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segunda-feira, junho 16, 2014

Onde a propósito do futebol se fala de Haydn

Joseph Haydn - Quarteto nº 62 em Dó Maior Op. 76 nº3
2º andamento - Poco adagio: Cantabile

Quando, daqui a pouco, ouvirem o hino da Alemanha (Das Liede der Deutschen) no início do jogo com a selecção portuguesa, talvez não saibam que é baseado neste 2º andamento de um dos quartetos de cordas mais famosos de Joseph Haydn (1732 - 1809), conhecido como "o do Imperador" porque dedicado a Francisco II do Sacro Império Romano-Germânico. A peça foi composta no ano de 1797 e foi um dos mais de 60 quartetos de cordas compostos por Haydn.

quinta-feira, novembro 01, 2012

The Big Easy (6)

Wynton Marsalis - Concerto para trompete e orquestra em mi bemol maior de Joseph Haydn (1732-1809)
1. Allegro
2.Andante
3. Allegro
Boston Pops Orchestra dirigida por John Williams

segunda-feira, agosto 22, 2011

As confusões de um hino...

Joseph Haydn - Quarteto nº 62 em Dó maior
2º andamento - Poco adagio; Cantabile)

A versão do hino alemão adoptada pela Alemanha nazi

Hino Nacional da Alemanha (versão actual)

Noticia o "Público" que durante uma das cerimónias protocolares dos campeonatos mundiais de canoagem o actual hino alemão ("Das Lied der Deutschen")  foi trocado pelo antigo hino nazi. Certo, mas bastante imcompleto, já que a melodia é a mesma e apenas a estrofe que é cantada é diferente. Vejamos...

A melodia do hino alemão é a mesma desde 1922 (República de Weimar) e é baseada no 2º andamento (Poco adagio; Cantabile) do Quarteto nº 62 em Dó maior de Joseph Haydn. Durante o regime nazi apenas a primeira estrofe do poema, um original de Hoffmann von Fallersleben, era cantada, a que começa pelo célebres versos " Deutschland, Deutschland über alles, Über alles in der Welt". Normalmente, antecedia aquele que pode ser considerado, na realidade, o verdadeiro hino da Alemanha nazi, o "Horst Wessel Lied" (aka "Die Fahne hoch" - "Bandeira ao Alto"). Finalmente, com a fundação da RFA, em 1952, foi determinado oficialmente que apenas a terceira estrofe, a que começa com os versos "Einigkeit und Recht und Freiheit, "Für das deutsche Vaterland!" ("Unidade, Justiça e Liberdade para a pátria alemã"), constituiria o hino oficial. Entende-se, portanto, a terrível "gaffe" para quem não sabe alemão ou conhece mal a sua História... Desculpar, isso já é mais complicado...

segunda-feira, agosto 16, 2010

Summer nights music (II série - 5)

Joseph Haydn - Concerto para trompete (3º andamento - allegro)
Tine Thing Helseth e a Orquestra de Câmara Norueguesa

segunda-feira, junho 29, 2009

Joseph Haydn e a Naxos contra a crise

Joseph Haydn (1732-1809)
Sinfonia nº 94 em Sol Maior "Surprise". 1º andamento: Adagio. Vivace assai
Capella Istropolitana dirigida por Barry Wordsworth
Muitas, talvez mesmo a maioria, das chamadas etiquetas discográficas de música erudita vendidas a baixo preço, aquelas normalmente designadas como “séries económicas, nada têm de recomendável. Contudo, existem excepções que valem bem a nossa atenção e nos permitem ter em casa excelentes interpretações e gravações de qualidade a preços muito convidativos, bem adequados a quem não pode ou não quer gastar muito dinheiro com a cultura em tempos de crise. Ou para aqueles para quem a música erudita “ainda morde” mas estão curiosos e se querem iniciar na sua fruição.

Já aqui falei na Naxos a propósito da integral de Chopin pela pianista turca Idil Biret, uma gravação de referência da obra do compositor franco-polaco. Publiquei mesmo um exemplo que pudesse aguçar o apetite de quem o ouviu. Também na altura tive oportunidade de recomendar as gravações das sinfonias de Mozart da mesma editora, interpretadas pela eslovaca Capella Istropolitana dirigida pelo bem inglês Barry Wordsworth. Também pela mesmíssima Capella Istropolitana, embora talvez um degrau abaixo das interpretações das sinfonias mozartianas, valerá a pena ouvir com alguma atenção as sinfonias de Joseph Haydn (1732-1809, lembramos este ano o 2º centenário da sua morte), um dos expoentes do classissismo vienense, das quais deixo aqui hoje um exemplo.

Convém dizer que a Naxos é uma etiqueta fundada em 1987 por um alemão residente em Hong Kong, Klaus Heymann. Começou por se tornar famosa através de gravações de agrupamentos da Europa de Leste (comprei os meus primeiros CDs da Naxos, em forints comprados no mercado negro muito abaixo do preço oficial, em Budapeste, no fim dos anos 80 e início dos anos 90 – uma pechincha!), principalmente do repertório barroco e clássico. Mais tarde estendeu essa sua actividade à edição de gravações históricas cujo ""copywright tinha caducado, mas também à edição de compositores menos conhecidos. Como prova a edição da integral de Chopin, o repertório romântico também não ficou esquecido nos tempos mais recentes. Um outro exemplo: uma das minhas gravações da ópera “O Navio Fantasma” (Der Fliegende Holländer”) de Richard Wagner (Wagner é um quase Deus!...) é uma muito bem cotada gravação de 1992 da Naxos, 2 CDs que me terão custado há cinco ou seis anos pouco mais de €17 na FNAC do Chiado.

Das edições da Naxos que tenho aqui por casa saliento ainda a “Täfelmusik” de Georg Philipp Telemann, também numa interpretação da Capella Istropolitana desta vez dirigida pelo austríaco Richard Edlinger. Ou os trios com piano de Beethoven pelo Stuttgart Piano Trio. Outros exemplos poderia dar, se quisesse ser exaustivo.

Não serão os grandes nomes do mundo da música erudita, as “pop stars” e as “prima donnas” desse universo. Mas é, sem qualquer espécie de dúvida, excelente música a preços que pouco excedem os €7 por cada CD.

Portanto, no excuses. Nem mesmo a crise, ou muito menos ela, de costas tão largas!

segunda-feira, setembro 15, 2008

Hinos nacionais (1)

Joseph Haydn - Kaiser Quartet, 2º andamento. Tema no qual se baseia "Das Lied der Deutschen", Hino Nacional da Alemanha.
Os hinos nacionais, ao contrário do que alguns pensam, não existiram nem sempre nem desde há muitos anos. Eles foram, isso sim, produto da época de nascimento dos estados-nação, no século XIX, quando, por via da ascensão ao poder das diversas burguesias nacionais, se tornou necessário substituir a lealdade ao rei ou ao seu “senhor” por uma entidade mítica que aglutinasse todo um “povo”, toda uma “nação”: a pátria. Por isso, não admira que muitos dos hinos nacionais tenham sido gerados nessa época, mesmo que só mais tarde tivessem sido adoptados como símbolo do estado-nação, e reflictam, pelo seu carácter belicista e expressão de um nacionalismo exacerbado, o espírito da época, marcado pelas lutas de emancipação nacional. É assim, por exemplo, com a “Marselhesa”, com a “Portuguesa”, dela decalcada e composta a propósito do “ultimato inglês” sobre a questão colonial (ter colónias era então algo considerado essencial ao poderio de uma nação, à afirmação nacional), com o actual hino italiano, composto durante o “Rissorgimento” como símbolo da ideia de Itália (“perché non siam popolo, perché siam divisi”, canta-se.). Por alguma razão, em estados plurinacionais como a Espanha, o hino nacional é muitas vezes mais factor de divisão do que de união, significando para as nações que aspiram à autonomia ou independência uma ideia de opressão. Mesmo no caso do “God save the Queen”, também o hino de estados independentes pertencentes à "Commonwealth" tais como o Canadá e a Austrália (a rainha de Inglaterra é o chefe de estado de ambos), os valores belicistas estão longe de estar ausentes, pois nele não deixa de se pedir “send him/her victorious”. Esses hinos têm hoje apenas um valor simbólico institucional (é perfeitamente demagógico identificar no século XXI a adesão aos valores nacionais com saber ou não cantar o hino), servindo fundamentalmente para marcar e definir momentos protocolares, não sendo de admirar que a sua função original lhes seja principalmente restituída pelo desporto, onde no campo, frente a frente, estão os adversários/inimigos que se vão degladiar. É também por isso, e não por serem mais patriotas ou sentirem mais a camisola, que os jogadores da selecção portuguesa de rugby o cantam com tanto entusiasmo. O rugby é um desporto de combate, de conquista de terreno, e o hino funciona aqui como um cântico guerreiro, tal como o “Haka” neo-zelandês.

Bom, tendo dito isto existem alguns hinos nacionais que, dentro do género, são peças musicais estimáveis, sendo igualmente conhecidas algumas interpretações que se tornaram de referência ou incontornáveis por vários motivos, nem sempre os melhores no que à sua função original dizia respeito. O “Gato Maltês” propõe, por isso, durante esta semana, um pequeno percurso por cinco deles, dos mais conhecidos e que se situam, certamente, entre aqueles que mais gosta, sempre procurando apresentar algumas interpretações dentro do conceito acima expresso. Para começar, não propriamente um hino, mas o 2º andamento do quarteto do Imperador (Kaiser Quartet), de Joseph Haydn, em cujo tema se baseia “Das Lied der Deutschen” (a Canção dos Alemães”), hino nacional alemão que por algumas vicissitudes passou na atribulada vida da Alemanha do século XX.