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terça-feira, agosto 14, 2012

segunda-feira, agosto 13, 2012

segunda-feira, agosto 22, 2011

As confusões de um hino...

Joseph Haydn - Quarteto nº 62 em Dó maior
2º andamento - Poco adagio; Cantabile)

A versão do hino alemão adoptada pela Alemanha nazi

Hino Nacional da Alemanha (versão actual)

Noticia o "Público" que durante uma das cerimónias protocolares dos campeonatos mundiais de canoagem o actual hino alemão ("Das Lied der Deutschen")  foi trocado pelo antigo hino nazi. Certo, mas bastante imcompleto, já que a melodia é a mesma e apenas a estrofe que é cantada é diferente. Vejamos...

A melodia do hino alemão é a mesma desde 1922 (República de Weimar) e é baseada no 2º andamento (Poco adagio; Cantabile) do Quarteto nº 62 em Dó maior de Joseph Haydn. Durante o regime nazi apenas a primeira estrofe do poema, um original de Hoffmann von Fallersleben, era cantada, a que começa pelo célebres versos " Deutschland, Deutschland über alles, Über alles in der Welt". Normalmente, antecedia aquele que pode ser considerado, na realidade, o verdadeiro hino da Alemanha nazi, o "Horst Wessel Lied" (aka "Die Fahne hoch" - "Bandeira ao Alto"). Finalmente, com a fundação da RFA, em 1952, foi determinado oficialmente que apenas a terceira estrofe, a que começa com os versos "Einigkeit und Recht und Freiheit, "Für das deutsche Vaterland!" ("Unidade, Justiça e Liberdade para a pátria alemã"), constituiria o hino oficial. Entende-se, portanto, a terrível "gaffe" para quem não sabe alemão ou conhece mal a sua História... Desculpar, isso já é mais complicado...

sexta-feira, junho 05, 2009

"La Caduta Degli Dei" e "Nachts ging das Telefon"

"La Caduta Degli Dei", de Luchino Visconti (1969)
Sequência final e tango " Nachts ging das Telefon" interpretado por Zarah Laender

"Nachts ging das Telefon" interpretado por Hilde Hildebrand
Tenho uma vaga ideia de “La Caduta Degli Dei” (“Os Malditos”, em português) ter sido um filme também ele maldito para a crítica cinematográfica. Por mim, só não direi é o meu Visconti favorito porque existe “Senso”, que me lembre, o mais operático filme da história do cinema. Independentemente de tudo o mais, é uma lição de História, da ascensão do nazismo e das alianças de classes que o moldam, do seu reflexo a nível das organizações de massas e militarizadas do regime. Também, claro está, do modo como um período conturbado da vida política alemã se reflecte e reproduz nas famílias (neste caso uma família ligada à grande indústria), nos seus comportamentos, mesmo os considerados desviantes, nos seus traumas. Também como estes de reproduzem a nível político, nas opções que se assumem.

Vi o filme primeiro no cinema - penso que não na sua estreia, já que não me espantaria tivesse sido exibido com cortes. Há uma dezena de anos, talvez, revi-o em televisão e a sua sequência final é daquelas que mais nitidamente me ficou, desde o primeiro momento, gravada na memória. Para isso, para essa memória que há muito me persegue, muito terá contribuído uma canção, um, aparentemente contra-natura, tango cantado em alemão que marca indelevelmente a sequência. Claro que não descansei enquanto não descobri, num sobressalto, do que se tratava. Assim, hoje deixo aqui, finalmente, “Nachts ging das Telefon”, um tango de 1937 da autoria de Walter e Willi Kollo, uma parceria familiar de pai e filho. No filme o tema é interpretado por Zarah Laender, ficando aqui um pequeno excerto incluído nessa sequência final, para mim inesquecível. Fica também a interpretação integral de Hilde Hildebrand - para não
dizerem o alemão não é uma língua lindíssima...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

José Pacheco Pereira e o "Horst Wessel Lied": uma pequena contribuição

Hino do NSDAP - nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei
Naquilo que reputo de uma feliz coincidência que muito me honra, José Pacheco Pereira tem incluído no seu excelente “Vírus”, no RCP (dias úteis, 09.15h), algumas canções revolucionárias (na sua génese, os nazi-fascismos eram movimentos políticos revolucionários, auto-intitulando-se de anti-capitalistas e anti-comunistas) que por aqui já passaram, tais como “Cara Al Sol”, hino da Falange, e o “Horst Wessel Lied" (aka “Die Fahne Hohe”), hino do partido nazi alemão (NSDAP - nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei). Como disse, por aqui fizeram companhia a outras canções do mesmo tipo, tais como o belíssimo "Le Temps des Cerises", uma canção da Comuna de Paris, ou "El Ejercito del Ebro", talvez mais conhecido por "Ai, Carmela", tema republicano da Guerra Civil de Espanha.

Quando se referiu ao "Horst Wessel Lied", JPP mencionou-a como sendo uma "canção de cervejaria", relacionando esse ambiente popular e barulhento, promíscuo, das cervejarias alemãs, atulhadas de gente já um pouco ébria, com as características arruaceiras - de lutas de rua contra os "inimigos" comunistas, sindicalistas e sociais-democratas (e outros) - presentes na génese do NSDAP e, principalmente, das suas Sturmabteilung (SA). Tem razão. No entanto, gostaria de acrescentar algo.

As "canções de cervejaria" (as cervejarias são um espaço público popular na Alemanha – o putsch de Munique teve a sua génese numa cervejaria) são, na sua essência e origem, canções populares, levadas e cantadas nesses locais de reunião, conraternização e comemoração. Nesse sentido, pouco as distingue das canções de "pub" inglesas, para além das especificidades culturais e de local (o ambiente de um "pub" é diferente do de uma cervejaria alemã) que dão origem a formas musicais e mood and tones um pouco diversos. São esse tipo de canções, muitas vezes com "letras" adaptadas á situação que se vive no momento, que também vemos, por vezes, serem cantadas nas messes dos oficiais da RAF, nos intervalos dos seus duros combates como pilotos durante a WWII, acompanhadas ao piano, frequentemente já influenciadas pela sua apropriação pelas classes altas das universidades britânicas e também por hinos religiosos, eles próprios formas musicais populares. Aliás é muito interessante verificar que essas canções populares de confraternização e união, cantadas á volta do álcool, são frequentemente comuns às classes situadas nos dois extremos opostos da hierarquia social. Também se estivermos atentos, verificaremos que o muito lisboeta fado - canção popular urbana por excelência -, nas suas versões de contestação política que se vieram a perder tais como o "fado repúblicano" ou o "fado operário", também era cantado nas tabernas dos bairros populares pelos trabalhadores e carbonários que por aí se juntavam e conspiravam. Já sem canções, muitas das frustradas revoluções "reviralhistas" contra o "Estado Novo" foram discutidas e pensadas em cafés (existe mesmo a expressão "revolucionário de café"), locais de confraternização e convívio da pequena e média burguesia lisboeta.

Bom, mas voltemos ao "Horst Wessel Lied", ou "Die Fahne Hohe" ("bandeira ao alto"). O tal Horst Wessel, autor da letra em 1929 (a música era baseada num tema popular – lá está), era um relativamente destacado militante nazi dos primeiros tempos, em Berlim, morto por um membro do partido comunista alemão no ano seguinte. Daí até o partido dele ter feito mártir vai (foi) um pequeno passo. Parece, no entanto – pelo menos o partido comunista nunca assumiu o assassinato como uma questão política –, que a altercação que lhe deu origem terá sido mais uma questão de dinheiro ou de saias do que propriamente política (diz-se), até porque foi um acto isolado que nada teve a ver com qualquer das rixas de rua na altura frequentes. Nunca saberemos a verdade efectiva, mas o que é um facto é que o mal afamado Dr. Joseph Goebbels não deixou escapar tamanha oportunidade e o "Horst Wessel Lied" tornar-se-ia o hino do partido, tocado em todas as cerimónias oficiais em conjunto com a versão de então do Deutschlandlied, o Hino Nacional da Alemanha. Claro - escusado será dizer - que tanto essa versão do Deutschlandlied como o "Horst Wessel Lied" estão priobidos na Alemanha de hoje.

terça-feira, outubro 21, 2008

Os "amanhãs que cantam"

“Es zittern die morschen Knochen” - Hino da Juventude Hitleriana (Hans Baumann)

Hino da Mocidade Portuguesa (Mário Beirão-Rui Correia Leite)
Algo que existe de comum na propaganda dos regimes totalitários - que não são exactamente o mesmo do que apenas ditaduras, puras e simples ditaduras - é aquela ideia de um sacrifício do presente aceite em nome de um ideal superior, de uma ideia, de um partido e/ou de um estado, com a “leveza” e a alegria de quem está convicto marcha num caminho feliz e sem retorno possível para um prometido futuro radioso, para uma espécie de “terra do leite e do mel” que só por si justifica a inexistência de quaisquer dúvidas. É isso que vemos nos cartazes da China de Mao, nas páginas da “Vida Soviética”, nos filmes de propaganda nazi, talvez os três exemplos mais claros e conhecidos do que aqui afirmo.

Claro que a música não escapa a esta descrição e está bem presente onde mais seria de esperar: nos hinos das organizações de massas desses mesmos regimes, chamem-se elas SA, “Pioneiros”, “Komsomol” ou... Mocidade Portuguesa! É óbvio que a Mocidade Portuguesa, fundada por Carneiro Pacheco, ministro de Salazar, em 1936, continha em si mesma muitas das características das organizações nazi-fascistas da Europa de então, pese embora a ditadura de Salazar tivesse expurgado da organização do estado, mesmo nos seus primeiros tempos, as características mais “revolucionárias” e de “massas” dos regimes alemão e italiano. Quando por lá passei (era obrigatório nos antigos 1º e 2º ano do Liceu), no final dos anos 50, já uns largos anos depois da vitória dos aliados e após o “terramoto” Delgado, a ideia com que fiquei, até hoje, foi que a organização era já bem mais forma (a farda, a continência, a marcha) do que conteúdo, neste último caso mais próximo do escutismo do que de uma pré preparação militar e ideológica, razão última de ser das suas ex-congéneres hitlerianas e mussolinianas. Novos tempos, claro, aos quais o regime se ia moldando sem que o essencial fosse posto em causa.

Mas como falamos de forma, no caso da música existia o hino, de canto obrigatório, que, por sinal, mantinha bem viva essa ideia de uma marcha feliz (“Lá vamos cantando e rindo”), conduzida por um grande ideal (“Pela voz do som tremendo, das tubas, clamor sem fim”) em direcção a um futuro grandioso e radioso (“Lá vamos que o sonho é lindo”) perante a qual a própria natureza se inclinava em saudação (“tronco em flor estende os ramos à mocidade que passa”). O que é interessante é a sua semelhança, em termos musicais, com o hino da Juventude Hitleriana, o não muito conhecido “Es zittern die morschen Knochen” da autoria de um tal Hans Baumann. E se em termos musicais essa semelhança é notória, denunciando bem as suas origens comuns, existe uma diferença essencial em termos da “letra”: embora mantendo-se em ambos essa ideia de marcha em direcção a um futuro glorioso, ao qual todos se vergam, no hino da Juventude Hitleriana, ao contrário do que acontece no da MP, a ideia da guerra (“Der Welt vor dem roten Krieg”) e do expansionismo (“Und morgen die ganze Welt”) estão já bem presentes, justificando desde bem cedo a sua inevitabilidade, a razão de existência da organização e anunciando os tempos que aí viriam. Digamos que, também aqui, os meios (musicais) se submetem aos fins, embora dentro da mesma família. Ora oiçam...

sexta-feira, abril 04, 2008

Max Mosley - quem sai aos seus...


Sir Oswald Mosley, fundador da British Union of Fascists com Benito Mussolini em 1933

Placa Comemorativa da chamada "Battle of Cable Street" (1936)

Símbolo da British Union of Fascists

Vídeo de Max Mosley, filho de Sir Oswald Mosley, presidente da FIA e "patrão" da Fórmula Um, em orgia nazi (2008).