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quinta-feira, outubro 01, 2009

Ellie Greenwich (23 de Outubro de 1940 - 26 de Agosto de 2009)

Ike & Tina Turner - "River Deep, Mountain High (Ellie Greenwich - Jeff Barry)

Um “breve encontro” com o Luís Pinheiro de Almeida esta tarde no metropolitano fez-me saber que morreu Ellie Greenwich. Nos jornais e revistas portugueses, mesmo nos especializados (e o Luís é um consumidor compulsivo destes e tal notícia nunca lhe passaria despercebida – como não passou numa revista, inglesa ou americana, que, de imediato, me mostrou), normalmente tão encomiásticos para quem o não merece, para os ditos “reis” disto e daquilo, nem uma palavra. Gente ignara!, para não lhes chamar outra coisa...

Como não vale a pena rescrever o que já está escrito, deixo aqui o “link” para os capítulos das “História(s) da Música Popular” dedicados a Ellie Greenwich e Jeff Barry, dois dos nomes e uma das parcerias mais importantes do Brill Building e da História da música popular e do "rock and roll".

Ficam também dois dos seus temas mais conhecidos e ambos fazendo parte dos meus favoritos: “River Deep, Mountain High”, produzido por Phil Spector (peço desculpa, mas nunca mais Tina Turner voltou a ser igual) e “Doo Wah Diddy Diddy” um original dos Raindrops (que mais não eram do que Jeff e Ellie) na versão de Manfred Mann. Chamo a vossa atenção para o facto de uma das “ikettes”, que podem ser vistas no vídeo, ser, nada mais nada menos, do que Patricia Ann Cole , mais tarde conhecida como P. P. Arnold.

Quanto aos “media” aqui da parvónia... disse Jesus Cristo qualquer coisa para os pobres de espirito, não foi?

Manfred Mann - "Doo Wah Diddy Diddy" (Ellie Greenwich-Jeff Barry)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

História(s) da Música Popular (70)

Jeff Barry - Ellie Greenwich

The Exciters - "He's Got The Power" (Ellie Greenwich - Tony Powers") 1963

The Brill Building (XIX)

Ano Novo, Vida Nova? Cá por mim, acho que não, já que o que é preciso é manter o que está bem e mudar o que está mal, e isso faz-se (ou deve fazer-se) todos os dias. E como penso que os capítulos de “História(s) da Música Popular” dedicados ao Brill Building estão bons e recomendam-se vamos mantê-los em 2008, passando, conforme prometido, a Jeff Barry (1938 NY) e Ellie Greenwhich (1940, idem), quanto a mim a dupla do “building” mais umbelicalmente ligada a Phil Spector. É que seria exactamente isto o que responderia se me perguntassem como os definiria e não só pela autoria de “River Deep, Mountain High”, talvez o arquétipo do “wall of sound”, mas por uma série de êxitos escritos para os protegidos (direi melhor, as protegidas?) de Spector.

Bom, mas por onde começar? Mal, muito mal mesmo. Como assim? É que o primeiro grande sucesso de Jeff, ainda sem Ellie com quem viria a casar-se e de quem se viria a divorciar em 1965 – dos casais do Brill Building o único que continua a “aturar-se” é Barry Mann – Cynthia Weil – é o execrável tear jerk “Tell Laura I Love Her” de Ray Peterson (nos USA) e Ricky Valance (no UK), um dos mais acabados exemplos do que ficou conhecido na história da música popular como death songs. Como já por aqui o passei (a versão de Peterson), e não sou masoquista nem sádico, dispenso-me de repetir. Quem quiser, pois, que vá à net, - ao You Tube, por exemplo - não dizendo, contudo, que não o avisei.

Mas, vá lá, a remissão do pecado lá acabou por chegar, mas como castigo e introdução comecemos por Ellie Greenwich ainda antes da parceria com Jeff e também antes do trabalho com Spector. Um dos primeiros êxitos de Ellie, em parceria com Tony Powers, foi este “He’s Got The Power”, para os “Exciters”, um grupo cujo principal sucesso se chamou “Tell Him” e cujos produtores eram Jerry Leiber e Mike Stoller, que mais tarde fundariam a Red Bird Records onde Barry e Greenwich viriam a trabalhar. Foi ainda Powers que viria a colaborar com Greenwich nos seus primeiros tempos com Spector, mas isso fica já para a próxima que esta já vai longa. Bom Ano!

terça-feira, janeiro 08, 2008

História(s) da Música Popular (71)

Darlene Love - ("Today I'll Met) The Boy I'm Gonna Marry" (Ellie Greenwich - Phil Spector - Tony Powers). 1962. (nota: o vídeo é do filme "Fly Boys")


Bob B Soxx and The Blue Jeans - "Why Do Lovers Break Each Others' Hearts" (Ellie Greenwich - Phil Spector - Tony Powers). 1962

The Brill Building (XX)

Ora deixemos Jeff Barry no “limbo” por mais uns tempos, por ter escrito aquela “xaropada” do “Tell Laura I Love Her”, e vamos directamente (“sem passar pela casa da partida e sem receber os dois contos”) até aos dois primeiros temas de Ellie Greenwich (a propósito: lê-se “Grinitch” e não “Grinwitch”, isto porque tenho andado nervoso o dia inteiro por, a propósito das primárias americanas, ouvir chamar “New Hampshaiare” a “New Hampshare”) com Phil Spector: (“Today I Met) The Boy I’m Gonna Marry”, para Darlene Love, e “Why Do Lovers Break Each Others’ Heart” (uff!...) para Bob B. Soxx and the Blue Jeans com Darlene Love como lead singer. Ambas têm também a assinatura de Tony Powers, mas é a última vez que isso acontece já que Ellie e Jeff casam em Outubro desse ano e passam a escrita de canções a regime de exclusividade familiar (et pour cause...). Duas curiosidades: “Why Do Lovers...” é um tributo a Frankie Lymon (de Frankie Lymon and The Teenagers, um grupo "Doo Wop" conhecido pelo tema “Why Do Fools Fall In Love”) e “...The Boy I’m Gonna Marry” o primeiro tema a solo de Darlene Love, uma das protégées de Spector que “dobrava” as Crystals quando isso era preciso ou Spector lhe dava na gana (e, veremos, deu mais do que uma vez).

Bom, mas no próximo “episódio” lá repescarei Jeff Barry também como intérprete (ou mais ou menos), que também o foi com Ellie formando os Raindrops.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

História(s) da Música Popular (75)


The Shangri-Las - "Leader of the Pack" (Barry-Greenwich-Morton)

Ellie Greenwich - "You Don't Know" (Barry-Greenwich-Morton)
The Brill Building (XXIV)
Ora vamos lá ao último post sobre Barry e Greenwich, já que não valerá a pena repetir Ike & Tina Turner e o seu “River Deep, Mountain High” já aqui passado para assinalar a morte de Ike Turner. Pois o penúltimo sucesso da dupla no Brill Building - o último foi “River Deep, Mountain High” – foi “Leader of the Pack”, para as Shangri-Las, um grupo de Queens, NY, conhecido pelo seu “mau feitio” e diversas histórias e lendas sobre o seu comportamento “duro”. Escrito em colaboração George “Shadow” Morton e editado pela Red Bird Records, o tema, que pode ser incluído na categoria de “death songs” tal como “Tell Laura I Love Her”, também de Jeff Barry, chegou a #1 em 1964. Foi o maior sucesso das Shangri-Las, depois destas já terem alcançado alguma notoriedade com “(Remember) Walking in the Sand”.

Mesmo para terminar, e como curiosidade, outro dos temas de Barry e Greenwich escrito em parceria com George Morton e interpretado por Ellie Greenwich herself: “You Don’t Know” de 1965.

terça-feira, janeiro 15, 2008

História(s) da Música Popular (72)

The Raindrops
Manfred Mann - "Do Wah Diddy Diddy" (Barry - Greenwich)

The Raindrops - "Do Wah Diddy Diddy" (Barry - Greenwich)

The Crystals - "Da Doo Ron Ron" (Barry - Greenwich - Spector)


The Raindrops - "Da Doo Ron Ron" (Barry - Greenwich - Spector)

The Brill Building (XXI)

Pois em Outubro de 1962 Jeff Barry e Ellie Greenwich casaram e, não sabendo se tiveram muitos meninos (já que felizes para sempre não foram a não ser que “para sempre” fosse até 1965) começaram a escrever em exclusividade. Em boa hora o fizeram, já que 1963 foi o ano dos seus primeiros grandes (enormes) êxitos: “Be My Baby” para as Ronettes e “(And) Then He Kiss Me” e “Da Doo Ron Ron” para as Crystals, sempre com Spector por perto, claro.

Mas tal como Carole King, Barry Mann e o próprio Spector – de todos, Carole King a única com qualidade e êxito consistentes – ambos também acharam que tinham talento para a interpretação e se bem o pensaram melhor(?) o fizeram. Nesse mesmo ano de 1963 formaram os Raindrops, que mais não eram do que Ellie e Jeff, embora uma irmã de Ellie, Laura, também apareça em algumas fotografias do grupo, que nunca actuou ao vivo. O grupo teve sucessos efémeros (“What A Guy” e “The Kind Of Boy You Can’t Forget”, este que chegou ao top 20) e gravou um tema que seria um futuro #1 para Tommy James & the Shondells, “Hanky Pank”.

Mas, na realidade, o facto mais relevante ligado ao grupo foi a paternidade de um dos maiores sucessos da British invasion e as peripécias que a ele estão ligadas. Nesse mesmo ano de 1963 Barry e Greenwich escreveram “Do Wah Diddy Diddy” um tema destinado aos Exciters (os tais de “Tell Him”). Enquanto Raindrops decidiram também gravá-lo, mas quando preparavam a sua edição, em 1964, souberam que um cover gravado pelos Manfred Mann em Junho desse ano era #1 no UK. Dois meses mais tarde o tema era também #1 do US Billboard Hot 100. Resultado imediato: o tema gravado pelos Raindrops só seria editado em 1994!!! Quanto aos Manfred Mann, o resto é história.

Bom, mas o que temos então aqui hoje? Algo em grande, claro: as versões dos Raindrops e de Manfred Mann de “Do Wha Diddy Diddy” e, já que estamos numa de nomes estranhos, “Da Doo Ron Ron” pelos mesmos Raindrops e pela Crystals. Help yourself, avisando, desde já, que as versões de Manfred Mann e das Crystals são bem melhores. É que cada um nasce mesmo para o que nasce!

terça-feira, janeiro 29, 2008

História(s) da Música Popular (74)


Darlene Love - "Chapel of Love" (Barry - Greenwich - Spector)

Dixie Cups - "Chapel of Love" (Barry - Greenwich - Spector)
The Brill Building (XXIII)
Bom, Jeff Barry e Ellie Greenwich são a dupla de compositores mais representada no Phil Spector “Back To Mono”, talvez a melhor antologia de Spector, com caixa, livro e tudo o mais que é habitual nestes casos (Abko Records, 1991). Mas como estes “História(s) da Música Popular” apenas pretendem salientar os highlights, não vale a pena descrever, e ouvir, aqui exaustivamente todos os temas. Continuemos, pois, já que em 1964 Jerry Leiber e Mike Stoller, outra das duplas do Brill Building, resolveu fundar a editora Red Bird e levar consigo, como compositores e agora também como produtores, Barry e Greenwich. Com sucesso, pois claro, já que o primeiro disco editado se saldou de imediato por um #1 para as Dixie Cups, uma versão de “Chapel of Love”, tema de Barry, Greenwich e Spector já anteriormente editado na voz de Darlene Love e também das Ronettes.

Pois é o original de Darlene Love e a versão das Dixie Cups que hoje vão encontrar por aqui. Qual preferem? A de Darlene Love, do tipo “Wall of Sound” ou a das Dixie Cups, digamos, talvez mais perto do Detroit Sound?

quinta-feira, dezembro 13, 2007

História(s) da Música Popular (69) - Ike Turner (1931 - 2007)

Ike & Tina Turner - "River Deep, Mountain High" (Jeff Barry - Ellie Greenwich - Phil Spector)
Aparentemente, Ike Turner (1931 Clarksdale, Mississippi) é o Turner errado e, sendo assim, poucas razões haveria para muito destaque: Tina Turner tornou-se vedeta já sem ele (a massificação tem destas coisas), Ike parece que a sujeitava a repetidas cenas daquilo que hoje se chamaria “violência doméstica” e teve uma vida muito mais cheia de álcool e drogas do que, talvez, rock n’ roll. Se calhar, pelo menos qualitativamente, muito menos do que nós (e ele?) desejaríamos. Mas o que é facto é que depois dele e de Phil Spector (outro que tal) nunca mais a música de Tina atingiria os píncaros, por muito que o cinema, a TV, os mass media e algum gosto pelo menos duvidoso tentassem provar o contrário. Exactamente por isso aqui o recordo, e exactamente pelas mesmas razões recordarei também Ike (e Spector) no dia em que Tina desaparecer, caso por aqui ainda ande.

Para além disso, se me perguntarem qual o melhor exemplo daquilo que passaria à história como o “Phil Spector wall of sound” não deixaria de mencionar, espontaneamente e “top of mind”, este “River Deep, Mountain High”, gravado em Março de 1966 em LA e da autoria de uma das duplas mais famosas do Brill Building, Jeff Barry e Ellie Greenwich, cuja história começarei a contar, conforme prometido, no próximo “História(s) da Música Popular”. Fica, como amuse gueule, este "River Deep, Mountain High". E fica muito bem como tributo a Ike Turner.

quarta-feira, março 30, 2011

"ab origine": esses originais (quase) desconhecidos... (7)


The Exciters - "Doo Wah Diddy" (Jeff Barry - Ellie Greenwich) - 1963


A bem conhecida versão de Manfred Mann - "Doo Wah Diddy" (Jeff Barry - Ellie Greenwich)

Junho de 1964 (ainda c/ Paul Jones como vocalista)

segunda-feira, maio 06, 2013

História(s) da Música Popular (210)

Bob B. Soxx And The Blue Jeans - "Why Do Lovers Break Each Other's Heart"

Phil Spector (VIII)

Dois pontos importantes: de Bob B. Soxx And The Blue Jeans", uma criação de Spector, faziam parte Fanita James e Darlene Love, ambas membros das falsas Crystals que gravaram "He's A Rebel". Depois disto que dizer? O tema (1963) é da autoria de Ellie Greenwich, sem o seu team mate  habitual Jeff Barry mas com um tal Tony Powers (não me perguntem mais sobre ele). Segundo a brochura que acompanha "Back To Mono", o tema é um tributo a Frankie Lymon, de Frankie Lymon And The Teenagers bem conhecidos pelo mega-sucesso "doo wop uptempo" "Why Do Fools Fall In Love". Foi também a primeira de muitas colaborações de Spector com Ellie Greenwich, embora, tanto quanto eu saiba, apenas uma vez mais com Tony Powers como parceiro. Mas essa é já outra história.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

História(s) da Música Popular (154)

Tommy James & The Shondells - "Hanky Panky"

The Raindrops - "Hanky Panky"
Bubblegum(V)
Curiosamente, um dos temas que abriram caminho à “fúria” da "bubblegum music", erupção mais evidente nos anos de 1968/69, foi um tema com origem no Brill Building, onde essas coisas da música popular eram encaradas de forma um pouco mais séria e empresarial e de onde o "garage rock", coisa mais improvisada e primitiva, costumava andar ausente. O tema em questão chama-se “Hanky Panky” e foi gravado em 1964 por Tommy James & The Shondells. Sem sucesso, fundamentalmente devido a ter sido editado por uma pequena editora sem capacidade de distribuição, foi recuperado dois anos mais tarde e lançado a nível nacional pela Roulette, chegando a #1.

Mas se regressarmos às origens chegamos à conclusão que a paternidade do tema se deve a duas figuras incontornáveis do Brill Building, Jeff Barry e Ellie Greenwich, que o gravaram e editaram em 1963 com o seu grupo “Raindrops” - na realidade, constituído apenas por ambos mais a colaboração para fazer número de uma irmã de Ellie, assim “a modos” como se dizia (não sei se com ou sem razão) da Laura Diogo das “Doce”: não cantava mas era algo decorativa. Escusado dizer que Barry e Greenwich o achavam algo de menor, gravado à última hora como “B side” de um outro tema do grupo, “That Boy John”.

Quanto a Tommy James & The Shondells tiveram ainda um outro grande êxito, “Crimson and Clover”, em 1969, mas isso já não vem ao caso aqui para a “bubblegum music”.

quarta-feira, julho 11, 2007

História(s) da Música Popular (50)






The Brill Building


1 (dtª).Aldon Family circa 1963 (Top L-R) Jack Keller, Artie Levine, Lou Adler, Al Nevins, the Kirshners, Emil La Viola, and Howard Greenfield. (Bottom L-R) Barry Mann, Cynthia Weil, Gerry Goffin, Carole King and Neil Sedaka.
2 (esq.).H. Greenfield, D. Kirshner e N. Sedaka
Neil Sedaka - "The Diary" (Neil Sedaka - Howie Greenfield)
Pois a história podia começar assim: era uma vez um edifício situado no nº 1619 da Broadway. Ou então assim: o mercado emergente da nova cultura juvenil a que o r&r deu voz, não podia passar despercebido à indústria da música, que viu nele abrir-se um novo campo ao seu desenvolvimento. Pois então fica assim: desde antes da WWII que muitas das grandes produtoras e editoras de música tinham a sua sede no nº 1619 da Broadway, o “Brill Building”, assim chamado por via dos irmãos Brill, os seus proprietários originais. Depois do advento do r&r, mais precisamente em 1958, Don Kirshner, aquele que viria a ser um dos grandes produtores da pop (foi o "inventor" dos Monkeys e dos Archies), e a sua Aldon Music (em parceria com Al Nevins) estabeleceram aí os seus escritórios, embora mais tarde se tenham transferido para o nº 1650. E agora uma curiosidade: porquê aí? Bom, o nº 1650 tinha sido propositadamente construído para o efeito, com portas laterais, já que as leis da época não permitiam que os músicos utilizassem as... portas da frente! Era um bocado como se fossem os “marçanos” e as “sopeiras” da minha infância! E qual a ideia de Kirshner? Exactamente, partindo do r&r e tendo como mercado-alvo a nova cultura juvenil, criar um estilo musical mais melódico, musicalmente mais bem estruturado e orquestrado, suficientemente simples para ficar no ouvido mas sem o seu lado mais selvagem e que fosse ao encontro dos valores, sentimentos e aspirações dessa nova cultura emergente. Digamos que assim nasceu a pop, tal como hoje a conhecemos.

Para isso era necessário recorrer a quem tivesse bons conhecimentos de música e composição, mas, simultaneamente, fosse novo de idade e mente o suficiente para se enquadrar no espírito da época. E, de acordo com estes padrões, quem foram os primeiros contratados? Uma dupla já conhecida por ter composto um grande êxito para Connie Francis (“Stupid Cupid”, mais conhecido em Portugal pelo cover da brasileira Celly Campelo): Neil Sedaka, um músico de dezoito anos de formação clássica (piano), e o seu colega de escola Howie Greenfield. Foi apenas o início: Sedaka começou aí uma carreira recheada de êxitos como cantor e compositor (a “meias” com Greenfield), Kirshner enriqueceu, outras duplas de maior sucesso e consistência (até nas “letras”) foram contratadas (Barry Mann – Cynthia Weil; Carole King – Gerry Gofin; Ellie Greenwich – Jeff Barry; Doc Pomus – Mort Shuman; Jerry Leiber – Mike Stoller) e ao Brill Building ficaria para sempre ligado aquele que foi o maior produtor de sempre da pop music, tendo mesmo definido novos padrões para a função: Phil Spector, o “inventor” do célebre “Wall of Sound” e de um sem número de grupos e cantores da 1ª metade dos anos sessenta. Lá iremos, já que por aqui, pelo Brill Building, iremos ficar longo tempo, que ele (o 1619 – 1650 da Broadway) bem o merece.

Pois comecemos por aquele que terá sido mesmo o começo: “The Diary” da dupla “Greenfield – Sedaka”, #14 em 1959, interpretado pelo próprio Sedaka. Se pensarmos que Sedaka tinha sido escolhido por Arthur Rubinstein “himself” para tocar piano num espectáculo da “Antena 2” lá do sítio, veremos quão insondáveis são os desígnios da música e quanto toda ela é uma paixão.

Nota1: a televisão (não me lembro qual canal) passou não há muito tempo uma série documental sobre o Brill Building sound. Salvo erro, dava pelo nome de "Os jovens que se tornaram donos da Pop". O que vi, que não foi tudo, pareceu-me bem estruturado.

Nota2: Existem milhares de CD's sobre os compositores, autores e cantores ligados ao Brill Building sound. Muito por onde escolher, portanto, a maior parte bastante disperso. Existe, no entanto, uma antologia que é incontornável: "Back to Mono", de Phil Spector, 1958 - 1969. Inclui algumas das mais importantes produções e composições de Spector e dos seus "grupos" (Ronettes, Crystals), composições de Goffin & King, Mann & Weil, Barry & Greenwich e cantores como Ike & Tina Turner, Righteous Brothers, Ben E. King e Gene Pitney. 4 CD's, uma caixa, um livro, um pin e... o Phil Spector's Classic r&r Christmas Album. A não perder, mesmo!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

História(s) da Música Popular (76)


The Crystals - "He's a Rebel" (Gene Pitney)
The Brill Building (XXV)
Ora depois de deixarmos para trás Jeff Barry e Ellie Greenwich, chegou a vez de falarmos novamente de Gene Pitney, que já por aqui passou – e bem – como intérprete, quando dediquei uns posts a Barry Mann e Cynthia Weil. E se da “vida e obra” já falámos q. b. (“História(s) da Música Popular, 65) é agora tempo trazer aqui, de novo, Gene como compositor ligado ao Brill Building e, principalmente, enquanto autor de um dos temas mais emblemáticos saídos do nº 1619 da Broadway e integrante do “Phil Spector wall of sound” e da sua panóplia de “girls groups”: He’s a Rebel”, #1 no Billboard para as Crystals em 1962. Para as Crystals? Sim, mas é como quem diz, já que o tema foi editado como sendo interpretado pelas por elas, mas este é, de facto, o caso mais emblemático da “flexibilidade” de Spector e das histórias, já aqui faladas, que rodeiam a vida das ditas Crystals: encontrando-se estas em LA e Spector em NY, nada melhor do que gravar quanto antes com Darlene Love e as Blossoms, uma vez que teria chegado aos ouvidos do nosso bom amigo Phil que Vicky Carr se preparava para gravar o tema. E como nos negócios “tempo é dinheiro”, nada melhor que usar o que se tem mais à mão. E se bem o pensou, melhor o fez, claro.

Bom, o problema, o pequeno problema, é que a partir daí “He’s a Rebel” teve de passar a fazer parte do repertório “ao vivo” do grupo e a voz de Barbara Alston nada tinha a ver com o registo de Darlene Love. Mas como neste mundo, e principalmente para Spector, tudo tem uma solução, “La La” Brooks passou de imediato a lead singer. Cá por mim, até nem acho mal...

Ah, resta-me acrescentar que Vicky Carr gravou mesmo a canção; sem sucesso comparável, claro.

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Boas Festas!

"A Christmas Gift for You" from Phil Spector

1. White Christmas, Irving Berlin - Darlene Love 
2. Frosty the Snowman, Steve Nelson and Walter Rollins - The Ronettes
3. The Bells of St. Mary's, A. Emmett Adams and Douglas Furber - Bob B. Soxx & the Blue Jeans
4. Santa Claus Is Coming to Town, J. Fred Coots and Haven Gillespie - The Crystals 
5. Sleigh Ride, Leroy Anderson and Mitchell Parish - The Ronettes
6. Marshmallow World, Carl Sigman and Peter DeRose - Darlene Love
7. I Saw Mommy Kissing Santa Claus, Tommie Connor - The Ronettes
8. Rudolph the Red-Nosed Reindeer, Johnny Marks - The Crystals
9. Winter Wonderland, Felix Bernard and Dick Smith - Darlene Love
10. Parade of the Wooden Soldiers, Leon Jessel - The Crystals
11. Christmas (Baby Please Come Home), Ellie Greenwich, Jeff Barry and Phil Spector - Darlene Love
12. Here Comes Santa Claus, Gene Autry and Oakley Haldeman - Bob B. Soxx & the Blue Jeans 
13. Silent Night, Josef Mohr and Franz X. Gruber - Phil Spector and Artists

terça-feira, dezembro 11, 2007

História(s) da Música Popular (68)


Paul Revere & The Raiders - "Kicks" (Barry Mann - Cynthia Weil)

The Brill Building (XVIII)
Pois acabemos este capítulo do Brill Building dedicado a Barry Mann e Cynthia Weil com Paul Revere & The Raiders (1960, Portland, Oregon), um grupo mainstream que coleccionou alguns êxitos nos anos sessenta e actuava vestido com uniformes estilizados da Guerra da Independência. Destes, o mais notório terá sido este “Kicks”, um manifesto anti-droga de Mann e Weil que trepou até #4 em 1966 e tinha sido inicialmente escrito para os Animals. Mas outro acontecimento importante a que o grupo está ligado, pelo menos para quem se interessa por estas coisas da música popular e do r&r, é o facto de ainda hoje se discutir se teriam sido os primeiros a gravar o celebérrimo “Louie Louie”, considerado o tema com mais covers na história do r&r. Não se chegou a qualquer conclusão, como convém a algum mistério sempre associado a estas coisas, mas o facto é que, apesar de ter sido a versão dos Kingsmen, gravada em 1963 no mesmo estúdio, a alcançar a glória, “Louie Louie”, contribuiu para lançar Paul Revere & The Raiders no difícil, por concorrencial, período da "British Invasion".

E assim sendo, até ao próximo capítulo dedicado ao Brill Building, agora com Jeff Berry e Ellie Greenwich.

quinta-feira, junho 27, 2013

História(s) da Música Popular (212)

The Crystals - "Da Doo Ron Ron"

Phil Spector (X)

Gravado também em Março de 1963 e composto, com Spector também a dar uma "ajudinha", pela mais do que célebre parceria Ellie Greenwich - Jeff Barry, cujos temas mais conhecidos aqui pelo "rectâgulo" talvez sejam "River Deep, Mountain High", de Ike & Tina Turner, e "Doo Wah Diddy Diddy", na versão dos Manfred Mann, "Da Doo Ron Ron", apesar de nunca ter chegado a #1 (ficou-se por #3 nos USA e #5 no UK e foi uma sorte), é seguramente dos temas mais conhecidos da música popular e das Crystals "verdadeiras" (uma confusão, não é? Não admira a vida de Spector tenha acabado também na maior das confusões). Os arranjos, claro, são mais uma vez de Jack Nitzsche.

Bom, que mais há a dizer? Segundo aqui o meu "calhamaço" de "Back to Mono", parece que no final da gravação Spector terá perguntado a Sonny Bono (esse mesmo): "Is it dumb enough"?, ou seja - palavras de Sonny Bono - "Is everybody going to get the simplicity of this"? Ao que Sonny Bonno terá respondido: "Man, that sure is dumb enough". Spector, que gostava sempre de ter a última palavra, terá retorquido: "No Sonny, that's gold!" "Solid gold coming out of thar speaker". 

quinta-feira, junho 06, 2013

História(s) da Música Popular (211)

Darlene Love - "(Today I Met) The Boy I'm Gonna Marry"

Phil Spector (IX)

Segundo tema da parceria Ellie Greenwich-Tony Powers para Spector, "(Today I Met) The Boy I'm Gonna Marry" foi gravado por Darlene Love (a tal das "falsas" Crystals e também membro de Bob B. Soxx And The Blue Jeans)  em Março de 1963, como seu primeiro "single" a solo, e tem arranjos musicais de Jack Nitzsche. 

segunda-feira, março 26, 2007

História(s) da Música Popular (38)



"Death Rock"
Ora façamos uma pausa, para não ficarmos demasiado empanturrados e termos boca e estômago preparados para o que aí vem, entre a “surf music” instrumental e a vocal, assim como quem degusta um sorbet de limão ou cassis entre o peixe e a carne. E, para isso, falemos de algo trágico mas que nos fará sorrir, qualquer coisa no limiar do kitsch: o “death rock”! Pois as “death songs” foram algo relativamente em voga neste período de refluxo na história do rock, entre o final dos anos cinquenta e a British Invasion a que os Beatles deram origem. Para a “Rolling Stone Encyclopedia Of Rock & Roll” (de que sempre me socorro nestas e noutras alturas) eram “songs about grisly, melodramatic teen fatalities”, segundo os autores (Jan Pareles e Patricia Romanowski), talvez geradas por um ambiente demasiado influenciado pelo perigo nuclear e pela guerra fria. Talvez..., mas, cá para mim, muito mais porque os amores adolescentes - que se pensa serem sempre únicos e “para sempre” e para além dos quais nada existe que justifique a continuação da vida - se querem sempre trágicos, quais Romeus e Julietas dos tempos modernos. E, se virmos bem, algo que marca de forma inequívoca este período do pós "invenção" do rock & roll é exactamente o início da formação e autonomia dessa cultura adolescente, que atingirá formas de expressão mais elaboradas e contestatárias, política e socialmente, e o pico da sua afirmação, na segunda metade dos anos sessenta com o movimento hippie, o LSD, a luta contra a guerra do Vietnam e, na Europa, o Maio de 68. Penso, portanto, que estas “death songs” seriam um pouco a contestação, por via do amor “puro e verdadeiro” – por isso, trágico –, dos teenagers do final dos anos cinquenta aos casamentos e formas de relacionamento amoroso, que viam como convencionais e ultrapassadas, das suas famílias de origem. E a contestação começa sempre pelo que nos está mais próximo, pelo que é mais fácil e imediatista negar. No final dos anos cinquenta é um mundo novo que nasce e, tal como aconteceu após as revoluções burguesas dos séculos XVIII e XIX, isso gera necessariamente novas formas de cultura e relacionamento pessoal, com a negação de todas as anteriores.

Mas enfim, passemos da filosofia aos actos, e este “Tell Laura I Love Her” (1960), de Ray Peterson, é um excelente exemplo (um dos mais conhecidos, também) do "death rock": o rapaz pobre que se inscreve, e morre, numa corrida de “stock cars” para com o dinheiro do prémio poder comprar um anel de noivado à sua amada. Para cúmulo, não consegue despedir-se da “pikena” ao telefone (suprema ironia: fala com a mãe, que representa a geração anterior, a que se quer contestar) e a dita Laura acaba na capela a chorar a morte do seu amado! È o verdadeiro dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada e inundar de lágrimas, por junto, o deserto do Mohave e o Death Valley! A canção foi editada pela RCA Victor depois da Decca ter recusado a sua gravação por o tema ser considerado inapropriado (!!!) e teve várias cover versions, sendo a mais conhecida a do britânico Ricky Valance (não confundir com o americano Ritchie Valens nesta altura já desaparecido), para a EMI, que foi #1 nos charts britânicos. Uma curiosidade: foi o primeiro êxito de Jeff Barry, seu compositor aqui em parceria com Ben Raleigh, o mesmo Barry que, mais tarde, formaria com Ellie Greenwich (e também com Phil Spector) uma das parcerias de maior sucesso do célebre Brill Building de NY. Mas isso são já outras histórias que não são agora para aqui chamadas!...

Claro que o "death rock", que nunca foi muito mais do que uma “curiosidade” sem grande expressão, entra em declínio quando os adolescentes da segunda metade dos anos sessenta se começam a preocupar com outras contestações e assuntos mais sérios, deixando de lado estas pieguices na música que faziam, tocavam e cantavam. E ainda bem que o fizeram!

quinta-feira, novembro 08, 2007

História(s) da Música Popular (64)

The Ronettes - "Walking In The Rain" (Barry Mann - Cynthia Weil)

The Brill Building (XIV)

Ora a propósito de Barry Mann e Cynthia Weil, vamos lá pela primeira vez falar das Ronettes, duas irmãs, Veronica e Estelle Bennett , e uma prima, Nedra Talley, nascidas e criadas em NY. Veronica casaria mais tarde (1968) com Phil Spector, casamento que duraria até 1974, sabe-se lá bem como, acrescento, face ao que hoje conhecemos da personalidade do genial Spector. O que é também interessante no caso das Ronettes é que são bastante fruto de um acaso (o que nada desmerece do seu valor), pois encontravam-se casualmente à porta do Peppermint Lounge quando foram confundidas com um grupo contratado. Parece que se saíram bem, com uma versão de “What Did I Say” de Ray Charles, e isso foi apenas o começo. O tema que Mann e Weil compuseram para o grupo, “Walking In The Rain”, nem sequer foi o seu maior sucesso - esse foi “Be My Baby”, da também dupla do Brill Building Jeff Barry – Ellie Greenwich -, mas foi o segundo maior, chegando a #23 em 1964. Mais importante, é um excelente exemplo do que ficou conhecido para a história como “Phil Spector wall of sound” , um som denso e saturado que o próprio Spector denominava como a abordagem Wagneriana ao rock n’ roll. Um exagero, claro, mas de Spector não seria de esperar outra coisa, ou melhor, seriam de esperar coisas bem piores. Mas pronto, Spector foi tão importante que estamos aqui fartos de falar dele sem que ainda tenhamos chegado ao capítulo que lhe será dedicado. Bom, ainda não será da próxima vez, já que teremos ainda muito para falar sobre o Brill Building. Por exemplo, dessa próxima vez voltaremos para trás para falar dos temas de Mann e Weil para os Drifters e Gene Pitney. Até lá, aqui ficam as Ronettes.

sexta-feira, julho 12, 2013

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (16)

"Then He Kissed Me" (Phil Spector - Ellie Greenwich - Jeff Barry) 
A versão original das Crystals com La La Brooks (Setembro de 1963)


A versão dos Beach Boys, com Al Jardine como "lead singer", incluída no álbum Summer Days (And Summer Nights) - 1965

Sonny & Cher gravaram o tema em 1965

segunda-feira, setembro 03, 2007

História(s) da Música Popular (57)

The Drifters - "Up On The Roof" (Gerry Goffin - Carole King)

Carole King - "It Might As Well Rain Until September" (Gerry Goffin - Carole King)

Helen Shapiro - "It Might As Well Rain Until September" (Gerry Goffin - Carole King)
The Brill Building (VII)
Para a dupla Gerry Goffin – Carole King, 1962 é o ano da afirmação, com dois #1 e a primeira incursão da Carole na interpretação e única até à edição de “Tapestry” – **** 1/2 da Rolling Stone em 1971. Primeiro foi o êxito com a sua descoberta Little Eva, “The Loco-Motion”, já aqui passado quando se falou da chamada “Dance Craze”; depois o #1 para os Drifters , de Clyde Mc Phatter e Ben E. King, “Up On The Roof”; por fim, “It Might As Well Rain Until September”, originalmente escrito para Bobby Vee, foi o primeiro single de Carole King, que, apesar de não ter passado de # 22 no hit-parade (merecia mais, mas o público tem destas coisas) foi um passo essencial no sentido da sua consagração como intérprete na década seguinte. Aliás, as incursões na interpretação não são caso único no "Brill Building", já que tanto Barry Mann e Ellie Greenwich (The Raindrops) como até Phil Spector (Teddy Bears) as fizeram, embora sem a constância, sucesso e reconhecimento que Carole King viria a ter na década de setenta.

Pois aqui ficam agora os Drifters (“Up On The Roof”) e Carole King, como intérprete, (“It Might As Well Rain Until September”). Deste fica também a bem sucedida versão da britânica Helen Shapiro (1963), que alcançou algum sucesso, mesmo em Portugal, com “Walking Back To Happiness” (1961). Voltaremos ainda a Goffin e King em 1962, mas com algo a merecer específico e individualizado destaque.