Fazer constar e publicar, sem desmentido, que vão ser anunciados cortes drásticos na despesa do Estado e depois anunciar, através de uma formal conferência de imprensa convocada para as nove da manhã, um aumento significativo do IVA no gás e electricidade, defraudando completamente as expectativas é um erro de comunicação tão primitivo, "colossal" (direi mesmo uma trapalhada ao nível do melhor burlesco de um Jerry Lewis), que acredito nem um governo com demasiada gente inexperiente, como é o actual, cometeria tal erro. Muito menos um governo que conta com a experiência e expertise de um político como Paulo Portas. A pergunta que posso fazer é pois a seguinte: quem terá tramado Vítor Gaspar (e, já agora, Passos Coelho)? Quem fez com que tropeçassem no balde e fossem espalhar-se direitinhos com a cara de encontro à tarte de creme? Ou, então, quem sabia isso ia acontecer e não fez nada para o evitar?
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sexta-feira, agosto 12, 2011
quinta-feira, agosto 11, 2011
UK: ordem pública e política
Li ontem, num daqueles rodapés informativos das televisões, que a polícia britânica estaria a ser acusada de pouca eficácia, pelo menos num primeiro momento, na repressão dos motins. Admito o tenha sido, mas também sou levado a pensar que tal se pode ter ficado a dever àquele que é, tradicionalmente, o "way of doing the things" da Polícia Metropolitana e que não terá muito a ver com o que se passa noutros países quando estes enfrentam situações semelhantes (v.g. França)
De qualquer modo, e como por aqui já afirmei, se no curto-prazo estamos perante uma questão aguda de alteração violenta da ordem pública, a que é preciso pôr cobro e rapidamente, não é indiferente para a prevenção futura e resolução no longo-prazo deste tipo de problemas, evitando o ressurgimento das suas manifestações mais agudas e violentas, o modo como o reestabelecimento dessa ordem pública possa ser conseguido. Estamos pois, também, perante uma questão política, e é indispensável que tal seja levado em linha de conta nos processos e meios utilizados para repor a ordem e punir os responsáveis. Assim sendo, recorrer ao exército, transformando-o em verdadeira força de ocupação e de subversão do Estado de Direito, seria a pior das soluções, arriscando transportar para algumas cidades inglesas o ambiente militarizado e bélico da irlandesa Belfast, com o risco de transformar algumas das suas áreas em atoleiros semelhantes. Para bem de todos, espero mesmo não passe de uma ameaça e não se ofereça de mão-beijada aos desordeiros essa vitória.
As capas de Cândido Costa Pinto (73)
Capa de CCP para "A Diabólica Casa Isolada", de Agatha Christie, nº 37 da "Colecção Vampiro"
Nota: a versão televisiva ("Peril At End House"), incluída na série "Poirot", com David Suchet, passa hoje na RTP Memória pelas 22.20h. Recomendável.
À atenção da PSP, GNR e populismo ultra-securitário
Suzella Palmer, criminologista e especialista em gangs, crime e juventude na Universidade de Bedfordshire.
Nota: vale a pena ler a entrevista na íntegra.
quarta-feira, agosto 10, 2011
A RTP e os jogos de futebol
Ontem, faute de mieux, lá me dispus, pelas 23h, a ver o jogo da selecção portuguesa no mundial de sub-20 (não, não venho falar sobre o jogo, aliás entediante de mal jogado). Sabendo da transmissão da RTP 1, comecei por lá, mas logo verifiquei que teria de aturar uma transmissão com umas barras pretas em cima e em baixo ao longo de todo o comprimento do écran, vá lá saber-se porquê (gostava me explicassem, mas penso seja por causa das televisões antigas). Foi quando se fez luz no meu espírito e me lembrei que as transmissões do campeonato têm estado a cargo da Eurosport, muitas delas em HD. Na "mouche": mudança para o canal 27 e a Eurosport lá me proporcionou a transmissão do jogo com a qualidade HD e total preenchimento do écran. Depois invoquem o serviço público...
David Cameron
Contrariamente ao que David Cameron afirma, o problema não é "existirem partes da sociedade que estão doentes". Trata-se de um diagnóstico errado e a seguir por esse caminho Cameron não chegará a parte alguma: repetirá os mesmos erros que nos trouxeram - a todos - a esta situação explosiva. O que existe, isso sim, é um modelo de desenvolvimento que gerou nos últimos 20 ou 30 anos uma sociedade pouco saudável, se quisermos, doente no seu todo.
Claro que é agora indispensável reprimir e restaurar a ordem pública rapidamente; defender a propriedade, pessoas e seus bens. Levar desordeiros perante a Justiça que não deixará de os responsabilizar pelos seus actos. Mas o próprio modo como isso for feito, sem que o que digo possa ser interpretado como apelo a qualquer tipo de brandura ou capitulação mas apenas como necessidade de se respeitar, ao impor o primado da lei, a letra e o espírito do Estado de Direito Democrático britânico, não é indiferente para se mostrar a todos, prevaricadores e vítimas, que se percebeu o que está em causa e que se saberá agir também a montante dos problemas para evitar uma sua qualquer repetição. É esta, agora, a tarefa fundamental de David Cameron e do seu governo.
Summer nights music - III série (4)
Carl Maria von Weber - Concerto para Fagote em Fá maior
3º andamento (Rondo; Allegro)
terça-feira, agosto 09, 2011
Motins de Londres: à atenção das autoridades portuguesas
O que vou dizer é óbvio, mas em ocasiões complexas e difíceis existe sempre tendência para entrar em análises profundas (o que também é necessário) e esquecer esse mesmo óbvio.
- Mesmo nas maiores desgraças há sempre algo a aprender. No caso dos motins londrinos, seria bom que as autoridades portuguesas (Governo, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e outras) tentassem perceber como se chegou a tal ponto, agindo enquanto é tempo de modo a evitar qualquer coisa de parecido à escala portuguesa. É que já existiram uns "ameaços"... Não há qualquer desculpa para a repetição das mesmas asneiras, e tal repetição costuma dar origem aos mesmos desastrosos resultados.
- Seria também ocasião indispensável para as forças de segurança perceberem como devem lidar com situações semelhantes, quer preventivamente (a PSP e a GNR costumam ter dedo demasiado pesado no gatilho e pouca sensibilidade para lidar com algum tipo de marginalidade, mas também com algumas minorias étnicas), quer no caso, que esperemos não aconteça, de se verem forçadas a recorrer à repressão por alteração da ordem pública. Pede-se profissionalismo.
"One-Hit Wonders" - II série (4)
The Paper Dolls - "Something Here In My Heart (Keeps A-Tellin' Me No) (1968)
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