Capa de CCP para "Sua Excelência A Morte" de S. A. Steeman, nº 94 da "Colecção Vampiro"Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
As Capas de Cândido Costa Pinto (38)
Capa de CCP para "Sua Excelência A Morte" de S. A. Steeman, nº 94 da "Colecção Vampiro"Marques Mendes e Alcochete
O seu a seu dono. Alguém, convém lembrar, averbou uma indiscutível vitória com a decisão do governo de construir o novo aeroporto de Lisboa em Alcochete: Luís Marques Mendes, que foi quem, como líder partidário, primeiro e mais significativa e veementemente se opôs à opção Ota. É justo que isso seja hoje aqui lembrado. As decisões do governo numa antevisão do "Gato Maltês"*
Quanto à nova estrutura aeroportuária, sabida da oposição da maioria dos portugueses, tem aqui o governo uma oportunidade de se tornar mais popular tomando uma decisão baseada na razoabilidade e num consenso alargado, definindo um corte, se não radical pelo menos significativo, com o modelo de desenvolvimento adoptado nos últimos decénios. Desconheço qual o grau dos compromissos já assumidos, mas, estando de fora, não me parece que, aqui, a decisão mais popular fosse coincidente com a decisão de risco ou com a decisão errada, antes pelo contrário. Enquanto adversário do projecto “grande cidade aeroportuária” e também enquanto cidadão e eleitor desconfiado da credibilidade das alternativas ao actual governo, espero bem que o governo tome uma decisão sensata. Terá tudo a ganhar, ele e nós."
Ota vs Alcochete?
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Don't make promises you can't keep...
Vamos ser claros. O PS e o governo poderiam prometer referendar uma nova lei sobre a IVG: depois do faux pas que tinha sido o referendo anterior - só mesmo ao PCP lembraria alterar o seu resultado por votação parlamentar, mesmo não tendo os resultados sido vinculativos - a iniciativa de convocação de nova consulta popular não só dependeria de si como a questão do aborto era estrutural na sociedade portuguesa. Claro que a consulta poderia ser chumbada na AR caso o PS não obtivesse maioria absoluta, ou pelo PR se este assim o decidisse, mas isso não invalidaria o cumprimento da promessa (a iniciativa da sua convocação). Já em relação ao referendo sobre o então Tratado Constitucional do qual o Tratado Reformador é herdeiro, a questão é mais complexa. Independentemente das posições de princípio de cada um sobre o instituto do referendo (as minhas já por aqui foram expressas por várias vezes), como se veio a verificar a questão era não só demasiado conjuntural (bastaram dois “chumbos” para tudo ser reformulado e isso deveria ter sido previsto), como dependia demasiado de factores não controláveis internamente, sejam, o que aconteceria com os outros estados-membros e quais as subsequentes decisões conjuntas da UE formais ou apenas tácitas. Ao decidir prometer o referendo sobre o Tratado Constitucional o PS esqueceu estes princípios básicos da política e, pior, sacrificou a estratégia (o aprofundamento da construção europeia) à táctica: o PSD era, na altura, favorável ao referendo e é sempre popular dizer que se consultam as “massas” mesmo quando estas resolvem ficar em casa afirmando “estarem-se nas tintas” para a consulta. Assim, meteu-se num “molho de bróculos” de onde dificilmente escapará ileso.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Referendo???
"Sou, por princípio e em termos gerais e abstractos, contrário às “democracias” plebiscitárias e/ou referendárias (e não vem aqui ao caso a minha posição favorável ao federalismo europeu), com possível excepção para questões simples e concretas de âmbito local, mas reconheço que, no primeiro caso, uma decisão favorável ao referendo, até pelo contraste que estabeleceria com a decisão já tomada pelo PSD, iria, disso não tenho dúvidas, contribuir para um aumento da popularidade do governo, mais a mais quando se lhe apontam vícios vários de autismo e arrogância. Se este assim o decidir, será uma decisão irresponsável, ditada pela demagogia e o eleitoralismo fácil, arriscando-se a comprar um conflito com os seus parceiros europeus e, eventualmente, com o Presidente da República e a contribuir para hipotecar o futuro do aprofundamento político da União em troca de uma cedência aos vários eurocepticismos e basismos, por princípio seus adversários políticos, à esquerda e à direita. Mais ainda, arrisca-se a uma participação ridícula (não será pessimismo prever uma afluência na casa dos 30%) e, no caso de derrota (será de prever que apenas os partidários do “NÂO” serão susceptíveis de uma mobilização significativa), a actuar tal qual qualquer aprendiz de feiticeiro, criando um problema cuja necessária solução futura, por burocrática ou de gabinete mas sempre obnóxia, o colocaria numa situação de fragilidade política extrema, interna e externamente, e o afastaria ainda mais de qualquer pretensão de popularidade futura."
Escrito e publicado por mim no "Gato Maltês" a 2 de Novembro de 2007
História(s) da Música Popular (71)
Bom, mas no próximo “episódio” lá repescarei Jeff Barry também como intérprete (ou mais ou menos), que também o foi com Ellie formando os Raindrops.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
O Benfica e o populismo
Foi este seu perfil e modelo de crescimento que permitiram o seu sucesso, mas que também estiveram na base da sua decadência por inadaptação clara, a partir dos anos setenta, a um novo modelo emergente numa época em que o poder económico e político “viram” conjunturalmente a norte e em que a televisão, patrocínios e merchandising, com a subsequente internacionalização dos clubes/marca, ocupam um lugar cada vez mais importante como fontes de financiamento. É esta sua cultura enquanto instituição, esta sua filosofia de vida qual marca de origem que se lhe cola como se de uma fatalidade se tratasse, que o torna no “grande” que mais dificuldades veio a ter para se adaptar a este “mundo novo”. A capacidade para assim atrair o populismo, com o ror de decisões erráticas e erradas que normalmente lhe estão associadas (e a ampliação do estádio para 120.000 lugares numa época em que a tendência era já a inversa talvez tenha sido apenas a primeira), aparece quase como uma inevitabilidade.

