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segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Da demagogia dos industriais de panificação

Confesso estar demasiado farto do choradinho demagógico dos industriais de panificação sobre a diminuição do consumo de pão. Para além do que aqui escrevi em 2008, de modo mais desenvolvido, a crise actual só poderia ter como consequência, não uma diminuição do consumo de pão, mas um seu aumento, bem como dos bens mais essenciais, já que os portugueses com menores rendimentos tenderiam a fazer o "trade down" de produtos alimentares mais sofisticados. Se o consumo de pão decresce, tal só poderá ficar a dever-se a uma de duas coisas, ou à acção combinada de ambas: apesar da crise, os portugueses, em média, melhoraram a sua dieta alimentar, diversificando-a, e a crise ainda não chegou ao ponto de os obrigar a modificar radicalmente este estado de coisas; uma parte da venda e consumo de pão tem vindo a escapar, de modo crescente, à contabilização da associação do sector, o que pode ter a ver com a diversificação, nos últimos anos, da sua produção e venda. Por exemplo, a crescente importância que as as grandes superfícies e outros locais de produção e venda de pão não integrados, eventualmente, na associação do sector podem estar na base de uma distorção dos números apresentados. 

sexta-feira, julho 04, 2008

Pão por brioches ou brioches por pão?

Segundo o “Correio da Manhã” de hoje, notícia citada pelo RCP, os industriais de panificação afirmam que o consumo de pão no primeiro semestre deste ano terá decrescido 20% e que esse decréscimo é sintoma inquestionável da crise económica. Bom, vamos lá ver. Não sendo Portugal o Burkina Faso ou o Zimbabué, mas um país da UE e do primeiro mundo, e não sendo, por isso (para além de não estarmos no século XVIII), o pão a base da alimentação, peço licença para duvidar que a quebra do consumo, a ter efectivamente existido (já lá iremos) se deva essencialmente à crise económica directamente geradora de pobreza. Se assim fosse, e sendo o pão o alimento mais barato e o último refúgio em termos alimentares, já deveriam existir uns milhares de portugueses mergulhados na pobreza e na fome mais extremas, o que, felizmente, também tendo em conta os apoios estatais e de várias organizações da sociedade civil, não me parece seja ainda o caso. Sendo Portugal um país desenvolvido (o mais pobre dos ricos, ainda assim) o que seria normal numa situação de crise seria exactamente o contrário, isto é, o consumo de pão ter aumentado por via da substituição de bens e produtos mais caros por esse mesmo pão: os portugueses passariam a substituir os “brioches” por pão e não fariam o upgrade do pão para os “brioches” (pobre Maria Antonieta, sempre tão injustamente citada!). Portanto, a diminuição do consumo de pão poderia ser, isso sim, não tanto um reflexo de pobreza mas de algo que estará nos seus antípodas: a prosperidade!

Não querendo ser demasiado radical, admito que coexistam aqui várias realidades. Por um lado, uma evolução e maior sofisticação na alimentação dos portugueses (originada, por exemplo, pela tendência demográfica urbana e por uma educação em progresso), o que pode coexistir perfeitamente com uma situação de crise. Por outro, e independentemente da insuficiência de uma análise centrada apenas em dois períodos, sem conhecermos eventuais factores anómalos que poderão ter influenciado os resultados, uma falsificação, propositada ou não, das próprias estatísticas pode mesmo ser a sua origem, por exemplo, através de uma alteração da base de cálculo ou do crescimento de um segmento que não faça parte dessa mesma base. Um exemplo: sendo, cada vez mais, uma boa parte de pão consumido pelos portugueses fabricado em supers e hipermercados, esses fabricantes fazem parte da associação de industriais do sector? É apenas uma questão que me ocorre, mas outras poderão com certeza existir. Pena que os jornalistas não se interroguem... É que para além da preguiça mental, a crise (esta ou outra qualquer), tal como todas as desgraças do mundo, vende sempre muito bem!

quinta-feira, agosto 05, 2010

O pão e a demagogia...

Pelo seu simbolismo, nada mais favorável à irrupção do populismo e demagogia mais desbragados do que qualquer problema relacionado com o pão. E se se tratar de um aumento de preços, tanto melhor. Claro que o “Público” e outros “media” estão sempre prontos a dar uma ajuda. Felizmente, há muito que o pão deixou de ter qualquer peso significativo no consumo das famílias portuguesas...

Já agora, com o pão a fabricar-se e vender-se em supermercados e etc, qual a efectiva quota dos associados da ACIP (Associação do Comércio e da Indústria da Panificação, Pastelaria e Similares) no mercado do pão? E de que estão à espera? Que o Estado controle ou subsidie o preço da farinha?

quarta-feira, agosto 11, 2010

ACIP: e se fabricassem brioches?

Depois de, com a conivência dos “media”, terem andado demagogicamente a agitar o aumento do preço das farinhas com o objectivo de extorquir ao Estado mais uns euros em subsídios, ou uma qualquer decisão proteccionista, os industriais e comerciantes integrantes da ACIP (Associação do Comércio e da Indústria de Panificação) tiveram do grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce, Feira Nova e Recheio) a resposta adequada numa economia de livre conciorrência: nas lojas do grupo, o pão manterá o seu preço até ao final do ano.

Claro que como este género de gente (ACIP e corporações similares) odeia essa mesma livre concorrência, e viram na decisão do grupo JM o risco de perderem mais alguma da sua quota de mercado, trataram, de imediato, de apresentar queixa na... Autoridade para a Concorrência, alegando não importa o quê - mas, de certeza, qualquer imaginada concorrência desleal por parte das grandes superfícies. Conselho aos empresários reunidos na ACIP, parafraseando o que Maria Antonieta nunca terá dito: e se fabricassem brioches?