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segunda-feira, outubro 12, 2015

De como já sentei o traseiro no "Centre Court" de Wimbledon mas não estava lá a Pippa Middleton nem ouvi os gritinhos da Sharapova

Quem não tem cão, ou caça sem ele ou limita-se a não caçar - que os gatos não são chamados para estas coisas. Ou "quer-se dezer": eu, que a coisas da caça sou pouco dado, se até hoje não consegui um "bilhetinho" para os "Championships" através das vias competentes ("ballot" ou outras - já lá vamos), porque não inscrever-me para uma visita guiada ao All England Lawn Tennis Club? Eu explico... Todos os anos, em Novembro, preencho a minha "application" para o chamado "ballot", isto é, a via principal para se conseguir um "bilhetinho" para o torneio de Wimbledon. Como, em média, o rácio é de um bilhete para cada quatro inscrições, até agora... nada. Como também para quem vive "overseas" (é assim que são chamados os que vivem para cá do Canal) as outras modalidades (já lá vamos) são pouco ou nada práticas, restou-me por agora a opção da visita guiada, marcada via internet, embora sem direito ao excitement da Pippa Middleton nas bancadas e dos "gritinhos" da Sharapova no "court". Também não se pode ter tudo, embora se deva continuar sempre a tentar.
E que dizer para além do que possa vir na estafada "Wikipedia? Bom...
  1. Wimbledon fica no London Borough of Merton. Apanha-se a District Line na direcção de Wimbledon e sai-se em Southfields. Depois, são cerca de 20' de agradável caminhada num arrabalde chique de Londres, entre o Wimbledon Park à esquerda (com um campo de golfe que presumo municipal, pois o parque é público) e um conjunto de casas daquilo que agora se convencionou chamar classe média-alta, à direita. Ou então, 5' de autocarro até à porta do All England Club, mas acho um bocado um sacrilégio. Optei pela caminhada à ida e pelo autocarro à volta (o Oyster Card é válido). Primeira conclusão a tirar: a improvável (mas hoje em dia um "must") combinação de cores - roxo e verde - do All England Club deriva das cores municipais do London Borough of Merton. 
  2. A visita guiada custa £24 para o comum dos mortais (£21 para os maiores de 60) e inclui os Centre Court, Court nº 1, Henman Hill, sala de imprensa, loja e museu.
  3. O clube tem entre 500 e 600 sócios (o número exacto, tal como a potência dos motores dos antigos Roll Royce e Bentley, não é divulgado). Cada sócio paga apenas £200 por ano, mas... não se excite: para se tornar membro do clube é preciso se proposto por quatro sócios, ser aprovado pela direcção e, depois... ficar à espera, sabe-se lá até quando - ou até nunca. Parece que a preferência vai para gente de algum modo ligada ao mundo do ténis, sendo que os antigos campeões individuais se tornam automaticamente membros. Mas houve uma excepção: John Mc Enroe, que pelo seu feitio controverso parece que ficou uns anitos largos à espera. Vidas...
  4. Os sócios não estão autorizados a jogar nos "courts"principais, apenas o podendo fazer em alguns secundários, até dois meses antes do início dos "Championships", e nos "courts" sem piso de relva destinados a treinos, ensino, etc.
  5. Com tão parco dinheiro recebido dos seus sócios, o clube vive das receitas das transmissões televisivas dos "Championships", das verbas recebidas de patrocinadores (Rolex, IBM, HSBC, Évian, Ralph Lauren, Jakob Creeks, etc) e da venda de bilhetes (1/2 milhão de espectadores durante os "Championships"). Todos os anos gera um "excedente" (o clube não gosta da palavra lucro) que é inteiramente aplicado no desenvolvimento do ténis à escala mundial.
  6. Todos os anos, no final dos "Championships", o piso é mudado na totalidade dos "courts". A relva é cortada, ficando apenas a raiz, e vai crescendo a partir daí, sendo preparada ao longo do ano. É cortada três ou quatro vezes por semana, nunca podendo exceder os 15''. Durante os "Championships" a sua altura é de 8''. A preparação inclui uma cerca electrificada anti-raposas (em Londres a raposa tornou-se quase um animal doméstico), que parece gostam muito usar a relva dos "courts" como casa de banho, e um falcão residente, do nome Rufus, para enxotar os pombos (à atenção de Fernando Medina).
  7. Os chamados "apanha bolas" ("ball girls and ball boys") não precisam de saber jogar ténis e são normalmente recrutados nas escolas da região. O seu treinamento inclui aprenderem algumas das "manias" do(a)s principais jogadore(a)s, para que não falhem no modo como entregam as bolas. E, claro, não são pagos, podendo contudo ficar com o seu equipamento como recordação.
  8. Para os "courts" a entrada de comida está condicionada. Mas para a famosa Henman Hill, com o seu quadro electrónico gigante, pode levar-se um cesto de picnic (por mim, devia estar também sujeita a inspecção do respectivo bom gosto).
  9. Terminados os "Championships", os jogadores participantes têm direito ao acesso livre às instalações do All England Lawn Tennis Club durante quinze dias, o que inclui assistência médica, ginásio, fisioterapia, restaurantes, etc.
  10. Os habitantes da zona parece que odeiam o torneio, pois vêem o seu sossego e o bucolismo do Wimbledon Park invadido e transtornado por dezenas ou centenas de milhar de amantes do ténis. Mas nem tudo está para eles perdido: como não existem hoteis na área e ficar no centro de Londres é complicado por causa do trânsito (estragaria a vida ao "referee", o homem encarregado de assegurar o cumprimento da boa ordem dos jogos), vão de férias (literalmente, "põem-se na alheta") e a alugam as suas casas e apartamentos a jogadores e respectivos acompanhantes (namorado(a)s, famílias, treinadores, fisioterapeutas e por aí fora". Uma boa maneira de ter férias "à borla".
  11. Por último, como conseguir um bilhete para os "Champioships" (2/3 dos bilhetes são para venda ao público)? Bom, como disse, temos em primeiro lugar o "ballot". Para os "overseas applicants", como eu, trate disso agora em Novembro. Pela internet, o que é uma sorte, pois os "UK residents" têm de dirigir-se ao All England Lawn Tennis Club, pedir os "papelinhos", preenchê-los e entregá-los, em mão ou pelo correio (very old fashion). Se não os conseguir desta forma, restam-lhe duas alternativas: ir, durante os dias em que decorrem os "Championships", para a porta do clube - de preferência passar lá a noite - e ter a sorte de ser um dos primeiros mil ou mil e pouco "sortudos" que conseguem bilhete por essa via; ficar à porta, durante o dia, para ver se consegue ser presenteado com um dos bilhetes reutilizáveis. Passo a explicar: receber, a troco de cinco libras que o clube doa para acções de caridade, os bilhetes de espectadores que resolvem sair antes dos jogos terminarem. Claro que há sempre a hipótese de conseguir ser convidado por um patrocinador, pelo All England Club ou... entrar para sócio. Agora... boa sorte, para mim em primeiro lugar.

segunda-feira, novembro 03, 2014

O "Gato Maltês" e os Championships 2015

Acabei de enviar para o All England Lawn Tennis & Croquet Club a minha inscrição para o "ballot" dos bilhetes para os Wimbledon Championships 2015. Agora é esperar até Março, fazer muitas "figas" e pensar que me pode calhar um "bilhetito" (que até nem são excessivamente caros) no rateio. É bem menos difícil e faria bem mais a minha felicidade do que o Audi da ministra Maria Luís. Caso não me calhe agora em sorte, continuarei a enviar enquanto tiver "saúdinha" e o governo (este ou futuros) não tiver "ideias" quanto à minha reforma. 

quinta-feira, junho 27, 2013

Porque foi importante a vitória de Michelle Brito

Para os que acham o resultado de ontem de Michelle Brito foi apenas uma vitória na segunda ronda do torneio de Wimbledon, aqui vai um conjunto de razões que pretendem demonstrar foi muito mais do que isso:
  1. Michelle Brito não se limitou a ganhar à nº 3 do mundo. Ganhou em apenas dois "sets" a Maria Sharapova, vencedora de todos os torneios do "Grand Slam" (Wimbledon 2004, US Open 2006, Open da Austrália 2008 e Rolland Garros 2012), finalista de Wimbledon no ano passado e a jogadora mais mediática do mundo.
  2. E não o fez num torneio qualquer. Wimbledon, pela sua tradição e rituais, por se jogar em relva, é o mais importante torneio do "Grand Slam", um dos eventos desportivos de maior relevo do ano.
  3. O encontro teve larga cobertura mediática e transmissão televisiva para todo o mundo, à qual devem ter assistido largos milhões de espectadores.
  4. Foi o primeiro resultado de efectivo destaque do ténis português.
  5. Foi um resultado desportivo conseguido numa modalidade que, para o bem e para o mal, tem uma tradição de elitismo, mas é, hoje em dia, das mais importantes e mediáticas a nível mundial (os seus principais jogadores são autênticos ídolos e "pop stars" em todo o mundo) e na qual não se entende muito bem como um país desenvolvido como Portugal não consegue ter 1/2 dúzia de jogadores/jogadoras consistentemente entre os/as cinquenta primeiro(a)s do "ranking.
  6. Foi um resultado conseguido por uma jogadora que muito prometeu enquanto adolescente, mas passou nos últimos anos por um largo período de obscuridade. Uma vitória que pode assim constituir um excelente incentivo para o relançamento da sua carreira.
  7. Muito jovem, simpática e com "um palminho de cara", este pode ser o resultado de que Michelle Brito precisa para atrair para si o interesse de alguns patrocinadores nacionais, permitindo-lhe maior desafogo financeiro e gerir melhor a sua carreira.
  8. Por acréscimo, atraiu para o ténis português uma pouco habitual notoriedade mediática, da qual este desporto pode bem vir a beneficiar. Esperemos que sim.

segunda-feira, julho 06, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 15)

No surprises, ou melhor, quase nenhumas, pois talvez tivesse surpreendido menos ter ganho a mana Williams mais velha, na mais desinteressante final feminina de que me lembro. No caso da final masculina, neste ténis de Wimbledon em que quem quebra o serviço ganha o "set", Roddick assim ganhou dois, mas Federer conseguiu fazê-lo no momento decisivo.

sábado, julho 04, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 14)

Hoje a final entre as manas Williams e ontem a derrota de Murray perante um mais consistente e concentrado Rodick (eu bem disse que ainda não seria desta).

sexta-feira, julho 03, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 13)

Hoje um pouco mais tarde. Mas veja como as Williams chegaram, como se previa, à final. Será hoje a vez de Murray?

quinta-feira, julho 02, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 12)

Hoje 1/2s: Safina - V. Williams e Dementieva - S. Williams (C'mon Elena!)

Ontem: Rodick, Murray, Haas e Federer apuraram-se para as 1/2s

Veja aqui como foi e como vai ser

quarta-feira, julho 01, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 11)

As manas Williams, Dementieva e Safina já estão nas 1/2. Torço por Dementieva, embora com pouca esperança.

Veja também a antevisão dos singulares masculinos (1/4 final) de hoje.

terça-feira, junho 30, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 10)

Mauresmo out (não é surpresa), Ana Ivanovic também out (por lesão, Oohhh!) e Murray suou até às dez da noite para passar aos 1/4s

segunda-feira, junho 29, 2009

A propósito de Wimbledon: o "Hawk Eye" e o futebol

Por princípio, nada tenho contra a utilização do sistema “Hawk Eye” no futebol, tendo como objectivo verificar se a bola entrou ou não na baliza. Por exemplo, na recente final da Taça das Confederações, o Brasil viu-lhe ser negado um golo aparente numa jogada em que a bola parece ter ultrapassado completamente a linha de golo.

Mas, já agora, um pouco de água na fervura. No ténis, o sistema só é utilizado nos grandes torneios e, mesmo assim, nem em todos os “courts”. Em Wimbledon, por exemplo, apenas nos jogos disputados nos "courts" central e nº 1, os mais importantes mas que recebem uma minoria dos jogos, tendo cada jogador direito a três verificações por “set” mais uma no caso de se disputar um “tie-break”. Mais água para a mesma fervura: num encontro de ténis as situações duvidosas são frequentes, na maioria deles obrigando ao recurso ao sistema o número máximo de vezes previsto nos regulamentos. Num jogo de futebol quantas vezes isso acontece? Melhor, num campeonato de 30 jornadas, disputado em 16 campos necessariamente equipados com o sistema, quantas vezes seria necessário a ele recorrer? Muito poucas, certamente (meia dúzia no total dos jogos, se tanto...), o que tornaria a relação custo/benefício completamente despropositada já que, segundo sei, e no caso do ténis, o custo do sistema é de $20 000 a 25 000 USD (€15 000 a 18 000, aproximadamente) por semana e por “court”. Alguém ainda acha que se justifica o investimento, talvez com a possível excepção das fases finais de europeus e mundiais?

Chega, talvez, de demagogia e populismo!

Strawberries & Cream (Ano II - 9)

Depois do tradicional 1º Domingo sem jogos, começa a
Atenção aos jogos que opõem Venus Williams a Ana Ivanovic e Federer a Soderling

domingo, junho 21, 2009

Strawberries & Cream (Ano II - 2)


Veja aqui o resumo de Wimbledon 2008, a antevisão de 2009 e golden moments de anos anteriores.

domingo, junho 14, 2009

Strawberries & Cream (Ano II-1)

Começa amanhã o qualifying de Wimbledon 2009. Tal como no ano passado, espero vir a incluír aqui no "Gato Maltês", a partir de dia 22, quando se inicia o "quadro principal", o link para o acesso aos vídeos com os resumos de cada dia de provas, bem como as previsões para o dia seguinte. Entretanto, passo a incluir, a partir de agora e até ao fim do torneio, na lista de blogs aqui ao lado, o link para o "Wimbledon blog", onde podem encontrar toda a informação actualizada sobre o que se vai passando no All England Lawn Tennis & Croquet Club.