Mostrar mensagens com a etiqueta ministro Pinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ministro Pinho. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 03, 2009

Cavaco Silva e o "fair-play"

Não gosto de alimentar o ruído e, desculpem-me, penso posso exigir de mim um pouco mais do que a ausência de originalidade. Por isso mesmo, não vou analisar politicamente a “indignação” do Presidente da República perante o gesto de ontem do ministro Pinho e as incoerências (e/ou incongruências) que ela possa comportar. Pelo que por já vi, há muito quem o faça e também muitos deles com enorme justeza.

Quero apenas frisar que as afirmações de Cavaco Silva vinte e quatro horas depois dos acontecimentos se terem dado e terem sido (bem) geridos e resolvidos por quem o poderia e deveria fazer, face a alguém derrotado e certamente amarfanhado perante a (re)visão e repercussão do seu gesto – castigo suficiente, são, no mínimo, deselegantes, revelando total ausência de cavalheirismo e de qualquer réstia de fair-play que, ainda acredito, possa, e deva, ser associada ao combate político. Neste sentido – do cavalheirismo e do fair-play - teria preferido ver Cavaco Silva, Presidente da República de todos os portugueses, afirmar que se teria tratado de um mau momento de imediato resolvido, e que, por isso mesmo, estaria para ele encerrado.

Moralmente, esse sim, teria sido o bom exemplo.

quinta-feira, julho 02, 2009

O ministro Pinho

Há figuras de uma extraordinária coerência. Pelas suas “gaffes”, atrapalhações, cenas ao estilo “pé no balde e bolo na cara", pelos seus gestos quase sempre a lembrar o Hollywood do burlesco, até pela sua figura a roçar o “clownesco”, o ministro Manuel Pinho só poderia ter "caído" por um gesto semelhante. Incoerente teria sido, isso sim, sair por qualquer atitude estritamente da ordem do político, área para a qual sempre revelou uma quase total inépcia. Assim, acabou como começou e quase sempre governou: a fazer-nos hesitar entre o sorriso e a gargalhada sonora. Como qualquer clown que se preze, talvez o encontremos agora triste, vertendo uma lágrima, sentado, na solidão das escadarias de São Bento.

segunda-feira, março 31, 2008

António Borges vs Manuel Pinho, com os "Bichos Carpinteiros" de permeio

Muito provavelmente, o episódio narrado por António Borges, então vice-presidente do Goldman Sachs, sobre as pressões que ele e os negócios do banco terão sofrido por via das declarações hostis de Borges, enquanto militante do PSD, ao governo de Sócrates, será verdadeiro. Nada me leva a pensar que o não seja; tudo me leva a crer seja esta, com mais ou menos nuances, a prática corrente.

Já estou em completo desacordo com a crítica de "hidden persuader" a Borges, acusando-o de falta de ética, quando afirma que, para António Borges, o governo é mau para governar mas bom para os negócios. Não vejo a razão pela qual criticar a governação do país seja incompatível com manter negócios com esse mesmo governo. A adoptar esse procedimento como norma, a maioria das empresas privadas do país já estaria fechada.

Mas existem duas atitudes de António Borges que, do ponto de vista ético, me parecem ser, em absoluto, inaceitáveis, ou, no limite, pelo menos pouco admissíveis: uma é um vice-presidente de um banco, internacional, participar activamente num congresso partidário, inclusivamente nele usando da palavra enquanto militante; outra é se deverá, uma vez abandonadas as funções que exercia, expor publicamente acontecimentos inerentes à gestão e aos negócios do banco. Eu não o faria...

quinta-feira, outubro 25, 2007

Aa propostas da Associação Textil e de Vestuário de Portugal, o ministro Pinho e o ex-ministro Bessa - e, já agora, Carvalho da Silva e a CGTP

Segundo o "Publico" de ontem,

"Os patrões do sector têxtil e do vestuário português querem que o Governo ponha travão às expectativas de aumentos salariais para os próximos anos e que suprima alguns feriados do calendário nacional. É a única forma, segundo Paulo Nunes de Almeida, o presidente da Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal (ATP), de "garantir a competitividade das empresas de mão-de-obra intensiva, em particular as confecções". Falando na abertura do 9.º Fórum da Indústria Têxtil, que decorreu ontem no Citeve, em Vila Nova de Famalicão, e de olhos voltados para o ministro da Economia, Manuel Pinho, o presidente da ATP argumentou que o objectivo de o Governo chegar a 2011 com um salário mínimo de 500 euros mensais - o que implica uma actualização anual de 5,5 por cento - coloca "uma boa parte das empresas numa situação de não poder continuar a laborar, pois é-lhes impossível acomodar o aumento de custos, os quais jamais se poderão repercutir nos preços praticados aos clientes, em especial nos mercados internacionais".... ...Mas as reivindicações não se ficaram por aqui. Além de preconizar a redução do número de feriados, e como forma de contrabalançar a subida do salário mínimo, a ATP reclamou a isenção dos descontos para a Segurança Social das horas suplementares, a limitação dos montantes globais das indemnizações por despedimento, bem como a alteração do pagamento do total do rendimento anual dos trabalhadores de 14 para 12 meses, ou seja, o fim dos subsídios de Natal e de férias.

Quase me apetece dizer, à laia de comentário, que, já agora, para evitar quebras de produtividade, os trabalhadores passem a trabalhar algaliados, evitando "nefastas" perdas de tempo com idas à casa de banho, e almocem no posto de trabalho utilizando aquela maquineta inventada para o efeito nos "Tempos Modernos" de Chaplin.

Mais a sério - se é que, com estas propostas, a ATP ainda merece que a tratem com alguma seriedade - será esta desvalorização permanente do factor trabalho a alternativa que algumas associações empresariais têm a propor face à rigidez contratual e à falta de flexibilidade sindical? Pessoalmente, e conhecendo um ou outro dirigente de algumas delas, acho que não, e penso não estar enganado, mas não seria mau que aproveitassem para se demarcar de tais disparates. É que, por este caminho, ainda acabamos por dar razão a Carvalho da Silva e à CGTP, o que não me parece ser lá muito boa ideia. O problema é que estas afirmações foram feitas perante o ministro Pinho que, parece, segundo o "Público", "não tugiu nem mugiu" e com a concordância de Daniel Bessa, ex-ministro do governo de Guterres. Caso para perguntar: "choque tecnológico"? Finlândia? Afinal em que ficamos?