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quinta-feira, abril 24, 2014

O melhor e o pior das canções de Abril (8)

O Melhor:

Adriano Correia de Oliveira - "Canção com Lágrimas"

O Pior:

Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo - "A Mim Não Me Enganas Tu"

segunda-feira, abril 21, 2014

Alegre se fez triste

Alguém deveria explicar a Manuel Alegre, que até foi deputado e vice-presidente da Assembleia da República, que o 25 de Abril também se fez para que quem não gosta da data, da revolução e até da democracia possa ser eleito pelo povo e estar assim representado no parlamento, desde que respeite a Constituição, as leis da República e os fundamentos do Estado de Direito Democrático. Quanto ao resto, tem claro todo o direito de celebrar o 25 de Abril onde quiser, e em minha opinião até saúdo o faça com o povo e os capitães de Abril num lugar tão emblemático como o é o Largo do Carmo. Mas lamento que como ex-deputado, ex-vice-presidente do parlamento e referência da luta pela liberdade acabe agora por desrespeitar a Assembleia da República e por ter leitura distorcida e enviesada da democracia que, como poeta e político, tanto ajudou a fundar. 

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Salgueiro Maia e a proposta de Manuel Alegre

Independentemente do que penso sobre a existência de um Panteão Nacional - e já o deixei bem claro quando da morte de Eusébio - a proposta de Manuel Alegre para a transladação dos restos mortais de Salgueiro Maia, independentemente da sua justeza face aos padrões em vigor e até mesmo - admito - da boa intenção que lhe possa estar subjacente, contém em si uma clara intenção política, mas também um perigo.
  1. Destina-se a criar problemas aos partidos da actual maioria que - estupidamente, aliás - costumam fugir a "sete pés" dos símbolos e de tudo o que tem a ver com o 25 de Abril. Mas também ao PCP (Maia não era um dos "seus" e sabemos como o PCP reage nestes casos) e ao próprio PS, pouco dado a assumir propostas que valorizem Alegre e possam, mesmo que de modo longínquo, valer alguma hipotética perda de votos à direita do partido. Aliás, algum pouco entusiasmo com que o PS  recebeu a proposta (uma espécie de "nim", já que tinha de dizer alguma coisa), em contraste com o que aconteceu quando da morte do consensual Eusébio, é bem sintoma do que digo e de estarmos perante uma batalha que o PS não irá travar.
  2. Pelo próprio percurso de vida de Salgueiro Maia e pelo seu comportamento político e militar durante o PREC e anos seguintes, e se retirarmos esse comportamento do contexto e o transportarmos para os dias de hoje, o que contém sempre alguma perversidade, a proposta arrisca-se a ser transformada - injustamente para Maia - em arma de arremesso da campanha anti-políticos e anti-regime. Aliás, algo de semelhante já aconteceu quando das homenagens a Ramalho Eanes, exaltando os seus méritos indiscutíveis, mas evitando evidenciar alguma soberba que a sua atitude "humilde" revela e esquecendo o episódio mais criticável da sua vida política (PRD). Sejamos claros: o actual regime está longe de ser perfeito; pode e deve ser melhorado; alguns políticos estão longe de ser impolutos e o seu comportamento enquanto cidadãos é por vezes bastante criticável; mas o que quer que fosse que nascesse das cinzas do actual regime, herdeiro do 25 de Abril, não tenho dúvidas seria sempre bem pior, menos democrático, mais "fechado" e menos livre.

segunda-feira, setembro 30, 2013

terça-feira, junho 25, 2013

terça-feira, abril 24, 2012

Pedro Passos Coelho e mais uma afirmação infeliz

Confesso que mais infeliz e despropositada que a decisão da Associação 25 de Abril e de algumas figuras políticas de relevo de estarem ausente das comemorações oficiais da revolução, só mesmo a resposta do primeiro-ministro acusando personalidades-chave da luta pela democracia antes e depois do 25 de Abril, como Mário Soares e Manuel Alegre, de pretenderem protagonismo. Não lhe bastaria afirmar que cada um é livre de tomar as decisões que entende e que esse é, de facto, um dos legados essenciais da revolução? Ou será que, pura e simplesmente, não consegue estar calado e perante personalidades com a dimensão política das citadas, concordemos ou não com a sua decisão (e eu não concordo), tem obrigatoriamente de se pôr em bicos de pés para se conseguir fazer ouvir?

domingo, janeiro 09, 2011

Erros e contradições na campanha de Alegre

Ao centrar os seus ataques a Cavaco Silva, no caso SLN/BPN, fundamentalmente em questões de ordem circunstancial (a quem comprou e a quem vendeu; quais os preços na altura praticados; forte valorização sofrida pelas acções negociadas; sabia ou não das desconfianças suscitadas pelo modo como o Banco era gerido, etc), tendo como objectivo lançar a desconfiança sobre a honorabilidade do candidato adversário e assim abdicando de o fazer de um ponto de vista político mais global e sustentado (o negócio só se torna possível pelo estreito relacionamento construído entre os homens da SLN/BPN e Cavaco Silva durante os governos deste e quando o Estado, com a conivência tácita do então primeiro-ministro, foi utilizado por grupos emergentes pouco escrupulosos como trampolim para a ascensão social e para negócios nas margens da licitude, em vez de o ter sido para a efectivação das reformas necessárias ao desenvolvimento de um país mais competitivo e de uma estrutura empresarial mais moderna e autónoma), a candidatura de Manuel Alegre comete dois erros e evidencia uma das suas contradições fundamentais.
  1. Em primeiro lugar, não fora a provinciana arrogância moral de Cavaco Silva e a sua pouca frontalidade de carácter e mediocridade enquanto político o terem conduzido a uma gestão desastrosa do assunto (autênticamente “com os pés”), como aliás já tinha acontecido nos casos das “escutas”, do Estatuto dos Açores e, até, no modo como se comportou para com a oposição numa das suas visitas à Madeira, e Alegre teria ficado rapidamente com algo vazio entre mãos. Para tal, bastaria Cavaco Silva tivesse respondido com naturalidade às perguntas colocadas, e cujas respostas já eram conhecidas através de investigação do jornal Expresso”, assumindo que poderia ter sido mais cuidadoso quando da efectivação do negócio, etc, etc. Não lhe sendo conhecidos outros “telhados de vidro” do género, o assunto morreria por aí. Mas, parafraseando José Mário Branco, “pode alguém ser quem não é?” Neste ponto, foi essa a sorte de Alegre.
  2. Em segundo lugar, sendo Alegre um político muito experimentado e nunca tendo assumido, nem de perto nem de longe, responsabilidades políticas no país semelhantes às de Cavaco Silva, podendo, por tal razão, apresentar-se como quase isento de responsabilidades pelo “estado a que isto chegou”, era nesse terreno (o político) que a discussão lhe seria sempre mais favorável. Assim , ao atacar Cavaco Silva em questões de honorabilidade e carácter, possibilitou que a candidatura adversária lançasse o seu contra-ataque baseada em questões idênticas (campanha BPP), onde Alegre manifestamente poderá ter cometido uma pequena ilegalidade (um deputado não pode participar em campanhas publicitárias) e onde se explicou “metendo os pés pelas mãos”. É um caso de pouca ou nenhuma gravidade, mas não se livrou de assunto ter sido lançado pela candidatura e pelos “media” favoráveis a Cavaco Silva (e são quase todos...) como “equivalente” perante a opinião pública - e o facto de se tratarem de duas entidades bancárias ajuda à confusão.
  3. Por fim, a candidatura de Alegre evidencia também aqui uma das suas contradições essenciais. Para atacar politicamente Cavaco Silva pela quase ausência de reformas significativas efectuadas no decurso dos seus mandato como chefe do governo, no sentido de tornar o país mais competitivo e dotado de uma estrutura empresarial mais moderna e de um empreendedorismo mais autónomo e dinâmico, Manuel Alegre não poderia estar, como está, refém de quem se opõe a esse mesmo livre empreendedorismo, por um lado, e, por outro, daqueles que sempre se manifestaram contra questões como o aumento da idade da reforma, mudança no sistema de cálculo das pensões e, no primeiro governo de José Sócrates, às reformas que ministros como Correia de Campos e Maria de Lurdes Rodrigues tentaram levar a cabo para salvaguarda do essencial do Estado Social, pelo qual o candidato se diz bater e eu próprio considero um avanço civilizacional. Para tal, seria necessário uma candidatura que partisse da esquerda moderada ou do centro-esquerda, agregando, a partir daí, toda a esquerda e até alguns sectores menos conservadores do centro-direita. Coisa que a candidatura de Manuel Alegre positivamente não é nem consegue fazer. Uma lástima...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Manuel Alegre, as Purdey e o meu elogio ao bom gosto.







Caro Manuel Alegre (apesar de não votar em si - há essa coisa da "política" - tomo esta liberdade de o tratar por "caro", como se faz com os amigos, forma de tratamento que não usaria com nenhum dos outros candidatos, muito menos com Cavaco Silva, nos quais também não votarei):
Não sei se chegou a comprá-las. Mas só o facto de as namorar uma vida (são assim os grandes amores!) é razão para lhe tirar o chapéu pelo bom gosto que demonstra. Fora eu rico e correria a oferecer-lhas (o bom gosto demonstrado bem o mereceria), embora me sujeitasse a que dissessem estaria a traficar favores. Estou certo o candidato Cavaco Silva, no seu ascetismo militante, nunca se apaixonaria por tal coisa tão politicamente incorrecta como um par de belas Purdey com os seus "Royal Warrants" bem em evidência. Mas para si, como para mim que também sou republicano, laico e tradicionalista (não confundir com conservador, e eu sei você entende isso), o bom gosto, a tradição e as paixões são assim assumidos, transversais, avassaladores, sem medos nem tibiezas. E devo dizer-lhe que não caçando (seria incapaz de matar um daqueles coelhitos de olhar vivo e orelhas espetadas), não me importaria nada de as ter cá por casa, olhando-as quando me sentisse mais deprimido com a ausência de bom gosto da maioria dos que me rodeiam neste país provinciano e triste. Demasiado "cavaquista" no espírito, ouso dizê-lo. Por isso, caro Manuel Alegre, embora não vá votar em si (ah!, essa coisa da política), dou-lhe os meus parabéns e peço-lhe - rogo-lhe, mesmo - que continue por aí a conceder-me a alegria do seu bom gosto em país de tristes, tal como já o fez quando eu ouvia o velho Adriano cantar os seus poemas no país ainda mais triste da pobreza, da ditadura e da guerra. Bem haja!, não é assim que se diz?

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Depois do debate

Ao contrário do que me foi ontem dado a assistir, não faz qualquer sentido jornalistas, comentadores e politólogos analisarem os debates políticos televisivos de forma exaustiva, percorrendo, um a um, racionalmente, todos os temas tratados e o modo como, em cada um deles, cada político se comportou face aos seu(s) opositor(es). Na realidade, não só uma enorme maioria dos telespectadores não está suficientemente informada e disponível – ou nem sequer tem formação - para elaborar esse tipo de raciocínios, como não consegue apreender e recordar mais do que um ou, no máximo, dois elementos fundamentais de cada debate, necessariamente o ou os mais relevantes para si em função dos seus interesses, personalidade, formação, simpatias ideológicas e políticas, etc. Mais ainda: um número significativo de telespectadores forma a sua opinião baseando-se apenas em questões de ordem genérica, tais como “imagem”, comportamento durante o debate, empatia e até o modo como cada político se apresenta.

Dúvidas? No tão falado debate Nixon/Kennedy, com a esmagadora vitória deste último, alguém recorda ou cita hoje em dia a substância política e ideológica do debate? Claro que não: o que vemos frequentemente recordado é a imagem de um Nixon feio, cansado e envelhecido face a um jovem, bem parecido e exuberante JFK. Foi este contraste que se tornou decisivo na eleição.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Antes do debate

É pouco mais do que irrelevante a opinião de comentadores, politólogos ou “bloggers” sobre quem ganha ou perde cada debate eleitoral. Trata-se de uma opinião que apenas veicula o próprio e que, desse modo, vale nada mais do que um voto, não obstante a influência que esse comentário possa ter nos eleitores seja susceptível de se tornar bem mais importante do que o que é expresso e discutido no próprio debate.

Bem mais correcto seria medir através de um estudo de mercado do tipo “24 hour recall” a opinião dos eleitores, inclusivamente sabendo quais os que teriam mudado o sentido do seu voto ou passado da abstenção ou voto em branco à votação em um qualquer candidato em função da respectiva prestação televisiva, mencionando as razões para tal mudança. Talvez surgissem surpresas...

sexta-feira, novembro 26, 2010

"E Alegre se fez triste"...

A confirmarem as urnas o que dizem as sondagens, o PS consegue um autêntico dois em um nas eleições presidenciais: evita apresentar um candidato-fantasma, do tipo Ferreira do Amaral ou Basílo Horta, e vê-se livre de um Manuel Alegre incómodo, quase um militante do “BE” dentro do partido, reduzindo drasticamente o sua importância política e tornando a sua influência futura quase residual.

domingo, setembro 12, 2010

Onde se explica porque, para o PS, a candidatura de Alegre não é assim tão má

Nem tudo será negativo para o PS na candidatura de Alegre. Por um lado, evita que o partido se veja na obrigação a apresentar um candidato institucional perdedor, um Joaquim Ferreira do Amaral ou um Basílio Horta socialistas. Por outro, sendo Alegre alguém claramente em rota de colisão com a política do partido no últimos anos, mais perto do BE do que uma concepção ocidental e liberal da democracia, isso permite ao PS aligeirar e passar entre os pingos da chuva da mais do que provável derrota do candidato por si, mais ou menos, apoiado. Digamos que na ausência de alguém na área do socialismo democrático com um perfil ganhador, é o melhor que se pode arranjar.