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sábado, julho 26, 2008

História(s) da Música Popular (96)


Jimmy Clanton - "Go Jimmy Go" (Doc Pomus-Mort Shuman)
Doc Pomus & Mort Shuman (VIII)
Para acabar bem este capítulo dedicado a Doc Pomus e Mort Shuman, vamos lá voltar atrás, aos idos de 1959 e aos teenage idols área para a qual a dupla escreveu temas de inegável sucesso. É que havia um rapaz lá pela terra dos pântanos (1940 - Baton Rouge, Louisiana, o tal Estado comprado a Bonaparte e que deve a sua denominação a Luís IV) chamado Jimmy Clanton, muito aprumadinho como deve ser e eram todos os rapazes do grupo. O seu maior êxito de então foi um tema de sua autoria chamado “Venus In Blue Jeans”, uma daquelas engraçadas (eu acho, ninguém é perfeito) canções ingénuas da adolescência quando julgamos os grandes amores (na altura, todos) são mesmo para sempre. O problema é que nem à memória resistem...

Bom, mas o que aqui nos traz não são os amores de adolescência (ou também são), mas sim Pomus e Shuman, antes de partirmos para outra. Pois o seu tema-sucesso para Jimmy Clanton foi este “Go Jimmy Go”, uma canção a propósito de um rapaz que era "o maior" lá do sítio a falar, a dançar e a... beijar. O resto a gente não sabe, mas não estamos a falar de ingénuas canções de adolescentes dos late fifties? Que queriam então?

domingo, julho 20, 2008

História(s) da Música Popular (96)

The Walker Brothers
The Walker Brothers - "Lonely Winds" (Doc Pomus-Mort Shuman)

The Walker Brothers - "Here Comes The Night" (Doc Pomus-Mort Shuman)

Doc Pomus & Mort Shuman (VII)


Tal como aconteceu em relação a Leiber e Stoller, façamos aqui uma pequena incursão, a propósito de Pomus & Shuman, num dos grupos “muito cá de casa”, que só não era assim a modos como uma “British Invasion” in reverse porque os grupos britânicos tiveram sucesso dos dois lados do Atlântico, ao contrário do grupo de que agora falamos, os Walker Brothers, americanos apenas com sucesso relevante no UK. Sobre eles já tenho por aqui falado e como “o que é demais cheira mal” (em muitos casos nunca dei por isso, mas dizem os católicos que “o que é bom ou faz mal ou é pecado”, coisa que também não posso subscrever), não vale a pena tornar-me repetitivo. Vamos antes ao que interessa, sem demora porque se faz tarde.

Pois John Mause, Scott Engel e Gary Leeds também se meteram pelos terrenos de Pomus & Shuman e se “Lonely Winds” não cai necessariamente no “cesto” dos temas mais característicos dos Walker Brothers e dos meus favoritos do grupo, já com “Here Comes The Night”, onde a influência, aliás sempre afirmada por Scott, do “wall of sound” de Spector é notória, o caso muda bem de figura. Pois aqui os deixo, ambos do 1º álbum do grupo "Take It Is With The Walker Brothers".

domingo, julho 13, 2008

História(s) da Música Popular (95)

The Drifters - "I Count The Tears" (Doc Pomus-Mort Shuman)

The Searchers - "I Count The Tears" (Doc Pomus-Mort Shuman)
Doc Pomus & Mort Shuman (VI)
Isto “cada um é como cada qual” e nem sempre conseguimos fazer bem aquilo que queremos: se em alguns casos (“Sweets For My Sweet”) a coisa até sai bem, já neste “I Count The Tears” (1960) não se poderá dizer a mesma coisa. É que não basta chegar a um original americano, neste caso de Pomus & Shuman e dos Drifters, e dar-lhe a roupagem muito característica do "Liverpool Sound" dos Searchers - cheia de uniqueness, digamos - para que tudo saia a preceito: às vezes não sai mesmo e a comparação é um pouco penosa. O problema é que ter um som próprio também não significa “encher chouriços”, que é o que o grupo de Liverpool faz (mais do que menos) aqui neste “I Count The Tears”. Talvez por isso o sucesso tivesse sido pouco, bem mais merecido com outras adaptações. Mas, francamente, de todas as que conheço do grupo de Mike Pender a melhor e única que bate o original respectivo continua a ser a de “Sweets For My Sweet”, apesar da muito razoável adaptação de “Take Me For What I’m Worth” de P. F. Sloan e das já faladas de Jackie DeShannon. Mas pronto, fica aqui ao vosso julgamento, que isso lhes devo.

segunda-feira, julho 07, 2008

História(s) da Música Popular (94)

The Searchers - "Sweets For My Sweet" (Doc Pomus-Mort Shuman)

The Drifters - "Sweets For My Sweet" (Doc Pomus-Mort Shuman)

Doc Pomus & Mort Shuman (V)

Ora a propósito de Pomus e Shuman, vamos lá aqui fazer um paralelo entre a música negra norte-americana da East Coast, do início dos sixties (mais ou menos influenciada pelo "Doo Wop" – neste caso dos Drifters acho que menos), e o Liverpool Sound, aqui representado pelos Searchers (sim, o nome foi mesmo influenciado pelo título do filme homónimo de John Ford – um excelente filme, claro), um dos poucos grupos do merseybeat que não era gerido por Brian Epstein mas que também andou a fazer pela vida lá pelos bares de Hamburgo. Os maiores sucessos dos Searchers foram, de facto, covers de originais americanos e, que eu saiba, apenas um dos seus #1 (Don’t Throw Your Love Away) não o era (corrija-me se estou errado, LT, já que a "British Invasion" é mais a sua especialidade): “Needles and Pins” era um original de Sonny Bono e Jack Nitzsche, interpretado por Jackie DeShannon, e este “Sweets for My Sweet” foi escrito por Doc Pomus e Mort Shuman e originalmente interpretado pelos Drifters, agora já com Rudy Lewis no lugar de Ben E. King. Devo dizer que, ao contrário do que acontece com “Needles and Pins” e “When You Walk In The Room”, em que prefiro as interpretações originais de Jackie DeShannon, neste caso a minha opinião é mais favorável aos Searchers. No próximo post teremos “I Count The Tears” por ambos, neste caso um maior sucesso para os Drifters.

domingo, junho 29, 2008

História(s) da Música Popular (93)

The Drifters - "Save The Last Dance For Me" (Doc Pomus-Mort Shuman)


Ike & Tina Turner - "Save The Last Dance For Me" (Doc Pomus-Mort Shuman)
Doc Pomus & Mort Shuman (IV)
“Save The Last Dance For Me” (1960) foi o outro bem sucedido tema de Doc Pomus e Mort Shuman gravado pelos Drifters ainda com Ben E. King como vocalista (#1 nos USA e #2 no UK). De seguida, Ben E. King daria lugar a Rudy Lewis e mais dois êxitos de Pomus e Shuman se seguiriam: “Sweets For My Sweet” (em Portugal mais conhecido pelo cover dos Searchers) e “I Count The Tears”. Mas isso é já outra conversa, que fica para mais tarde.

Em relação a “Save The Last Dance For Me” (curiosidade: Doc Pomus tinha tido poliomielite e isso não lhe permitia dançar, embora a sua mulher fosse bailarina e actriz na Broadway), e a propósito de uma mini-polémica no Ié-Ié sobre Ike e Tina Turner (ou Tina sem Ike), opto por passar aqui também a versão do duo, produzida, claro está, por Phil Spector, para além da original dos Drifters com Ben E. King. É só comparar!

quarta-feira, junho 18, 2008

História(s) da Música Popular (92)

The Drifters (c/ Ben E. King) - "This Magic Moment" (Doc Pomus - Mort Shuman)
Doc Pomus & Mort Shuman (III)
Ora vamos lá então àquilo que existe de mais interessante na carreira de Doc Pomus e Mort Shuman, isto é, a sua colaboração com os Drifters, os norte-americanos e não aquele grupo instrumental que acompanhava o britânico Cliff Richard e que mudou o seu nome para Shadows exactamente por causa dos Drifters, os verdadeiros e originais, nascidos nos USA (NY) nos idos de 1953. Pois há quem goste de incluir os Drifters na “etiqueta” (será que poderia dizer “fileira”, como agora por aí se diz a propósito de temas económicos?) "Doo Wop" (ver posts do “Gato Maltês” dedicados a este movimento da música popular), algo que me parece um pouco redutor e pecando por alguma imprecisão. Não desmerecendo as influências, são muito mais do que um grupo street corner, agregando também muito do "soul" e do "gospel", o que os torna incontornáveis e percursores na história do "rock and roll" e da música popular.

Pois o grupo teve uma história algo atribulada de idas e vindas dos elementos que o integravam, mas ficou literalmente ligado a dois dos seus vocalistas: Clyde McPhatter e o mais conhecido Ben E. King, o primeiro de modo episódico (entre 1953 e 1954) e o segundo, também episodicamente, a partir de 1959, antes de, no final de 1960, também ele abandonar em troco de uma carreira a solo que lhe renderia dinheiro e êxitos: “Stand By Me” e “Spanish Harlem”, este de Jerry Leiber e Phil Spector. O maior sucesso dos Drifters com Clyde McPhatter terá sido “Money Honey” (1953), mais tarde (bem) “recuperado” por Elvis Presley, mas o sucesso duradouro viria com a colaboração do grupo, já com Ben E. King, com o Brill Building: Leiber e Stoller, Goffin e King, Phil Spector e... Doc Pomus e Mort Shuman, que nunca trabalharam para a Aldon Music mas podem ser considerados membros honoris causa do nº 1619 da Broadway.

Pois um dos meus temas favoritos do grupo e de Pomus & Shuman será este “This Magic Moment”, #16 em 1960 e com Ben E. King como vocalista, pois claro. Comecemos por aqui, já que começaremos muito bem.

segunda-feira, junho 09, 2008

História(s) da Música Popular (91)


Fabian - "Hound Dog Man" (Doc Pomus - Mort Shuman)

Doc Pomus e Mort Shuman (II)

No período de refluxo do "rock and roll", entre 1958 e a “british invasion”, a indústria tentou aproveitar da melhor maneira o mercado emergente dos baby boomers, da nova cultura adolescente, recorrendo aos chamados teenage idols, aproveitando o novo “estilo” lançado pelo "rock and roll" mas extirpando-o das suas origens mais populares, mais working class dos brancos pobres como Elvis Presley. Também menos próximo das suas origens negras, da sua faceta marginal, rebelde e contestatária, aproximando-o assim da classe média, das high schools dos brancos. O cinema ocupou nessa estratégia um lugar primordial, sendo por isso necessário que esses teenage idols tivessem um look bem comportado e bem parecido, de traços suaves, de preferência com cores de pele e de cabelo que os afastassem de quaisquer vestígios de afro-americanidade. Foi a época de Bobby Rydell, dos beach parties de Frankie Avalon e Annette Funicello (os italo-americanos também foram assim contemplados), dos pijama parties e, até, da emergência da nova cultura surfista californiana que nos haveria (imaginem!), contudo, de conduzir a uma nova categoria no "pop/rock" e no "rock" instrumental: a "surf music". No limite, a um álbum-chave da música e da cultura popular america e mundiais, "Pet Sounds".

Talvez o mais interessante desses teenage idols tenha sido Ricky Nelson (1940 – 1985), misturando em doses convenientes baladas xaroposas (“Hello, Mary Lou” e “Poor Little Fool” são canções das quais fujo quase tão depressa como de uma cobra – atenção, sofro de ofidiofobia) e temas mais próximos do "rock and roll" e até da cultura creola de New Orleans ("I’m Walking" de Fats Domino). Estará para os cinéfilos sempre ligado à personagem de Colorado naquele que seria para todo o sempre um western de referência (“Rio Bravo”, de Howard Hawks), onde também não se coibia de dar um ar da sua graça de intérprete canoro (o tema de Dean Martin no filme, “My Rifle, My Pony and Me, é, contudo, bem mais interessante).

Bom, mas esta história toda vem a propósito de quê? Ah, já sei, de outro dos teenage idols, Fabian (Filadélfia 1943), de seu nome Fabiano Forte, como diria o já desaparecido Alves dos Santos agora que estamos em época de futebol. Pois o tal Fabian (que também andou pelo cinema e até fez uma "perninha" no "Dia Mais Longo" - mas quem não fez?), para mim, é dos teenage idols aquele cujos temas mais próximos estariam do "rock and roll" original (com algum esforço, claro). “Tiger” foi o seu tema mais famoso (#3 em 1959, mas oiçam também "Turn Me Loose"), mas Doc Pomus e Mort Shuman escreveram para ele este “Hound Dog Man” (#9 no mesmo ano), muito à Presley de quando este ainda era coisa que se ouvisse. Querem ver como tenho razão?

quarta-feira, maio 28, 2008

História(s) da Música Popular (89)


Dion & The Belmonts - "A Teenager In Love" (Doc Pomus-Mort Shuman)
Doc Pomus-Mort Shuman (I)

Muito menos espaço irão ocupar neste “História(s)...” Doc Pomus e Mort Shuman, não por ausência de quantidade criativa, mas porque uma parte dela cairá fora do âmbito e dos padrões de qualidade que muito prezo. Por outro lado, a dupla, cujos trabalhos mais conhecidos foram entregues a alguns dos chamados teenage idols na época de refluxo do rock n’ roll e também a um Elvis Presley já longe dos seus melhores momentos, nunca trabalhou directamente com a Aldon Music e o Brill Building. Que resta? Nos temas para os teenage idols, quando o lado mais transgressor do rock foi domado e era imperioso continuar a produzir algo com que a nova geração dos baby boomers minimamente se identificasse, principalmente o que deu fama a Dion & The Belmonts (“Teenager in Love”) e, idem idem, aspas aspas, a Fabian ("Hound Dog Man"). Esses dois, mais pelo sucesso alcançado do que por algo mais, valem uns poucos de bytes. Ah, mas há os Drifters, e aí o caso já muda de figura, pois claro, mais uma ou outra coisa dispersa e não demasiado importante para Ray Charles e LaVern Baker.

Bom, mas para começar digamos que Jerome “Doc” Pomus (1925) e Mort Shuman (1936) são ambos nova-iorquinos, o que não interessa lá muito para a sua música, como não será igualmente demasiado relevante o facto de Pomus ter começado a sua carreira com cantor de blues. Mais relevante será o facto de não ter tido grande êxito como cantor, o que o levou a associar-se a Shuman como compositor de canções onde o êxito sorriu mais um pouco. E sorriu com Dion & The Belmonts, já depois de ter sorrido a Dion quando este resolveu não aceitar uma boleia no avião em cuja última viagem morreram Buddy Holly e Ritchie Valens. Dion, também ele um nova-iorquino com um clean cut look mas com sérios problemas com a droga, teve vários êxitos, tais como “The Wanderer” e Runaround Sue”, mas foi “A Teenager In Love” (muito, muito Doo Wop), de Pomus e Shuman (1959), que o catapultou para o êxito. Nem mais...