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sexta-feira, junho 29, 2012

Angela Merkel: racionalidade e emoções


Não tem razão Francisco Teixeira ao fazer esta afirmação no quase sempre interessante "União de Facto". Independentemente do que pensemos sobre a actuação política de Angela Merkel (e eu estou muito longe de ser um entusiasta), é exactamente o futebol, e não a política, o terreno de eleição para expressarmos emoções. Preocupado ficaria se, independentemente das suas emoções futebolísticas e dos golos de Balotelli que a fizeram chorar, a chanceler alemã governasse sem ter como critério prioritário e fundamental a racionalidade. E digamos que é exactamente da primazia dada por Merkel a esses critérios de racionalidade política que por vezes me permito duvidar.

quinta-feira, junho 28, 2012

Um pouco mais sobre o jogo de ontem...

  1. Justa vitória de Espanha. Foi sempre a equipa dominante (o que é diferente de ser dominadora ou controlar o jogo), em função de cuja ideia de jogo, e para a tentar contrariar, a selecção portuguesa se organizou. No prolongamento "abafou" o adversário, teve as melhores oportunidades e podia ter aí ganho o jogo. Teve sempre mais e melhores soluções no "banco", apesar do notório erro de "casting" que consistiu na titularidade de Negredo.
  2. Portugal tentou contrariar a selecção de Espanha jogando no campo todo, mas dificilmente conseguiu desse modo roubar bolas e iniciar as transições em zonas "altas" do campo: a segurança de posse e circulação de bola da "roja" raramente o permitem. Estoirada por correr atrás de "rato", acabou, no prolongamento, por se ver constrangida a colocar o "autocarro" e esperar os "penalties", um pouco como tinha aqui previsto. E como teve de jogar mais atrás, Cristiano apareceu menos. Mas 43% de posse de bola contra a selecção de Espanha é motivo para louvor e não me lembro de ver Espanha em tantas dificuldades num jogo decisivo.
  3. Já tive de ouvir quem dissesse que não se entendia o porquê da selecção portuguesa ter recuado tanto no prolongamento, já que tinha mais dois dias de descanso. Simples: não tinha no "banco" jogadores com a qualidade de Fábregas, Pedro ou Navas (e sobraram muitos mais e até faltou o decisivo Villa), que vieram dar o segundo fôlego a Espanha, e o "tiki taka" é bem menos desgastante que o futebol de "sprints" e bolas longas da equipa portuguesa.
  4. Como se viu, ridículo todo o estardalhaço feito à volta do árbitro. "Old habits die hard".
  5. Os "penalties" não são uma lotaria. Digamos que "sorte e "azar" contam talvez um pouco mais do que no resto do jogo, mas quem chega a esse momento em melhor condição física e psicológica, "por cima" no jogo, tem sempre maiores probabilidades de ganhar.
  6. Se formos ver, Alemanha, Itália, Espanha e França são as equipas europeias dominantes em Europeus e Mundiais. As excepções são Holanda, Dinamarca (mesmo assim países bem mais "ricos" e desenvolvidos que Portugal) e Grécia (a excepção, mas que no conjunto de resultados é bem pior que Portugal), todas com um título europeu. É a isto que me refiro quando digo que "falta país" para a selecção portuguesa poder dar o "salto". 

Portugal no EURO 2012: um resumo

Falta qualquer coisa ao futebol português para conseguir que a sua selecção principal passe de uma boa equipa, frequentadora habitual de fases finais, quartos e meias finais de grandes competições, a uma equipa ganhadora desses mesmos campeonatos em que participa. Umas vezes terá faltado organização, rigor e planeamento; outras, treinador; em outros casos, ainda (e será mais esta a situação actual), jogadores de qualidade acima da média em número suficiente. No fundo, se olharmos para a lista de vencedores e finalistas habituais dessas mesmas grandes competições, tem faltado e faltará sempre país, o que, aqui e ali, a selecção tem conseguido disfarçar com a qualidade, competência e o profissionalismo de alguns poucos. Foi este o caso actual. 

quarta-feira, junho 27, 2012

Como irá jogar a selecção?

Confesso que a minha maior curiosidade em relação ao jogo de hoje é saber como vai jogar Portugal, se com um bloco baixo, linhas muito juntas e tentando a partir daí explorar o habitual jogo vertical da equipa, em transições rápidas ou passes longos para os flancos, onde Hugo Almeida também sabe aparecer (ao contrário do que a sua morfologia sugere, tem razoável mobilidade e sabe embalar de trás), ou tentando pressionar alto e roubar a bola aos jogadores da selecção de Espanha na chamada "primeira fase de construção", não "autorizando" explanem o seu habitual "tiki-taki" perto da área portuguesa com desmarcações rápidas no limite do "fora de jogo". Digamos que a opção não depende só da lição que trouxerem estudada, mas muito mais da capacidade para a porem em execução.

Quanto a mim, vou adiantando que nunca vi ninguém conseguir ser bem sucedido contra Barça ou Espanha (certo, esta não tem Messi nem Daniel Alves, o que facilita um pouco as coisas) sem o bom e velho "autocarro", "double decker" de preferência, explorando a partir daí as transições rápidas e as bolas longas. E a selecção portuguesa, embora lhe falte um Benzema, tem gente para o fazer. Veremos...

terça-feira, junho 26, 2012

Joguem mas é à bola!...

A contestação da imprensa portuguesa (com todo o ar de "encomendada") à nomeação do árbitro Cuneyt Çakir, mesmo que a possamos integrar nos chamados "mind games", é atitude de perdedor, de "Portugal pequenino", de desculpa antecipada para uma muito possível derrota num jogo em que a selecção portuguesa está longe de ser favorita. Tratem mas é de jogar à bola, pois já provaram o sabem fazer.

segunda-feira, junho 25, 2012

Aprender com o EURO 2012 (4b) - Espanha


A Guerra Civil de Espanha - A Batalha do Ebro (II)

EURO 2012: o fim das identidades nacionais e a histeria anti-Alemanha

  1. Para mim, o EURO 2012 marca o culminar de um processo de descaracterização dos "futebóis" nacionais, tal como até há pouco tempo eram identificados. A Espanha já há uns anos substituiu a tradicional "fúria" pelo sonolento "tiki taki" barcelonista; Portugal pôs de parte o sacrossanto "10", a posse de bola e a herança do futebol improfícuo e sem balizas idealizado por José Maria Pedroto, um dos maiores mitos do futebol português, e foi vê-lo a jogar contra a nórdica Dinamarca em transições rápidas, bolas longas a solicitar a corrida dos alas, a intervenção do "ponta de lança" e até a marcar um golo de cabeça de um pontapé de canto; a Alemanha já se esqueceu daquele género de atletismo com bola e, ironia das ironias, vimos ontem a Itália, com a sua defesa colocada na linha de meio-campo, jogar um futebol de ataque contra uma Inglaterra encolhida numa espécie de "catenaccio". No fundo, trata-se de um processo iniciado com a emigração dos anos 60 do século passado, que fez com muitos jogadores actuais das grandes selecções sejam imigrantes de segunda geração, prosseguido com a livre circulação na UE e a lei Bosman, incluindo o intercâmbio de treinadores, e consolidado com a transformação do futebol num espectáculo televisivo global. As identidades nacionais transformaram-se em identidades de equipa, em função das ideias dos respectivos treinadores e das características dos jogadores. Não sou saudosista, e quanto a mim a competitividade aumentou e os jogos tornaram-se bem mais abertos e interessantes.
  2. Confesso estar demasiado farto dos que fazem da derrota da selecção alemã um ponto de honra, alinhando as suas preferências no EURO 2012 pela sua posição face à política europeia de Angela Merkel. Não porque seja um entusiasta dessa política (não o sou) ou alinhe pela opinião dos que separam política do desporto ou espectáculo: nunca estiveram nem estarão separados. Mas o problema é que fazer da derrota da selecção alemã - que até joga um futebol atractivo - um ponto de honra se me assemelha demasiado a um género de vingança dos impotentes, servindo de fraca compensação para a incapacidade de todos nós - portugueses, espanhóis, italianos, gregos, etc - conseguirmos fazer vingar os nossos pontos de vista políticos nos locais próprios e através dos mecanismos adequados. Acresce que a Alemanha é uma democracia e Angela Merkel a sua legítima chefe de governo, e se já assistimos por vezes a perigosas identificações entre regimes políticos e acontecimentos desportivos (o exemplo talvez mais próximo terá sido o Mundial de 78 e a ditadura argentina de Videla), não vejo onde, directa ou indirectamente, se possa associar a política europeia da Alemanha ao EURO 2012 ou à selecção alemã. Por último, a selecção alemã, com Boateng, Podolski, Klose, Özil e Kehdira, é até um bom exemplo de integração, do qual todos nós, europeus, nos devíamos orgulhar. Portanto, não contem comigo para engrossar o ruído anti-Alemanha do futebol.

domingo, junho 24, 2012

Aprender com o EURO 2012 (4a) - Espanha


A Guerra Civil de Espanha - A Batalha do Ebro (I)

Portugal - Espanha

Um Portugal-Espanha já não é como antigamente e eu não tenho saudades. E o "antigamente" era o tempo do "hóquei patriótico", em que frente a frente, tal como nos ensinavam (erradamente) na escola com aqueles mapas com bandeirinhas da república portuguesa e da monarquia espanhola a assinalar as batalhas, estavam dois exércitos, como em Aljubarrota ou nos Atoleiros, já não cobertos de poeira e sangue mas de algum suor, outro tanto esforço e muitas lágrimas nas derrotas. De um lado, Zabalia (ou era já o Largo?), Orpinell, Boronat, Puigbó e Roca; do outro, Moreira, Vaz Guedes, Adrião, Velasco e Bouçós, quatro moçambicanos (todos brancos, claro) e um "ricaço" que isso de ter dinheiro para patins e tempo para praticar não era para os "matarruanos" do futebol. Claro que a ditadura salazarista sonegava que a modalidade tinha expressão quase exclusivamente confinada a duas cidades (Lisboa e Barcelona), centros de lazer e veraneio (a "linha" - com Sintra para animar, as praias catalãs, Montreux, Herne Bay e Monza) e o suave viver da Lourenço Marques branca e colonial; mas isso que importava se éramos os "melhores do mundo"?

Bom, entretanto começámos a descobrir que Aljubarrota foi quase uma guerra civil e também pouco mais do que um episódio da Guerra dos Cem Anos, não demasiado diferente de Poitiers, Crécy ou Azincourt; que D. João subiu ao trono por meio de um Golpe de Estado, o rei Filipe II era mesmo o herdeiro legítimo do trono português (era neto do "Venturoso", caramba!) e Espanha até tem um rei que fala português e cresceu e fez velhas amizades por cá. Hoje, Portugal e Espanha  partilham a mesma moeda e, em muitos campos, sentem dificuldades idênticas; muitos portugueses trabalham aqui ao lado e muitas das empresas para as quais trabalham, portuguesas ou espanholas, têm a sua sede ou instalações  em Madrid ou Barcelona; descobrimos que Catalunha, Galiza e País Basco são nações como Portugal que, ao contrário deste, por vicissitudes históricas não ascenderam à independência e, "last but not least", já não vamos a Espanha apenas para comprar caramelos a Badajoz, nem a maioria dos espanhóis vem a Portugal apenas para comprar café ou roupa de cama. E, claro, "amantes espanholas" são mesmo coisa de histórias contadas à lareira lembrando antepassados alentejanos de há muito. Se virmos bem, na próxima quarta-feira um grupo de amigos e companheiros de trabalho, muitos alinhando em lados opostos aos que costumam ser os seus e reforçados por alguns convidados para dar mais brilho à festa, encontram-se para um jogo de futebol onde vão discutir quem pode vir a ser, desta vez num desporto a sério, o melhor da Europa. Como vêem, esta é uma excelente oportunidade para recordar aqui como todos progredimos. Viva este Portugal-Espanha. 

sexta-feira, junho 22, 2012

A selecção portuguesa em 5 pontos 5

  1. Pela primeira vez desde Eusébio, a selecção portuguesa tem no seu jogador de maior classe, autêntico "fora-de-série", também um goleador. Por uma ou outra razão, nas anteriores fases finais com Cristiano Ronaldo tal não aconteceu. Ora isso faz toda a diferença.
  2. Esta é também a selecção que melhor futebol pratica desde 66 (era eu adolescente e apesar de ver futebol quase desde que nasci, ou ter nascido a vê-lo, assumo ainda via o jogo com outros olhos). O futebol mudou demasiado para se poderem fazer comparações, mas vê-se que a equipa tem um plano de jogo definido, sabe o que fazer em cada circunstância, assume o jogo e joga no campo todo e sabe esperar, com a confiança das grandes equipas, o seu momento. Provavelmente isso ainda não chegará para ganhar à França, Espanha, Itália ou Alemanha, mas isso é já outra conversa.
  3. Paulo Bento foi até agora o único seleccionador capaz de potenciar na equipa nacional as qualidades de Cristiano. Sem Deco ou Rui Costa a equipa passou a jogar menos "em posse" e mais em transições rápidas ou passes longos; sem a "invenção" de Pepe a "6" também uns bons dez metros mais à frente e a vocação ofensiva de Coentrão e João Pereira permite que Ronaldo apareça no meio sem a equipa perder largura. Bem simples, mas Paulo Bento é homem inteligente e por isso de processos simples.
  4. Pepe, Coentrão e Cristiano têm sido decisivos e um verdadeiro esteio desta equipa (sem desprimor para qualquer dos outros). A "linha directa" entre Paulo Bento e José Mourinho parece estar a funcionar em pleno. Quando duas pessoas são competentes e têm grande confiança em si próprias nunca se importam de trocar ideias, quer isso tenha acontecido ou não.
  5. Como se verifica, competência e seriedade dispensam os terceiro-mundistas beijos na bandeira dos tempos de António Oliveira ou o populismo "peronista" da dupla Scolari/Rebelo de Sousa, sem que isso signifique menosprezo ou ausência de reconhecimento pela capacidade de liderança de "Filipão", personalidade indispensável depois do aventureirismo que caracterizou todo o período "oliveirinha".

quarta-feira, junho 20, 2012

Aprender com o EURO 2012 (3c) - República Checa

O assassinato de Heydrich e o massacre de Lidice

II. partes 10, 11, 12, 13 e 14 (última)

A propósito do Ucrânia-Inglaterra: futebol e novas tecnologias

A propósito do "golo" de ontem no Ucrânia-Inglaterra, que afinal não valeu, e da utilização das novas tecnologias no futebol, deixo este meu "post" sobre o assunto escrito durante o último Mundial (28 de Junho de 2010). Não adiciono nem retiro uma vírgula.

sexta-feira, junho 15, 2012

O EURO 2012 e as pronúncias

Claro que não exijo aos comentadores e relatores dos jogos de EURO 2012 que pronunciem o nome dos jogadores estrangeiros com rigor correspondente àquele com que Fernando Pessa, no seu impecável "received english", pronunciava o nome de Winston Churchill. Mas convenhamos que demonstraria algum profissionalismo tentarem qualquer coisa que não se afastasse demasiado de como a palavra soa no original, já que não ficaremos com certeza muito felizes se ouvirmos chamar "Iuzibio" ao velho Eusébio ou "Rônaldô" ao Cristiano. E, acresce, hoje em dia com a "internet" até não é muito difícil obter a pronúncia correcta, ou pelo menos aproximada, de qualquer jogador sueco, russo, croata ou até... espanhol, sem que tal trabalho tome sequer demasiado tempo a quem a ele por dever de ofício se abalance. Por exemplo, confesso que estou farto de me irritar quando oiço chamar "Kórluka" a "Tchôrluka" e Kranikar a "Kranichar" (a transcrição é aproximada, claro), tal como hoje ao ouvir chamar "Kim Kállstrom" ao sueco "kɪm ˈɕɛl.ˈstrœm". Muitos outros haverá, com certeza, e não estou a pedir mais do que algum profissionalismo a quem deveria ser obrigado a tal. E olhem que não dói nada, até porque, ao fim de muitos anos, vejo terem ficado felizes quando finalmente descobriram que (Dirk) Kuyt se pronuncia qualquer coisa de mais parecido com Kaut. Vale?

quarta-feira, junho 13, 2012

Um dia de Euro 2012

Ora vamos lá ver:
  1. A selecção portuguesa já cumpriu os serviços mínimos, o que lhe seria exigível: ganhou à Dinamarca, o jogo que tinha obrigação de ganhar. Tudo o que vier a mais é ganho.
  2. Eu sei que toda a gente vai falar dos falhanços de Cristiano. Ok, mais um a dizê-lo não vale a pena. A questão essencial é outra: a permeabilidade da equipa portuguesa pelas faixas laterais em virtude do "déficit" defensivo de Cristiano e Nani. Hoje, os dois golos sofridos vieram daí (independentemente de João Pereira estar a dormir "na forma" no primeiro) e foi notório, durante toda a segunda parte, Coentrão ter de se ver sozinho com todos os dinamarqueses que pelo seu lado apareciam (e foram muitos). O problema é agravado por a equipa "não saber ter bola" (não passa por aí o seu modelo de jogo, tudo bem) e os laterais terem mentalidade ofensiva, o que também faz parte do modelo de jogo da equipa. Esta será uma das razões - imagino - porque Paulo Bento não opta por um médio defensivo mais posicional (Custódio), pois precisa de gente do meio que ajude nas laterais. No Real Madrid, por exemplo, Di Maria é mais agressivo defensivamente e Arbeloa raramente se adianta. Além disso existem dois "pivots" defensivos (Khedira e Alonso) que se encarregam do "servicinho". Não sou treinador de bancada e considero Paulo Bento suficientemente competente: ele saberá como minorar o problema, se houver como fazê-lo.
  3. Pepe deu hoje uma lição aos que contestam jogadores que não tenham tido sempre a nacionalidade portuguesa joguem na selecção. E deu essa lição da melhor forma possível: não com "patrioteirismos" bacocos, mas mostrando um profissionalismo exemplar na defesa da equipa que integrava, que para o caso era a selecção portuguesa. Ser profissional e competente naquilo que se faz e sentir-mo-nos bem com aqueles que estão connosco é bem mais importante do que o amor a qualquer pátria. 
  4. Paulo Bento deu uma lição aos treinadores de bancada: no modo como defendeu o grupo e os jogadores mais criticados, no escalonamento para o jogo, como o preparou e geriu. Teve a sorte de o criticado Postiga ter marcado e de Varela se ter redimido do apregoado "falhanço" (não o considero bem assim) contra a Alemanha. Mas que competência e trabalho estiveram na base dessa sorte de Paulo Bento!...
  5. Do que já vi, a Alemanha é a principal candidata ao título. Porquê? É a mais equilibrada e a que apresenta maior segurança de jogo, isto é, a que melhor sabe o que fazer em todas as situações, comete menos erros e opta mais vezes pelas melhores soluções. E tem um Özil que põe tudo a mexer.
  6. A Holanda, com um ataque cheio de gente "de algo", só hoje conseguiu marcar um "golito" e sabe-se lá com que dificuldade. Um recado para os muitos que pensam que basta ter muito bons jogadores atacantes para marcar golos e ganhar jogos. O futebol é um jogo de equilíbrios (e desequilíbrios), movimentações colectivas e inteligência. Ter os melhores jogadores ajuda muito, mas bem mais num clube que treina todos os dias do que numa selecção que tem pouco tempo para afinar o colectivo. E, entregues a si próprios, Sneijder e Robben escolhem demasiadas vezes as piores soluções. Tal como Cristiano Ronaldo, claro.

terça-feira, junho 12, 2012

E se, pura e simplesmente, os outros jogam melhor?

Uma pergunta aos comentadores, jornalistas desportivos e "povo da SIC" que manda palpites, para o caso da selecção portuguesa não conseguir o apuramento: já se lhes ocorreu pensar que, em vez de tal poder vir a acontecer por não jogar o Nelson Oliveira, jogar o Postiga, o Paulo Bento ser "teimoso", a selecção jogar à defesa, não jogar ao ataque, ser pouco "ousada", o Cristiano mudar de penteado, o Nani dever jogar no apoio ao "ponta de lança" e o Eusébio já ter 70 anos, talvez isso possa acontecer pelo simples facto de as selecções da Alemanha, Holanda e/ou Dinamarca, todas nos dez primeiros lugares do "ranking", poderem ter melhores jogadores do que a selecção portuguesa, no global e em lugares-chave, e jogadores que permitem outro tipo de opções, como, por exemplo, um "ponta de lança" capaz de desencantar um golo do "quase-nada", como aconteceu com Mário Gomez??? É que talvez não fosse mau começar por aí...

Aprender com o EURO 2012 (2) - Polónia

segunda-feira, junho 11, 2012

Aprender com o EURO 2012 (1) - Ucrânia

EURO 2012, patrocinadores e "media": a tempestade perfeita

Para os mais distraídos: são os patrocinadores da FPF e da selecção que permitem, através das receitas desses patrocínios, que aquela e as suas congéneres da formação se preparem melhor para as competições em que participam; que permitem à FPF contratar melhores equipas técnicas, entre elas uma ex-campeã do mundo; que permitem que as várias selecções alcancem melhores resultados, prestigiando o país; que permitem o fomento do futebol jovem; que permitem oferecer melhores prémios aos jogadores, evitando casos como o de Saltillo; que permitem a melhoria das infraestruturas para a prática do futebol, etc e muitos mais eteceteras. Digamos que sem patrocinadores estaríamos ainda nos tempos da "bola quadrada" e das "balizas às costas".

Mas como não há almoços grátis, existem contrapartidas, e não só directas, nos painéis publicitários colocados por detrás dos jogadores durante as conferências de imprensa ou nas camisolas de treino da selecção: o retorno do patrocínio é tanto maior quanto maior for o número de pessoas que se interesse e acompanhe a equipa e os seus jogos, no fundo, que adira ao evento. Daí toda esta histeria, este ruído infindável, este bruáá, esta lavagem cerebral que ocupa tempo e espaço mediático sem fim quando nada há dizer: fazer crescer e vender o evento, valorizar e tornar o EURO 2012 e a participação da selecção no "acontecimento", angariando cada vez mais gente para o respectivo culto. Mesmo quando o "logo" da marca não está directamente presente, este é o objectivo principal. Ganham os patrocinadores, aumentando o valor do respectivo retorno, e ganham os "media", vendendo espaço e tempo dos seus programas que envolvam o EURO 2012 e a participação da selecção a esses mesmos patrocinadores. Estou mesmo quase a dizer que se trata de uma tempestade perfeita.