"Almost Strangers", de Stephen Poliakoff (2001)
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quinta-feira, agosto 04, 2011
Equipas com mais jogadores nacionais ou Liga Europeia?
Em vez de criticarem a falta de jogadores portugueses nas equipas nacionais, o que não terá quaisquer consequências e é uma posição ideologicamente reacionária (o tempo não volta para trás nem o mundo anda às arrecuas), os jornalistas e comentadores deveriam aproveitar a oportunidade para, partindo desta constatação, se interrogarem sobre se um sistema competitivo baseado fundamentalmente em ligas nacionais continua a fazer sentido. É, mais uma vez, a velha questão da Liga Europeia ou da fusão de ligas nacionais, pois claro.
Um pouco mais de atenção, senhores comentadores desportivos!
Às vezes gostava que os comentadores e jornalistas encarregues dos assuntos da "bola" percebem-se um pouco mais do assunto. No "blogue" "Jogo Jogado", da TSF, Mário Fernando, que nem é dos piores, vem dizer que o SLB jogou ontem, na Turquia, com um "duplo pivot", Javi/Witsel. Não é verdade e, pelos vistos, Mário Fernando não sabe o que é um "duplo pivot". O meu clube jogou ontem, isso sim, com um "pivot" posicional, um nº6 clássico (Javi Garcia), um médio "box to box", ou um nº8 (Witsel - que é assim a modos que um misto de Stromberg e Rui Costa), e um nº10 clássico, Pablo Aimar. Um sistema semelhante ao 4x3x3 que a selecção portuguesa utilizava nos tempos de Costinha, Maniche e Deco, só que, em vez de dois alas mais ou menos clássicos (Cristiano e Luís Figo) e um ponta de lança de área, de "último toque" (Pedro Pauleta), optou por três avançados muito móveis (Gaitán, Saviola e Nolito), com os alas trocados" para efectuarem diagonais para a área. Aliás, foi assim o golo de Nolito. Que raio, futebol não é nenhuma ciência complicada, mas é pelo menos preciso estar atento.
"Elephant" (10/10) - para melhor entender o massacre de Utoya
"Elephant", de Gus Van Sant (2003)
Legendas em castelhano
quarta-feira, agosto 03, 2011
Um novo SLB?
Correndo o risco de me repetir...
Sem Coentrão e com Cardozo no "banco", com Witsel (belo jogador!) e Matic como opção, com um Emerson a dar menos profundidade ao jogo mas defensivamente consistente e Jorge Jesus a optar por jogar com os extremos "trocados", como deve acontecer quando não existe um "poste" na área, a equipa fica mais "curta", mais compacta, os jogadores mais próximos e por isso controla melhor o jogo e circula melhor a bola. Acabam-se assim o frenesim, responsável por goleadas mas também por insucessos em alguns jogos contra as equipas do "seu" campeonato, e a incapacidade para ter bola e sair a jogar. Há menos espectáculo mas mais consistência. Como já tenho dito, falta um ponta de lança para jogar neste modelo. Ah!, e também é preciso maior objectividade.
Portagens no IC19? Pois claro!
Portajar o IC19, onde existe um transporte público alternativo eficaz (o comboio), significaria menos automóveis em Lisboa, menor poluição e menor consumo de combustíveis importados. Mais: o valor cobrado nas portagens deveria servir para financiar esse mesmo transporte público, melhorando-o em termos de conforto, segurança e eficácia e permitindo, a prazo, um menor aumento ou até a estabilização ou redução das tarifas cobradas aos seus utilizadores. Para além de beneficiar os mais pobres - que são os utilizadores mais frequentes desses mesmos transportes públicos - parece-me ser, pelas razões apontadas, também uma medida de carácter civilizacional.
BPN/BIC: uma decisão política
Parece-me ser quase impossível a alguém que desconheça os pormenores e não esteja por dentro do negócio BPN/BIC (ou melhor, Estado português/Estado angolano) opinar com rigor sobre a bondade do mesmo para o Estado e cidadãos portugueses. De uma coisa - penso - poderemos contudo estar certos: a partir do momento em que o BIC (leia-se, o Estado angolano) manifestou o seu interesse no negócio, dificilmente, dentro de determinados limites, o resultado poderia ter sido muito diferente sem que os interesses portugueses em Angola e os futuros negócios angolanos em Portugal sofressem um duro revés, algo a que Portugal, neste momento, não se pode dar ao luxo. Aliás, é este um dos problemas que sempre se deparam às empresas e aos Estados que afunilam demasiado os seus negócios com países onde vigoram regimes ditatoriais e campeia a corrupção a favor da elite no poder.
A decisão do negócio BPN/BIC foi pois, e independentemente dos argumentos de ordem social, económica e financeira que se têm vindo a esgrimir no Parlamento e nos "media", uma decisão política, e só assim poderia ter sido. O que estranho - estranho mesmo - é ver e ouvir alguns dos que sempre têm defendido, e bem, o primado dessa mesma política, passarem agora ao seu lado na discussão do tema. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"?
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