, que seja acusado de corrupto, ladrão, “fascista” e outras “tretas” no género de carácter pessoal (não me lembro se já chegaram ao “cabrão” e “filho da puta”), há muito que os dirigentes sindicais deviam a isso ter posto cobro. Não o tendo feito, a tempestade política estava agora pronta a ser colhida.
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