Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sábado, setembro 05, 2009
Cavaco Silva
Sobre as alegadas escutas denunciadas por seus assessores, que a acontecerem seriam de extrema gravidade para o Estado de Direito, Cavaco Silva não se pronuncia para não distrair os portugueses. Sobre as pressões sobre Alexandre Relvas, anunciadas por um militante de sempre do PSD, Jorge Bleck, idem. Em relação a Manuel Dias Loureiro, por si nomeado para o Conselho de Estado, manteve a confiança política muito para além dos limites do sustentável (e suportável). Na sua visita à Região Autónoma da Madeira não se lhe ouviu uma palavra sobre o papel que Alberto João Jardim reservou para a oposição, atentatório dos mais elementares princípios democráticos. No meio de tudo isto, há ainda uma ridícula história de um enfermeiro despeitado por quem o Presidente resolve intervir ao arrepio do bom senso, exorbitando das suas funções e atropelando as de outros.
Contudo, agora, no caso do Jornal Nacional da TVI, quando teria sido bem mais sensato e prudente informar-se previamente junto do primeiro-ministro e da Media Capital, mover discretamente as influências que eventualmente houvesse para mover na salvaguarda de uma liberdade de informação hipoteticamente ameaçada, não resistiu a pronunciar-se publicamente exprimindo o desejo de que essa mesma liberdade de informação não estivesse em causa, esquecendo-se de que, como garante da constituição da República que a consagra, lhe compete a ele, em última análise, zelar pelo seu cumprimento e não interrogar-se publicamente sobre hipóteses, aumentando o ruído e a especulação mediática, neste caso parecendo já não se importar com a distracção dos portugueses.
Contudo, agora, no caso do Jornal Nacional da TVI, quando teria sido bem mais sensato e prudente informar-se previamente junto do primeiro-ministro e da Media Capital, mover discretamente as influências que eventualmente houvesse para mover na salvaguarda de uma liberdade de informação hipoteticamente ameaçada, não resistiu a pronunciar-se publicamente exprimindo o desejo de que essa mesma liberdade de informação não estivesse em causa, esquecendo-se de que, como garante da constituição da República que a consagra, lhe compete a ele, em última análise, zelar pelo seu cumprimento e não interrogar-se publicamente sobre hipóteses, aumentando o ruído e a especulação mediática, neste caso parecendo já não se importar com a distracção dos portugueses.
Mas, apetece-me agora perguntar, será que ainda existe um português, um cidadão, um eleitor, que não tivesse percebido qual o papel que Cavaco Silva quis assumir para si de há uns largos meses a esta parte? Sejamos claros: qual presidente de empresa descontente com a prestação do seu director-geral, Cavaco Silva resolveu há muito despedi-lo. Pois claro, mas existe, a nível das funções políticas do Estado, esse “pequeno” pormenor chamado democracia. Muito bem: tendo já contratado um sucessor para a função, Cavaco Silva precisa que o voto dos portugueses legitimize essa sua escolha. Digamos que, no mínimo, o seu papel tem sido dar uma boa ajuda para que isso aconteça: fritando o actual titular do cargo em lume mais ou menos brando; lançando-lhe cascas de banana; fazendo-lhe, mesmo que através de terceiros, a vida num inferno; expondo sem pudor algumas fragilidades mais ou menos conhecidas. Dog eat dog, pois claro. Baixa política pura e dura.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Um elogio prévio do novo 4X4X2 da selecção (corra bem ou corra mal)
Quem me lê, ou os amigos que têm a paciência de me ouvir, sabe que talvez a minha principal crítica a Scolari fosse o facto de não ter ousado mudar a tempo o modelo de jogo de longa data da selecção nacional de futebol, ou seja, antes do Europeu de 2004 quando teria tido tempo e condições para o fazer. Viciada num modelo de contra-ataque, assumindo assim uma inferioridade futebolística pouco envergonhada herdada das concepções de jogo provincianas de José Maria Pedroto, teria sido necessário a uma selecção portuguesa a jogar em casa, e naturalmente favorita, assumir esse seu favoritismo transmudando o seu modelo para um outro, de ataque continuado, que melhor permitisse ter êxito perante as equipas que defendem utilizando um bloco baixo com todos os seus jogadores atrás da linha da bola. Os resultados vieram dar-me razão, como prova o facto de a equipa não ter conseguido resultados positivos contra as equipas que, de modo mais ou menos assumido, assim jogavam: empate sofrido com a Inglaterra de Eriksson (vitória nos penalties) e duas derrotas contra a modesta, mas tacticamente bem preparada, Grécia.
Tendo dito isto, e não escondendo as minhas críticas de fundo à gestão de Carlos Queiroz, por aqui profusamente expressas, não posso deixar de saudar e manifestar o meu apoio ao novo modelo de jogo que parece estar subentendido neste novo 4X4X2 da selecção. Preenche melhor o meio - campo, com jogadores, como Meireles e Tiago (também Deco), capazes de lutar pela posse da bola, evitando assim que os centro-campistas adversários surjam embalados perante a defesa portuguesa (lembram-se do jogo de preparação com a Dinamarca, ainda com Scolari? Ou dos jogos com a Polónia?), mas, simultaneamente, também capazes de organizar desde os sectores recuados as transições ofensivas e de assegurar uma razoável circulação de bola; permite potenciar as qualidades de Liedson, algo que Scolari nunca conseguiu fazer com Pauleta; dá liberdade a Cristiano para jogar pelo centro e sobre as alas, neste caso permitindo as diagonais de Simão e o deslocamento de Deco e naquele as “verticalidades” de Bosingwa; enfim, pelo menos em teoria, permite que a equipa jogue mais à frente, circule mais a bola e consiga abrir mais brechas, com boas condições de finalização, contra equipas que concedem poucos espaços. Pelo menos em teoria...
Será talvez tarde, com pouco tempo de ensaios e em condições de alto risco. Pois... Mas isso seria uma outra conversa.
Aqui fica o elogio, para que conste, corra bem ou corra mal.
Tendo dito isto, e não escondendo as minhas críticas de fundo à gestão de Carlos Queiroz, por aqui profusamente expressas, não posso deixar de saudar e manifestar o meu apoio ao novo modelo de jogo que parece estar subentendido neste novo 4X4X2 da selecção. Preenche melhor o meio - campo, com jogadores, como Meireles e Tiago (também Deco), capazes de lutar pela posse da bola, evitando assim que os centro-campistas adversários surjam embalados perante a defesa portuguesa (lembram-se do jogo de preparação com a Dinamarca, ainda com Scolari? Ou dos jogos com a Polónia?), mas, simultaneamente, também capazes de organizar desde os sectores recuados as transições ofensivas e de assegurar uma razoável circulação de bola; permite potenciar as qualidades de Liedson, algo que Scolari nunca conseguiu fazer com Pauleta; dá liberdade a Cristiano para jogar pelo centro e sobre as alas, neste caso permitindo as diagonais de Simão e o deslocamento de Deco e naquele as “verticalidades” de Bosingwa; enfim, pelo menos em teoria, permite que a equipa jogue mais à frente, circule mais a bola e consiga abrir mais brechas, com boas condições de finalização, contra equipas que concedem poucos espaços. Pelo menos em teoria...
Será talvez tarde, com pouco tempo de ensaios e em condições de alto risco. Pois... Mas isso seria uma outra conversa.
Aqui fica o elogio, para que conste, corra bem ou corra mal.
Algumas questões talvez laterais (mas se calhar nem tanto assim) sobre o caso do momento (TVI)
- Uma questão que o caso TVI vem, uma vez mais, levantar é a da co-habitação na mesma empresa e em lugares de subordinação hierárquica de funcionários (gestores ou não) com uma relação próxima de familiaridade. Em muitas empresas, principalmente as maiores e que adoptam métodos de gestão mais sofisticados, tal não é mesmo permitido, devendo, caso essas relações se iniciem e estabeleçam já após a sua admissão, um dos funcionários em causa abandonar a empresa ou ser deslocado para um outro posto de trabalho onde essa relação não seja susceptível de interferir com a vida profissional. Manuela Moura Guedes só terá alcançado o poder e influência que detinha por via do seu casamento com José Eduardo Moniz e da posição que este ocupava na Media Capital. Uma promiscuidade que mandaria o mais elementar bom senso evitar e de cuja responsabilidade a administração da TVI não se pode excluir, até porque essa mesma promiscuidade não é de todo alheia ao actual caso.
- As novas tecnologias trouxeram consigo uma democratização da comunicação e um aumento da liberdade de informação, algo sempre muito bem vindo. “Blogs”, caixas de comentários da imprensa “on-line”, fóruns de opinião acessíveis a todos são exemplo dessa democratização. Mas, por outro lado, destaparam a caixa de Pandora da iliteracia política e cultural de grande parte dos portugueses, do seu subdesenvolvimento, e tornaram muitas vezes essa participação num campo de batalha onde floresce o insulto, a análise (?) gratuita, a piada boçal e fácil. A doença transmitiu-se rapidamente aos “media” tradicionais e acabou por servir-lhes de ponto de referência, numa luta (aliás, legítima) pelas audiências. Esquecem os “media” tradicionais que, assim, perdem a prazo a sua capacidade de diferenciação, a sua razão de existência. O Jornal Nacional da TVI era apenas o exemplo mais extremo daquilo que afirmo, mas, infelizmente, outros lhe seguem as pisadas. Que seja o público, os consumidores, a traçar-lhes o destino e não qualquer decisão política ou administrativa, espera-se.
- A questão não é só referente ao Jornal Nacional, já que também por aí já li uma mal disfarçada alergia ao facto da melhor proposta para o 1º troço do TGV vir de uma empresa espanhola. Mas a tentativa de ressuscitar o anti-castelhanismo mais primário a propósito da suspensão do Jornal Nacional da TVI é absolutamente patética. Miguel Sousa Tavares também não resistiu a fazê-lo, ao colocar ontem em causa, na própria TVI, a questão dos centros de decisão nacionais nas empresas de comunicação. Sabemos onde isso nos leva...
Para terminar: quem tramou José Sócrates?, já que não me parece restem dúvidas de que terá sido mesmo “encaixilhado” (framed). Talvez nunca se venha a saber, mas, por mim, gostaria bem mais de chegada a sexta-feira ter opção de fugir a sete pés de Moura Guedes e do seu Jornal Nacional. É a que a "não escolha", enquanto cidadão, me empobrece.
quinta-feira, setembro 03, 2009
As capas de Cândido Costa Pinto (59)
Capa de CCP para "A Mulher Fantasma", de William Irish, nº 38 da "Colecção Vampiro"História(s) da Música Popular (140)
Dr. Feelgood ("Piano Red") & The Interns - "Mr. Moonlight"
"Under the Influence" - The original songs of the "British Invasion" (XXIII)
Vários êxitos do período inicial dos Beatles são, como temos visto, “covers” de originais da música negra americana. Mas, assim muito de repente e sem grande investigação (também sem a ajuda do expert LT), penso “Mr. Moonlight”, um original de Dr. Feelgood & The Interns, terá sido, ao contrário do acontecido com Rolling Stones, Manfred Mann, Animals e outros, que fizeram do “blues” a sua inspiração, o único tema gravado pelo grupo de Liverpool directamente picked up de um intérprete de “blues”.
Na realidade, Dr. Feelgood (William Lee Perryman – 1911-1985), um pianista de blues também conhecido como “Piano Red” e com referências iniciais jazísticas, tocou, ao longo da sua vida, com nomes sonantes da cena de "blues" americana, tais como “Blind” Willie McTell e Willie Dixon, para além de se reivindicar da herança do piano de Fats Waller. Em 1962 gravou para a “Okeh Records”, uma etiqueta onde, nos anos 50 do século XX, gravaram vários nomes da música negra - Big Maybelle, por exemplo, para citar um dos meus favoritos - este tema de Roy Lee Johnson, retomado pelos Beatles em 1964 para inclusão no seu 4º álbum “Beatles For Sale”. Não será dos temas mais conhecidos do grupo, nem referência do "Liverpool sound" ou da “British Invasion”, mas a sua importância derivará muito mais dessa sua origem (rara nos Beatles) num músico de “blues”.
Curiosamente, um outro tema de “Piano Red”/ W. L. Perryman, denominado exactamente “Dr. Feel-Good” (um sinónimo para heroína), foi também gravado por um grupo britânico nesse mesmo ano de 1964, neste caso os meus muito estimados Johnny Kidd & The Pirates. Mas fiquemo-nos por “Mr. Moonlight”...
Na realidade, Dr. Feelgood (William Lee Perryman – 1911-1985), um pianista de blues também conhecido como “Piano Red” e com referências iniciais jazísticas, tocou, ao longo da sua vida, com nomes sonantes da cena de "blues" americana, tais como “Blind” Willie McTell e Willie Dixon, para além de se reivindicar da herança do piano de Fats Waller. Em 1962 gravou para a “Okeh Records”, uma etiqueta onde, nos anos 50 do século XX, gravaram vários nomes da música negra - Big Maybelle, por exemplo, para citar um dos meus favoritos - este tema de Roy Lee Johnson, retomado pelos Beatles em 1964 para inclusão no seu 4º álbum “Beatles For Sale”. Não será dos temas mais conhecidos do grupo, nem referência do "Liverpool sound" ou da “British Invasion”, mas a sua importância derivará muito mais dessa sua origem (rara nos Beatles) num músico de “blues”.
Curiosamente, um outro tema de “Piano Red”/ W. L. Perryman, denominado exactamente “Dr. Feel-Good” (um sinónimo para heroína), foi também gravado por um grupo britânico nesse mesmo ano de 1964, neste caso os meus muito estimados Johnny Kidd & The Pirates. Mas fiquemo-nos por “Mr. Moonlight”...
Das "pressões" coincidentes
Assessores de Belém alegam pressões vindas de São Bento e o Presidente da República assobia para o lado. Jorge Bleck fala de pressões sobre Alexandre Relvas (já agora: porque precisa Relvas de intermediação?) e este assobia para o lado. Manuela Moura Guedes dá uma entrevista ao “Público” sobre a sua situação na TVI na véspera da suspensão do “seu” Jornal Nacional e o “Público”, no dia seguinte, dá a notícia em primeira mão. No meio disto tudo, Ferreira Leite fala sobre asfixia democrática. Coincidências? Bruxas? Rabo escondido com resto do gato de fora? Tudo muito “canhestro”, demasiado "rasca". País de tristes, pelo menos...
quarta-feira, setembro 02, 2009
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