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sexta-feira, junho 28, 2013

Daniel Bessa na "Quadratura do Círculo"

Deixemos de lado a greve geral, não por falta de importância ou de matéria, muito menos por desconsideração, mas porque, um pouco por todo o lado, já se disse tudo ou quase tudo sobre o assunto. E deixando de lado a greve geral e os golos de Bruma (amigos "lagartos", vão ver-se "à rasca" para o segurar até que consiga render-lhes bom dinheiro) o momento do dia foi a passagem de Daniel Bessa, economista, professor catedrático e ministro da Economia do governo de António Guterres, pela "Quadratura do Círculo". E porquê? Porque foi não só exemplo acabado de um académico prestigiado(?) que mais não fez do que alinhavar, num discurso, aliás, confuso e incoerente, alguma da vulgata mais primária do ultra-liberalismo, incapaz de um qualquer raciocínio político inteligente e mais aprofundado sobre a actualidade europeia e nacional, como se sujeitou, desse modo, a ser literalmente humilhado (é o termo), quase achincalhado, pela profundidade e capacidade de análise política de José Pacheco Pereira e também, embora em menor grau, de António Costa - que, aliás, até pareciam manifestamente incomodados com a situação gerada. Direi que em função do "curriculum" do convidado foi dos momentos mais penosos a que me foi dado assistir em televisão nos últimos tempos.

Mas a questão não se fica por aqui. Daniel Bessa foi ministro da Economia de um governo socialista, na segunda metade dos anos noventa. E das duas uma: ou mudou desde esse tempo, de forma radical e talvez demasiado rapidamente, a sua visão do mundo e da vida, ou o Partido Socialista tem muito pouco cuidado na escolha dos seus governantes. Isto, claro está, não querendo acreditar que a triste imagem transmitida ontem por Daniel Bessa seja o espelho do estado a que o PS chegou. Não quero mesmo.

sexta-feira, junho 21, 2013

Uma vez mais os "subsídios"

Quem viu ontem a "Quadratura do Círculo" facilmente chega à conclusão que, do ponto de vista contabalístico/matemático, António Lobo Xavier tem razão: se o governo optasse por pagar agora a totalidade do subsídio de férias a funcionários públicos e pensionistas, uma vez que já pagou em duodécimos metade do valor do subsídio de Natal, estes ficariam a ganhar quando comparada a situação com um ano "normal", isto é, com ambos os meses-extra de vencimento recebidos em Junho e Novembro, como era regra. O problema é que, em primeiro lugar, esta argumentação tem todo o ar de ter sido construída "a posteriori" (foi Lobo Xavier, que até nem é membro do governo, a primeira personalidade da área da "maioria" a explicitá-la) e, em segundo lugar, a questão não se limita, nem é na sua essência contabilística, é política, e sendo o governo um orgão de Estado a quem compete fazer política, acabou por se demitir desta sua função essencial dando azo a um sem número de contra argumentações, estas sim, de ordem política, desde o querer "vingar-se" do Tribunal Constitucional, à intenção de chegar a Novembro e, de um ou outro modo, não pagar, passando pelo objectivo bem claro de contrair ainda mais a procura interna (útil ouvir e ler o que Pedro Lains tem dito e escrito sobre o assunto). Pelo caminho indispôs cerca de três milhões de portugueses e colocou a nu as contradições entre vários organismos de Estado, principalmente entre governo e um número não negligenciável de autarquias.

Digamos que politicamente foi um desastre, mas que serve pelo menos para demonstrar de forma clara, agora dito pela voz de Lobo Xavier, a tese dos que defendem, como eu, que é vantajoso para todos - Estado, empregados e empregadores - integrar os chamados 13º e 14º mês no salário anual e pagar este em doze prestações. Existindo aqui base para um consenso (António Costa demonstrou ontem não se opor à ideia e os portugueses não são estúpidos, perceberiam dos benefícios), e até podendo ser deixada a opção às empresas privadas, confesso não entendo as hesitações.