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domingo, abril 06, 2008

Ana Jorge e a comunicação das políticas de saúde

Na sua entrevista de hoje à TSF, a ministra da saúde, Ana Jorge, voltou a insistir na velha e relha questão de que as reformas tentativamente levadas a efeito pelo ministro Correia de Campos, seu antecessor, seriam boas reformas mal comunicadas, sendo esse efectivamente o problema que teria originado os “levantamentos” populares. Trata-se de uma falácia, na qual espero a própria Ana Jorge não acredite, pois isso seria concluir que domina mal, ou não domina, o que efectivamente se passa com a política do ministério que é agora o seu.
Trata-se, na realidade – e independentemente de problemas pontuais, aqui e ali, na sua execução - de uma política correcta, que iria beneficiar os cidadãos em termos da elevação dos seus níveis de saúde e bem estar e, aqui é que bate o ponto, comunicada de modo suficientemente eficaz para ser entendida pelos cidadãos interessados. Aliás, foi exactamente por a terem entendido que estes se “revoltaram”, pois, na sua maioria, os seus interesses imediatos passam mais por terem uma pseudo - urgência onde possam recorrer quando têm uma dor de cabeça fora de horas, num local onde também seja possível, junto de alguém, minorar a sua solidão ou chamar a atenção sobre a sua tristeza fruto de uma vida sem sentido, do que por um local onde se prestem reais e efectivos cuidados de saúde.

Nada de novo ao cimo da Terra, portanto: cento e cinquenta anos antes tinham-se revoltado contra o fim dos enterros nas igrejas, pois preferiam Deus a uma melhoria das condições de saúde pública.

terça-feira, março 18, 2008

A Ministra da Saúde

"Sou uma pessoa de diálogo, acho que todas as situações se podem resolver através do reconhecimento de que todos somos importantes na construção de um melhor Serviço Nacional de Saúde”.
Ana Jorge, Ministra da Saúde

Um discurso redondo, vazio, acomodado, de uma ministra que, depois de desaparecida, parece e aparece agora conformada numa pasta em que se exigia exactamente o contrário: alguém com o dinamismo suficiente para fazer as rupturas necessárias, para mudar, para pedagogicamente resistir ao populismo e à demagogia. Um erro de casting? Talvez nem tanto: mais uma personagem que o autor da peça tem dificuldade em definir ou, propositadamente, prefere, para já, deixar na sombra.