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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Parece-me que o "caso" Crespo vai mesmo a caminho da coscuvilhice...

Pois agora Nuno Santos, confirmadamente um dos envolvidos no “caso” Mário Crespo, vem dizer para a comunicação social que a versão de Crespo não é totalmente fidedigna. Ou seja, um assunto que pelo seu indiscutível interesse político deveria ser tratado e averiguado, conforme defendi, em sede própria, a Assembleia da República que possui poderes para tal, passa assim a ser dirimido nos “media” através do diz que disse, da afirmação e desmentido. De uma questão política relevante para que os portugueses possam conhecer o comportamento público dos seus governantes e o modo como exercem o seu mandato, transforma-se mesmo em mera coscuvilhice, em assunto de mulher de soalheiro. Quem quer nada esclarecer já estará agradecido.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Ainda o "caso" Mário Crespo ou o que, acho, mudou desde ontem

A leitura do “Expresso” on-line - que não é (pelo menos, ainda) propriamente o “Jornal do Crime” ou o “24 Horas” e cujo principal proprietário eu e, penso que, a maioria dos portugueses nos habituámos a respeitar enquanto jornalista, empresário e cidadão - lança nova luz sobre o “caso” Mário Crespo: apresenta factos tais como local, dia, hora e testemunhas que me parecem, tanto quanto sei, gente idónea. Aquilo que ontem, mediante os elementos então (não) disponíveis, poderia parecer uma história com contornos infantis, mais um daqueles casos de especulação jornalística em que os últimos tempos, infelizmente, têm sido férteis, pode e deve, em função dos elementos agora vindos a lume através do jornal de Francisco Pinto Balsemão, ser considerado, pela sua eventual gravidade, algo a merecer, pelo menos, um tratamento mais aprofundado.

Perante a existência desses factos - e não estando em causa, frise-se, nada que possa ter contornos de ilícito criminal - o que eu e todos os cidadãos deste país temos o direito de saber é o seguinte:
  1. É verdade que o primeiro-ministro e outros ministros do seu governo se acharam no direito de, publicamente, interromperem um almoço privado de terceiros quebrando o direito a essa sua privacidade?
  2. É verdade que o fizeram num tom de voz e com modos inadequados para um sítio público, incomodando o direito à privacidade de terceiros que partilhavam o mesmo espaço, denotando aquilo que poderia ser classificado como falta de educação?
  3. É verdade que se referiram em público (o restaurante em causa – que conheço - é um sítio público e se é verdade que terceiros não puderam deixar de escutar os termos da conversa esta deixou, a partir daí, de ser privada) a uma terceira pessoa (o jornalista Mário Crespo, colega dos interpelados) em termos (citados) que demonstram falta de respeito, facto este agravado por se tratar do primeiro-ministro e membros do seu governo, que deveriam dar o exemplo?
  4. É verdade que manifestaram em público (novamente: se terceiros não puderam deixar de ouvir deixou de ser uma conversa privada) querer interferir no conteúdo da programação de um canal de televisão privado (a ser verdade que Mário Crespo foi referido como “um problema que tem que ser resolvido”, o primeiro-ministro não estava apenas a exercer o seu direito, legítimo, de crítica)?

Eu, cidadão e eleitor deste país e que até votei no partido que apoia o actual governo, tenho o direito de obter respostas a estas perguntas sobre questões que têm a ver com o carácter e comportamento público dos ministros e a sua actuação em algo tão sensível como a comunicação social, direito este que, pelo que aqui tentei demonstrar, nada belisca, no mínimo que seja, os princípios fundamentais do estado de direito. Mais ainda, se as alegações de Mário Crespo e do “Expresso” corresponderem à verdade, terão sido os membros do governo a desrespeitar a privacidade da conversa. Para isso, nada mais adequado que os deputados eleitos chamarem à Assembleia da República, para depoimento, as pessoas em causa (todas, incluindo, claro está, os governantes) para que assim os portugueses possam concluir sobre as questões que acima me permito levantar. Para isso os elegemos e a democracia assim o exige.

Nota: tudo isto me parece bem mais importante do que a não-publicação do texto de Mário Crespo no JN, algo cuja análise e comentário deixo aos jornalistas, juristas e outros "istas" da área.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

E se crescessem?

Um jornalista (Mário Crespo) que se tem distinguido como adversário do actual governo (o que é perfeitamente legítimo) e, até, do regime (igualmente legítimo) vem queixar-se publicamente num “site” ligado ao principal partido da oposição de alguém não nomeado ter ouvido num restaurante uma conversa entre o primeiro-ministro e vários dos seus ministros mencionando o seu nome como uma voz a “calar”. Alguns “media” pegam no assunto e fazem dele “manchete”. Outros discutem-no. A direcção do sindicato dos jornalistas resolve mesmo emitir uma nota oficial. Para o ramalhete ficar completo só faltava agora o governo pronunciar-se sobre o assunto. E se crescessem?

terça-feira, janeiro 20, 2009

c/o Mário Crespo

Senhor jornalista Mário Crespo: o violinista Itzhak Perlman , que já tive o enorme prazer de ver ao vivo na Gulbenkian interpretando o concerto para violino de Beethoven, não é paraplégico. Tal como o grande presidente Franklin Delano Roosevelt, contraiu poliomielite quando era criança, o que faz com que ande com dificuldade e, por vezes, recorra a uma cadeira de rodas. Talvez não tivesse sido mau ter-se informado sabendo que Perlman iria participar na tomada de posse de Obama.