domingo, julho 10, 2011

SLB - Servette

A primeira-parte do jogo de hoje contra o Servette foi bem o retrato do pior Benfica da época passada. Com um "pivot" posicional e essencialmente recuperador de bola como é Javi Garcia, sem centrais com capacidade para sair a jogar e um meio-campo praticamente entregue a Aimar contra uma equipa de "posse e circulação de bola", pressionante, o SLB nunca conseguiu ter bola e sair a jogar de forma consequente. Tudo isto agravado pela ausência de laterais consistentes e ofensivos, como Maxi e Coentrão, o que anula um dos princípios fundamentais de jogo de uma equipa que inicia normalmente por aí os seus processos ofensivos. É este, juntamente com a necessidade de conseguir o equilíbrio defensivo, o problema fundamental que a equipa tem para resolver. Jorge Jesus já deveria ter pensado nisso antes.

Já agora: quem são as alternativas a Cardozo e Javi? Não me parece o possam ser Rodrigo, um jogador muito diferente do paraguaio, Matic já se percebeu é mais 8 do que 6 e Nuno Coelho é ainda uma incógnita.

"Shindig" - 1965 (4)

1. Jack Good interviews the Rolling Stones
2. Howlin' Wolf - "How Many Years"
3. The Explosions - "Work with Me, Annie"

sábado, julho 09, 2011

SLB: primeiras notas...

...poucas, porque o adversário não deu para mais:
  1. Mantêm-se modelo e sistema, o que resolve uma dúvida.
  2. Como vai Jorge Jesus equilibrar a equipa, essa, é que é dúvida que se mantém. Contra este adversário não foi preciso pensar no assunto.
  3. André Almeida sabe o que faz em campo e é desinibido. Vê-se que tem escola. Pode não ser jogador para já, mas ou me engano muito ou será jogador de futuro.
  4. Sempre gostei de Miguel Vítor. Sabe o que faz e é o central mais rápido do SLB. Pois, faltam-lhe alguns centímetros.
  5. Que vai Jorge Jesus fazer com Matic? (bom pé esquerdo, noção do passe e do jogo rectilíneo e inteligência de jogo). É um jogador muito diferente de Javi Garcia e parece-me castrador reduzi-lo a fazer o trabalho do espanhol na ausência deste. Pode desempenhar outro papel nestes modelo e sistema? Só a espaços, em circunstâncias muito específicas, parece-me. Bom, JJ mandou-o vir; agora resolva, sff.
  6. O resto ver-se-á, já que contra os miúdos ali do pátio até eu jogo bem.

Pensamento de sábado...

Vamos lá ser claros. Por muita desconfiança que o comportamento das agências de "rating" possa gerar - e não vale a pena negá-lo - tentar resolver o problema, neste momento, através da criação de uma agência europeia teria mais ou menos a mesma credibilidade que deixarmos Pinto da Costa e o FCP nomear os árbitros da Liga. Por isso mesmo, a actual onda de indignação e repúdio bem como os apelos à criação da tal agência europeia, seja lá o que isso possa vir ou não a ser, têm apenas um objectivo: lançar uma "cortina de fumo" tentando esconder aquilo que é essencial, e isso é a total e completa incapacidade para a ortodoxia financeira dominante na UE e na maioria dos seus governos resolver o problema das dívidas soberanas da zona euro.

Vamos então centrar-nos no essencial?

Nota: não me considero um perigoso "esquerdista". Sou um defensor da democracia representativa e de uma economia regulada mas baseada no mercado e na livre iniciativa. Ah!, e não mudei de opinião sobre as agências de rating nos últimos 3 dias. Para que não restem dúvidas.

quinta-feira, julho 07, 2011

Agências de "rating": matar o mensageiro ou mudar a realidade?

As maiores empresas de produtos de grande consumo contratam habitualmente empresas de estudos de mercado para conhecerem em permanência a evolução das prestações das suas marcas nos diversos mercados em que operam. Essa análise incide normalmente sobre valores como quota de mercado, número de pontos de venda onde a marca está presente, "stocks" totais e na área de venda, preços, etc (muitos mais eteceteras), nos vários canais de distribuição e áreas geográficas consideradas. Em Portugal, esse trabalho é efectuado em quase exclusividade pela A. C. Nielsen, que assim detêm uma posição claramente dominante, quando não mesmo monopolista, no mercado. A pergunta que deixo é a seguinte, por analogia com o que se passa com as agências de "rating": se os resultados apurados em dado momento pela A. C. Nielsen são negativos para alguma ou algumas das marcas de uma empresa sua cliente, que deve esta fazer? Rescindir o contrato porque não paga a quem lhe traz más notícias ou, com base nas informações recolhidas, tomar as decisões de gestão que lhe permitam melhorar ou inverter a posição negativa de algumas, ou de alguma, das suas marcas no mercado? Não me parece difícil entender qual a opção mais inteligente...

A onda de indignação

Faz este ano precisamente 50 anos, era eu uma criança, uma onda de indignação varreu o regime. Organizaram-se manifestações, Legião Portuguesa à frente como mandava o ar do tempo, colaram-se cartazes no Rossio, os jornais mais afectos à ditadura, que eram todos excepto a "República" e o "Diário de Lisboa", ambos bem "visados" pela "Comissão de Censura", publicaram textos inflamados e a TV única não deve ter escapado à onda, algo de que não me lembro pois estaria mais interessado no "Bonanza" e no "Robin dos Bosques" de sábado à tarde. Razão? "A mais veemente repulsa pelo cobarde ataque efectuado pelas forças da União Indiana aos territórios portugueses de Goa, Damão e Diu" (a frase, essa, decorei-a para sempre!).

Mas de que vem isto a propósito? Bom, quando vejo e oiço a "onda de indignação" que desde ontem percorre o país, "da mais veemente repulsa pelo cobarde ataque das agências de "rating", talvez a soldo das Pequim e Moscovo do século XXI, acrescento eu, não consigo deixar de recordar o episódio de há 50 anos. Então, como agora, assistiam ao país algumas razões, mesmo reconhecidas pelos que discordavam da presença colonial portuguesa e lhe queriam pôr fim. Então, como agora, a teimosia e vistas curtas de governantes, no caso presente também europeus, conduziram ao desenlace mais dramática. Então, como agora, o poder resolve enfrentar o problema barafustando e e indignando-se, sabendo que está apenas a  lançar uma cortina de fumo propagandística que nada altera de relevante. No caso do chamado Estado Português da Índia foi preciso deixar passar 13 longos anos, milhares de prisioneiros de guerra, ver um exército e um oficial-general humilhados e, por fim, saudar uma revolução para que tudo se normalizasse, Hoje, em democracia, espero bem que sobre a propaganda prevaleça o bom senso, a inteligência e o debate sério de ideias que conduzam  a uma solução rápida da crise que permita a emergência de uma Europa federal. Mais competitiva e também mais justa.  

"Lixo"

Há poucos anos foi a Charlot", que me lembro de frequentar desde os finais da adolescência e onde tratava as empregadas pelo nome e elas pelo meu. Aqui há uns meses a "Piccadilly", da rua Garrett, onde o meu pai comprou gravatas anos a fio e eu ainda comprei algumas, bem como meias "Argyle" (ditas, "de losangos"). Agora foi a "Labrador" (vou guardar o meu cartão-cliente como recordação), com pouco edificante agonia contada hoje nas páginas da Sábado, mas onde a decadência era há meses já bem visível. Resta a Wesley e as gravatas Drake's, agora que uso menos gravata e as tenho ali às dezenas.

Sim, eu sei que vou ficando velho e os meus gostos ultrapassados, mas também não era preciso que mo dissessem assim, de modo tão brutal. "Lixo", não é?

"Empty Bed Blues" - best of good time mommas (8)

Clara Smith (1894 - 1935) - "Ain't Got Nobody To Grind My Coffee"