- Justa vitória de Espanha. Foi sempre a equipa dominante (o que é diferente de ser dominadora ou controlar o jogo), em função de cuja ideia de jogo, e para a tentar contrariar, a selecção portuguesa se organizou. No prolongamento "abafou" o adversário, teve as melhores oportunidades e podia ter aí ganho o jogo. Teve sempre mais e melhores soluções no "banco", apesar do notório erro de "casting" que consistiu na titularidade de Negredo.
- Portugal tentou contrariar a selecção de Espanha jogando no campo todo, mas dificilmente conseguiu desse modo roubar bolas e iniciar as transições em zonas "altas" do campo: a segurança de posse e circulação de bola da "roja" raramente o permitem. Estoirada por correr atrás de "rato", acabou, no prolongamento, por se ver constrangida a colocar o "autocarro" e esperar os "penalties", um pouco como tinha aqui previsto. E como teve de jogar mais atrás, Cristiano apareceu menos. Mas 43% de posse de bola contra a selecção de Espanha é motivo para louvor e não me lembro de ver Espanha em tantas dificuldades num jogo decisivo.
- Já tive de ouvir quem dissesse que não se entendia o porquê da selecção portuguesa ter recuado tanto no prolongamento, já que tinha mais dois dias de descanso. Simples: não tinha no "banco" jogadores com a qualidade de Fábregas, Pedro ou Navas (e sobraram muitos mais e até faltou o decisivo Villa), que vieram dar o segundo fôlego a Espanha, e o "tiki taka" é bem menos desgastante que o futebol de "sprints" e bolas longas da equipa portuguesa.
- Como se viu, ridículo todo o estardalhaço feito à volta do árbitro. "Old habits die hard".
- Os "penalties" não são uma lotaria. Digamos que "sorte e "azar" contam talvez um pouco mais do que no resto do jogo, mas quem chega a esse momento em melhor condição física e psicológica, "por cima" no jogo, tem sempre maiores probabilidades de ganhar.
- Se formos ver, Alemanha, Itália, Espanha e França são as equipas europeias dominantes em Europeus e Mundiais. As excepções são Holanda, Dinamarca (mesmo assim países bem mais "ricos" e desenvolvidos que Portugal) e Grécia (a excepção, mas que no conjunto de resultados é bem pior que Portugal), todas com um título europeu. É a isto que me refiro quando digo que "falta país" para a selecção portuguesa poder dar o "salto".
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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quinta-feira, junho 28, 2012
Um pouco mais sobre o jogo de ontem...
quarta-feira, junho 27, 2012
Como irá jogar a selecção?
Confesso que a minha maior curiosidade em relação ao jogo de hoje é saber como vai jogar Portugal, se com um bloco baixo, linhas muito juntas e tentando a partir daí explorar o habitual jogo vertical da equipa, em transições rápidas ou passes longos para os flancos, onde Hugo Almeida também sabe aparecer (ao contrário do que a sua morfologia sugere, tem razoável mobilidade e sabe embalar de trás), ou tentando pressionar alto e roubar a bola aos jogadores da selecção de Espanha na chamada "primeira fase de construção", não "autorizando" explanem o seu habitual "tiki-taki" perto da área portuguesa com desmarcações rápidas no limite do "fora de jogo". Digamos que a opção não depende só da lição que trouxerem estudada, mas muito mais da capacidade para a porem em execução.
Quanto a mim, vou adiantando que nunca vi ninguém conseguir ser bem sucedido contra Barça ou Espanha (certo, esta não tem Messi nem Daniel Alves, o que facilita um pouco as coisas) sem o bom e velho "autocarro", "double decker" de preferência, explorando a partir daí as transições rápidas e as bolas longas. E a selecção portuguesa, embora lhe falte um Benzema, tem gente para o fazer. Veremos...
domingo, junho 24, 2012
Portugal - Espanha
Um Portugal-Espanha já não é como antigamente e eu não tenho saudades. E o "antigamente" era o tempo do "hóquei patriótico", em que frente a frente, tal como nos ensinavam (erradamente) na escola com aqueles mapas com bandeirinhas da república portuguesa e da monarquia espanhola a assinalar as batalhas, estavam dois exércitos, como em Aljubarrota ou nos Atoleiros, já não cobertos de poeira e sangue mas de algum suor, outro tanto esforço e muitas lágrimas nas derrotas. De um lado, Zabalia (ou era já o Largo?), Orpinell, Boronat, Puigbó e Roca; do outro, Moreira, Vaz Guedes, Adrião, Velasco e Bouçós, quatro moçambicanos (todos brancos, claro) e um "ricaço" que isso de ter dinheiro para patins e tempo para praticar não era para os "matarruanos" do futebol. Claro que a ditadura salazarista sonegava que a modalidade tinha expressão quase exclusivamente confinada a duas cidades (Lisboa e Barcelona), centros de lazer e veraneio (a "linha" - com Sintra para animar, as praias catalãs, Montreux, Herne Bay e Monza) e o suave viver da Lourenço Marques branca e colonial; mas isso que importava se éramos os "melhores do mundo"?
Bom, entretanto começámos a descobrir que Aljubarrota foi quase uma guerra civil e também pouco mais do que um episódio da Guerra dos Cem Anos, não demasiado diferente de Poitiers, Crécy ou Azincourt; que D. João subiu ao trono por meio de um Golpe de Estado, o rei Filipe II era mesmo o herdeiro legítimo do trono português (era neto do "Venturoso", caramba!) e Espanha até tem um rei que fala português e cresceu e fez velhas amizades por cá. Hoje, Portugal e Espanha partilham a mesma moeda e, em muitos campos, sentem dificuldades idênticas; muitos portugueses trabalham aqui ao lado e muitas das empresas para as quais trabalham, portuguesas ou espanholas, têm a sua sede ou instalações em Madrid ou Barcelona; descobrimos que Catalunha, Galiza e País Basco são nações como Portugal que, ao contrário deste, por vicissitudes históricas não ascenderam à independência e, "last but not least", já não vamos a Espanha apenas para comprar caramelos a Badajoz, nem a maioria dos espanhóis vem a Portugal apenas para comprar café ou roupa de cama. E, claro, "amantes espanholas" são mesmo coisa de histórias contadas à lareira lembrando antepassados alentejanos de há muito. Se virmos bem, na próxima quarta-feira um grupo de amigos e companheiros de trabalho, muitos alinhando em lados opostos aos que costumam ser os seus e reforçados por alguns convidados para dar mais brilho à festa, encontram-se para um jogo de futebol onde vão discutir quem pode vir a ser, desta vez num desporto a sério, o melhor da Europa. Como vêem, esta é uma excelente oportunidade para recordar aqui como todos progredimos. Viva este Portugal-Espanha.
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