- A alguns dos meus amigos sportinguistas que me acusavam das piores malfeitorias e intenções as mais tenebrosas por ter afirmado que a frase mais certeira que tinha ouvido, no últimos tempos, a um responsável de um clube de futebol, tinha sido a proferida por José Eduardo Bettencourt quando disse (e cito de cor) "o SCP gasta de menos para ser campeão e demais para ser apenas terceiro", pergunto agora:" o que fez Bruno de Carvalho senão baixar o orçamento do clube para um nível compatível com os seus objectivos realistas, esperando, se tudo correr muito bem à equipa e muito mal aos seus adversários, possa aspirar, a prazo, a algo mais? Talvez, neste aspecto, seja tempo de deixarem de ter a memória curta e fazerem finalmente alguma justiça a JEB por, em meia dúzia de palavras, ter conseguido diagnosticar um problema-chave do clube e "alivanhar" um caminho futuro a percorrer.
- "Espero uma reacção hostil no Dragão". Esta foi a frase-chave da entrevista de ontem de Bruno de Carvalho à SportTV, pois parece querer significar que, finalmente, o SCP passa a ter uma estratégia autónoma, de rivalidade directa para com SLB e FCP, e deixa de a subordinar, ao contrário do que aconteceu em todo o século XXI, a terceiros. Quer isto dizer que o SCP passa a considerar SLB e FCP num plano de igualdade, deixando de considerar o SLB como "alvo prioritário a abater" e abdicando de se limitar ao aproveitamento de algum espaço deixado vago por eventuais distracções portistas para um título conseguido "aqui e ali". Para trás parecem ter também ficado as nada inteligentes e falhadas tentações dos últimos anos e, principalmente, da direcção de Godinho Lopes em se assumir como um "copycat" do SC Braga, ao estilo "me too, but bigger". Verdade seja dita que, após os fracassos das últimas quatro épocas, ditados fundamentalmente pela recuperação benfiquista, dificilmente restaria a Bruno de Carvalho um outro caminho. Mas sabendo de antemão não ter o SCP o "músculo financeiro" de SLB e FCP nem as condições internas e externas do SC Braga (apoio autárquico maciço, ausência de "pressão", etc), resta saber se as condições existentes, incluindo um "modelo de negócio" fundamentalmente baseado na "produção" da Academia, serão suficientes para alimentar a estratégia ou se não estamos apenas perante mais um acto de puro voluntarismo. Veremos.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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terça-feira, setembro 17, 2013
Duas notas sobre o Sporting Clube de Portugal
sexta-feira, julho 29, 2011
Um "lampião" fala do seu rival SCP
Acho foi José Eduardo Bettencourt que disse, e com toda a razão, que o SCP investia demasiado para ser apenas terceiro e de menos para conseguir ser um dos dois primeiros. Não sei bem porquê, ou melhor, sei mas não digo porque não quero perder a amizade dos meus amigos "lagartos", ultimamente, e perante as contratações do SCP neste "defeso", tenho-me lembrado muito desta frase.
domingo, janeiro 16, 2011
A demissão de J. E. Bettencourt e algumas considerações de um "lampião" sobre o momento dos seus amigos e rivais "lagartos"
Conforme por aqui, aqui e aqui fui afirmando, os objectivos e estratégia do SCP para o seu futebol - ser o segundo clube português em resultados desportivos (objectivo alcançado na primeira década do século XXI) aproveitando as “migalhas” deixadas cair pelo FCP (umas Taças de Portugal e da Liga e dois campeonatos nacionais), a péssima gestão desportiva do meu “glorioso” e baseando a sua política de recursos humanos na formação com uma ou outra contratação adicional - , embora adequados face à incapacidade do clube para gerar receitas significativas e à sua diminuta capacidade de endividamento, apenas poderiam surtir efeito enquanto o SLB não melhorasse a sua gestão desportiva e Portugal fosse conseguindo “meter” dois clubes directamente na Champions League, duas condições que o SCP não poderia dominar. E quem confia essencialmente em erros alheios e cenários que dificilmente pode influenciar...
Perante a mudança das premissas em que assentava a estratégia assumida até então, a direcção presidida por JEB mudou de rumo, tentando, com um orçamento bem menor , competir “taco a taco” com SLB e FCP. É uma estratégia sem sentido, que, como tal, levou o clube a cometer enormes erros nos seus planos de acção, quer na área de recursos humanos (contratações erradas ou sem qualidade quando comparadas com as de SLB e FCP) , quer na estrutura dirigente da SAD (Costinha, Paulo Sérgio, Couceiro e organização e definição de funções) ou na desvalorização da “marca” (venda do passe de Moutinho à concorrência). Centrar as críticas nestes (vamos chamar-lhes assim) “efeitos de realidade”, sem perceber a incorrecta definição de objectivos e a estratégia errada que está na sua base, é ver apenas a parte emersa do iceberg, o que conduz ao naufrágio e levará os meus amigos “lagartos” a centrarem a sua análise em “nomes” de futuros candidatos à substituição de JEB sem cuidarem de saber aquilo que é essencial: o que pode ser o SCP, em função do seu “heritage” mas tendo muito em conta as circunstâncias actuais, internas (fraca capacidade de atracção de adeptos, incapacidade para gerar receitas e endividamento) e externas (cena futebolística muito polarizada entre SLB e FCP; segundo clube de uma cidade onde a autarquia, ao contrário de outras, não se assume como “dona” do clube; economia em recessão e crédito dificultado)? É para esta pergunta que os sócios e adeptos “lagartos” terão que encontrar uma resposta antes de se lançarem na lotaria do “toto-presidente”. Eu, metendo a minha foice benfiquista em seara alheia e face às ameaças que SC Braga e VSC (essencialmente estes) representam para os ""lagartos, sugiro que, antes de tudo o mais, o SCP trate de consolidar a sua posição enquanto terceiro clube português, partindo dessa posição, depois de consolidada, para, de quando em vez, tal qual fez o SC Braga na época transacta mas com maior frequência, se intrometer na luta entre SLB e FCP. É duro? Provavelmente, mas é a realidade. E o que tem de ser tem muita força!
Perante a mudança das premissas em que assentava a estratégia assumida até então, a direcção presidida por JEB mudou de rumo, tentando, com um orçamento bem menor , competir “taco a taco” com SLB e FCP. É uma estratégia sem sentido, que, como tal, levou o clube a cometer enormes erros nos seus planos de acção, quer na área de recursos humanos (contratações erradas ou sem qualidade quando comparadas com as de SLB e FCP) , quer na estrutura dirigente da SAD (Costinha, Paulo Sérgio, Couceiro e organização e definição de funções) ou na desvalorização da “marca” (venda do passe de Moutinho à concorrência). Centrar as críticas nestes (vamos chamar-lhes assim) “efeitos de realidade”, sem perceber a incorrecta definição de objectivos e a estratégia errada que está na sua base, é ver apenas a parte emersa do iceberg, o que conduz ao naufrágio e levará os meus amigos “lagartos” a centrarem a sua análise em “nomes” de futuros candidatos à substituição de JEB sem cuidarem de saber aquilo que é essencial: o que pode ser o SCP, em função do seu “heritage” mas tendo muito em conta as circunstâncias actuais, internas (fraca capacidade de atracção de adeptos, incapacidade para gerar receitas e endividamento) e externas (cena futebolística muito polarizada entre SLB e FCP; segundo clube de uma cidade onde a autarquia, ao contrário de outras, não se assume como “dona” do clube; economia em recessão e crédito dificultado)? É para esta pergunta que os sócios e adeptos “lagartos” terão que encontrar uma resposta antes de se lançarem na lotaria do “toto-presidente”. Eu, metendo a minha foice benfiquista em seara alheia e face às ameaças que SC Braga e VSC (essencialmente estes) representam para os ""lagartos, sugiro que, antes de tudo o mais, o SCP trate de consolidar a sua posição enquanto terceiro clube português, partindo dessa posição, depois de consolidada, para, de quando em vez, tal qual fez o SC Braga na época transacta mas com maior frequência, se intrometer na luta entre SLB e FCP. É duro? Provavelmente, mas é a realidade. E o que tem de ser tem muita força!
quinta-feira, outubro 07, 2010
A entrevista de José Eduardo Bettencourt
Depois de José Eduardo Bettencourt ter afirmado que a primeira década do século XXI tinha sido, do ponto de vista de resultados desportivos, a segunda mais bem sucedida da história do SCP, Judite Sousa deveria ter contraposto uma pergunta muito simples: “então o que levou o clube a mudar de estratégia, deixando de apostar fundamentalmente na consolidação financeira e na formação e passando a tentar, com armas desiguais, competir no mercado com os seus rivais SLB e FCP?” Eu sei a resposta: tratava-se de uma estratégia só passível de sucesso enquanto a péssima gestão desportiva do SLB o permitisse e a posição de Portugal no “ranking” da UEFA possibilitasse a entrada directa de duas equipas na Champions League. Mas gostava de saber como teria JEB respondido à questão...
Já agora: é comum ouvir por aí a pergunta sobre quem será o 4º grande. Já foi o Belenenses, depois o Boavista e agora talvez o Braga. Seria bem mais interessante se a imprensa desportiva se interrogasse sobre se ainda haverá lugar para três grandes no futebol português e, sendo a resposta negativa, qual dos três clubes (SLB, FCP e SCP) irá a prazo mais ou menos curto abandonar o grupo.
Já agora: é comum ouvir por aí a pergunta sobre quem será o 4º grande. Já foi o Belenenses, depois o Boavista e agora talvez o Braga. Seria bem mais interessante se a imprensa desportiva se interrogasse sobre se ainda haverá lugar para três grandes no futebol português e, sendo a resposta negativa, qual dos três clubes (SLB, FCP e SCP) irá a prazo mais ou menos curto abandonar o grupo.
quinta-feira, abril 08, 2010
Que quer a direcção do SCP?
Aqui há uns anos o SCP tinha uma estratégia realista: sanear financeiramente o clube e, consequentemente, limitar o investimento na contratação de novos jogadores, privilegiando a formação. Para isso contratou Paulo Bento, ex-treinador dos juniores, e, com ele, beneficiando dos erros de gestão do SLB e da “colagem” ao FCP, conseguiu ser o segundo clube em títulos na primeira década do século. Em função dos recursos disponíveis, e para mal do meu “glorioso”, objectivo cumprido.
Agora que o renascimento benfiquista e o estreitamento do acesso à Champions League puseram em causa tal estratégia, parece procurar novo treinador (o costume...), mas o que me parece ser prioritário para a nova direcção dos meus amigos “lagartos” é começar por pensar e definir o que quer para o clube e partir daí para tudo o resto. E o que a direcção de JEB quer para o SCP parece que ainda ninguém percebeu. Ou melhor, todos já percebemos: quer competir com o SLB e o FCP. O problema é que, com recursos financeiros e capacidade de endividamento bem menor, limita-se a ter dificuldade em encarar e admitir perante sócios e adeptos essa impossibilidade!
Agora que o renascimento benfiquista e o estreitamento do acesso à Champions League puseram em causa tal estratégia, parece procurar novo treinador (o costume...), mas o que me parece ser prioritário para a nova direcção dos meus amigos “lagartos” é começar por pensar e definir o que quer para o clube e partir daí para tudo o resto. E o que a direcção de JEB quer para o SCP parece que ainda ninguém percebeu. Ou melhor, todos já percebemos: quer competir com o SLB e o FCP. O problema é que, com recursos financeiros e capacidade de endividamento bem menor, limita-se a ter dificuldade em encarar e admitir perante sócios e adeptos essa impossibilidade!
Assim, vai-se entretendo e entretendo-os...
quinta-feira, janeiro 21, 2010
José Eduardo Bettencourt, Sá Pinto e o populismo
Ricardo Sá Pinto não foi um jogador de eleição; um Luís Figo ou um Rui Costa que pelo seu virtuosismo, pela sua carreira internacional e títulos e prémios conquistados pudesse constituir uma referência a esse nível. Muito menos foi um Mário Coluna, um Humberto Coelho, mesmo um Vítor Damas (para citar alguém do SCP) , líderes que pelo seu profissionalismo e atitude dentro e fora de campo eram respeitados por companheiros, adversários, árbitro e dirigentes, constituindo um exemplo para todos eles. Pelo contrário: foi um jogador mediano, com uma carreira internacional sem grande relevância, mais notado pelo seu feitio irascível e pela sua instabilidade emocional do que pela qualidade técnica do seu futebol ou o respeito que inspirava. Por último, protagonizou um dos episódios mais lamentáveis do futebol português, ao agredir, de forma premeditada, o então seleccionador nacional. O ter voltado, depois disso, a vestir a camisola da selecção, apenas demonstra a falta de rigor e a pusilanimidade com que episódios deste tipo são normalmente resolvidos em Portugal – e não só no futebol, infelizmente. Por menos do que isso, apenas porque acontecido no “calor” de um jogo e não de forma premeditada, foi João Pinto afastado – e muito bem - dessa mesma selecção nacional. Nada, portanto, recomendaria o profissional Ricardo Sá Pinto para a cargo que veio a ocupar na estrutura dirigente do SCP. Ao chamá-lo a ocupar o lugar de director desportivo, José Eduardo Bettencourt nada mais fez do que ceder ao populismo da rua sportinguista, a mesma que forçou o despedimento de Paulo Bento, tentou invadir instalações privadas do estádio e exigiu o investimento em contratações no mercado de Janeiro cujo retorno o futuro se encarregará de analisar. Agora, ao manter Liedson no activo ao mesmo tempo que despede o respectivo superior hierárquico, apenas continua esse caminho de cedências, já que a mesma rua sportinguista que exigiu Sá Pinto lhe não perdoaria futuras derrotas atribuíveis ao afastamento do avançado.
Vindo JEB da Banca, onde o rigor e a seriedade são (ou eram, pelo menos até há bem pouco tempo) valores intocáveis, e tendo em atenção a sua formação académica, não deixa de ser estranha esta sua opção gestionária, só compreensível, mas não aceitável, como tentativa de se distanciar do perfil e práticas do seu antecessor. Faz mal- digo eu, seu adversário benfiquista: quem cede ao populismo mais desbragado acaba sempre por perecer às suas mãos.
Vindo JEB da Banca, onde o rigor e a seriedade são (ou eram, pelo menos até há bem pouco tempo) valores intocáveis, e tendo em atenção a sua formação académica, não deixa de ser estranha esta sua opção gestionária, só compreensível, mas não aceitável, como tentativa de se distanciar do perfil e práticas do seu antecessor. Faz mal- digo eu, seu adversário benfiquista: quem cede ao populismo mais desbragado acaba sempre por perecer às suas mãos.
quarta-feira, outubro 14, 2009
O terrível dilema do SCP de J. E. Bettencourt
“Um orçamento insuficiente para ser 1º ou 2º e demasiado elevado para ser apenas 3º”. Quem o disse, colocando o dedo na ferida, foi José Eduardo Bettencourt, confirmando o que aqui tenho dito: a estratégia seguida pelo SCP nos últimos anos só teve sucesso devido à péssima gestão desportiva do SLB e à possibilidade do 2º classificado do campeonato português disputar automaticamente a Champions League. Não é sustentável, em condições normais, e por isso agora estão “à rasca”!
Resta saber como vai JEB, perante uma nova realidade e “partindo da última linha da grelha”, resolver o problema sem esperar pelos eventuais erros cometidos pelo SLB ou pelo FCP. Investir, endividando-se, com todos os riscos daí inerentes (há lugar para 3 grandes em Portugal?), para lutar contra eles, ou desinvestir arriscando a “belenensização”? Eu, benfiquista, não lhe queria estar na “pele”, mas se alguém deveria ansiar pela integração da liga portuguesa numa liga ibérica, esse alguém deveria ser, acima de todos os outros, o SCP de JEB.
Resta saber como vai JEB, perante uma nova realidade e “partindo da última linha da grelha”, resolver o problema sem esperar pelos eventuais erros cometidos pelo SLB ou pelo FCP. Investir, endividando-se, com todos os riscos daí inerentes (há lugar para 3 grandes em Portugal?), para lutar contra eles, ou desinvestir arriscando a “belenensização”? Eu, benfiquista, não lhe queria estar na “pele”, mas se alguém deveria ansiar pela integração da liga portuguesa numa liga ibérica, esse alguém deveria ser, acima de todos os outros, o SCP de JEB.
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