sexta-feira, novembro 07, 2014

Friday midnight movie (107) - Gothic/Horror (XXII)

"The Monster Club", de Roy Ward Baker (1981)
Filme completo c/ legendas em português

António Costa disse 130 páginas?

Apresentar uma moção de estratégia com 130 páginas é um convite a que ninguém a leia e um sintoma de que estaremos perante generalidades mais ou menos avulsas e não perante uma estratégia consequente. É que para apresentar uma estratégia não são necessários mais do que dois ou três parágrafos, curtos (e estou a ser generoso), seguidos de uma meia dúzia de medidas emblemáticas - ou "planos de acção" - que expliquem como a pôr em prática. Ou será que a intenção é mesmo ninguém leia a tal moção ou apresentar um documento que dê para (quase)tudo?

Vamos lá ver uma coisa: quando se fala em "mais do mesmo" não estamos apenas a falar em manter a mesma política; estamos, também, a falar em manter os mesmos vícios e os mesmos métodos, já que os processos não são estanques. E se falamos em "abrir os partidos à sociedade civil" (seja lá o que isso for - com "primárias", "partidos de eleitores", etc), de certeza não será como moções de 130 páginas, mas com ideias claras e sucintas, que se avançará o que quer que seja nesse sentido. Vale?

quinta-feira, novembro 06, 2014

Fats Domino & Imperial Records (11)

"Blueberry Hill" (Imperial 5407 - Setembro de 1956)

António Costa: um bom sinal

O PS de António José Seguro deveria, a seu tempo, ter negociado com o actual governo a reforma dos tribunais (novo mapa judiciário); este era um daqueles pontos em que seria indispensável um compromisso e o PS/Seguro poderia desse modo ter feito valer alguns dos seus pontos de vista sobre a matéria (se é que os tinha). Preferiu António José Seguro jogar a cartada populista para obter mais uns votos, prometendo tudo voltaria à "primeira forma" logo fosse governo. Agora, e muito bem, independentemente dos pontos positivos e negativos da actual reforma, António Costa assume a herança, evitando o "faz e desfaz" tão frequente e, eventualmente, também as habituais e inerentes confusões. Da parte de António Costa é um bom princípio, de quem sabe o que é governar, sendo pena que não assuma também o erro que seria baixar o IVA da restauração para 13%. Mas para já estamos perante um bom sinal. Esperemos tenha continuidade.

quarta-feira, novembro 05, 2014

4ªs feiras, 18.15h (97) - Alain Resnais (I)

"On Connaît la Chanson" (1997) - a homenagem de Alain Resnais a Dennis Potter
Filme completo c/ legendas em português

O que me disse o jogo de ontem sobre Jorge Jesus e o SLB.

O jogo de ontem foi um bom (ou mau) exemplo do que tem sido o SLB esta época: dificuldade em sair a jogar desde terrenos recuados; lado esquerdo da defesa em sobressalto permanente, independentemente de quem ocupa a posição; incapacidade de ter bola e de a fazer circular; meio-campo deficitário; pontas de lança sem conseguirem marcar um "golito" que seja, para amostra; e tudo demasiado dependente de desequilíbrios no "um para um", de uma correria de Sálvio ou de uma qualquer genialidade de Gaitán, o que aumenta exponencialmente a possibilidade de perdas de bola em zonas proibidas numa equipa já de si em permanente desequilíbrio. No fim, e porque a A.S. Monaco é uma equipa inferior a qualquer dos "três grandes" da bola indígena, lá aparece um qualquer lance de inspiração. com o inevitável Talisca a resolver. Que o SLB esteja tão dependente de um miúdo brasileiro quase desconhecido, de 20 anos, recém-chegado à Europa, é bem sintoma de que alguma coisa não estará bem.

Digamos que o modelo de Jogo de Jorge Jesus, demasiado dependente do valor e características das individualidades e inadequado para os grandes jogos, está esgotado nas suas potencialidades, significando isto que independentemente dos resultados que a equipa venha a conseguir a SAD do meu clube deverá ponderar seriamente a substituição do treinador no final da presente época.  

terça-feira, novembro 04, 2014

A condecoração

Aquilo a que o país assistiu ontem, no Palácio de Belém, não foi mais do que uma encenação, por vezes até patética, concertada entre os partidos apoiantes do actual governo e o Presidente Cavaco  Silva, que teve como objectivo principal reforçar a hipótese de candidatura a Belém de Durão Barroso. Os elogios despropositados de Cavaco Silva à influência positiva que a nomeação de Barroso terá tido para Portugal e o "branqueamento" do seu abandono do cargo de primeiro-ministro outra intenção não tiveram senão conceder ao agora ex-presidente da Comissão Europeia alguma "patine" da respeitabilidade patriótica necessária para uma candidatura ao cargo com hipóteses, mesmo que remotas, de vir a ser bem sucedida. De caminho, Cavaco Silva, com a despropositada pressa demonstrada na entrega da condecoração a Barroso, em contraste com o que acontece com acto semelhante envolvendo José Sócrates, não deixou por mãos alheias mais uma tentativa de humilhar o anterior primeiro-ministro, mostrando mais uma vez ao país que a mesquinhez é um dos traços relevantes do seu carácter. Só estranho como Sócrates ainda não teve a coragem e desassombro políticos de declarar publicamente que não aceitará qualquer condecoração das mãos do actual Presidente da República. Ficava-lhe tão bem como o actual silêncio lhe fica mal.

Já agora, não será estranho ver, num futuro muito próximo, Cavaco Silva, o governo e os partidos da actual maioria bastante empenhados na candidatura de António Guterres a um qualquer alto cargo internacional, tentando afastá-lo de uma candidatura a Belém. Só se não puderem.

segunda-feira, novembro 03, 2014

O "Gato Maltês" e os Championships 2015

Acabei de enviar para o All England Lawn Tennis & Croquet Club a minha inscrição para o "ballot" dos bilhetes para os Wimbledon Championships 2015. Agora é esperar até Março, fazer muitas "figas" e pensar que me pode calhar um "bilhetito" (que até nem são excessivamente caros) no rateio. É bem menos difícil e faria bem mais a minha felicidade do que o Audi da ministra Maria Luís. Caso não me calhe agora em sorte, continuarei a enviar enquanto tiver "saúdinha" e o governo (este ou futuros) não tiver "ideias" quanto à minha reforma. 

Billboard #1s by British Artists - 1962/70 (33)

The Beatles - "All You Need Is Love" (19 de Agosto de 1967)

"Back in business" depois de uns dias "holandeses"

Tinha estado a última e única vez em Amesterdão já lá vão 41 anos; depois disso, tanto a minha vida profissional como a pessoal levaram-me a outros rumos e, por uma ou outra razão, acabei por nunca voltar. Até agora.

Em 1973, Amesterdão era uma cidade libertária e libertina, os "provos" tinham sido eleitos há poucos anos para o Conselho Municipal e a cidade era ainda refúgio de hippies tardios. Para mim, na casa dos vinte anos, a viver sob uma ditadura ultra-conservadora e recentemente saído do serviço militar obrigatório, claro que a cidade foi uma revelação, um "happening", isto apesar de já ter estado em Paris e Londres (Espanha não contava para estas coisas), ter uma família com raízes estrangeiras e um pai que, para a época, viajava regularmente e ia contando do que via.

Passados 40 anos, o espírito libertário desapareceu e o carácter libertino da cidade transformou-se em comércio rasca para o turismo de massas: as sex-shops confundem-se com as lojas de "souvenirs" para turistas, as raparigas das montras mais parecem figurantes pagas pelo município para manter artificialmente o tal espírito libertino e na Damplein e ruas próximas pululam restaurante rascas, pseudo-étnicos. Mas alguns canais, principalmente o Egelantiersgracht, mantêm o seu encanto, alguns cafés e bares também valem o nosso tempo, o Rijksmuseum e o bairro dos museus valem sempre uma visita demorada (também o museu Van Gogh, para os apreciadores - não sou) e até se pode ter a sorte de haver algo que valha a pena ouvir e ver no  Concertgebouw. Ah!, e na Amsterdam Centraal há excelentes comboios que nos levam a Utreque, Haia (Den Haag), Leiden, etc. E essas, sim, valem bem a pena.