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quarta-feira, abril 30, 2014

Jorge Coelho: "back in business"

O que apetece perguntar sobre este regresso à ribalta política de alguém que representa o que de pior existe em alguns partidos políticos e é, em certa medida, responsável pelo afastamento entre eleitores e eleitos, seja, o "aparelhismo" e a promiscuidade entre o interesse público e os interesses privados, o que apetece perguntar - dizia - é que significado pode ter este seu regresso pela mão de Seguro e quais as vantagens ou benefícios ele pode trazer à vida política - no geral - e aos resultados que o Partido Socialista pretende obter em próximas eleições - em particular. Mas Jorge Coelho e o seu estilo "bulldozer" parecem transportar consigo um certo "estado de graça" (ou de "engraçadismo") que nenhum jornalista parece muito interessado em questionar.

terça-feira, maio 22, 2012

O regresso do velho "Coelhone"


O mínimo que se pode dizer desta afirmação de Jorge Coelho, agora do alto da sua posição de CEO da Mota-Engil onde, recorde-se, chegou por via das funções públicas que exerceu, é que é muito feio renegar e denegrir os seus. E que, partindo do princípio estaria então em pleno gozo das suas faculdades mentais - do que não duvido -, teria sido bem melhor se tivesse lembrado de fazer esta afirmação antes de ter exercido as tais funções públicas de que fala e que o guindaram à posição que hoje ocupa. Ou será que Portugal e o mundo mudaram assim tanto ao ponto de ser hoje verdade o que não o era há dez ou quinze anos? No fundo, são estas afirmações e percursos como o de Jorge Coelho (note-se que está longe de ser caso único) que acabam por contribuir para o desprestígio da vida política e de quem exerce... as tais funções públicas. De um ex-político esperar-se-ia exactamente o contrário: um apelo às participações cívica e política e um contributo para a sua valorização e prestígio. Mas pergunto-me se uma actividade política valorizada e prestigiada teria permitido a Jorge Coelho o seu conhecido percurso.

quarta-feira, abril 01, 2009

O "caso Freeport" e o estado de direito

Em entrevista à SIC, Jorge Coelho declara que o “caso Freeport” está a desagregar o estado de direito. Não irei tão longe, talvez tentando transformar os meus desejos em realidade, mas direi que estará pelo menos a dar uma grande ajuda.

Mas a verdadeira questão é que o tal “caso Freeport” não é algo de abstracto, nascido, criado e mantido do e no nada, nem sequer objecto alienígena. O “caso Freeport” é algo de bem real e concreto: aquilo que governo, oposição, “media”, aparelho judicial, etc, todos eles instituições do estado de direito e que, enquanto tal, deveriam em primeiro lugar ajudar na sua edificação e manutenção, construíram, dele têm feito e, todos os dias, despudoradamente alimentam. Uns por necessidade, outros por inépcia; outros por ganância, ainda outros por pura e simples incompetência. Todos eles, sem excepção, ajudando a cavar a sua própria sepultura. Parece que ainda não perceberam... Ou será contra a sua natureza fazerem diferente?

quinta-feira, maio 15, 2008

O regresso de Jorge Coelho

Uma ou duas pequenas notas sobre esta afirmação de Jorge Coelho:

O que o país precisa não é, essencialmente, de infra-estruturas que suportem o seu desenvolvimento. Utilizando uma expressão muito popular: “para esse peditório andamos há muito a contribuir”. O que o país precisa é, isso sim, de um modelo de desenvolvimento equilibrado e sustentado que quebre de vez com o ciclo do betão e das exportações de baixo valor acrescentado produzidas por empresas de baixa produtividade e baseadas em mão de obra desqualificada e mal paga. Claro que este não é o modelo que mais convém à empresa onde Jorge Coelho exerce actualmente as funções de administrador (aqui para nós: far-lhe-ia bem um período de “nojo” mediático, um certo luto da palavra, embora todos saibamos ao que vai e o que a ambos – Jorge Coelho e Mota-Engil - move), e também, face á revisão em baixa do crescimento da economia portuguesa e às dificuldades que a crise internacional irá causar à expansão das exportações, aquele do qual o governo irá tirar maiores proveitos no curto prazo. Mas este é na realidade o drama: se não cresço não ganho eleições, para crescer e ganhar eleições nada como a velha receita. Pelo menos – secreta esperança – que o governo a saiba aplicar com alguma dose de bom senso e parcimónia quanto baste, à espera de melhores dias. É que é já pedir tão pouco...
PS: já agora uma vista de olhos ao nome de outros dois participantes na conferência: Augusto Mateus e Fernando Nunes da Silva, dois dos "mentores" do projecto da "mega cidade aero-portuária". Nada mais a acrescentar...

domingo, abril 13, 2008

"Coelhone"

Digamos que a circulação de políticos entre os governos, o Estado e as empresas é uma inevitabilidade e que, como inevitabilidade que é, não se combate com legislação, com proibições e períodos de “defeso”, com mais ou menos “nojo”, mas com transparência (sim eu sei, a palavra é abominável) que permita avaliar de que modo e quando alguns dos seus actos prejudicam ou favorecem A ou B em favor ou desfavor de C ou D, ou vice-versa. Isto porque, com ou sem “nojo”, com ou sem proibição ou defeso, ela – essa circulação ou colaboração - acontece com e apesar delas – das proibições – contribuindo um cerco demasiado apertado apenas para definir o modo como queremos que se faça: às claras, como acontece agora com Jorge Coelho e aconteceu com outros no passado, ou “à socapa”, por debaixo da mesa nos bares de “Speakeasy, como na “Prohibition”, à margem do escrutínio público.

Tendo dito isto, o caso Jorge Coelho apresenta uma especificidade que o torna mais apetecível para os media e, logo, para o escrutínio público – o que é positivo -, e essa especificidade chama-se... Jorge Coelho. E porquê?

Bom, bem ou mal Jorge Coelho não é visto como um pensador ou um estratega da política, muito menos um teórico com obra publicada, um mestre do discurso florentino. Ele não é o nº 10, o tecnicista que com um passe inteligente, duas fintas de génio a tirar o adversário do caminho, abre a defesa adversária para que o “matador” da equipa complete a jogada. Jorge Coelho é o “carregador de piano”, aquele que leva a equipa às costas e a quem se recorre nas ocasiões de grande dificuldade, quando tudo ou quase parece perdido. Pelo contrário, ele é o “Coelhone” do “Contra-Informação”, alguém com grande sensibilidade política, como lhe chamou Pacheco Pereira, não sei se Jorge Coelho se apercebendo, com essa mesma sensibilidade política que Pacheco Pereira lhe atribui, que, vindo de quem vem, de um intelectual e de um pensador político, isso estaria longe de corresponder a um elogio. Mais ainda, não é alguém, como António Vitorino, por exemplo, que conquistou as suas estrelas, a sua aura cosmopolita, fora do país, num lugar de responsabilidade na capital política europeia, o que lhe permite ter feito o mesmo que Jorge Coelho e continuar a tecer algumas considerações, mais ou menos inócuas e medidas ao milímetro dos seus próprios interesses, em horário nobre da televisão pública sem que ninguém pareça interessar-se muito por isso, por essas considerações e pela sua nula importância. Nada disso. Jorge Coelho sempre foi visto como um representante das bases, da província política, o seu alter ego por elas colocado num lugar de responsabilidade na hierarquia do partido para defender os seus “interesses” no Largo do Rato, no antigo Palácio dos Marqueses da Praia. É alguém que, acham, aparenta ser como eles: no modo como se exprime, em alguma rudeza dos seus traços físicos e no modo como se veste, no militantismo e numa aparente desvalorização do calculismo e do jogo político. É isso mesmo que parece transparecer na sua célebre frase “quem se mete com o PS, leva”, devendo este PS ser aqui interpretado como o partido desses mesmos militantes, das “bases”, lutando nesse Portugal profundo, acham eles que com a quase indiferença da maioria de uma direcção partidária que falará uma outra linguagem, ao contrário de Jorge Coelho de quem se sentem perto, pelo “seu” partido.

Quer se queira quer não, é este perfil de Jorge Coelho, aparentemente tão desajustado ao lugar que agora vai ocupar, talvez mesmo visto pelo PS profundo como um “traição” a um ideário desde cedo assumido, que contribui para um avolumar da mediatização do seu caso e para o impacto e estrondo causados, embora, na realidade, apenas isso, e não a sua essência, possa constituir uma diferença face a tantos casos anteriores ou futuros: simplesmente, it doesn’t fit...