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terça-feira, junho 30, 2015

Sobre a final dos sub-21

Independentemente do resultado de logo à noite da selecção portuguesa sub-21 anos, espero não se criem novos mitos no futebol português, como a "geração de ouro" e outros que tais. Ganhar será sempre bom, mas isso não garante estarmos na presença de embriões de grandes jogadores, muito menos assegura o tal futuro radioso para a selecção sénior.

Eu sei que existe um "gap" entre a selecções sub-20 e sub-21, sendo esta constituída maioritariamente por jogadores já com 22 e 23 anos (nascidos a partir de Janeiro de 1992), futebolisticamente bem mais "maduros" e portanto com menos hipóteses de uma avaliação incorrecta do seu potencial. Mas como exemplo lembro que da selecção campeã de sub-20 em 91 (Lisboa) apenas quatro dos jogadores titulares na final fizeram carreiras de alto nível (Figo, Rui Costa, J. V. Pinto e Jorge Costa - Nelson, Peixe e Rui Bento ficaram-se pelo "assim-assim") e se recuarmos a 1989 (Riade), o grupo restringe-se a J. V. Pinto (repetente em Lisboa). Os restantes nunca passaram da mediania, com excepção de Paulo Sousa que era suplente, jogava a extremo-direito e acabou por fazer a sua carreira como "pivot" defensivo.

Cuidado, pois, com a falta de rigor e os entusiasmos excessivos...

quinta-feira, agosto 18, 2011

Selecção sub-20: atenção aos mitos

Agora que a selecção portuguesa de sub-20 se apurou para a final do Mundial da categoria, espero não se inventem novos mitos do tipo geração dourada" ou "geração da coragem", como já ouvi chamar a esta equipa que, nos seus princípios e modelo de jogo, tem grandes semelhanças com a Grécia do Euro 2004 que tão vilipendiada foi. Não pode haver dois pesos e duas medidas.

Como já aqui afirmei, da selecção campeã de 1989 apenas Fernando Couto, João Pinto e Paulo Sousa fizeram carreira  na selecção principal - e Sousa era extremo direito e suplente. Já se falarmos de 1991, apenas com Luís Figo, Rui e Jorge Costa (João Pinto era uma repetição) tal aconteceu com regularidade (Nelson teve uma carreira com mais baixos que altos e Abel Xavier era suplente). Emílio Peixe, considerado o melhor jogador do torneio, nunca se imporia de modo consistente. Da equipa sénior que iniciou o jogo da a meia-final do Euro 2000 contra a França, talvez a melhor selecção portuguesa depois de 1966, apenas faziam parte 4 jogadores titulares das selecção sub-20 de 1989 e 1990: Fernando Couto, Jorge Costa, Luís Figo e Rui Costa. João Pinto foi suplente nesse jogo e Aber Xavier era suplente em 1991.

As selecções jovens servem fundamentalmente para formar jogadores - e não para ganhar títulos - e países como a França, Itália, Inglaterra e Holanda nunca foram campeões. E a Alemanha, na altura ainda RFA, foi-o apenas uma vez e no já longínquo ano de 1981, tal como a Espanha o foi no já mais recente ano de 1999.

sábado, junho 30, 2007

O Mundial de sub-20

Fui dos que sempre considerei sobrevalorizados os resultados conseguidos pelas selecções portuguesas de futebol nas categorias de formação, dos quais os títulos de 89 (Arábia Saudita) e 91 (Portugal) foram os mais expressivos. Em primeiro lugar, porque sempre considerei que sendo categorias de formação os títulos não seriam o mais importante, dando como exemplo os poucos títulos conquistados nesta categoria (sub-20) pelas principais selecções europeias, algumas campeãs do mundo absolutas por várias vezes. Em segundo lugar, porque era de opinião que esses títulos tinham sido obtidos na base de uma certa "terceiro-mundização" do futebol jovem em Portugal, juntando jogadores em estágios intermináveis tal como, com o objectivo de sobressaírem politicamente através da conquista de títulos, o fariam as selecções de fora da Europa. Era, em certa medida, uma reincarnação futebolística do hóquei em patins “patriótico” dos anos 40 e 50 do século XX, modalidade que se sonegava aos portugueses ser de expansão e expressão reduzidas ou quase inexistentes. Ao “navegar” pelo site “Mais Futebol”, a propósito do Mundial de sub-20 que começa por estes dias, extraí, em prova da minha tese, as seguintes conclusões:
  1. Nunca a Itália (4 vezes campeã do mundo absoluta) ganhou a prova. Nem sequer esteve presente em qualquer final.
  2. A Alemanha (tri campeã do mundo absoluta) venceu apenas uma vez: no longínquo ano de 1981 venceu por 4-0 o Qatar(!) na final. Participou em apenas mais uma final, em 1987 no Chile, tendo perdido com a Jugoslávia 5-4 (gp).
  3. Para além de Portugal (vitórias citadas) e da Alemanha, apenas a URSS, em 1977, a Jugoslávia, 1987 e a Espanha, já em tempos “históricos” - 1999, foram campeãs, esta vencendo na final o Japão(!) por 4-0.
  4. Potências do futebol europeu como a França, a Holanda (ambas com pergaminhos na formação) ou a Inglaterra nunca estiveram sequer presentes numa final. Já não falando de médias potências como a Suécia, Dinamarca, Roménia, etc.
  5. Os grandes vencedores são países não europeus: Brasil e Argentina somam 9 vitórias, contra 6 dos europeus.
  6. Por fim, dos jogadores portugueses mais votados para eleger o melhor do torneio, nenhum deles fez uma carreira de sucesso: Emílio Peixe foi considerado o melhor em 1991, Paulo Torres o 3º no mesmo ano e Dani o 2º em 1995.

E pronto... Disse!