O “Público” on-line titula a propósito do discurso do 5 de Outubro do Presidente das República o seguinte: “Cavaco Silva propõe “novo olhar sobre a escola”, com figura do professor prestigiada”, o que, tendo em atenção o habitual discurso das estruturas sindicais da classe, pode, de imediato, suscitar uma leitura crítica à actuação do governo e do ministério da educação e uma defesa das posições mais radicais dos sindicatos dos professores e da FENPROF. Se verificarmos com mais atenção, o que Cavaco Silva efectivamente também disse foi o seguinte: “em larga medida, a dignidade da função docente assenta no respeito e na admiração que os professores são capazes de suscitar na comunidade educativa junto dos colegas, pais e alunos”, o que dá ao seu discurso um significado completamente diferente e pode ser interpretado como uma crítica a algumas dessas posições corporativas assumidas pelo respectivos sindicatos.
Assim se (des) faz uma notícia...
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sexta-feira, outubro 05, 2007
O discurso do PR e o "Público"
quinta-feira, outubro 04, 2007
As "reformas" de Luís Filipe Menezes
Oscar Cardozo e o "meu" Benfica

Oscar Cardozo, o nº7 ponta de lança do “meu” Benfica, é demasiado lento. Pronto, não é por aí: com aquele perfil morfológico é normal que o seja e se não o fosse talvez valesse trinta milhões e não jogasse no Benfica. Ainda compro essa. Tem, salvo erro, 1,93 mas é medíocre no jogo de cabeça. Tem boa compleição fisico-atlética mas não tem poder de choque, dificilmente ganhando um despique na luta “corpo a corpo”. Certo, tem boa técnica de remate com o pé esquerdo, mas precisa de tempo e espaço para a aplicar, coisas que aqui pela Europa, por rarearem, se vendem ao preço do caviar “Beluga” ou do oiro em pó. Ah, e também não tem demonstrado ter poder de desmarcação para aplicar o esse seu remate. Pergunta: alguém o viu jogar – “com olhos de ver” – antes de se a resolverem contratá-lo por 9 milhões? É que, ou muda muito ou arrisca-se a ser um dos maiores flops do Benfica no últimos anos, e sabe deus que lá pelas bandas da Norton de Matos, nesses últimos anos, isso tem sido bem menos raro do que o espaço e o tempo para chutar - ou que o caviar “Beluga”!
* agradeço a José Pacheco Pereira, que até nem gosta de futebol, e ao seu "Abrupto" a ideia do símbolo "de pernas para o ar"
quarta-feira, outubro 03, 2007
"When I woke up this morning" - original blues classics (14)
terça-feira, outubro 02, 2007
"Gato Maltês" no "Público" de hoje
Aristocratas da política
Pois, chamem-me o que quiserem...mas gostei de ouvir...
segunda-feira, outubro 01, 2007
As Capas de Cândido Costa Pinto (35)
Capa de CCP para "O Príncipe Joga e Ganha", de John Creasey, nº 77 da "Colecção Vampiro"PSD, debate político e liberalismo
Mas vamos ao cerne do assunto. MRS tem alguma razão de base naquilo que diz: em teoria, é mais fácil falar de política num Congresso com 1 000 delegados eleitos, portanto “subindo na pirâmide”, melhor preparados do que os 60 000 militantes que neles delegaram, do que em directas. O problema é que MRS sabe que na prática nem sempre isso acontece, sendo os delegados demasiado frequentemente eleitos por mor de outras “razões” que não as do seu saber político ou capacidade para o debate. É pena, mas é assim. Portanto, a simples eleição do leader em Congresso não assegura, por si só, uma prioridade ao debate das ideias, assim como a inversa não é verdadeira: as directas não significam obrigatoriamente a menorização desse debate e, ao cair na esparrela lançada por Luís Filipe Menezes de afastar os temas políticos da primeira linha da discussão, Marques Mendes começou aí mesmo a perder as “directas”. O que me parece ser o problema de fundo é, no entanto, bem outro.
Já aqui o disse, o espaço em aberto para ser ocupado pelo PSD, enquanto partido e oposição, é o que se situa no campo liberal, à direita, muito na linha das propostas do “Compromisso Portugal” e do “Forum para a Liberdade de Educação”: aquilo que na gíria se chama de propostas neo-liberais, embora a denominação tenda a vulgarizar-se e seja, por PCP e “Bloco”, hoje em dia abusivamente utilizada para nomear quaisquer propostas políticas menos estatizantes. O problema é que Portugal não é o norte da Europa ou os USA, países influenciado pelas religiões da “reforma” - é um país católico, conservador, estatista, de pouca e incipiente iniciativa individual, com uma classe média ainda pouco preparada e de criação recente e, o que não é de somenos, sem instituições efectivamente independentes que possibilitem um funcionamento claro e justo da liberdade individual – daí a distância que vai entre a simples enunciação dessas propostas por parte de quem não tem responsabilidades políticas e a capacidade e possibilidade efectiva de as pôr em prática, por parte de um partido e de um governo, arcando com todas as suas consequências políticas, sociais e económicas. É isto, quanto a mim – o medo em encarar de frente uma reforma de fundo na sua linha política, o medo do desconhecido e a apreensão face aos resultados que a sua simples enunciação e aplicação podiam gerar (com alguma razão, note-se) - que tem gerado a timidez e tibieza com que o debate político sério tem sido encarado no seio do PSD e de si mesmo para o exterior. Com certeza que existem “gradações” e que quase todas as pessoas bem intencionadas e com bom senso qb não se excluem de algumas medidas liberalizantes (só para dar um exemplo, é possível dar maior liberdade de escolha ao aluno e capacidade de competição às escolas sem chegar ao limite da adopção de “cheque-ensino”), mas o problema de fundo é que qualquer avanço neste sentido choca não só com a realidade-país como também com a lógica de funcionamento das bases do PSD, ou não se auto-denomine este “o partido mais português de Portugal”. Exactamente por isso, se com Marques Mendes ainda se vislumbraram alguns pequenos passos nesse sentido, pelo menos ao nível da reformulação programática - e sabemos o que valem os programas -, com Menezes eles estarão, claro está, ausentes e qualquer discussão política, com ou sem directas, tenderá a ficar bloqueada. É que uma coisa é “desestatizar”, tal como foi feito nos anos oitenta e noventa e em período de generosa distribuição de fundos europeus e política de obras públicas; outra, bem diferente, é “liberalizar”, ainda por cima em período de “vacas magras”, de aperto orçamental e quando se questiona, e bem, a "bondade" do investimento público.