Mostrar mensagens com a etiqueta Angela Merkel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Angela Merkel. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, junho 29, 2012

Angela Merkel: racionalidade e emoções


Não tem razão Francisco Teixeira ao fazer esta afirmação no quase sempre interessante "União de Facto". Independentemente do que pensemos sobre a actuação política de Angela Merkel (e eu estou muito longe de ser um entusiasta), é exactamente o futebol, e não a política, o terreno de eleição para expressarmos emoções. Preocupado ficaria se, independentemente das suas emoções futebolísticas e dos golos de Balotelli que a fizeram chorar, a chanceler alemã governasse sem ter como critério prioritário e fundamental a racionalidade. E digamos que é exactamente da primazia dada por Merkel a esses critérios de racionalidade política que por vezes me permito duvidar.

segunda-feira, junho 25, 2012

EURO 2012: o fim das identidades nacionais e a histeria anti-Alemanha

  1. Para mim, o EURO 2012 marca o culminar de um processo de descaracterização dos "futebóis" nacionais, tal como até há pouco tempo eram identificados. A Espanha já há uns anos substituiu a tradicional "fúria" pelo sonolento "tiki taki" barcelonista; Portugal pôs de parte o sacrossanto "10", a posse de bola e a herança do futebol improfícuo e sem balizas idealizado por José Maria Pedroto, um dos maiores mitos do futebol português, e foi vê-lo a jogar contra a nórdica Dinamarca em transições rápidas, bolas longas a solicitar a corrida dos alas, a intervenção do "ponta de lança" e até a marcar um golo de cabeça de um pontapé de canto; a Alemanha já se esqueceu daquele género de atletismo com bola e, ironia das ironias, vimos ontem a Itália, com a sua defesa colocada na linha de meio-campo, jogar um futebol de ataque contra uma Inglaterra encolhida numa espécie de "catenaccio". No fundo, trata-se de um processo iniciado com a emigração dos anos 60 do século passado, que fez com muitos jogadores actuais das grandes selecções sejam imigrantes de segunda geração, prosseguido com a livre circulação na UE e a lei Bosman, incluindo o intercâmbio de treinadores, e consolidado com a transformação do futebol num espectáculo televisivo global. As identidades nacionais transformaram-se em identidades de equipa, em função das ideias dos respectivos treinadores e das características dos jogadores. Não sou saudosista, e quanto a mim a competitividade aumentou e os jogos tornaram-se bem mais abertos e interessantes.
  2. Confesso estar demasiado farto dos que fazem da derrota da selecção alemã um ponto de honra, alinhando as suas preferências no EURO 2012 pela sua posição face à política europeia de Angela Merkel. Não porque seja um entusiasta dessa política (não o sou) ou alinhe pela opinião dos que separam política do desporto ou espectáculo: nunca estiveram nem estarão separados. Mas o problema é que fazer da derrota da selecção alemã - que até joga um futebol atractivo - um ponto de honra se me assemelha demasiado a um género de vingança dos impotentes, servindo de fraca compensação para a incapacidade de todos nós - portugueses, espanhóis, italianos, gregos, etc - conseguirmos fazer vingar os nossos pontos de vista políticos nos locais próprios e através dos mecanismos adequados. Acresce que a Alemanha é uma democracia e Angela Merkel a sua legítima chefe de governo, e se já assistimos por vezes a perigosas identificações entre regimes políticos e acontecimentos desportivos (o exemplo talvez mais próximo terá sido o Mundial de 78 e a ditadura argentina de Videla), não vejo onde, directa ou indirectamente, se possa associar a política europeia da Alemanha ao EURO 2012 ou à selecção alemã. Por último, a selecção alemã, com Boateng, Podolski, Klose, Özil e Kehdira, é até um bom exemplo de integração, do qual todos nós, europeus, nos devíamos orgulhar. Portanto, não contem comigo para engrossar o ruído anti-Alemanha do futebol.

segunda-feira, maio 07, 2012

O socialismo democrático e as várias eleições de ontem

Penso que foi ao Pedro Adão e Silva que ouvi em tempos a seguinte e certeira constatação: "se, na Europa, a austeridade vai varrendo do poder os partidos que a ela aderem, isso acontece de modo mais gravoso com o socialismo democrático e a social-democracia" (cito de cor). Nada de admirar, claro, se nos lembrarmos que, uma vez vencida a direita europeia democrata-cristã e substituída esta por uma espécie de versão serôdia dos "neo-cons" americanos, a política de austeridade, se pouco ou nada tem a ver com os partidos que estiveram na génese da Europa do pós-guerra, tem-no, de entre estes, ainda menos com os que se reclamam da herança reformista da Internacional Socialista. Lembrei-me disto ontem ao ver os resultados das eleições na Grécia e em França, não deixando de deitar um olho para o que se passou no Estado federado alemão de  Schleswig-Holstein. É que, de facto, depois do PS português e do PSOE terem sofrido profundas e históricas derrotas nas eleições legislativas dos respectivos países e do PASOK grego ter passado a terceira força política, a Nova Democracia grega e a CDU de Fraü Merkel, apesar das perdas, conseguem mesmo assim ganhar as eleições a que concorreram ontem. Digamos que, em medidas diferentes, se aguentaram. Ah!, dir-me-ão, e Hollande? Pois... mas o facto é que, apesar de conjugar em si a austeridade, uma personalidade antipática e um seguidismo em relação ao governo de um país contra o qual a França disputou as suas últimas três guerras, nos últimos 150 anos, (franco-prussiana e WWI e II), Sarkozy consegue ainda assim o "feito" de uma derrota "à justa". Digamos que mais do que saudar a, mesmo assim importante, vitória de Hollande, é nisto que a social-democracia e o socialismo democrático - e, por maioria de razões, António José Seguro - devem pensar. Olhando para França? Sim, não direi que não, mas muito principalmente para a Grécia do Syriza e de uma tal "Aurora (muito pouco) Dourada".

terça-feira, dezembro 06, 2011

Ora então, é assim...

Ora então, é assim ("clarinho, clarinho, para militar perceber"). Não é a chanceler Merkel que é má como as cobras nem o presidente Sarkozy um político sem grandeza (façam favor de escolher os adjectivos). E de burros também não terão nada. O que existe, isso sim, e actualmente, é uma contradição clara entre os interesses de uma Alemanha tradicionalmente superavitária e que, portanto, nada lucra com uma inflação que leve a uma desvalorização do euro, e um conjunto de países deficitários e sobre-endividados que, claro, veriam com muito bons olhos o BCE lançasse dinheiro no mercado mesmo que á custa de algum abrandamento sobre o controlo dos preços. E das duas, uma: ou a Alemanha conclui finalmente que a manutenção da UE de da moeda única é do seu interesse e tentará resolver a crise sacrificando ao mínimo os seus interesses e tentando cavalgar o melhor de dois mundos (penso ser o que está a tentar, caminhando no arame por cima do fosso dos crocodilos); ou conclui o contrário e... puff!... os outros que se lixem. Claro que no meio de tudo isto podem existir passos em falso e erros de cálculo. Até megalomanias irrealizáveis (Hitler também pensou que conquistaria a URSS com um exército formatado para o "blitzkrieg"). Pois, mas isso faz parte da natureza humana, que costuma comandar essa coisa da política. 

quarta-feira, novembro 09, 2011

Frau Merkel e as políticas domésticas...


Muito bem, estou de acordo. Mas então vamos lá eleger um parlamento europeu de onde saiam o primeiro-ministro e governo europeus, um senado com representação igualitária de cada Estado e um colégio eleitoral que eleja o presidente da União. E isto só para começar, está bem? 

sexta-feira, março 25, 2011

A propósito de Angela Merkel: o espírito alemão

Na segunda metade dos anos oitenta do século passado trabalhei na filial portuguesa de uma multinacional alemã. Aliás, por pouco tempo, menos de dois anos completos. Tinha um lugar correspondente ao terceiro nível de management da empresa, digamos assim, sendo que o primeiro era o do presidente da subsidiária (um alemão) e o segundo correspondia aos directores de cada uma das divisões - que me lembre, mas já não estou assim tão certo, também todos eles alemães.

Apesar de já não ser propriamente um júnior, exercer uma função de responsabilidade e de ter trabalhado anteriormente, durante alguns anos, numa outra multinacional, embora de outra nacionalidade, a primeira coisa que me disseram depois das normais apresentações foi o seguinte: “sabe, aqui não se deixa o telefone tocar mais de duas vezes. Mesmo que não seja o nosso, se formos a passar qualquer um, mesmo o presidente, tem de atender e tomar nota do recado”. Mais: “vocês, portugueses, perdem muito tempo quando atendem o telefone. É assim: está? Estou. Quem fala? Quem? (e por aí fora...). Nós, alemães, a primeira coisa que fazemos é dizer o nome e não se perde mais tempo”!

Durante o tempo que por lá trabalhei era comum deslocar-me à Alemanha, por vezes durante toda, ou quase toda, a semana. O horário normal era das 8.30h às 17h e, salvo casos muitíssimo excepcionais (e não me lembro de nenhum), a partir dessa hora, 17.30h no máximo, toda a gente (toda, mesmo) arrumava a secretária e ia para casa.

É este o espírito alemão (com o qual, confesso, me dou muito bem) e lembrei-me de tal coisa a propósito das reacções de Angela Merkel ao chumbo do PEC IV. Independentemente de concordâncias ou discordâncias com o conteúdo do documento, que não vêm agora ao caso, apetece-me dizer: como eu a compreendo, frau Merkel!

quarta-feira, março 02, 2011

O "Público" e o encontro Sócrates/Merkel

Correm o risco de se tornar fastidiosas, por repetitivas, as críticas à superficialidade da comunicação social e ao modo como distorce e infantiliza a informação. Mas deixar passar em claro a afirmação, no “Público” de hoje, de que “José Sócrates dispõe de apenas ½ hora para convencer a Chanceler alemã...”, como se estes encontros, e respectivas matérias, não fossem prévia e minuciosamente discutidos e preparados pelos ministros envolvidos e respectivos “staffs”, é fazer dos leitores cidadãos retardados. E não gosto me tratem assim.