sábado, fevereiro 03, 2007

London pubs (1)

"The Kings Arms" - Northington Street / John Street

O divertido ministro Pinho

O divertido ministro Manuel Pinho, ao tentar dar umas explicações atabalhoadas sobre a questão dos salários dos portugueses, disse uma verdade incontroversa: que “os sindicatos em Portugal são forças de atraso”. Sem dúvida. Principalmente se nos referirmos aos sindicatos da Função Pública e dos professores (mas não só), são instituições conservadoras que dificultam qualquer tentativa de modernização dos respectivos sectores e, por “arrasto”, da sociedade portuguesa. O problema é que o divertido ministro o afirmou pelas más razões, isto é, não perante uma situação em que esses mesmos sindicatos tentassem resistir a reformas modernizadoras (e nesse caso bem poderia Manuel Pinho contar com o apoio de uma boa parte dos portugueses) mas quando se manifestavam, com razão, contra afirmações, no mínimo, conformistas do ministro. Ou seja, Manuel Pinho deu de bandeja aos sindicatos (e partidos seus apoiantes) uma oportunidade de ouro para retomarem a iniciativa política e, pior ainda, para o fazerem “pela positiva”, aparecendo como “modernizadores”, adversários de um modelo de desenvolvimento que conduziu o país a “este género assim”. Maior manifestação de “anhuquice” política seria difícil de imaginar, mas o PS já nos habituou a tais coisas: se qualquer tentativa de modernização do país nas questões de sociedade (aborto, droga, educação sexual, direitos dos homossexuais, investigação genética, etc) terá sempre que contar com a resistência da Igreja Católica, resolveu também, em 1998 ao aceitar referendar a legislação sobre o aborto, dar a esta instituição – e principalmente aos seus sectores mais conservadores – a iniciativa política nesta área. Pode, pois, apenas queixar-se de si próprio.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A Guerra Aqui (mesmo) Ao Lado (13)

Cartaz de Goñi para o P.S.U.C e a UGT (1936)

O "Público", a propaganda e a publicidade

Num destes últimos dias, Pacheco Pereira tentava provar que o decréscimo de vendas do “Público” nada tinha que ver com o alinhamento pró Bush do seu director e de alguns dos seus colunistas, no caso da invasão do Iraque. Penso terá alguma razão: basta abrir o “Público” de hoje na página oito, totalmente ocupada por artigos de Vítor Dias e Esther Mucznik, para se encontrar uma explicação bem mais plausível. Aliás, a colocação vem bem a propósito, já que a página impar (9) é ocupada com um anúncio do BPI, talvez com o objectivo didáctico de pôr em confronto exemplos de publicidade e propaganda. Convém no entanto notar que a publicidade do BPI (instituição estimável) vem devidamente assinalada como tal, de acordo com os requisitos legais. Mandam as boas práticas que se passe adiante, e ao BPI aconselha-se a reclamar de tão desfavorável localização.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

História(s) da Música Popular (29)


Little Anthony and The Imperials - "Tears On My Pillow"

The Chantels - "Maybe"
Doo-Wop (IV)

Pois continuemos com o Doo-Wop, já que muitos são os grupos e poucas as histórias para contar o que muito facilita a vida a autor do blog. E vamos para Doo-Wop no feminino e na adolescência, que também o houve.

No primeiro caso temos as “Chantels”, um grupo de NY formado em 1956 e tendo Arlene Smith como lead singer. Começaram a cantar na Escola de Stº António de Pádua, no Bronx. Uma das razões para a escassez de grupos femininos de Doo-Wop prende-se (atenção feministas!) simplesmente com o facto de... serem mulheres. Na realidade, era comum os grupos masculinos de Doo-Wop juntarem-se na rua, nas esquinas, cantando para quem passava e recebendo algum dinheiro em troca. Obviamente, isto era algo que as raparigas não poderiam fazer. O seu maior sucesso (e quase único) foi este “Maybe”, gravado em 1958 e onde bem sobressai a voz de Arlene. Aqui fica.

Já Little Anthony and The Imperials, também de NY mas dos lados de Brooklyn, era dirigido por Anthony Gourdine, nascido em 1941 e que, portanto, gravou este “Tears On My Pillow” com dezassete anos, em 1958 - ainda teenager, portanto. O tema chegou a #4, e Kylie Minogue re-gravou-o em 1989, fazendo-a reviver. O grupo gravava para a “Roulette”, etiqueta importante nestes tempos abarcando vários géneros da música popular, do Doo-Wop ao rockabilly, mas passando também pelo jazz e, até, pela música erudita. Pois também aqui fica este “Tears On My Pillow” e os teenagers Little Anthony and The Imperials.

William Blake: "Songs of Innocence and of Experience" (2)

Ilustração de William Blake para "Songs of Innocence and of Experience". General Title Page

quarta-feira, janeiro 31, 2007

A Igreja católica, o aborto e a intervenção política

Conforme já afirmei em post anterior, ao colocar a questão do aborto em referendo, em 1998, a Assembleia da República deixou que se deslocasse para o campo da moral e da religião um assunto eminentemente de ordem política. Colocou, assim, nas mãos da Igreja Católica, cuja influência é largamente dominante em Portugal naquelas duas áreas, uma capacidade de intervenção política que nos últimos anos esta nunca tinha conseguido lograr.

Frederico García Lorca (7)

"Busto de Antoñito el Camborio con la Luna arriba" (1930). Ilustração de FGL para "Romancero Gitano".

Lisboa...

Pois mal ficaria eu se, “alfacinha de gema” filho e neto de “alfacinhas” no meu lado português, nascido em Stª Isabel (onde actualmente vivo), nada dissesse sobre a crise da minha cidade. A primeira coisa a constatar é que Lisboa tem tido azar, ou que os seus habitantes têm escolhido mal entre as, infelizmente não muito brilhantes, alternativas que lhes têm sido propostas. Do mal o menos, e falta de originalidade à parte, terá sido a vereação de João Soares a que mais se aproximou da nota positiva. Confesso que a personagem não me é demasiado simpática, mas quem vê caras não vê corações e... politique d’abord. Exactamente por isto, outra constatação, é que um município com a importância de Lisboa tem de ser dirigido por um político experiente e com peso na respectiva área partidária e no Estado, não por um independente “fazedor” ou alguém que se tenta fazer passar por isso. Espero que os “alfacinhas” o tenham finalmente entendido e, antes deles, os respectivos aparelhos partidários, já que bem podemos agradecer também ao último candidato apresentado pelo PS e à má preparação das duas últimas campanhas o caos entretanto instalado. Lisboa precisa de políticos bem preparados e empenhados, consistentes, e os bons exemplos de Mª José Nogueira Pinto e Rúben Carvalho aí estão para o provar.

Dizer que Lisboa precisa de uma estratégia (que actualmente não tem) coerente com o que queremos a cidade seja daqui a 20, 30 ou 50 anos não é nada de novo, claro. Pode mesmo passar por banalidade. E precisa de incluir nessa estratégia uma reorganização administrativa que acabe com as “não sei quantas freguesias” (algumas com poucas centenas de habitantes) e as substitua por uma dúzia de unidades territoriais homogéneas dotadas de maior autonomia e capacidade de acção e decisão (e responsabilidade, também). Mas também precisa, no curto prazo, de saber resolver os seus pequenos problemas do “dia a dia”, desde as armadilhas em que os passeios se transformaram, aos “cócós” de cão espalhados a esmo. Passando, também, pelos “ecopontos” transformados em lixeiras, os gatos vadios, a necessidade de recolha de lixo “separado” porta a porta, o estacionamento a esmo e por aí fora - posso apresentar uma lista completa. Quem não for capaz de resolver estes, e outros, pequenos problemas decerto não conseguirá resolver os mais graves, a exigir outro fôlego, outro prazo e uma situação financeira mais folgada. No curto prazo, Lisboa precisa, pois, de dignidade; a exigida à capital e maior cidade do país, mas que não é mais – e não nos esqueçamos disso – do que a 5ª ou 6ª do espaço ibérico.

Eleições? Sim, claro, mas apenas se o maior partido da actual oposição camarária souber construir, em conjunto ou isoladamente, uma alternativa credível e com condições para se tornar duradoura, dentro dos parâmetros acima descritos. Caso contrário... Estará o PS disposto a isso? Nessas condições, dificilmente arriscará uma derrota.

Milly Possoz e o "Estado Novo" (15)

Ilustração de Milly Possoz para o poema "O Lavrador" de A. Lopes Vieira. Em "O Livro da Segunda Classe" (1958)