quinta-feira, julho 07, 2011

Foi a venda de Coentrão um bom negócio?

Pode dizer-se que a venda de Fábio Coentrão foi um bom negócio? Bom, tratando-se de um lateral (pronto, um pouco mais do que apenas um lateral...) os 30 M parecem indiciar tal coisa, mas devo dizer que sem se conhecerem as restantes condições do negócio ninguém poderá afirmá-lo - ou ao seu contrário - com rigor. E quais poderão ser essas condições, por exemplo? Sem querer ser exaustivo, lanço aqui algumas pistas:
  • Quais as condições de pagamento do RM ao SLB?
  • Existem jogadores do RM incluídos no negócio e a abater a essa verba?
  • Se sim, como serão valorizados? Ao seu preço de mercado ou acima desse valor, como terá acontecido com Rodrigo, um género de "contrapeso" ao valor pago pelo RM por Di Maria? E quais as condições de compra (totalidade, percentagem - neste caso quem detém o restante e em que condições -, cláusulas opcionais, etc) e de pagamento do seu passe?
  • Esses jogadores, eventualmente incluídos no negócio, são aqueles de que o plantel do SLB precisa para preencher lacunas urgentes? Qual o seu salário, grau de risco desses activos e perspectivas de valorização? Que outras opções existiriam para esse(s) lugar(es)?
Bom... fico a aguardar as cenas dos próximos capítulos para me pronunciar, mas já agora aproveito para perguntar: a compra do passe de Roberto por 8.5M terá ainda algo que ver com a venda de Simão? Com o empréstimo de Sálvio? Ou foi só e apenas péssima gestão?

quarta-feira, julho 06, 2011

Assunção Esteves: um exemplo de democracia

Notícia, num dia em que as más notícias foram regra, que quase passou despercebida e considero de extrema importância e uma lufada de ar fresco em tempos de chumbo. Assunção Esteves, Presidente da Assembleia da República, pediu aos deputados que "não confundissem justiça com segurança". E afirmou ainda: “não é por acaso que alguém chamou aos direitos a religião civil numa democracia”. Por ser raro ouvir um político colocar-se do lado dos "direitos, liberdades e garantias" e contra o securitarismo reinante, vale a pena tal ser salientado. Quando o exemplo vem da segunda figura do Estado e presidente daquela que é considerada - e bem - a "casa da democracia", merece ainda mais ser realçado. Só por estas suas declarações, Assunção Esteves e os seus pares, que a escolheram, honram a democracia.

Um excelente exemplo, que oxalá tenha continuidade e os portugueses saibam valorizar. 

Val Lewton (2)

"I Walked With a Zombie", de Jacques Tourneur (1943)


The Moody's Blues

O governo sofreu ontem à tarde o seu primeiro embate com a realidade e a seu primeiro revés, para não lhe chamar significativa derrota. E, curiosamente, tal não se fica a dever à oposição, aos sindicatos, à "rua", mais ou menos radical, à "geração á rasca", mas, pura e simplesmente, vem de onde um governo de direita, que se assume como liberal, menos (a não ser que estivesse muito atento) a poderia esperar: dos "mercados" e das agências de "rating". O que, de facto, a Moody's veio dizer ao governo foi que não acredita na capacidade da ortodoxia financeira dominante na Europa, e que encontra eco privilegiado e radical no actual governo, para resolver a crise da dívida e colocar as economias dos países periféricos a crescer de modo a cumprirem os seus compromissos. Foi dizer que por muito que as medidas de "austeridade" possam, no curto-prazo, ser eficazes no combate ao "déficit" dos países periféricos terão como consequência lançar estes países uma enorme recessão económica de onde as tais reformas estruturais nunca conseguirão, por si sós, fazê-los sair. Foi "alinhar" com o cada vez maior conjunto de vozes insuspeitas (ver as afirmações de Silva Lopes ontem ao Jornal de Negócios") que, na Europa e no mundo, clamam por uma diferente estratégia e se mostram espantadas e até agastadas pelo facto da UE não conseguir resolver a crise de dois dos seus mais insignificantes Estados.

Dramático é verificar também que a reacção do governo, via Ministério das Finanças, afirmando não entender porque terá "respondido certo e tido negativa", e de alguns dos seus conselheiros como João Duque (patético), prova que ainda não entenderam tal coisa, continuando a assumir convictamente uma estratégia, tornada crença, do tipo de "vitória em vitória até à derrota final". Dramático, para o país, é concluir que, enquanto um raio de luz não iluminar as inteligências europeias, não nos resta mais nada, e isto independentemente da ideologia de cada governo, senão lançar mais e mais medidas de austeridade e cumprir o MoU, sabendo que, no médio-prazo, tal não só nada resolve como aprofundará ainda mais os problemas. Por último, dramático não será, mas também não nos deixará muito descansados pensar como é que um país que, independentemente da capacidade empreendedora de muitos dos seus empresários, sempre cresceu, desde o iluminismo pombalista ao betão cavaquista passando pelos caminhos de ferro de Fontes, encostado ou com a ajuda do Estado e das "obras públicas" poderá vir a transformar-se, por obra e graça de uma legislatura, num país ultra-liberal com taxas de crescimento elevadas (se o conseguirem, tirarei o meu chapéu).

Claro que podemos blasfemar contra as agências de "rating", dizer, porventura com razão, que perseguem interesses privados, que são instrumento de especuladores, que, no fundo, estamos perante uma "self fulfilling prophecy", que a Europa deveria criar uma sua agência própria, etc etc. Tudo isso é defensável e não serei eu a estar em desacordo. Mas a pergunta final que deixo é a seguinte: ceteris paribus, alguém acredita mesmo que Portugal não vai ter que reestruturar a dívida, receber um novo empréstimo e que terá extremas dificuldades em crescer a taxas que lhe permitam pagar aos seus credores e voltar ao mercado na próxima década? Pois...

terça-feira, julho 05, 2011

"Prós & Contras" de ontem

No "Prós & Contras" de ontem, como sempre muito mal dirigido por uma Fátima Campos Ferreira que não se coíbe de emitir juízos primários e não consegue entender quando deve interromper ou não um participante (ontem, primou sempre por interromper as dissertações mais interessantes), António Pires de Lima e Carlos Carvalhas resolveram dar uma triste imagem de si próprios e, por acréscimo, dos políticos e do debate político. Enquanto João Carlos Barradas e Fernando Santos (esse mesmo - os meus parabéns) utilizavam, respectivamente, os seus conhecimentos históricos e políticos e experiência vivida para nos fazerem entender o que se passava na Grécia, salientando diferenças e semelhanças com Portugal, Pires de Lima e Carvalhas, num momento em que era importante os actores políticos prestigiarem-se aos olhos dos cidadãos, entretiveram-se a maior parte do tempo com uma luta de barricadas ideológica, de baixo nível intelectual, utilizando todo o arsenal de lugares comuns mais primários das áreas a que pertencem. Note-se que nada tenho contra a luta política e ideológica (muito antes pelo contrário), mas de dois políticos experientes e cidadãos conhecedores (Carvalhas é economista e Pires de Lima executivo de méritos reconhecidos), esperar-se-ia muito mais do que a "vulgata". Uma tristeza...

"ab origine": esses originais (quase) desconhecidos... (14)

O original (muito Phil Spector "wall of sound") das Ronettes (1965) de "Is This What I Get For Loving You" (Gerry Goffin - Carole King - Phil Spector)
Apenas #75 no Billboard 100 e um dos "singles" pior sucedidos do grupo

A bem mais conhecida versão (pelo menos, na Europa) de Marianne Faithfull (1967 - #43 no UK)

Ópera não é só música para operários (9)

Wolfgang Amadeus Mozart - "Don Giovanni"
"La ci darem la mano"
Don Giovanni: Bryn Terfel
Zerlina: Hei-Kyung Hong
Maestro: James Levine

segunda-feira, julho 04, 2011

Songs of the WW II (20)

Canção da Resistência grega

Independentes...

  1. Após ter sido humilhado na eleição para a presidência da Assembleia da República, o independente Fernando Nobre, protagonista de um dos mais tristes episódios da democracia portuguesa, renuncia ao mandato de deputado e descobre agora que será mais útil ao país e ao mundo na acção humanitária à frente da AMI (resta saber se, depois deste episódio, alguém ainda acreditará na sua seriedade e intenções altruístas da instituição que dirige).
  2. O actual ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, em livro por si escrito e publicado em 2007, manifestou o seu acordo para com uma eventual independência futura das Regiões Autónomas da Madeira e Açores. Devo dizer não considero tal afirmação contenha em si nada de politicamente grave. Considero-a mesmo irrelevante e susceptível de ser incluída no "fait divers" politico. Mas, pelo seu conteúdo politicamente incorrecto (digamos assim), haverá muitos que pensarão o contrário e não deixarão de explorar o tema e dele cobrar os respectivos dividendos.
Enfim, para isto vão servindo os tão elogiados independentes...

A comunicação social em versão "copycat"

Em Portugal (pelo menos, em Portugal) nos últimos anos os "media" têm funcionado utilizando a metodologia "copycat": um deles publica uma notícia, normalmente oriunda de uma agência ou gabinete de comunicação, e, de seguida e de forma imediata, todos se apressam a publicar a mesma, não cuidando de verificar da respectiva credibilidade ou do rigor do seu conteúdo. Na última semana, foi assim com a - "soit disant" - derrapagem do "déficit" (que ainda estou para saber se existe ou não), comparando o valor real do primeiro trimestre com o estimado para o total do ano e tirando daí conclusões absurdas; com o corte no subsídio de Natal, interpretando mal as palavras do primeiro-ministro (o que vai ser lançado é um imposto sobre os rendimentos deste ano sujeitos a IRS que, para os trabalhadores por conta de outrem cuja remuneração provenha apenas do salário (e apenas para esses), será equivalente aos tais 50% do subsídio de Natal - ou de um mês de ordenado - subtraídos do valor do salário mínimo); e ontem com o milhão de euros de poupança com a extinção do cargo de director-adjunto distrital da segurança social, cujas contas até admito estejam certas mas ainda não vi provadas e comprovadas em parte alguma. Digamos que nenhum destes casos é excessivamente grave, embora tenham o condão de me irritar. Mas são suficientemente preocupantes para pensarmos que um dia destes tal metodologia poderá vir a dar mau resultado.