A justeza e oportunidade da aprovação da lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo (faz hoje dois anos) não se pode medir apenas pelo número, maior ou menor, de actos realizados (mais de 600, segundo a TSF) ou pelo número de divórcios correspondentes. Para além de uma questão de liberdade, de justiça e igualdade de direitos que sobreleva toda e qualquer outra, parece-me claro que a lei muito tem contribuído para que a homossexualidade, masculina e feminina, tenha passado a ser melhor aceite na sociedade portuguesa e encarada com muito menos preconceitos - digamos assim - mesmo em sectores onde o conservadorismo ainda é dominante. Portugal tornou-se um país mais tolerante, mais democrático e civilizado e todos nos devemos congratular por isso.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, junho 05, 2012
A "aventura" e o "sonho" do EURO 2012?
Contrariamente ao que oiço por aí os "media" afirmarem, não existe qualquer "aventura" ou "sonho" do EURO 2012. Para existir uma aventura é necessário que exista alguma dose razoável de risco, de confronto com o desconhecido, de possibilidade de ter de enfrentar o imponderável. "Aventura" é escalar o Everest, fazer uma viagem à volta do mundo num pequeno veleiro ou embarcar no "space shuttle". E também para que se possa aplicar o conceito de "sonho" é necessário que os probabilidades de alcançar um objectivo sejam de tal modo remotas que nos remetam para o universo do quase impossível, de algo que só se pode mesmo realizar na nossa imaginação.
Ora não me parece que nada disto esteja presente na participação da selecção portuguesa na fase final do Campeonato da Europa onde, para além da equipa portuguesa ser já um participante habitual, tudo é conhecido e foi preparado e organizado meticulosamente, direi quase de modo científico. Para além disso, e embora a selecção portuguesa não seja uma das favoritas, todos também já assistimos a Europeus suficientes para sabermos quão aleatória é por vezes essa condição e que, portanto, embora o título de campeão seja muito complicado de conseguir, alcançá-lo está longe de ser uma quase-impossibilidade que remeta apenas para o sonho. A Dinamarca e a Grécia que o digam...
Claro que sei que o futebol é fundamentalmente terreno de emoções - e é bom que o seja - e que são as emoções que vendem jornais e conquistam audiências. Mas o futebol é também uma indústria de sucesso, a nível mundial e em Portugal, e por isso mesmo é bom que também se guarde alguma racionalidade e rigor quando se trata de analisar estas questões. Para que depois, do sucesso ou insucesso, se saibam tomar as melhores opções para o futuro.
segunda-feira, junho 04, 2012
The Queen's Diamond Jubilee
"Cosmopolis"
Acho falta qualquer coisa a "Cosmopolis" para ser o que poderia ser e está quase a ser: um "1984" do capitalismo cibernético/financeiro, científico (como diria o Pedro Adão e Silva) como igual coisa já pretendeu ser o socialismo. Falta também essa mesma qualquer coisa para a criação de uma novilíngua (José Pacheco Pereira tem falado disso a propósito da política actual) reinventada e adaptada a esse "capitalismo científico", tal como chega apenas a existir nada mais do que um piscar de olho ao ambiente apocalíptico da rua de "Strange Days", de Kathryn Bigelow. Cronenberg repete-se? Talvez, também um pouco. Mas no cinema dos tempos que vão correndo...
As "reformas estruturais" da UEFA
Aqui vão quatro "reformas estruturais", muito simples e urgentes, que a UEFA deveria levar a cabo para assegurar a tal "verdade desportiva", que tem muito mais a ver com regulamentação do que com novas tecnologias.
- Iniciar na mesma data todos os campeonatos nacionais profissionais, com a possível excepção dos disputados em países com condições climatéricas extremas (Rússia, países nórdicos, etc).
- Fechar nesse mesmo dia o prazo para a transferência de jogadores entre e para essas mesmas equipas.
- Impedir as transferência no mercado de Janeiro entre clubes que disputem as mesmas competições e limitar o número de transferências autorizadas, neste mesmo período, entre qualquer deles e os restantes.
- Proibir os empréstimos de jogadores a equipas que disputem as mesmas competições.
- Limitar o número de jogadores que cada clube pode ter sob contrato e/ou aqueles que podem constar da respectiva "folha de salários".
Será assim tão complicado...?
domingo, junho 03, 2012
A derrota da selecção portuguesa
Sem Rui Costa e depois também sem Deco, a selecção portuguesa passou a jogar mais em transições rápidas e menos em "posse". Depois, com Paulo Bento, passou a jogar uns dez metros mais à frente, tentando potenciar o futebol de Cristiano Ronaldo. Digamos que quando sai bem e se marca primeiro se pode mesmo golear (Espanha, Bósnia); mas a equipa é pouco eficaz no último golpe, o que condiciona as suas possibilidades de marcar primeiro, e estas alterações desequilibraram-na defensivamente. Claro que um "6" posicional e agressivo (assim um Javi Garcia) ajudaria; mas com a necessidade de ter laterais muito ofensivos, neste modelo de jogo, a selecção acaba por ter gente a mais a pensar na baliza contrária. Acho que é isto, e tal foi ontem notório.
sábado, junho 02, 2012
sexta-feira, junho 01, 2012
Pequena nota sobre o PS e as PPP
Claro que ninguém é suficientemente ingénuo (acho) para pensar que não houve uma faceta de oportunidade política no "timing" de divulgação do relatório do Tribunal de Contas sobre as parcerias público-privadas, numa conjuntura muito desfavorável para o governo em função do caso das "secretas" e das dificuldades com a execução orçamental. Mas não só essa faceta de luta política é legítima, até desejável e mostra que um dos partidos (PSD) está atento e fez o seu trabalho de casa (devíamos até congratular-mo-nos por isso), como, e mais importante, o PS não pode servir-se desse argumento para camuflar aquilo que é essencial: a necessidade de análise aos factos apontados pelo TC que, mesmo que se prove não se revestirem de qualquer ilegalidade, necessitam de ser cabalmente esclarecidos perante os cidadãos para que estes possam concluir se o interesse público foi devidamente salvaguardado, podendo assim fazer o seu subsequente julgamento político. Mais: não pode o PS escudar-se apenas na legalidade dos actos praticados, remetendo para os tribunais o seu julgamento. Como acima digo, existe uma avaliação política que sobreleva tudo o resto e é essencialmente sobre ela que o PS tem de responder.
Subscrever:
Comentários (Atom)
.jpg)

