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quinta-feira, junho 16, 2011

O chefe de gabinete de Passos Coelho

Francamente, e ao contrário de muita gente, não consigo ver nada de especialmente positivo no facto do anunciado futuro chefe de gabinete de Passos Coelho, Francisco Ribeiro de Menezes, ter trabalhado com  Jaime Gama e transitado do gabinete de Luís Amado. Antes pelo contrário: tratando-se de lugares políticos, a mensagem que transmite é a do chamado "pântano do bloco central dos interesses", da promiscuidade ideológica e não de uma clara separação de águas, como parece estar agora felizmente a acontecer, entre os dois partidos-âncora da democracia portuguesa. Compreendo Passos Coelho precise de se apoiar em alguém experiente, mas penso teria sido preferível uma outra solução.

Significativamente, Gama e Amado são dois dos dirigentes mais "atlantistas" do PS, e que decidiram exactamente agora abandonar a vida política activa...

quarta-feira, novembro 04, 2009

Um bom exemplo


Durante algum tempo era obrigado a viajar em classe executiva nas minhas deslocações profissionais ao serviço de uma entidade privada. Diga-se, desde já, que não podendo, por sistema, aproveitar as tarifas mais reduzidas, com restrições que normalmente inviabilizam quem tem de viajar com datas e voos em aberto ou sujeitas a alteração, o preço de uma viagem em executiva correspondia, “mais coisa menos coisa”, e consoante os voos, ao de uma tarifa normal, pelo que o encargo extra resultante era, ao fim de um ano, quase negligenciável

Claro que nunca me passou pela cabeça, nem sequer nos meus mais surrealistas sonhos, optar por viajar em turística e, com a diferença de custo, quando ela existisse, fazer-me acompanhar por mulher, amiga ou amante: a obrigatoriedade tinha a ver com questões de representação, conveniência e facilidades colocadas à minha disposição pela minha entidade empregadora, normas que não me competiria nunca incumprir. No limite, quando me fazia acompanhar por colega de empresa que não tinha direito a voo em classe executiva, já dentro do avião perguntava a alguém do pessoal de cabina se poderia passar para turística por troca com um outro passageiro que não se importasse de fazer o “upgrade” para executiva (o que, como devem calcular, era fácil), o que me permitia viajar junto com esse colega, conversando e/ou trabalhando.

Penso que a obrigatoriedade dos deputados viajarem em executiva nas suas deslocações ao serviço da República se justificará, pelo menos na maioria das vezes, pelo que a deveriam cumprir. Sempre! Espanto-me que só agora (vá lá saber-se porquê?), e apenas por determinação expressa do Presidente da Assembleia da República, sejam os deputados forçados a agir de acordo com estipulado, não aproveitando para o desdobramento das viagens em benefício familiar ao bom estilo “compre um leve dois”. Esperemos que o bom exemplo de Jaime Gama frutifique, e a metodologia seja extensível aos outros serviços do Estado em que as viagens em classe executiva sejam a norma. E, já agora, que os bónus em milhas só possam ser utilizados por esses mesmos deputados nas suas viagens em trabalho político de representação parlamentar. Os deputados eleitos devem essa manifestação de respeito (no mínimo, essa) a quem os elegeu.

quarta-feira, abril 16, 2008

Os portugueses ainda esperam um gesto de Cavaco Silva

Não basta a Cavaco Silva usar a sua influência de bastidores para que o bom senso possa prevalecer no relacionamento entre o poder madeirense e a respectiva oposição e, principalmente, para colocar um limite à linguagem desabrida e carroceira do presidente do governo regional e ao seu desrespeito pelas instituições da democracia, pelo que se viu anteriormente aplaudida pela segunda figura do Estado, o presidente da Assembleia da República, o último que o deveria fazer. Eleito por mais de metade dos portugueses, em sufrágio directo e universal, e representando legitimamente todos eles, seria indispensável para estes, como exemplo, escutar uma palavra ou assistir a um gesto público do Presidente da República sobre o respeito e a ética que deve presidir ao relacionamento entre orgãos do Estado e o comportamento, ao nível da linguagem e dos actos, exigível a todos os seus representantes democraticamente eleitos. Está, pois, em dívida para com os portugueses.

PS. Gostei de ouvir Manuel Alegre pronunciar-se sobre o caso. Pena que não tenha tido a mesma atitude perante as declarações de Jaime Gama.

segunda-feira, março 31, 2008

As afirmações de Gama e o silêncio do PS

Estranho e ensurdecedor silêncio, este, o dos críticos da actual direcção do PS no caso das afirmações de Jaime Gama na Madeira. Onde está a tonitruante voz de Manuel Alegre em defesa da liberdade e da cidadania na região do país ela terá mais dificuldade em exprimir-se? Onde está, perante as afirmações de Jaime Gama em louvor de Jardim, a soit disant “ala esquerda” em defesa de um projecto que marque uma clara ruptura com a direita? Será o facto de as afirmações de Gama poderem criar dificuldades à actual direcção do partido suficiente para os críticos colocarem de lado, esquecendo-os, os princípios, tão afirmativamente agitados em outras ocasiões em que dá jeito, e, oportunisticamente, manterem, também eles, este silêncio torpe, da cobardia dos fracos, que parece tolher a direcção do PS?

domingo, março 30, 2008

Nada melhor para um "peixe de águas profundas" do que os abismos da Madeira

Não tendo Jaime Gama por tontinho, muito menos por politicamente inexperiente; tendo, isso sim, bem presente a opinião sobre si expressa por Mário Soares (“peixe de águas profundas”, para os mais distraídos) e acreditando estas suas afirmações não terão sido produzidas na sequência de uma visita demorada ao Artur, Barros e Sousa da Rua dos Ferreiros, no Funchal, algo que a sua experiência política, que não o bom gosto, desaconselharia na circunstância, elas têm apenas um único e claro objectivo: causar embaraços e desacreditar o actual PS e o governo de José Sócrates, contribuindo, assim, para dificultar a obtenção de uma nova maioria absoluta. Uma questão que Sócrates deve ter em devida conta, claro, se calhar muito mais do que as manifestações da Anadia ou o pulsar de quaisquer corporações. Esperemos, do facto, saiba pelo menos retirar as indispensáveis consequências.
E, já agora, também algo que o próprio Jaime Gama, pelo lugar que ocupa na hierarquia do Estado e que momentaneamente terá esquecido em função de outros interesses, deveria também saber fazer.