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quarta-feira, setembro 23, 2015

BES, o "déficit" de 2014 e uma verdade inconveniente

Apesar de mentiroso compulsivo (mas Paulo Portas bate-o aos pontos, até no descaramento), desta vez o primeiro-ministro até tem razão. O problema, o grande problema é que tal como acontece com o cenário macro-económico do PS, cuja complexidade o torna impossível de entender por 99.9% dos portugueses e acaba também por embaraçar António Costa, também neste caso essa enorme maioria não consegue perceber o que quer Passos Coelho dizer com estas suas afirmações e, portanto, certo e sabido que o caso BES/GES só não irá entrar em força na campanha se o PS for ainda mais "totó" do que tem sido. Acresce que existe ainda a "cereja no topo do bolo": um "déficit" do primeiro semestre que é o dobro do previsto para o total do ano: por muitas explicações que Pedro Passos Coelho possa dar, com razão ou sem ela, perante os eleitores estes números irão sempre falar mais alto. 
António Costa e o PS têm pois aqui a sua oportunidade para ganharem as eleições. Como não sou apoiante ou eleitor da coligação PáF (confesso-me), espero a saibam aproveitar.

quarta-feira, março 25, 2015

Os subscritores do BES e a democracia liberal

Acharia positivo que este ou o próximo governo encontrassem uma solução que permitisse ressarcir parcialmente os clientes lesados pela subscrição de papel comercial do BES. Mandam o bom senso e a confiança no sistema financeiro, a estabilidade política e também o modo como tudo se processou, bem a situação actual de muitos subscritores, que tal aconteça. Mas tendo dito isto, já acharia bem menos positivo, ou até negativo, que tal fosse efectuado a 100%, desresponsabilizando os subscritores, financeiramente letrados ou não, pela sua livre decisão, mesmo que em certa medida mal aconselhados ou até mesmo ludribiados pela informação que lhes terá sido prestada pelo Banco ou até caucionada pelas entidades reguladoras. Estamos numa democracia liberal e não numa qualquer sociedade totalitária, e a liberdade pressupõe que os cidadãos devam assumir alguma responsabilidade pelos seus actos, livremente praticados. Caberá aos tribunais e à Justiça apurar eventuais responsabilidades civis e criminais, incluindo o estabelecimento de indemnizações aos lesados. 

quinta-feira, agosto 07, 2014

António Costa e o BES

Só uma nota, "a pedido de várias famílias:

Na sua entrevista à "Visão", António Costa lança algumas interrogações e coloca algumas questões pertinentes em relação à solução encontrada pelo governo e pelas instâncias europeias (sim, por ambos) para o caso BES. No fundo, questões que todos os portugueses colocam. Afirma, no final, que esta não é a "solução mágica" que nos foi apresentada. Reparos a António Costa:
  1. Não existem soluções mágicas para um problema desta gravidade e todas as possíveis trariam consigo injustiças, riscos, incertezas e problemas, em doses variáveis. A única solução "mágica" - digamos assim - era não ter deixado o problema avolumar-se e alcançar esta magnitude, e é aí que as críticas da oposição deverão centrar-se. A encontrada é, segundo me parece, apenas uma solução razoável e, até ao momento, ainda não encontrei quem propusesse melhor. 
  2. Ficaria bem a António Costa, que - e bem - pretende contrapor ao populismo de Seguro uma atitude de estadista, assumir isto. Aliás, parece-me existir no PS, mesmo entre os apoiantes de Costa, uma espécie de síndroma "not invented here" em relação à solução encontrada pelo governo e pelas instâncias europeias para o problema do BES. Sem dúvida, esta é uma atitude negativa para quem se propõe alcançar compromissos.

quarta-feira, agosto 06, 2014

Perguntas a Seguro

António José Seguro concorda ou não com a solução adoptada pelo governo, via governador do Banco de Portugal, para o BES? Se não concorda, quais as razões dessa sua discordância e qual a sua proposta alternativa? Se concorda, na generalidade, que perguntas tem a fazer ao governo, quais os pontos que gostaria de ver esclarecidos, que propostas tem a fazer para minimizar riscos, corrigir erros, evitar a repetição de situações semelhantes, antecipar problemas e melhorar a eficácia da solução adoptada? Por último, que pensa da actuação do governador Carlos Costa?

É que limitar-se a  fazer afirmações tão genéricas como estas, ao estilo de uma concorrente a um concurso de "misses" que deseja a "paz no mundo", até pode ser que ganhe direito a uma boa "manchete" do Correio da Manhã, mas é pouco, muito pouco, para o líder do principal partido da oposição.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Apesar de tudo, uma solução razoável

Desculpem lá, mas tenho de dizer isto.

É evidente que a solução encontrada para o BES tem fragilidades, gera algumas incertezas, actuais e futuras, lança dúvidas sobre a capacidade do "Novo Banco" para captar novos depósitos e manter o nível dos actuais, penaliza os pequenos investidores, gera uma desconfiança que, a prazo, pode vir a ter implicações negativas no mercado de capitais, é uma (mal)disfarçada nacionalização, etc, etc. Podemos mesmo dizer, cheios de razão, que a actuação do Banco de Portugal esteve perto do desastroso e que deveria ter sido o governo, e não a entidade supervisora, a comprometer-se e a "dar a cara" pela solução encontrada. Podemos pensar que tudo pode vir a correr mal e que os banqueiros têm feito o possível e o quase impossível para dar razão ao PCP e à esquerda radical, que são contra a existência de banca privada. Sem dúvida alguma. Mas devo também dizer que, chegadas as coisas a este ponto, com inegável responsabilidade de Carlos Costa, esta solução me parece razoável e ainda não vi, até agora, quem propusesse uma outra melhor, mesmo que marginalmente. Resta-nos agora estar atentos, criticar quando necessário e esperar que funcione.

quinta-feira, julho 24, 2014

Ricardo Salgado: investigação ou propaganda?

Pelos seus contornos, pela oportunidade escolhida, pelo modo como foi anunciada e pelo "media" escolhido para o fazer ("Correio da Manhã"), a detenção de hoje de Ricardo Salgado e a sua constituição como arguido mais parece assemelhar-se a uma enorme operação de propaganda do Ministério Público para acalmar qualquer eventual ira popular e "prestigiar" a Justiça do que uma acção tendo na sua base a vontade clara e inequívoca de investigar, apurar e eventualmente fazer prova de quaisquer ilícitos criminais alegadamente cometidos. Veremos o que o futuro nos reserva, mas bem gostaria de estar errado.

Uma detenção oportuna?

Em Portugal, banqueiros e presidentes de grandes clubes de futebol parecem ser apenas detidos depois de, por quaisquer outras razões, terem caído em desgraça. Foi assim com Vale e Azevedo, posteriormente julgado e condenado, é certo - e não duvido, por um momento que seja, da justiça de tal condenação -, mas que parece também estar por aí para ser convenientemente apontado como exemplo justicialista à populaça. Calhou agora a vez de Ricardo Salgado, convenientemente, só depois do escândalo GES ter rebentado, sem que o que digo signifique, nem de perto nem de longe, qualquer defesa ou sugestão de defesa do banqueiro: a justiça que siga o seu curso dentro da lei e dos limites definidos pelos direitos, liberdades e garantias. Mas que, independentemente das responsabilidades ou eventuais ilícitos criminais cometidos pelo ex-presidente do BES, a sua detenção parece pecar por um oportunismo "déjà vu", lá isso...