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sexta-feira, setembro 21, 2007

Afinal a televisão não faz assim tão mal aos jovens!...

Apesar do "Cabo" e da "codificação", desde há algumas semanas raro é o dia em que não encontro ali no Jardim da Estrela, ao fim da tarde, um grupo de pré e recém adolescentes disputando num dos relvados, que quando era criança era proibido pisar, aguerridos jogos de rugby, não se coibindo mesmo de ensaiar umas "valentes" placagens. Uma das vezes, não consegui mesmo resistir à tentação (segundo Oscar Wilde a única coisa a que se não deve resistir) e lá resolvi recordar alguns passes, umas fintas e uns drops já pouco certeiros, embora nunca o tivessem sido muito. Desisti rapidamente, antes que os jovens resolvessem passar às placagens. Mas espero eles continuem, apesar do "Cabo", da codificação e do Nuno Ramos de Almeida, se por lá passar, os olhar com desdém chamando-lhes "betinhos"!

quinta-feira, setembro 20, 2007

O "5 dias" e o regicídio

Em primeiro lugar, compete-me afirmar que não sou monárquico. Convém, neste país em que quase tudo se discute em função de posições apriorísticas e categorias pré definidas. Segundo, que não alinho no disparate completo que constitui valorizar os acontecimentos históricos à luz dos valores actuais e em função de categorias morais entretanto edificadas. Por isso, não considero o regicídio um acto terrorista – e é desonesto e propagandístico mencioná-lo desse modo - com a conotação e significado que hoje em dia se atribui a tais actos, o que não implica que o aprove enquanto forma de luta política e considere o assassinato do rei D. Carlos um acto legítimo. Afirmar, no sentido de uma sua defesa, como Fernanda Câncio o faz no 5 Dias, que não estávamos numa democracia e num estado de direito, mas em regime de tirania - em plena monarquia constitucional???!!! -, o que tornaria legítimo tal acto, vai um passo que só a ignorância histórica e/ou a má fé permitem dar. Os analfabetos e as mulheres não votavam? Era um dado adquirido e ainda não significativamente contestado nos regimes parlamentares: estávamos ainda longe, tal como durante a democrática I República, do one man (women)/one vote. João Franco governou, episodicamente, em efectiva ditadura? Um facto, mas foi apenas um episódio breve que duraria de 10 de Maio a 24 de Dezembro de 1907, sendo nessa data marcadas eleições para 5 de Abril de 1908. Quando se dá o regicídio estamos, portanto, a 65 dias das eleições. Ao colocar a questão neste plano, bem me parece que Fernanda Câncio está a conceder inestimáveis argumentos aos ultra-monárquicos e aos falsificadores da História, o que ela seguramente não quererá. Ou então o 5 Dias anda em maré de azar.