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segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Catroga no "Público"

Tenho respeito profissional por Eduardo Catroga, com ou sem "pintelhices". Pelo facto de ter sido excelente aluno (o que por vezes pouco significa) mas, principalmente, pelo seu percurso num grupo empresarial que tinha fama, e também proveito, de ser excelente escola de quadros: quem fez nele um percurso como o de Eduardo Catroga só pode mesmo ser competente. Para além disso, quando chegou à política Catroga não era um arrivista em busca de enriquecimento rápido, era também já alguém com provas dadas e proveitos financeiros adquiridos no decurso da sua vida profissional. Politicamente, já o caso é outro: discordo de muitas das suas opções, do seu estilo um tanto ou quanto "trauliteiro" e até acho que terá tanto jeito para a política como eu... sei lá, para desenhar, actividade na qual sou perfeita e assumida nulidade.

Mas vem este preâmbulo a propósito do artigo/panegírico editado hoje pelo "Público" e assinado por São José Almeida. Duas questões me assaltam depois da respectiva leitura:
  1. Será que o "homem" (Catroga) não tem defeitos? Bom, a não ser que se assuma como tal o facto de ser amigo de Cavaco Silva. Enfim, pode ser, já que tendo travado conhecimento, "in illo tempore", com o Cavaco Silva-professor, concordo que ser seu amigo só pode mesmo ser defeito.
  2. Estranho que o artigo/panegírico seja assinado por alguém  (São José Almeida) cujas posições políticas, expressas nos seus artigos de opinião publicados no jornal, estão sempre muito próximos da esquerda radical. Malhas que Azevedo tece?

terça-feira, maio 10, 2011

Eduardo Catroga no "Prós & Contras"

Tinha dito aqui que algumas das propostas incluídas no programa eleitoral do PSD, concorde-se ou não com elas, possíveis ou impossíveis de implementar, poderiam, no curto-prazo, ser capazes de inverter, ou estancar, a tendência decrescente do partido revelada pelas últimas sondagens. Tinha dito, repito, já que depois da desastrosa prestação de Eduardo Catroga no "Prós & Contras" de ontem (mais uma) começo a duvidar tal se possa vir a concretizar. Crispado, "contra tudo e contra todos", por vezes a roçar a má-educação ou mesmo a grosseria, Catroga mais parecia, por vezes, o "camarada" Américo Duarte, primeiro deputado eleito pela UDP, ou o tempo de antena de um partido extremista radical nos idos de 70 do século passado, do que um professor universitário com bem sucedida carreira de gestor no sector privado e dirigente (de facto, embora não de jure) de um partido do "arco governamental" que pode bem vir a nomear o próximo primeiro-ministro do governo português. Pior: deixou que o debate se centrasse num tema (a redução da TSU) que, além de controverso e um pouco esotérico para muitos eleitores, pelo modo pouco claro como é abordado no programa eleitoral do PSD se presta facilmente a um contra-ataque do PS, agitando este a possibilidade do aumento de impostos a que porventura tal medida obrigará. Como que para confirmar tal radicalismo, acabou a apontar para o "dossier" que continha o programa eleitoral do PSD quase como um guarda da revolução agitava o "livrinho vermelho" de Mao Tse Tung. No meio de tudo isto, bastou a Silva Pereira assumir um certo "low-profile" responsável e a António Pires de Lima (que deve ter cerca de menos vinte anos de idade do que Catroga) adoptar uma atitude quase paternalista de quem se mostra agastado com os devaneios radicais e um pouco irreflectidos do filho imaturo e nem sempre demonstrando a boa educação porventura recebida. Quando tudo parecia indiciar um 2 contra 1 (Catroga e Pires de Lima contra Silva Pereira), o bom do ex-assistente de Economia de Empresa (se bem me lembro...)da minha velha escola acabou por ficar sozinho contra o mundo e sujeitar-se a que Pires de Lima invocasse a amizade entre ambos para com mais autoridade o criticar. Um desastre!

Para concluir, quer-me bem parecer que ao adoptar o discurso e comportamentos do anti-sócratismo mais primário e radical, de uma algo reduzida mas visível e barulhenta "vanguarda" activista anti-Sócrates, o PSD estará a tomar a nuvem por Juno e, em vez de alargar o seu leque de apoiantes, arrisca-se a afastar de si um número elevado de potenciais eleitores. Como ainda não viu isto é para mim insondável mistério.   

sexta-feira, maio 06, 2011

Catroga...

Não contente com as sondagens pouco favoráveis, Eduardo Catroga lá veio mais uma vez ameaçar "que faz e acontece", que vai fazer uma "revolução" no "Estado gordo" (não diz o que acontece ao magro...), que o PSD "irá muito mais longe" que a "troika", que as empresas públicas etc e tal e assim sucessivamente. O que Eduardo Catroga ainda não terá percebido é que depois esperarem medidas mais radicais e penalizadoras no curto-prazo, os portugueses, por muitos sacrifícios que tenham de vir a enfrentar, suspiraram agora de alívio e vêem o "memorando de entendimento" como uma bóia, uma tábua de salvação a que se podem agarrar para não se afogarem já e terem algumas hipóteses de sobrevivência futura, uma garantia de que nada de pior lhes irá acontecer. Por isso mesmo, querem ouvir falar de tudo menos de "revoluções", "medidas que vão mais longe", confusões acrescidas e coisas do género. Querem segurança, e neste momento, por muito penalizador que ele seja, essa mesma segurança é-lhes garantida pelo acordo de resgate e por quem não levante muitas ondas. Paulo Portas e o CDS já perceberam isso há muito, mas parece que a S. Caetano entrou em paragem cerebral. Tanto pior para eles. 

quarta-feira, maio 04, 2011

Profissionalismo!

Podemos gostar muito, pouco ou nada de José Sócrates, odiá-lo ou achar que é o "guia supremo", mas uma coisa será impossível negar, mesmo pelos "anti-sócratistas" mais empedernidos: o extremo profissionalismo com que geriu todo este processo do PEC IV e do resgate externo. Sabendo, depois do discurso de posse do Presidente da República (ou até desde o célebre e infelizmente tão esquecido episódio das escutas), que as eleições antecipadas eram inevitáveis, José Sócrates definiu um objectivo bem preciso (eleições, sim, mas no momento e nas condições mais favoráveis e ditadas pelo PS) e desenvolveu um guião, uma estratégia e plano de acções, que cumpriu à risca, sem se desviar um milímetro do que realmente lhe importava. Colocou o PSD em dificuldades internas e perante as instâncias europeias quando da apresentação do PEC IV, responsabilizando o partido de Passos Coelho pelo seu "chumbo" e afastando Cavaco Silva do processo; organizou um congresso do PS demonstrativo de força e unidade; ofereceu ao "joker" Ferro Rodrigues o lugar de maior destaque nas listas do partido; deixou que os "media" e os economistas-militantes do "plano inclinado" caíssem na esparrela, pouco importa se com a ajuda ou não de falsas informações "sopradas" pelo governo, do catastrofismo e do anúncio de hipotéticas medidas emblematicamente mais penalizadoras, vendo a árvore e esquecendo a floresta; e, por fim, no momento certo, depois do PSD se ir desgastando saltando de disparate em disparate e dando mostras de falta de coesão interna, anuncia um acordo que todos consideram vantajoso e prova que fez bem em adiar o recurso ao resgate externo: sem os problemas sofridos por Grécia e Irlanda e o que se aprendeu com tais erros, dificilmente Portugal conseguiria obter um acordo tão favorável. Digamos que cortou orelhas e rabo e sai em ombros pela porta grande, deixando na arena um PSD estonteado sem perceber muito bem que camião lhe passou por cima. Uma grande faena!

Nota: Nunca o PSD deveria ter designado Eduardo Catroga para responder ontem à comunicação ao país de José Sócrates. O assunto era político, e Catroga é muito mais um economista do que alguém com a enorme experiência e expertise política que a tarefa requeria. Mais, tem-se deixado enredar demasiado nas teias do anti-sócratismo mais radical e o momento exigia alguém com a postura de estadista de um... Paulo Portas. O problema é que olhamos para o PSD e só vemos... Miguel Relvas.