sexta-feira, agosto 31, 2007

Clássicos do Cinema (39)



"The African Queen" de John Huston (1951)

Diana Frances Spencer

De Princesa de Gales e futura Rainha de Inglaterra a “queen of hearts” (rainha de “copas”) e dos tablóides. De nora da Rainha de Inglaterra e mulher do futuro rei a amiga de Versace e Elton John - e namorada de Al Fayed. Dela disse Vítor Cunha Rego (e cito de cor) “que tinha combatido a aristocracia em nome do jet-set”, uma das frases mais justamente assassinas e certeiras que alguma vez me foi dado ler. Dela também diria Marx que nem sempre a origem de classe (era filha do Conde Spencer) e a pertença de classe – e a “classe”, acrescento - se confundem. Morreu ao lado de um playboy como costumam morrer os playboys, como Portago ou Rubirosa: num carro inconscientemente lançado em alta velocidade, mas já sem a elegância de uma Isadora Duncan ou o panache dos Ferrari e Bugatti de outros tempos. Um dos mais monumentais erros de casting da história contemporânea.

quinta-feira, agosto 30, 2007

William Blake: "Songs of Innocence and of Experience" (17)

To Mercy Pity Peace and Love,
All pray in their distress:
And to these virtues of delight
Return their thankfulness.
For Mercy Pity Peace and Love,
Is God our father dear:
And Mercy Pity Peace and Love,
Is Man his child and care.
For Mercy has a human heart Pity,
a human face:
And Love, the human form divine,
And Peace, the human dress.
Then every man of every clime,
That prays in his distress,
Prays to the human form divine
Love Mercy Pity Peace.
And all must love the human form,
In heathen, turk or jew.
Where Mercy, Love & Pity dwell,
There God is dwelling too.
"The Divine Image". Poema e ilustração de William Blake para "Songs of Innocence and of Experience"

A selecção de futebol e os "estrangeiros"

Existem duas condições para que um jogador de futebol não nascido em Portugal ou que não tenha tido sempre a nacionalidade portuguesa possa jogar pela selecção nacional de futebol, uma objectiva e outra subjectiva:
  • A objectiva, que as leis da FIFA e da UEFA assim o permitam.
  • A subjectiva, que, para além do seleccionador os considerar com capacidade técnica para tal, isso não prejudique o espírito de grupo e a necessária identificação entre selecção e adeptos, avaliação que compete ao seleccionador e à FPF (em posição privilegiada para o fazerem) e pela qual devem ser avaliados.

Penso, aliás, que sempre foi esse o critério utilizado. Tudo o resto, inclusivamente a minha opinião ou a de outros (haverá milhares, entre as quais a de Rui Santos) é absolutamente irrelevante.

quarta-feira, agosto 29, 2007

O Governo e a GNR

Num jeito especial que por vezes tem para fazer algumas reformas pela metade, complicar o que é simples e arranjar sarilhos onde não deve e é escusado, o governo, em vez de aproveitar a oportunidade para acabar de vez com esse anacronismo chamado GNR e fundi-la com a PSP numa única polícia civil - como esta, felizmente, já é - acabando com a existência, de facto, de cidadãos de primeira (os que vivem em áreas sob a jurisdição da PSP) e de segunda (aqueles cujo policiamento e ordem pública são assegurados pela GNR, um corpo militar), optou pelo disparate e viu a sua proposta vetada pelo Presidente da República. É bem feito, e o PR tem toda a razão nos argumentos apresentados como fundamento desta sua, correcta, decisão.

Cinema e Rock & Roll (10)


"Rock Around The World" aka "The Tommy Steele Story", de Gerard Bryant (1957)

Not much to say, excepto que se trata do primeiro filme, de facto, sobre o rock n' roll britânico, com Tommy Steele, então a sua principal estrela, como protagonista. Aqui, Tommy canta "Teenage Party" "B" side do seu 4º single também editado em 1957.

terça-feira, agosto 28, 2007

"Arte popular" no "Estado Novo" (4)

Figurino de José Barbosa para o bailado "Nazaré", do Grupo de Bailados Portugueses "Verde Gaio" (1948)

"When I woke up this morning" - original blues classics (11)



Ma Rainey (1886 - 1939) - "Slave To The Blues"

O atletismo português e a reconversão empresarial

Nas décadas de setenta e oitenta do século passado, Portugal conseguiu finalmente alguns resultados relevantes no atletismo. Com a excepção do 5º lugar de José Carvalho nos 400 m barreiras nos Jogos Olímpicos de Montreal, isso aconteceu fundamentalmente graças às boas prestações dos atletas portugueses nas corridas de fundo, 5 e 10 mil metros, maratona e corta-mato.

Com a entrada em força dos atletas africanos na competição, isto é, com a globalização, Portugal deixou de ser competitivo a este nível e teve de “reconverter” o seu atletismo. Passou por alguns sucessos numa disciplina “intermédia” (1 500 metros) e na marcha (onde países de Leste, do sul da Europa e da América Latina, com algumas semelhanças com Portugal, são dominantes) e começou lentamente a obter resultados de nível razoável em algumas provas técnicas: velocidade e saltos (com Carlos Calado), disco feminino (com Teresa Machado), heptatlo (Naide Gomes) e até com um ou outro resultado que não deslustrava nos 400 metros barreiras. Hoje em dia, mesmo que com a ajuda de algum know how importado (Francis Obikwelu) é em algumas provas mais técnicas (velocidade, saltos) que Portugal obtém alguns dos seus melhores resultados, não sendo de estranhar que algo de semelhante venha a acontecer no futuro em disciplinas como os saltos em altura e com vara ou mesmo provas de velocidade com barreiras.

Este é um exemplo de sucesso na reconversão que deve ser apontado ao tecido empresarial português, que, também ele (e é já um lugar comum), terá de optar por competir internacionalmente e, para ter sucesso, com produtos de mais elevado valor acrescentado e maior incorporação técnica, científica e de gestão, mesmo que recorrendo, aqui e ali e tal como aconteceu no atletismo, a algum know how importado. Os resultados do atletismo mostram que essa reconversão é possível, com investimento, trabalho sério e tirando partido das infra-estruturas construídas nos últimos anos. Algo, no entanto, o torna mais difícil: em primeiro lugar, terá custos sociais e políticos bastante penalizadores - a nível do desemprego, por exemplo – que será necessário estar disposto a assumir; em segundo lugar, basta ouvir alguns dos comentadores, dirigentes, técnicos e atletas para perceber, rapidamente, que a sua preparação pessoal, educacional, profissional e social, no campo específico da sua actividade, está, em média, a milhas de distância, pela positiva, da apresentada pela maioria dos agentes que, no campo empresarial, poderiam protagonizar essa mudança.