Ontem, no estádio do Bonfim, terá existido - pelo menos que me lembre - a primeira situação de dúvida consistente no campeonato 2013/14 sobre a bola ter ou não ultrapassado completamente a linha de golo. Pelo menos nos jogos entre os grandes, foi o primeiro caso em que, mesmo vistas a imagens em movimento lento, permanece alguma dúvida. Extrapolando para o total do campeonato, digamos que, no máximo, poderão vir a existir duas ou três situações semelhantes (e já estou a pecar por exagero). Não faltaram, porém, e mais uma vez, comentadores e jornalistas a clamarem pela utilização das "novas tecnologias", i.e., o famigerado "olho de falcão" (pedir é sempre fácil). Ora sabendo que a instalação da chamada "tecnologia de linha de golo", utilizada na Premiership, tem um custo de cerca de £250 000 (1£= €1.2) por estádio, pergunto-me quantos clubes portugueses, a maioria com elevados níveis de endividamento e orçamentos entre os €2.0 e os €5.0, com estádios e relvados em precárias condições, estariam dispostos a pagar por isso. E, já agora, solicito comentadores e jornalistas percam uns minutos com a respectiva análise custo/benefício e calculem quanto poderia vir a custar cada dúvida esclarecida. Pois, pedir é sempre mesmo muito fácil, mas talvez não fosse má ideia analisar primeiro custos e prioridades.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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segunda-feira, março 10, 2014
quarta-feira, janeiro 06, 2010
As "novas tecnologias", o futebol e a "verdade desportiva" - "contadas às crianças e lembradas ao povo"
A propósito da petição "pela verdade desportiva" (começo por não perceber o porquê da sua entrega na Assembleia da República), um "post" por aqui escrito no dia 29 de Junho do ano passado.
"Por princípio, nada tenho contra a utilização do sistema “Hawk Eye” no futebol, tendo como objectivo verificar se a bola entrou ou não na baliza. Por exemplo, na recente final da Taça das Confederações, o Brasil viu-lhe ser negado um golo aparente numa jogada em que a bola parece ter ultrapassado completamente a linha de golo. Mas, já agora, um pouco de água na fervura. No ténis o sistema só é utilizado nos grandes torneios e, mesmo assim, nem em todos os “courts”. Em Wimbledon, por exemplo, apenas nos jogos disputados nos "courts" central e nº 1, os mais importantes mas que recebem uma minoria dos jogos, tendo cada jogador direito a três verificações por “set” mais uma no caso de se disputar um “tie-break”. Mais água para a mesma fervura: num encontro de ténis as situações duvidosas são frequentes, na maioria deles obrigando ao recurso ao sistema o número máximo de vezes previsto nos regulamentos.
Num jogo de futebol quantas vezes isso acontece? Melhor, num campeonato de 30 jornadas, disputado em 16 campos necessariamente todos eles equipados com o sistema, quantas vezes seria necessário a ele recorrer? Muito poucas, certamente (meia dúzia, no total dos jogos, se tanto...), o que tornaria a relação custo/benefício completamente despropositada já que, segundo sei, e no caso do ténis, o custo do sistema é de $20 000 a 25 000 USD (€15 000 a 18 000, aproximadamente) por semana e por “court”. Alguém ainda acha que se justifica o investimento, talvez com a possível excepção das fases finais de europeus e mundiais? Chega, talvez, de demagogia e populismo!"
segunda-feira, junho 29, 2009
A propósito de Wimbledon: o "Hawk Eye" e o futebol
Por princípio, nada tenho contra a utilização do sistema “Hawk Eye” no futebol, tendo como objectivo verificar se a bola entrou ou não na baliza. Por exemplo, na recente final da Taça das Confederações, o Brasil viu-lhe ser negado um golo aparente numa jogada em que a bola parece ter ultrapassado completamente a linha de golo.
Mas, já agora, um pouco de água na fervura. No ténis, o sistema só é utilizado nos grandes torneios e, mesmo assim, nem em todos os “courts”. Em Wimbledon, por exemplo, apenas nos jogos disputados nos "courts" central e nº 1, os mais importantes mas que recebem uma minoria dos jogos, tendo cada jogador direito a três verificações por “set” mais uma no caso de se disputar um “tie-break”. Mais água para a mesma fervura: num encontro de ténis as situações duvidosas são frequentes, na maioria deles obrigando ao recurso ao sistema o número máximo de vezes previsto nos regulamentos. Num jogo de futebol quantas vezes isso acontece? Melhor, num campeonato de 30 jornadas, disputado em 16 campos necessariamente equipados com o sistema, quantas vezes seria necessário a ele recorrer? Muito poucas, certamente (meia dúzia no total dos jogos, se tanto...), o que tornaria a relação custo/benefício completamente despropositada já que, segundo sei, e no caso do ténis, o custo do sistema é de $20 000 a 25 000 USD (€15 000 a 18 000, aproximadamente) por semana e por “court”. Alguém ainda acha que se justifica o investimento, talvez com a possível excepção das fases finais de europeus e mundiais?
Chega, talvez, de demagogia e populismo!
Mas, já agora, um pouco de água na fervura. No ténis, o sistema só é utilizado nos grandes torneios e, mesmo assim, nem em todos os “courts”. Em Wimbledon, por exemplo, apenas nos jogos disputados nos "courts" central e nº 1, os mais importantes mas que recebem uma minoria dos jogos, tendo cada jogador direito a três verificações por “set” mais uma no caso de se disputar um “tie-break”. Mais água para a mesma fervura: num encontro de ténis as situações duvidosas são frequentes, na maioria deles obrigando ao recurso ao sistema o número máximo de vezes previsto nos regulamentos. Num jogo de futebol quantas vezes isso acontece? Melhor, num campeonato de 30 jornadas, disputado em 16 campos necessariamente equipados com o sistema, quantas vezes seria necessário a ele recorrer? Muito poucas, certamente (meia dúzia no total dos jogos, se tanto...), o que tornaria a relação custo/benefício completamente despropositada já que, segundo sei, e no caso do ténis, o custo do sistema é de $20 000 a 25 000 USD (€15 000 a 18 000, aproximadamente) por semana e por “court”. Alguém ainda acha que se justifica o investimento, talvez com a possível excepção das fases finais de europeus e mundiais?
Chega, talvez, de demagogia e populismo!
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