domingo, novembro 07, 2010

FCP-SLB (ao intervalo)

Confesso que o que menos me apetecia neste momento era ter razão. E não é que foi mesmo por ali? E que ganha a equipa com a troca de Saviola por Aimar, que não tem "estaleca" para estes jogos de alta rotação?
Admito, em certas circunstâncias, se cometam erros. Mas cometer o mesmo erro duas vezes, como acontece com Jorge Jesus, já é burrice a mais.

Elvis Presley, 75 anos - original SUN recordings (14)

"I'll Never Let You Go (Little Darlin')" - um original de Jimmy Wakely (1943)

Gravação de 10 de Setembro de 1954

Prece a Jesus...

Apenas uma coisa eu peço hoje a Jorge Jesus: não invente e não caia na tentação “ Liverpuliana”. Isto é, não faça alinhar David Luiz a defesa-esquerdo, alterando o alinhamento e a mecanização defensiva habituais, e não comece por tentar jogar “o jogo pelo jogo”, desequilibrando a equipa defensivamente e abrindo espaços para as rápidas transições do FCP.

Obrigado pela graça concedida.

sábado, novembro 06, 2010

Um recado a Pedro Passos Coelho

Nas democracias compete aos políticos eleitos governarem em nome do povo, cabendo a este mesmo povo, através dos mecanismos democráticos ao seu dispor, julgar politicamente da sua governação.

Nessas mesmas democracias compete aos tribunais, também em nome do povo, julgar da conformidade da actuação de todos os cidadãos - políticos, governantes ou quaisquer outros – face à lei, que se obrigam a cumprir, e aplicar as sanções nela previstas em caso de infracção.

Quando tudo isto se confunde e esta separação de poderes se não verifica, como parece querer agora propor Pedro Passos Coelho ao pretender criminalizar a má governação, mesmo que sem infracção às leis da República, estamos na presença de um Estado totalitário. Não quero acreditar PPC o defenda.

The best of SUN rockabilly (11)


Ray Smith - "Shake Around"

sexta-feira, novembro 05, 2010

"The Cazalets" (5)

"The Cazalets" - BBC (2001)

Da perda de hegemonia da esquerda na cena mediática

No seu “Causa Nossa”, Vital Moreira tem por hábito chamar a atenção para casos nos quais, em termos mediáticos, considera o governo de José Sócrates ter sido tratado injustamente ou, até, para deturpação de notícias, em si mesmas positivas, “manipuladas” em prejuízo desse mesmo governo. Devo dizer que um bom número de vezes tem razão.

Mas, mais do que ter ou não ter razão, melhor do que assinalar esses casos, seria interessante saber porque a esquerda, ou quem das suas ideias se reclama, perdeu, nas últimas décadas, alguma da relativa hegemonia que durante muitos anos deteve na comunicação social. Permito-me adiantar três dessas razões:
  1. No campo das ideias políticas, da luta e afirmação ideológicas, o que de novo surgiu (de positivo ou negativo, não interessa aqui discutir a questão), nos últimos tempos, principalmente após a queda do “muro de Berlim e da derrota do comunismo enquanto ideologia e prática política, veio da direita neo e ultraliberal e do movimento-conservador. Exceptuando nas questões de “sociedade”, ou impropriamente chamadas “fracturantes”, das quais alguns dos novos partidos da esquerda pós-moderna se fizeram vanguarda, as ideias à esquerda estiolam e a sua ideologia e práticas políticas passaram, aos olhos das novas gerações, a ser consideradas como demasiado conservadoras. Se a geração que tem hoje 60 anos era maoista por contestação, a geração que tem hoje 30 ou 40 anos é liberal por idênticas razões. Ora são essas novas gerações que ocupam hoje em dia, maioritariamente, as redacções dos principais “media”.

  2. Nada de novo se disser que com as novas tecnologias de informação e as plataformas e suportes diversos que geraram, com a globalização de difusão de conteúdos a que também deram origem e com o subsequente nascimento do “infotainment”, o mundo da comunicação social assumiu uma lógica claramente empresarial, ligando-se ao mundo dos negócios e afastando-se da concepção tradicional do jornalismo, o que também não favorece qualquer seu posicionamento “à esquerda”.

  3. Por último, a prevalência da vertente “negócio” e a lógica de luta pelas audiências que dela decorre “forçou” à opção pelo espectáculo e pelo imediato e superficial em detrimento de qualquer aprofundamento das ideias ou, muito menos, dos aspectos formativos; fez alastrar o antes restrito tablóidismo e tornar algumas das suas características dominantes na chamada “imprensa de referência”, esbatendo fronteiras ainda há pouco bem definidas. Ora estes aspectos, tal como seria de prever, bem como os “media” interactivos dos fóruns de opinião, das caixas de comentários e das “sondagens” a €0,60 + IVA, abriram caminho aos mais desbragados populismo e demagogia, que tenderam a tornar-se dominantes e impregnar toda e qualquer discussão ideológica mais séria. Um caldo de cultura, claro, que não só não me parece ser nada favorável a uma esquerda – aquela a que Vital Moreira pertence - que não se limite a afirmar-se e agir como contestatária do “sistema”, como também tende a promover a contestação sistemática a alguns dos aspectos mais evidentes e menos populares da actividade governamental e da política em geral. Ora, no caso específico de Portugal, convém lembrar que o PS foi governo durante cerca de doze dos últimos quinze anos, o que expôs demasiado o partido a esta infeliz lógica mediática.

O perfil de Ferreira Leite

As afirmações de Manuela Ferreira Leite sobre a “inevitabilidade” deste orçamento e o aproveitamento político que delas fez José Sócrates, em proveito do governo, são bem paradigmáticas sobre o perfil da ex-presidente do PSD: se, especialmente em matérias de natureza económica, não deixa de ter razão muitas vezes, a sua inabilidade e impreparação políticas são quase sempre demasiado evidentes.

Os clubes secundários de Lisboa e Porto

Não sei se já repararam no declínio dos chamados clubes secundários das duas grandes cidades, Lisboa e Porto. Na capital, o Estrela faliu e o CFB, se para lá não caminha, debate-se, na Liga de Honra, com graves problemas financeiros e desportivos; o SCP, não podendo ser considerado um clube secundário, enfrenta problemas financeiros por demais conhecidos. No Porto, Boavista (este depois de ter sido campeão nacional e participante regular nas provas da UEFA) e Salgueiros remeteram-se às competições amadoras e Leixões dificilmente se "aguenta" na I Liga. Enquanto isto acontece, alguns clubes de cidades de média dimensão alcançam resultados desportivos de algum relevo: SC Braga, com forte contributo da sua autarquia (a verdadeira dona do clube) substitui o Boavista como"challenger" na luta pelo título e participante nas provas europeias; VSC, que consegue ter assistências regulares de 20 000 pessoas, parece querer assumir o lugar de destaque que a sua dimensão justifica; Nacional, com enorme apoio financeiro do Governo Regional, consegue resultados desportivos muito acima do que a sua importância enquanto clube poderia esperar e Marítimo (para quem o Governo Regional está a construir um estádio) apenas o não acompanha por total inépcia da sua gestão desportiva.

Conclusões? Acho o assunto merece uma análise mais aprofundada, mas, para já, esta situação parece ser bem demonstrativa das fragilidades evidenciadas por clubes que, não tendo alcançado dimensão nacional (SLB) ou de "bandeira" de uma região com importância suficiente para questionar o poder central (FCP), apenas conseguem massa crítica para sobreviver e alcançar resultados desportivos de relevo com um fortíssimo apoio e interligação com as estruturas locais de poder, o que mais dificilmente acontece nas grandes cidades.

quinta-feira, novembro 04, 2010

A "martelada"

Parece que foi ao neo-deputado do BE José Gusmão que ouvi uma referência no debate sobre o Orçamento de Estado às “marteladas” a que o documento teria sido sujeito por Teixeira dos Santos para manter o “déficit” nos valores previstos, depois deste ter apresentado a tal errata onde se inscreve um agravamento da despesa na ordem de 830 milhões de euros. Bom, sobre tal “errata” já muita gente se pronunciou... Deixem-me apenas sublinhar, com ironia, o facto de o deputado do BE ter utilizado nas suas críticas um termo (“martelada”) claramente retirado do jargão do “management” empresarial, onde é utilizado em circunstâncias semelhantes.

Duas notas:

  1. Do modo como se apresentou, não estou a ver alguém numa empresa organizada tivesse sequer coragem de sugerir tal “martelada”, muito menos a pudesse propor a quem quer que fosse como um exercício de gestão normal e aceitável. Por não existirem? Nada disso: como afirmei, o termo até é de utilização corrente nas empresas, e em circunstâncias semelhantes, e até passei por uma onde, numa manifestação bom humor, o objecto inspirador (martelo) tinha mesmo existência física dentro de uma daquelas vitrines “partir em caso de necessidade”. Mas, claro, requere-se uma bem maior dose de subtileza nas propostas e de segurança nos resultados.
  2. Seguindo o exemplo do deputado Gusmão, estou bem a ver um dia destes os deputados do CDS socorrerem-se, em pleno debate parlamentar, daquelas coloridas frases maoístas que nos habituámos a ler (assim o[a]s senhores[a] da minha idade, claro) nos cartazes do MRPP do pós-25 de Abril, do tipo “o povo elevará bem alto a bandeira da luta contra o governo “vende-pátrias”. Ou será que o Presidente da República, em tal caso, viria a terreiro, no “Facebook”, manifestar a sua repulsa pelo tom tão pouco elevado do debate?