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segunda-feira, outubro 06, 2014

O discurso de Cavaco

Hoje, do "Fórum TSF", ao "dar a deixa" para o comentário de Davis Dinis (a TSF está transformada numa quase sucessora do "Diário da Manhã", com Paulo Baldaia no lugar de Barradas de Oliveira e David Dinis no de João Coito), Manuel Acácio interrogava Dinis sobre se Cavaco Silva, no seu discurso de ontem, não teria assumido o lugar dos habituais participantes no "Fórum". Nada mais certeiro: no seu discurso do 5 de Outubro, o actual Presidente da República, cuja principal preocupação é e tem sido sempre o seu futuro político, a sua imagem e os seus índices de popularidade, tentou cavalgar a "crista da onda" do discurso populista, qual Marinho e Pinto em versão "soft core" em função do lugar institucional que ocupa. De caminho, avisou que não dará posse a um governo minoritário, presumivelmente do PS, saído de futuras eleições, o que, sendo correcto, vem demasiado tarde - já não o deveria ter feito quando do segundo governo de José Sócrates - e, por isso, apenas tem como objectivo, e mais uma vez, "limpar" um pouco a sua já muito desgastada imagem. Tudo isto, claro, embrulhado no habitual "celofane com laçarote" dos inúteis apelos, em período pré-eleitoral, a um consenso cujo conteúdo nunca expressa.

Que consiga acabar o seu mandato com a dignidade com que nunca o cumpriu, são os meus sinceros votos.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Cavaco Silva no 5 de Outubro

Peço desculpa, mas algo de grave se deve passar com o senhor Presidente da República; deve ter-se enganado na data e no local do acontecimento. Alguém lhe deveria ter explicado que estava nas cerimónias do 5 de Outubro, na Praça do Município, e não na reitoria da Universidade na abertura solene de mais um ano lectivo. Ou será que algum malvado sabotador lhe trocou os discursos? 

quarta-feira, outubro 05, 2011

Cinco de Outubro ou 24 de Julho?

Não sendo monárquico (é-me indiferente o regime desde que democrático e representativo - e quanto mais democrático e representativo, melhor), penso não fará muito sentido, actualmente, a comemoração da data de implantação da República. Uma vez que a questão do regime está resolvida há muito, seria bem mais significativo se comemorasse o 24 de Julho (de 1833), data de entrada em Lisboa das tropas liberais comandadas pelo Duque da Terceira marcando o fim, de facto, da guerra civil, o início da monarquia constitucional e a derrota do absolutismo miguelista. Mais do que o 5 de Outubro, é o 24 de Julho a data que marca o início do Portugal moderno. 

terça-feira, outubro 05, 2010

O 5 de Outubro e a autonomia partidária

O que de mais interessante se disse nas comemorações oficiais do cinco de Outubro? A afirmação clara de Miguel Macedo vincando a autonomia do PSD face a Cavaco Silva e aos seus apelos ao diálogo e entendimento interpartidário. Algo que seria impensável ouvir vindo da direcção de Ferreira Leite e que, apesar de poder vir a criar sérios problemas de governabilidade e de eu, neste aspecto, estar de acordo com Cavaco Silva quanto à necessidade de um entendimento político alargado, me parece saudável como manifestação da autonomia partidária face a tutelas exteriores, mais ou menos messiânicas.

Quer queiram quer não, com atitudes como esta de defesa da autonomia dos partidos como elementos organizativos essenciais de livre expressão da cidadania, é a democracia que sai sempre a ganhar. Caberá a estes mesmos partidos, principalmente os que se reconhecem na democracia liberal, demonstrar que possuem a maturidade suficiente para chegar ao entendimento possível sempre e quando as circunstâncias o exigem. É este o desafio que PS, PSD e CDS devem assumir em defesa de si próprios e da cidadania que justifica a sua existência.

sexta-feira, outubro 05, 2007

O discurso do PR e o "Público"

O “Público” on-line titula a propósito do discurso do 5 de Outubro do Presidente das República o seguinte: “Cavaco Silva propõe “novo olhar sobre a escola”, com figura do professor prestigiada”, o que, tendo em atenção o habitual discurso das estruturas sindicais da classe, pode, de imediato, suscitar uma leitura crítica à actuação do governo e do ministério da educação e uma defesa das posições mais radicais dos sindicatos dos professores e da FENPROF. Se verificarmos com mais atenção, o que Cavaco Silva efectivamente também disse foi o seguinte: “em larga medida, a dignidade da função docente assenta no respeito e na admiração que os professores são capazes de suscitar na comunidade educativa junto dos colegas, pais e alunos”, o que dá ao seu discurso um significado completamente diferente e pode ser interpretado como uma crítica a algumas dessas posições corporativas assumidas pelo respectivos sindicatos.
Assim se (des) faz uma notícia...