Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
segunda-feira, janeiro 12, 2015
Paris e o "aftermath"
sexta-feira, janeiro 09, 2015
Terrorismo(s) e políticas
- Os grandes atentados, como o das Torres Gémeas, do metropolitano de Londres e da estação de Atocha, que envolvem meios consideráveis e uma logística e capacidade financeira só ao alcance de organizações relativamente sofisticadas. Aqui, claro está, não podemos falar de problemas de integração, austeridade e desemprego, até porque muitos dos seus executores são gente aparentemente integrada e com meios de vida, no mínimo, razoáveis. Estamos a falar de um problema em cuja resolução a política internacional e a geo-estratégia têm de assumir um papel fundamental.
- As pequenas acções (nos meios, que não nas consequências) como a de Paris (e outras), que, embora reivindicando-se e mergulhando as suas raízes numa ideologia islâmica radical, são executadas, essas sim, por gente demasiado marcada por problemas de integração económica, social e cultural, que as políticas europeias têm vindo a agravar e as torna alvos preferenciais do recrutamento jihadista. Não estará aqui todo o problema, nem sequer na desintegração mergulha a totalidade da sua raiz, mas apenas uma sua parte importante. Isso significa que o assunto é suficientemente grave para que, digo-o sem esperança, já que me parecem ser este tipo de acções encaradas pelos actuais dirigentes da UE um pouco como "efeitos colaterais" da política actualmente definida pela e para a Europa, os cidadãos europeus se recusem a enfrentar e resolver com coragem o problema.
sábado, junho 28, 2014
sexta-feira, janeiro 17, 2014
Uma nova "Idade das Trevas"?
quinta-feira, novembro 07, 2013
terça-feira, outubro 22, 2013
sexta-feira, outubro 11, 2013
segunda-feira, setembro 23, 2013
sexta-feira, setembro 06, 2013
segunda-feira, setembro 02, 2013
terça-feira, julho 09, 2013
A perda de soberania
segunda-feira, outubro 01, 2012
Esta é a Europa que nos dá alegrias!
sábado, setembro 15, 2012
A redução da TSU e o "empobrecimento"
quarta-feira, maio 16, 2012
A crise da UE e algumas questões geo-estratégicas fora de moda
- A queda do Muro de Berlim como que empurrou a centralidade europeia para leste, tornando os países do sul/sudoeste mais periféricos. De que modo, em termos também ele geo-estratégicos mas também económicos, pensam esses países, entre eles Portugal e Espanha, responder a esse desafio? Uma resposta, no caso de Portugal e Espanha, privilegiando o "eixo atlântico", numa aproximação à América do Sul e África Ocidental, poderia minimizar o problema ou arriscar-se-ia a aprofundar essa condição periférica? E o fortalecimento do chamado "Bloco Ibérico", caminhando no sentido de uma federalização da Península? Assistiremos a uma certa centrifugação europeia com Itália e França sugestionadas pelo Magreb?
- Se a Grécia sair do Euro e da UE, enfraquecendo a sua posição face ao tradicional inimigo turco, qual a sua futura relação com a Rússia, em certa medida derrotada na guerra civil grega de 1946/49? E poderíamos assistir à constituição de um bloco balcânico Grécia/Sérvia sob a influência russa? E o frágil equilíbrio de Chipre no meio de tudo isto?
- Será que esta nova Alemanha reunificada a leste estará mesmo interessada na UE ou a sua prioridade não estará antes na reedificação da sua tradicional esfera de influência, uma nova versão do Lebensraum englobando Polónia, Áustria, República Checa, Hungria, Eslováquia, Croácia e Eslovénia?
- E os USA, tradicionais aliados de UK e França em duas guerras contra a Alemanha, que pensarão sobre tudo isto e como irão agir? De que modo a presidência ser ocupada por democratas ou republicanos, com pensamentos estratégicos eventualmente diferentes sobre as questões internacionais e europeias, influenciará as suas decisões neste campo?
quinta-feira, novembro 10, 2011
Portugal e a Europa
domingo, junho 12, 2011
Mais uma lição de Mário Soares
quinta-feira, novembro 06, 2008
A propósito de Obama: América e Europa
Admiro os USA e a sua sociedade aberta, principalmente as suas facetas descomprometidas e despreconceituosas que fazem com que sempre nos tratem como iguais seja na loja, no restaurante ou na rua em que nos abordam e “metem conversa” apenas porque algo em nós lhes despertou curiosidade. Gosto de muito do seu sentido prático de vida, da forma como tornam simples o que, à partida, teria todas as condições para ser a sua antítese, algo que só alguns poderiam dominar. Sou sempre o primeiro a afirmar que, com excepção do Maio de 68, tudo o que fez realmente avançar o mundo de um ponto de vista social nos últimos 60 anos (direitos cívicos, luta contra a guerra do Vietnam, movimento hippie, rock and roll, queda do Muro de Berlim e fim da guerra fria, pop art, beat generation, etc, etc e estou com certeza a esquecer-me de algo) se passou nos USA ou aí, de uma forma ou outra, teve origem ou incitamento. Mas grande parte disso só é possível porque, ao contrário da Europa, os USA foram uma sociedade constituída e moldada pela imigração, por vagas sucessivas de gente com tradições, línguas e religiões diferentes num território sem escassez de terra e onde não pré-existiam formas de organização social e económica consistentes. É isso que, apesar da escravatura e da discriminação - que ainda hoje se reflectem no nível cultural e socio-económico da maioria da sociedade negra descendente de escravos – tornou a sociedade americana extraordinariamente aberta ao empreendorismo, à inovação tecnológica, a novas ideias e expressões artísticas e culturais que fazem a sua riqueza. A um certo ambiente de descontracção que muito a caracteriza. Por último, formaram-se enquanto colónia e por oposição a um império colonial, o que penso fez toda a diferença no modo como se encararam nos seus valores originais.
Tudo foi diferente do lado de cá do Atlântico, onde a sociedade industrial e burguesa - e com ela a democracia - se edificou na sucessão mais ou menos conflitual da antiga sociedade aristocrática, definida pelo nascimento e baseada na posse da terra – bem escasso, cuja influência e valores, que não renego e contêm em si uma herança com muito de positivo que faz parte do nosso património e ajuda a formar a nossa personalidade enquanto europeus, se estende até aos dias de hoje, criando sistemas próprios de organização política, moldando hábitos e formas de estar e proceder, comportamentos e uma amálgama de valores que ainda hoje prevalece. Acresce que, com poucas excepções até aos anos do pós-guerra, nunca foram a Europa ou cada uma das nações que a compõem sociedades de imigração massificada, antes terra de origem de emigrantes. Nunca foram colónias, mas impérios coloniais impondo a sua dominação. Tudo isso torna a sociedade europeia mais fechada, mais classista e menos aberta à mudança e ao empreendorismo, menos individual e mais colectiva. Também menos desigual e mais solidária. E, ao contrário dos USA onde, pela distância e pelo facto de ser uma nação em construção, o estado estava tantas vezes ausente, uma sociedade mais dele dependente e que nele, em última instância, se habituou a confiar. São esses os nossos valores; o “heritage” que molda uma personalidade europeia formada por séculos de História comum hoje em dia cada vez mais enriquecida e diversificada pela influência trazida pela emigração dos últimos decénios. È sobre eles e deles evoluindo que a Europa deve edificar o seu futuro. Qualquer imitação da América ou do que quer que seja, que não tenha em conta uma herança histórica e valores que nos são próprios, será sempre bem pior - sabemos - do que a versão original que admiramos.
domingo, junho 15, 2008
Um país vulnerável ou sociedades vulneráveis?
O primeiro-ministro declarou no final da paralisação dos camionistas ter sentido o país vulnerável. É uma mera constatação que qualquer um pôde fazer. Mas de onde vem e onde nasce essa vulnerabilidade? É o país que está vulnerável ou isso acontece com todas as sociedades modernas em virtude da forma e do modo como se organizam e estruturam? Bom...
O PCP veio "a correr" afirmar que essa vulnerabilidade se devia à opção pelo transporte rodoviário em detrimento do ferroviário. Tem alguma razão, mas essa é apenas a parte que mais lhe interessa, já que o transporte ferroviário está, na maior parte das vezes, entregue a empresas públicas ou onde o Estado detém importantes poderes de controle. Mas, como disse, tem aí um ponto importante a seu favor, já que esse controle permite também aos governos prever, evitar e gerir melhor eventuais conflitos e, mesmo que essas empresas fossem maioritariamente privadas, é sempre mais fácil ter como interlocutor uma ou meia dúzia de grandes empresas estruturadas e dirigidas por gente mais preparada (o governo lá foi negociando com a ANTRAM) do que uma multitude de micro e pequenas empresas empresas entre o familiar e o quase, passando pelo "mais ou menos" e também pelo "assim-assim". Só que o problema é mais vasto, e o transporte ferroviário não só não faz o transporte door to door como, por isso e pelas necessidades logísticas das sociedades e empresas actuais, dificilmente pode preencher, por menor flexibilidade, todos os requisitos exigidos. Vamos um pouco atrás, aos tempos pré-históricos da 1ª metade do século XX.
Há 50 ou 60 anos, em Portugal, vivia-se maioritariamente no campo, uma boa parte da economia era de subsistência e de trocas locais e as pequenas vilas e pequeníssimas cidades eram, em grande parte, abastecidas por produtores locais. Mesmo as cidades como Lisboa ou Porto, sem as grandes áreas suburbanas de hoje em dia e onde as pessoas viviam maioritariamente perto do seu local de trabalho, eram abastecidas em frescos pelas zonas rurais circundantes (no caso de Lisboa, pela região saloia, por exemplo) e a composição da procura de produtos alimentares ou de higiene era muito menos segmentada e sofisticada do que hoje em dia, mesmo nas classes mais altas. A distribuição, essa, era assegurada por uma multidão de pontos de venda, pelo comércio tradicional que maioritariamente comprava a armazenistas e distribuidores que formavam stocks elevados, muitas vezes cobrindo várias semanas ou meses de necessidades de consumo. Por isso mesmo e pela pouca importância que então assumia o transporte individual privado, pela organização das empresas em que a interdependência era infinitamente menor obrigando a muito menos deslocações dos seus funcionários e pela quase ausência de viagens aéreas, as necessidades urgentes de combustível (gasolina e gasóleo) eram bem menores e menos prementes. Acresce que a internacionalização da empresas era fraca, a grande maioria sendo locais ou até mesmo regionais, e a existência de fronteiras e deficientes vias de comunicação obrigava as empresas internacionais a produzirem ou, pelo menos, "stockarem" localmente. Assim, e como o transporte de mercadorias raramente assumia foros de urgência extrema, o caminho de ferro podia, por conseguinte, assumir um papel bem mais relevante, Estávamos, portanto, perante um país muito menos vulnerável a interrupções de abastecimento e distribuição de produtos essenciais.
Escusado dizer como tudo isto mudou radicalmente, vulnerabilizando a sociedade a interrupções de fornecimento mesmo que de poucos dias. Portugal (e com ele a maioria dos países europeus) é, hoje em dia, uma sociedade terciarizada, com uma rede urbana e suburbana complexa e deslocações casa-trabalho de vários quilómetros, empresas que funcionam sem stocks (cuja existência teria hoje em dia custos insuportáveis), na base do "just in time", esses mesmos stocks centralizados em Espanha, Alemanha ou Polónia, por exemplo, por via da racionalização de custos permitida pela livre circulação, com empresas interdependentes obrigando a deslocações frequentes dos seus trabalhadores e gestores. Por sua vez, a distribuição é assegurada por hiper e supermercados, cash & carries, que não constituem stocks e compram frequentemente a fornecedores geograficamente situados em zonas longínquas. A procura segmentou-se e sofisticou-se e, simultaneamente, muitos dos fabricantes de produtos hoje em dia de primeira necessidade e quase desconhecidos há 50 ou 60 anos (basta olhar para as prateleiras de “higiene e limpeza”) centralizaram a sua produção em um ou dois países europeus. A agilização e flexibilização necessárias, do lado da distribuição, para prover a este tipo de requisitos é, muitas vezes, incompatível com uma maior rigidez do caminho de ferro quando comparada com o transporte rodoviário, em modernas e rápidas auto-estradas, com distribuição door to door, horários muito mais flexíveis e cargas menores. Isto não impede, claro está, um maior aproveitamento do combóio e um aumento da sua quota de mercado no transporte de mercadorias, mas é insensato pensar que ele resolverá maioritariamente o problema, já que a essência está, isso sim, na forma e no modo como se estruturam as sociedades e que nada tem a ver com o que se passava no passado. Isso torna-as mais vulneráveis? Sem dúvida, mas será bom também, pelo menos de vez em quando e se não se importam, dar uma espreitadela para o lado dos benefícios. Talvez isso nas torne um pouco mais felizes...


















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