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quarta-feira, maio 04, 2011

Afinal sempre há mais vida para além do "déficit"

Lembram-se de Jorge Sampaio ter dito que havia mais vida para além do "déficit"? Muita gente o criticou e eu próprio, lembro-me, torci na altura um pouco o nariz à oportunidade de tal afirmação. Mas depois de ler o "memorando de entendimento" com o FMI/BCE/CE, que não deixando de colocar o acento tónico na correcção do "déficit" enuncia e impõe uma série de reformas estruturais necessárias para tornar o país mais competitivo e fomentar, a prazo, o crescimento económico, talvez perceba melhor o que o então Presidente da República pode ter querido dizer. É um documento inteligente que vale bem uma leitura.

terça-feira, abril 26, 2011

Jorge Sampaio e Fátima Campos Ferreira

Jorge Sampaio deu ontem uma excelente entrevista à RTP1. Tal não constitui novidade: Sampaio é um político experiente, um homem culto e inteligente e um bom conversador. Um cidadão interessado e interessante, em suma.

Mas o que me pareceu espantoso na entrevista foi Fátima Campos Ferreira - a entrevistadora - nunca ter percebido, na realidade, quem era o Jorge Sampaio que tinha á sua frente e ter tentado, a todo o custo, expor o ex-presidente ao cardápio habitual de perguntas já cansadas e cansativas, desinteressantes por repetitivas, nada capazes de potenciar, em termos comunicacionais, as grandes qualidades que todos conhecemos ao político, cidadão e ex-presidente. Sorte é que Sampaio, de modo inteligente, ignorou tal coisa e, mais do que conceder uma entrevista, lá foi dissertando sobre os problemas e questões que o e nos preocupam, estejamos completa, parcialmente ou em total (parece-me difícil...) desacordo com o seu modo de ver o país e o mundo.

Que grande lição deu à comunicação social, Dr. Jorge Sampaio!

domingo, fevereiro 13, 2011

Deve este governo continuar a governar? Em que condições? (ou onde se fala também em coerência...)

  1. Quantos daqueles que agora criticam - com razão - o governo por não governar, por não efectuar as reformas necessárias, não juntaram a sua voz às reivindicações corporativas e à demagogia populista da “rua” quando Correia de Campos e Mª de Lurdes Rodrigues tentavam efectivamente governar e efectuar algumas das reformas necessárias contra os interesses instalados? Ou já se esqueceram da demagogia dos partos em Badajoz, dos bebés nascidos em ambulâncias, das pseudo-urgências à porta de casa, da gritaria contra as “aulas de substituição” e as “avaliações”?
  2. Quantos dos que agora criticam o “apego ao poder” de José Sócrates, o “governar apenas com o intuito de se manter no poder”, não criticaram asperamente António Guterres por ter abandonado o “pântano” e Durão Barroso por “ter arranjado um emprego melhor”? Manter-se no poder ou dele decidir abdicar, desde que cumpridas as leis e as regras da democracia, não será opção legítima de quem é poder? Não estão tais situações constitucionalmente previstas em todos os Estados democráticos? Mudar para um emprego melhor (ainda para mais, e neste caso, de prestígio internacional para o país) não é aquilo que normalmente fazem aqueles que têm essa opção? Ou em vez de bramarem contra o “árbitro”, não teria sido bem melhor o PSD ter eleito em congresso um número dois bem mais competente?
  3. Quantos daqueles que hoje odeiam Jorge Sampaio por ter demitido um governo (mais correctamente, dissolvido a Assembleia da República) de um primeiro-ministro não eleito e que nem no partido a que pertencia gerava apoios significativos gritam hoje histericamente contra Cavaco Silva por este não demitir um governo (bom ou mau, foi escolhido por quem o pode fazer) clara e democraticamente sufragado há cerca de ano e meio pelos cidadãos? (Isto mesmo que este, e quanto a mim mal, não se tenha mostrado capaz de formar uma coligação maioritária).

Conclusão? Embora eu sempre ache e sempre diga que demasiada coerência torna as pessoas previsíveis e mesmo umas grandes “chatas”, que raio!, mesmo assim há “serviços mínimos” a cumprir. O que acho eu? Que salvo circunstâncias excepcionais e por isso mesmo pouco ou nada previsíveis - dois exemplos: incapacidade do país se continuar a financiar em condições aceitáveis ou existência de uma onda de contestação e distúrbios nas ruas (sérios, não estou a falar das habituais greves da CGTP ou das manifs. da FENPROF daquele senhor de bigode) que torne o país ingovernável -, e na impossibilidade de aprovação de uma moção de censura na Assembleia da República (a “direita” e a “esquerda radical” muito dificilmente se unirão com esse propósito), o Presidente da República terá toda a legitimidade para dissolver a AR no caso do governo se revelar incapaz de cumprir aquilo com que se comprometeu perante os portugueses e para o qual contou com a aquiescência do principal partido da oposição: o orçamento para este ano. Ou seja incapaz de apresentar e fazer aprovar igual documento para 2012.

Vale? Estamos conversados?

terça-feira, outubro 12, 2010

Políticos profissionais

Se algo ficou bem evidente no “Prós & Contras” de ontem isso foi o contraste entre dois experientes políticos profissionais de longa data - cultos, inteligentes e cosmopolitas; com mundividência (saúda-se um Jorge Sampaio em grande forma) - e um militar que, por estar no lugar certo na altura exacta, se tornou Presidente da República. Um bom exemplo para aqueles que desdenham dos políticos profissionais, os que “nunca fizeram mais nada na vida”.