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quinta-feira, janeiro 08, 2009

História(s) da Música Popular (112)

Billy J. Kramer & The Dakotas - "Trains And Boats And Planes" (Bacharach-David)
Bacharach & David (XV)
Billy J Kramer and The Dakotas foram um daqueles “números” arranjados por Brian Epstein para compor o seu portfolio de artistas do "Mersey Side". Claro que o facto do seu manager ser Epstein lhes dava acesso a material de Lennon e McCartney, o que não era de somenos importância, claro. E os rapazes assim lá se foram safando, com alguns temas signés Lennon-McCartney a atingirem os primeiros lugares do hit parade: “Do You Want To Know A Secret?” (#2), “Bad To Me” (#1) e “I’ll Keep You Satisfied” (#4). Curiosamente, foi o “B” side de “Bad To Me”, “I Call Your Name” (1963), que viria a transformar-se num mega-êxito três anos mais tarde, integrando o primeiro álbum dos Mamas & The Papas, “If You Can Believe Your Eyes And Ears”. Mas adiante.

É já na sua fase descendente que o grupo decide gravar uma versão do tema de Bacharach e David “Trains And Boats And Planes” (1966), cujo título mais parece dedicado a um qualquer ministro dos transportes ou instituição semelhante. A canção tinha sido gravada nesse mesmo ano por Dionne Warwick, e a versão de Billy J Kramer chegou a #12 no UK e #47 nos USA. Aqui fica, sendo de bom tom dizer que não adoro o tema. Muito longe disso, mas um bom exemplo de um Bacharach e David muito, mas muito, "música ligeira". Mas que disse eu logo no primeiro capítulo?

segunda-feira, dezembro 29, 2008

História(s) da Música Popular (111)

Dionne Warwick - "I Say a Little Prayer" (Bacharach-David)

Aretha Franklin - "I Say a Little Prayer" (Bacharach-David)
Bacharach & David (XIV)
Ele há personalidades, livros, quadros, canções, autores a quem reconhecemos valor, qualidade, que, de um ou outro modo, saem da vulgaridade, mas com os quais nunca criamos empatia. Pior, muitas vezes nem para o facto conseguimos encontrar uma, ou várias, razões plausíveis. Para mim, está neste último caso Aretha Franklin, um dos nomes de topo da Atlantic Records de Ahmet Ertegun e Jerry Wexler. E vá lá saber-se o porquê desta minha falta de empatia...

Pois um dos maiores êxitos de Aretha foi, em 1968, este “I Say a Little Prayer”, um original de Bacharach e David que Dionne Warwick tinha gravado em 1966 e editado no ano seguinte. O original de Dionne tinha atingido o #4 do Billboard e a versão de Aretha viria a “trepar” até ao #10, embora eu pense que se tornou a mais conhecida e popular aqui pelo “rectângulo”.

Claro, pelo que disse se depreende prefira a versão de Dionne, com menor potência de voz, menos “gospel like” mas com mais “swing”. Aqui, pelo menos, consigo encontrar a razão.

Uma curiosidade: parece que existe uma versão humorística do tema dedicada a José Mourinho, “composta” nos seus tempo do Chelsea. Nome: “I Sign a Little Player or Two”. Coisa dos rivais londrinos do Arsenal, ou do vizinho Fulham, certamente.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

História(s) da Música Popular (110)


Dionne Warwick - "(There's) Always Something There To Remind Me" (Bacharach-David)

Bacharach & David (XIII)

“História(s) da Música Popular” vai até ao fim destes seus capítulos dedicados a Burt Bacharach e Hal David apresentar sempre temas numa versão de Dionne Warwick e numa outra alternativa. Digo, desde já, que prefiro as de Dionne, mas gosto que comparem.

Bom, vou deixar para trás “Walk On By”, pela simples razão de que por aqui já passou na versão de Isaac Hayes quando da sua morte. Também não pensem que vão ouvir por aqui “Raindrops Keep Fallin’ On My Head”, de B. J. Thomas. Sim, eu sei que o tema ganhou um Oscar para a melhor canção (integra a banda sonora de “Butch Cassidy and the Sundance Kid” de George Roy Hill, já de si um daqueles filmes com o qual nunca simpatizei), esteve para aí um mês em #1 e já foi considerada a melhor canção de Bacharach e David. Mas aprendi essa coisa do rigor e da ausência de concessões no que diz respeito ao gosto nos velhos tempos do “Em Órbita” e agora ninguém me muda. Ponto final. Além do mais, comecei por dizer que dos compositores que passaram pelo "Brill Building" Bacharach e David eram aqueles que mais próximos estavam da música ligeira, não foi? Pois esse tal “Raindrops...” é disso prova mais do que provada. Segundo ponto final, portanto.

E então? Agora?

Bom, em 1964 Lou Johnson gravou este “(There’s )Always Something There To Remind Me”, cuja “demo tape” tinha sido gravada por Dionne Warwick. Chegou a #49 e, do outro lado do Atlântico, a bem conhecida e descalça Sandie Shaw resolveu gravá-lo. Êxito garantido e três semanas em #1. De tal forma que em 1967 Dionne (ou alguém por ela) resolveu também gravá-lo. E muitos outros, claro, já que o tema apresenta uma lista infindável de cover versions. Pois ficam aqui as versões de Lou e Dionne, já que a de Sandie, acho, toda a gente conhece. Não será assim?

sexta-feira, dezembro 12, 2008

História(s) da Música Popular (109)

Jackie DeShannon

Jackie DeShannon - "What The World Needs Now Is Love" (Bacharach- David)


Tom Clay - "What The World Needs Now Is Love/Abraham, Martin & John" (Bacharach-David)

Bacharach & David (XII)

Jackie DeShannon (1944, Kentucky) é uma das minhas favoritas (e não é só por causa da foto, embora isso também ajude), mas alguém quase desconhecido em Portugal excepto para a dúzia de “caturras” que gostam destas coisas. E, no entanto, se eu disser que foi autora e intérprete original de “When You Walk In The Room” e foi a primeira a gravar “Needles and Pins” (Sony Bono e Jack Nitsche, aquele ex-Sony & Cher e este um dos mais bem sucedidos produtores, “arranjadores”, orquestradores e compositores da história do "pop/rock" e não só – mas não lhe perdoo ter ganho um Óscar com o inenarrável “Up Where We Belong” ainda para mais em parceria com Buffy Saint-Marie), ambos mega-sucessos dos ingleses Searchers, talvez já todos se apercebam melhor das minhas razões. Mas não se ficou por aí Jackie DeShannon: participou na primeira digressão dos Beatles nos USA (1964), compôs “Come And Stay With Me” para Marianne Faithfull, “Don’t Doubt Yourself Babe” para o 1º álbum dos Byrds (Mr. Tambourine Man) e gravou o número suficiente de canções para eu ter por ali uma boa mão aberta de LPs seus. De entre estas, contam-se, pelo menos, quatro temas de Bacharach e David, o mais conhecido e popular dos quais este “What The World Needs Now Is Love” (#7 em 1965 nos USA), que Dionne Warwick e Diana Ross também viriam a gravar.

Bom, a versão de Dionne é bem conhecida e a de Diana Ross acho pouco recomendável. Por isso, e com a colaboração sempre preciosa de LT, optei por, além do original de Jackie, colocar aqui uma outra versão, muito curiosa, direi pacifista, muito politicamente engagé mas simultaneamente de uma ingenuidade quase tocante, tal qual o era o "ar do tempo". Ficou famosa esta versão de Tom Clay (1971) - um "disc-jockey" de LA - conhecida por “What The World Needs Now Is Love/Abraham (Lincoln), Martin (Luther King) and John (Kennedy). O meu obrigado ao LT, pois não a conhecia.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

História(s) da Música Popular (108)

Dionne Warwick - "Anyone Who Had A Heart" (Bacharach-David)

Cilla Black - "Anyone Who Had A Heart" (Bacharach-David)
Bacharach & David (XI)
Cilla Black (ou melhor, Priscilla White – percebe-se o Cilla, o Black só se for pelo contraste mas parece que terá sido um daqueles erros em que a história da música é fértil) é um daqueles intérpretes de Liverpool que, em dado momento, partilhou com os Beatles Brian Epstein como manager. Outros, por exemplo, foram Gerry and the Pacemakers e Billy J. Kramer and the Dakotas. Não admira, portanto, que Cilla tenha interpretado alguns temas de Lennon e McCartney; conto, entre eles, alguns que tenho ali, em bom e velho vinil, tais como “Love Of The Loved”, seu primeiro single, “It’s For You” e “Step Inside Love” (McCartney), nunca gravados pelos Beatles e este último bem mais conhecido do que os restantes. Mas também os bem mais notórios “Yesterday” (que não gravou uma versão?), “For No One” e mais alguns que não vêm agora ao caso (e quem sabe de Beatles é o LT).

Mas também Cilla (Black or White, tanto faz) gravou Bacharach e David, que eu saiba, pelo menos duas vezes. Da primeira vez uma versão de “Anyone Who Had A Heart”, um original de Dionne Warwick (já lá vamos); a segunda uma versão de”Alfie”, canção original do filme homónimo de Lewis Gilbert (1966) nele interpretada por Cher com arranjos de Sonny Bono, pois claro, intérprete, compositor, na altura marido de Cher e, depois, membro republicano (ops!...) da Câmara dos Representantes . Neste caso foi Warwick a gravar um cover, um ano depois (isto anda mesmo tudo ligado...).

Quanto a “Anyone Who Had a Heart”, Warwick gravou o tema em Novembro de 1963 (foi o seu 4º single) e queixa-se de que Cilla Black a copiou “nota por nota” ao ponto, diz, de caso ela tivesse dado alguma “fífia” também Cilla a copiaria. Talvez tenha razão, mas pessoalmente acho as duas versões inconfundíveis, pois a voz talvez demasiado “esganiçada” ou estridente de Cilla, por vezes mesmo metálica, nada tem a ver com a voz mais envolvente e as inflexões da interpretação de Dionne. De qualquer modo, o disco de Cilla (#1 no UK) ainda hoje é considerado o single mais vendido de sempre de uma intérprete feminina na Grã-Bretanha. Quanto ao original de Dionne, foi o seu primeiro top ten (#8) e, para além do cover de Cilla, teve ainda direito a versões de quem era algo no mundo: da inevitável Dusty Springfield à bem menos provável... Marlene Dietrich. Esta última, juro, nunca ouvi!

quinta-feira, novembro 27, 2008

História(s) da Música Popular (107)

Dionne Warwick - "Wishin' and Hopin' (Bacharach & David)

Dusty Springfield - "Wishin and Hopin'" (Bacharach & David)

The Merseybeats - "Wishin' and Hopin'" (Bacharach & David)
Bacharach & David (X)
Ora o prometido é devido e, por isso, aqui continua a ligação entre Dionne Warwick (ou Warrick) e o “Mersey Sound”, via Bacharach & David. “Wishin’ and Hopin’” foi o “B” side do 2º single de Dionne, sucesso nada comparável com “Don’t Make Me Over”. Mas nada que desencorajasse os britânicos: os Merseybeats (1964) e a inevitável Dusty Springfield (idem) gravaram o tema e talvez sejam as suas versões que o tornaram mais conhecido. De notar que os Merseybeats começaram por ter Brian Epstein como manager (outros grupos e intérpretes de Liverpool o fizeram) e gravaram também uma versão de “Mr. Moonlight”, um original de Dr. Feelgood & The Interns tornado famoso pelos Beatles, eles mesmos.

Pois aqui ficam as três, uma mais “soul” (a de Warwick), outra mais “pop” (de Springfield) e dos Merseybeats, claramente "Liverpool sound".

sexta-feira, novembro 21, 2008

História(s) da Música Popular (106)

Dionne Warwick - "Don't Make Me Over" (Bacharach & David)

The Swinging Blue Jeans - "Don't Make Me Over" (Bacharach & David)
Bacharach & David (IX)
“Don’t Make Me Over” foi o primeiro tema de Bacharach e David para Dionne Warwik. Várias curiosidades. O verdadeiro apelido de Dionne é Warrick e não Warwick. A confusão - isto agora penso eu - ter-se-á gerado pela semelhança da pronúncia: em inglês de Inglaterra – nos USA não estou certo - o “W” do meio não se lê, neste caso. É “Warick”, tal como se lê “Chisick” e não Chiswick, e, por isso, o nome saiu Warwick na capa deste seu primeiro single e assim ficou. Para a vida! O tema foi-lhe entregue por Bacharach e David em troca de ter sido Dionne a gravar o “demo” de “Make It Easy On Yourself”, cujo original foi posteriormente oferecido a Jerry Butler. Interessante também que este tenha acabado por ficar para história como intérprete de “For Your Precious Love” e tenham sido os Walker Brothers a popularizar “Make It Easy On Yourself”, pelo menos na Europa. Por fim, existe uma interessante coincidência nas duas primeiras gravações de Dionne/Bacharach e David: tanto “Don’t Make Me Over” como o “B” side do seu segundo single, “Wishin’ and Hopin’”, deram origem a versões por parte do chamado "Mersey Sound". No primeiro caso por parte dos “Swinging Blue Jeans” e no segundo dos “Merseybeats” (mas também de Dusty Springfield, a versão europeia mais conhecida). Mais tarde (1966) aconteceria o mesmo a outro tema de Bacharach e David para Dionne Warwick: “Trains and Boats and Planes”, tendo desta vez a cover version sido gravada por Billy J Kramer & The Dakotas.

Bom, resta acrescentar que o tema não passou de #21 e, portanto, o melhor estaria ainda para vir.

quarta-feira, novembro 12, 2008

História(s) da Música Popular (105)

Tommy Hunt - "I Just Don't Know What To Do With Myself" (Bacharach-David)

Dusty Springfield - "I Just Don't Know What To Do With Myself" (Bacharach-David)
Bacharach & David (VIII)
A música popular está cheia de histórias como esta: obscuros “B” side que se tornam êxitos mais tarde, na voz ou som de outro ou outros intérpretes. Estou a lembrar-me, por exemplo, de “The Twist”, que já por aqui passei a propósito da “Dance Craze”: de um ignorado “B” side de Hank Ballard a mega sucesso de Chubby Checker. É a vida... Ou melhor, foi!

O de hoje é um caso semelhante. Parece que por uma questão de saias” (dizem as boas e as más línguas), “I Just Don’t Know What To Do With Myself”, originalmente (1962) interpretado por Tommy Hunt, foi mal ou nada promovido e a composição de Bacharach e David tornou-se num flop notório. Mais tarde (1964), a britânica Dusty Springfield recuperou o tema e fez dele um êxito (#3 no UK), continuado pela versão de Dionne Warwick em 1966. Resta acrescentar que Tommy Hunt fez parte dos Flamingos, um grupo "Doo-Wop" cujo principal sucesso se chama “I Only Have Eyes for You” e é, de certeza, um dos meus temas "Doo-Wop" favoritos. Mas, falando francamente, tanto a versão de Dusty (Mary Isabel Catherine Bernadette O’Brien - “Dusty” advém do facto de ser uma “maria rapaz” e a sua sexualidade foi alvo de “mexericos” até à sua morte em 1999), que gravou outros temas de Bacharach e David tais como “24 Hours From Tulsa” e “The Look Of Love” (faz parte da banda sonora de "Casino Royale", o primeiro) , como de Dionne são de facto bem superiores.

E eis senão como, sem a presença de Dionne Warwick, este post constitui uma boa introdução aos próximos capítulos, os da sua colaboração com Bacharach e David. Lá virão!
Nota: o "Gato Maltês" agradece ao LT a sua colaboração neste post.

terça-feira, novembro 04, 2008

História(s) da Música Popular (104)

Gene Pitney - "24 hours From Tulsa" (Bacharach-David)


Timi Yuro - "Only Love Can Break A Heart" (Bacharach-David)
Bacharach & David (VII)
Ora depois do “pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”, retomo o “História(s) da Música Popular e a série dedicada a Hal David e Burt Bacharach. Com Gene Pitney, claro, depois da introdução que constituiu o tema “The Man Who Shot Liberty Valance”. Que eu saiba ou desse por isso, Bacharah e David compuseram mais cinco temas para Pitney: “24 Hours From Tulsa” (nada de brejeirices, sff), “Only Love Can Break A Heart”, “True Love Never Runs Smooth”, “The Fool Killer” e “If I Never Get To Love You”, este último que todos nós que gostamos destas coisas conhecemos melhor na interpretação de Marianne Faithfull, embora exista uma anterior de Timi Yuro que também gravou “Only Love Can Break A Heart”. Curiosidade? “Only Love Can Break A Herat” (não confundir com “Only Love Can Break Your Heart” de Neil Young) só não foi #1 nos USA por causa de um outro tema ligado a Gene Pitney: “He’s a Rebel”, por si composto para as Crystals e que foi #1 em Novembro de 1962.

Pois a escolha recai hoje sobre a versão de Pitney de “24 Hours From Tulsa” (segundo a wikipedia, foi nesta cidade de Oklahoma que nasceu a ideia de construir a célebre Route 66) e de Timi Yuro para “Only Love Can Break A Heart”. E recai muito bem, sem dúvida!

sexta-feira, outubro 17, 2008

História(s) da Música Popular (103)

Gene Pitney - "The Man Who Shot Liberty Valance" (Bacharach-David)

"The Man Who Shot Liberty Valance" - John Ford (1962)
Bacharach & David (VI)
Não foi o maior sucesso de Bacharach e David para Gene Pitney (esse terá sido “Only Love Can Break A Heart”), mas aquele que tem mais histórias para contar, já que partilha o título com um dos mais famosos filmes de John Ford – com um elenco de luxo onde pontificam John Wayne, James Stewart e Lee Marvin – sem nunca, nem mesmo em lenda, ter feito parte da respectiva banda sonora. Falo, claro, sobre “The Man Who Shot Liberty Valance” - que nem é dos meus filmes favoritos de Ford - onde a realidade, por nua e crua, se mostra incapaz de destronar a lenda. Claro que teria de ser mesmo assim, pois de realidade não se fazem as lendas e constróem os mitos, mas, confesso, há no filme um certo excesso de tom pequeno-burguês anti-política e anti-políticos (ao estilo, “estão a ver como são todos uns oportunistas”?), de humanismo lamecha que longe de me comover se torna tão reaccionário que acaba por me irritar. Tão lamecha como a voz “plangente” de Pitney, que por lá não é ouvida. Mas como a maioria dos meus amigos cinéfilos gostam do filme, admito o defeito possa ser meu. Adiante!

Mas bom, e isso nem sequer é lenda embora ajude a construir o mito, este foi o primeiro de uma série de êxitos (a string of hits... diriam nos USA) que Bacharach e David compuseram para Gene Pitney (1940-2006, também ele autor de êxitos como He’s a Rebel, das Crystals, e “Hello Mary Lou”, do “teenage idol” Ricky Nelson), dizendo, desde já, que o meu favorito é “24 Hours From Tulsa”, embora, acima de todos, prefira “Something’s Gotten Hold Of My Heart”, de uma outra dupla, Greenaway-Cook.

Mas hoje o que interessa é mesmo “The Man Who Shot Liberty Valance” (acho que o vi pela primeira vez no Império) e por isso fica por aqui uma sessão dupla, como nos cinemas de reprise da minha infância, com o tema de Bacharach e David para Gene Pitney e o trailer do filme de Ford.

quarta-feira, outubro 08, 2008

História(s) da Música Popular (102)

The Walker Brothers - "Make It Easy On Yourself" (Bacharach-David)

Jerry Butler - "Make It Easy On Yourself" (Bacharach-David)
Bacharach & David (V)
Sim, eu sei, ele há coisas assim, que se colam a nós e das quais nunca conseguiremos fugir. Por exemplo, para mim, “Make It Easy On Yourself” será sempre dos Walker Brothers, apesar de ter sido gravado em primeiro lugar (na verdade, foi escrito por Bacharach e David para Dionne Warwick que só o gravaria muito mais tarde) por alguém que também ocupa aqui lugar importante na mente e no coração: Jerry Butler, “The Iceman”. Pois é, mas também “For Your Precious Love”, um original de Butler, terá sempre de partilhar amores e desamores com Otis Redding, aqui por casa, e terei sempre me interrogar (acho o farei até ao fim da vida) qual a minha versão favorita. Bom, mas, neste caso, por certo não a de Gene Vincent, que com grande pena minha também gravou o tema – “não havia necessidade”!. É que ele há coisas que são mesmo da negritude, por muito que nós, brancos, achemos que, por vezes, também podemos “dar um jeito”!

Voltando atrás no texto para o que realmente agora importa, “Make It Easy On Yourself” foi, de facto, o tema que mostrou “à cidade e ao mundo” (mais ao UK, pois nunca os Walker Brothers tiveram muito sucesso nos USA – ninguém é profeta na sua terra...) a veia artística de Scott Engel, Gary Leeds e John Maus, acompanhados pela orquestra dirigida por Ivor Raymond num género de “wall of sound” tardio “à la Spector”. Estávamos nos idos de 1965 e o tema chegou a #1 no UK, já que nos USA se ficou por um bem mais modesto #16. Desde aí fiquei com este “fortezinho” pelos Walker Brothers, que se passou mesmo – coisa rara – para a carreira a solo de Scott e as suas incursões pelo universo Breliano (de Jacques Brel, entenda-se).

Pois como não gosto de ser injusto, e emoções muito próprias e intransmissíveis à parte – as tais que me fazem inclinar perante a versão dos Walker Brothers – fica também aqui a original de Jerry Butler (1962), já que é de Bacharach e David que falamos, com a nota de que Scott, John e Gary gravaram mais um tema dos mesmos autores: “Another Tear Falls”.

quarta-feira, outubro 01, 2008

História(s) da Música Popular (101)


Chuck Jackson - "Any Day Now" (Bacharach-Hilliard)

Alan Price - "Any Day Now" (Bacharach-Hilliard)

Burt Bacharach & Hal David (IV)

Ainda antes de aqui retomar a parceria de Burt Bacharach com Hal David, o que farei a propósito da colaboração de ambos com Gene Pitney e, entre outros, daquele tema com nome de filme mas que nem sequer faz parte da banda sonora do mesmo (“The Man Who Shot Liberty Valance”, de John Ford e com o qual – filme – não partilho o entusiasmo de muitos), não posso deixar de passar em claro um tema de Bacharach e Bob Hilliard, este último um nome que tinha escrito letras de canções para Frank Sinatra, Rosemary Clooney e Tony Bennett (cá estão, mais uma vez evidentes, as ligações de Bacharach ao mundo pré e exterior ao "rock & roll"). Trata-se de “Any Day Now”, que oferece a curiosidade de ter sido o lado “A” do primeiro single de um nome incontornável da pop e blues britânico, gravado logo após a sua saída dos Animals onde, apesar da voz de Eric Burdon, era a alma e líder do grupo: Alan Price. Pois este “Any Day Now”, gravado por Price em 1965 e editado pela Decca, era um original de Chuck Jackson (1962) escrito, como se disse, por Bacharach e Hilliard. Para além da versão de Price, pela qual tenho um especial carinho por me ter sido dada a conhecer pelo “Em Órbita” e também por ser um admirador da carreira do ex-Animal, existe uma outra de Presley, sem relevo de maior, e também uma outra de Percy Sledge, que confesso desconhecer. Fica a original de Chuck Jackson e a do grande Alan Price, claro.

quinta-feira, setembro 18, 2008

História(s) da Música Popular (100)

The Shirelles - "Baby Its You" (Bacharach, M. David, Williams)

The Beatles - "Baby Its You" (Bacharach, M. David, Williams)

Dave Berry - "Baby Its You" (Bacharach, M. David, Williams)

Burt Bacharach & Hal David (III)

O único tema de Burt Bacharach que os Beatles interpretaram (e mesmo assim sem aquele ter a parceria da Hal David), foi este original das Shirelles e está incluído no álbum “Please, Please Me”, de 1963. O original das Shirelles, o primeiro girls group a ver um tema seu no #1 do Billboard (“Will You Love Me Tomorrow”, de Gerry Goffin e Carole King), esse, é de 1961 – dois anos antes, portanto. Diga-se que o nome de Hal David por vezes também aparece creditado como autor da letra (ou co-autor), talvez porque Mack David seja comprovadamente seu autor juntamente com Barney Williams e daí a confusão entre “Davids”. Assim acontece, por exemplo, no meu CD “Under the Influence”, colectânea de originais americanos que os Beatles também gravaram. Já no álbum “Please, Please Me” a indicação é correcta, embora omitindo o primeiro nome: Bacharach, David, Williams. Até à confusão vai um pequeno passo.

Bom, o tema chegou a #8 na interpretação das Shirelles, de Sherley Owens, grupo formado em New Jersey no ano de 1958, e uma versão “live” dos Beatles viu a luz do dia em 1994 incluída no álbum “Live at The BBC” (não é assim, LT?). Também Cilla Black, que partilhava com os Beatles Brian Epstein como manager, e Dave Berry (o de “Crying Game”) gravaram o tema pouco depois do grupo de Liverpool.

quarta-feira, setembro 10, 2008

História(s) da Música Popular (99)

The Drifters - "Please Stay" (Burt Bacharach-Bob Hilliard)
Burt Bacharach & Hal David (2)
“Please Stay” está longe de ser um dos meus temas favoritos dos Drifters, mas, depois de uma época pela Alemanha colaborando com Marlene Dietrich e dirigindo a orquestra que a acompanhava, foi este o primeiro êxito maior de Burt Bacharach quando do seu regresso aos USA, pelos idos de 1961, e começou a colaborar com as gentes do Brill Building. Devo dizer, e no que aos Drifters diz respeito, que desta época, já com Rudy Lewis como vocalista, prefiro de longe temas como “Up on the Roof” ou até mesmo “On Broadway”. Mas história é história e há que respeitá-la, mesmo quando nos desagrada. Curiosamente, “Please Stay” não foi escrito de parceria com Hal David mas sim com Bob Hilliard, e foi através dos Drifters que Bacharach chegaria ao grande amor (musical, entenda-se) da sua vida: Dionne Warwick. Mas isso é mesmo outra história, dos tempos mais bem sucedidos de Bacharach e David que envolverão gente como as Shirelles (e os Beatles, claro), Gene Pitney, Jackie DeShannon, Marianne Faithful, Dusty Springfield, Walker Brothers, Billy J. Kramer e, até (com especial atenção a VdeAlmeida), Alan Price por via de um quase desconhecido Chuck Jackson. Ele é esperar para ver!

sexta-feira, setembro 05, 2008

História(s) da Música Popular (98)

Burt Bacharach e Hal David

Marty Robbins - "The Story Of My Life" (Burt Bacharach-Hal David)
Bacharach e David (I)
A primeira coisa que me ocorre dizer sobre Burt Bacharach e Hal David é que serão os compositores daquilo que, muito genericamente, se pode designar por "Pop/Rock" que mais perto e mais pontes farão com a chamada música ligeira, tal como era entendida antes de 1954, isto é, antes de Elvis ter gravado o "blues" de Arthur Crudup “That’s All Right” e a idade do "rock n’ roll" ter começado em todo o seu esplendor.

Claro que isto não acontece por acaso: Bacharach já não era um adolescente em 1954 (nasceu em 1929) e David era ainda mais velho, pois nascera em 1921, ambos novaiorquinos. Burt de adopção, pois viu a luz do dia em Kansas City, Missouri, e David de nascimento. Para além disso, Burt Bacharach tinha uma formação musical tradicional (a maioria dos rockers não tinha qualquer uma, e isso acabou por se tornar numa virtude), universitária, tendo inclusivamente estudado música e composição, e começou a sua vida musical lado a lado com a geração de "crooners" como Vic Damone, que acompanhou ao piano, e Perry Como. David, esse, era jornalista, mas convém lembrar que ele próprio tinha uma ligação musical desde a infância, pois era um razoável executante de violino.

Esse facto curioso, de estarem na vida musical com um pé lá (música ligeira) e outro lá ("rock n’ roll"), reflecte-se mesmo nos seus inícios, enquanto parceria, já que depois de assinarem um tema para o filme “Don’t Knock The Rock” (“I Cry More”, interpretado por Alan Dale) compõem também para o “romântico" Johnny Mathis, cujo tema mais conhecido em Portugal será, talvez, “Chances Are”, pelo qual suspiravam as adolescentes dos anos 50 nas festas bem comportadas. Mas o seu primeiro sucesso, também reflectindo um pouco essa mesma ambivalência, essa hesitação que acabou por se manifestar como o seu ponto de diferenciação e a sua mais-valia, foi “The Story Of My Life” escrito para alguém quase desconhecido em Portugal mas que nos USA e na “Rolling Stone” é alvo de elevada cotação e respeito: estou a falar de alguém cuja carreira se centrou no "country", mas, ele próprio, tal como Bacharach e David, tendo passados por várias fases e sofrido influências diversas, do "rockabilly" ao "rock n’ roll". Refiro-me a Marty Robbins, alguém que só relativamente tarde descobri (para aí no início dos anos 90) e cujo número de referências na minha discoteca se limita ao CD “Rock’n Roll’n Robbins” - da Bear Family Records, pois claro - onde constam versões de temas tão conhecidos como “That’s All Right” (Crudup), “Maybelline” (Chuck Berry) e “Long Tall Sally” (Little Richard). Pois foi para este Marty Robbins que Bacharach e David escreveram, em 1957, “The Story Of My Life”, com que inicio este capítulo a eles dedicado.