sexta-feira, março 02, 2007

Paulo Portas

Paulo Portas quer ser o David Cameron português, substituindo Eton pelo S. João de Brito e não tendo um grande partido no qual se apoiar. Nem um Blair em fim de mandato e “desgastado” pela guerra do Iraque. Nem alguns escândalos do “Labour”. Nem a sociedade britânica. Nem o seu sistema eleitoral. Nem a “House Of Commons”. Nem, nem... Convenhamos: Is a hell of a task! Quase tão complicado como democratizar o Iraque. I wish him luck. Por enquanto faz fatos em Saville Row e camisas em Jermyn Street. Já é um começo...

Eclipse da Lua

Veja aqui como vai ser o próximo eclipse da Lua na noite de 3 para 4 de Março.

Fotografias (10)

"Guindaste" - Fotografia de JC

CGTP

Ao convocar para hoje uma manifestação nas ruas de Lisboa, depois de uma outra que marcou uma escalada, pelo menos do ponto de vista quantitativo, na luta contra a política do governo e que foi assinalada como um momento alto de contestação e uma manifestação de força do movimento sindical (leia-se, funcionários públicos e professores) a CGTP arrisca-se a um flop: ou consegue colocar nas ruas 150.000 ou 200.000 pessoas (o que duvido), ou então a manifestação de hoje marcará, em termos mediáticos e de opinião pública mas também de mobilização, o início do refluxo dessa mesma contestação. Será “mais uma”, igual a tantas outras do passado, sem qualquer reflexo visível na prossecução dos objectivos que diz pretender atingir. Posto isto, algo vale a pena perguntar: se com este tipo de acções a CGTP nunca conseguiu atingir minimamente os objectivos que diz pretender alcançar, e insiste nelas, quais serão efectivamente esses mesmos objectivos? Os que afirma ou outros quaisquer, inclusivamente aqueles que se esgotam neste tipo de acções?

"Lucy in the Sky with Diamonds" (1)

Cartaz de Stanley Mouse para concerto dos Buffalo Springfield at the Fillmore, Frisco

quinta-feira, março 01, 2007

Correia de Campos

Num dia agitado, o assunto arrisca-se a passar para segundo plano. Mas Correia de Campos “regressou” apoiado na lei anti-tabaco, uma lei que, se não é consensual (o que o será?), consegue o apoio de uma maioria significativa dos portugueses, mesmo de uma boa parte dos fumadores. Acresce que, pelo seu próprio tema, projecta uma imagem de preocupação pelas questões da saúde pública, das crianças e adolescentes, o que significa que o governo espera vá ajudar a “recuperar” a imagem do ministro, desgastada pela questão das urgências hospitalares. A estratégia é correcta e inteligente, embora tivesse tido azar no timing escolhido. Por mim, espero resulte, pois sou de opinião que o ministro é dos mais consequentemente reformistas deste governo e, pese embora alguns momentos de um certo descontrole, merece ser bem sucedido. O mesmo não acontece com o populismo dominante, muito ao "género" "Maria da Fonte", que se tem por aí manifestado...

William Blake: "Songs of Innocence and of Experience" (6)

How sweet is the Shepherd's sweet lot!
From the morn to the evening he strays;
He shall follow his sheep all the day,
And his tongue shall be filled with praise.
For he hears the lamb's innocent call,
And he hears the ewe's tender reply;
He is watchful while they are in peace,
For they know when their Shepherd is nigh.
"The Shepherd". Ilustração e poema de William Blake para "Songs Of Innocence And Of Experience"

Manuel Galrinho Bento (1948 - 2007)

Manuel Galrinho Bento foi talvez dos guarda-redes que vi actuar aquele que melhor sabia sair dos postes às bolas rasteiras. Não sendo alto (1,73m) isso tornava-o muito rápido neste tipo de lances, onde essa qualidade é essencial. A par disso era corajoso, destemido, o que contribuía para potenciar essas suas características físicas. Sendo baixo (para guarda-redes) e portanto rápido, era também muito bom entre os postes, nas bolas baixas e nos remates “ à queima roupa”, compensando, em alguma medida, essa sua baixa estatura nos remates por alto, aos “ângulos”, com uma agilidade muito acima da média. Era o guarda-redes ideal no futebol português, onde a grande maioria das equipas que defrontava o “Benfica” jogava em “contra ataque”, com jogadores rápidos e móveis na frente e menos com "pontas de lança" mais “fixos”, normalmente mais lentos e melhores no jogo de cabeça em resposta a cruzamentos. O seu handicap, aliás, era exactamente este: a sua baixa estatura, nos cruzamentos por alto, para a grande área e para jogadores fortes no jogo aéreo. Era este o drama quando defrontava equipas europeias que jogavam desse modo, e todos nos lembramos dos jogos com o Liverpool e de um senhor "ponta de lança" chamado Ian Rush. Também por aqui se vê a evolução do futebol português: um guarda-redes com a sua altura seria hoje impensável na baliza de um qualquer dos três grandes.

Será para sempre um símbolo do meu clube.

Grandes Séries (8)

O "cold case team" parece que vai estar de volta no final do mês, na BBC Prime, com a 5ª série de episódios (a 6ª série está já a ser emitida pela BBC One). Voltam o Detective Superintendent Peter Boyd (Trevor Eve), a psicóloga Grace Foley (Sue Johnston) e o Detective Inspector Spencer Jordan (Wil Johnson). A Detective Constable Amelia "Mel" Silver (Claire Goose), "morta no cumprimento do dever" no episódio final da 4º série, dá lugar à DC Stella Goodman (Félicité Du Jeu) e a patologista Frankie Wharton (Holly Aird) à Dr. Felix Gibson (Esther Hall) - na 6ª série dará lugar à minha favorita Tara Fitzgerald: seja bem vinda!
As primeiras quatro séries de episódios têm passado regularmente na BBC Prime (legendas em inglês, para os menos fluentes na língua, são uma boa ajuda) e na SIC Mulher. Este vídeo apresenta a sequência da morte da DC "Mel" Silver, no último episódio ("Shadowplay") da 4ª série. A série ganhou um Emmy em 2004, informação para os que dão importância a esse tipo de coisas!

Duas ou três coisas sobre o governo

  1. O governo prepara-se para reformar as polícias, mas não “resolve” a questão essencial: a existência de duas polícias, PSP e GNR, uma civil e outra militar, como se existissem cidadãos de primeira (cuja segurança e ajuda cívica depende da PSP) e de segunda (os outros). Mais ainda, continuará a existir uma policia de investigação criminal autónoma (a PJ) e não integrada num corpo único de polícias. Não será uma reforma apenas cosmética, mas não vai ao fulcro, ao essencial da questão.
  2. Na educação reina um estranho silêncio, o que, dada a situação do sector, é tudo menos o que se deveria ouvir. As medidas até agora tomadas vão, fundamentalmente, no sentido correcto; mas não mexem naquilo que é essencial: a nomeação dos responsáveis de cada escola pelo ministério (ou autarquias), a quem deverão reportar e apresentar resultados, e o caminho no sentido da autonomia de cada escola na contratação do seu corpo docente e respectiva avaliação pela hierarquia em função da sua prestação e dos resultados obtidos.
  3. Com mais ou menos acordos com os autarcas, o Ministério da Saúde lá vai tentando reformar as urgências e as maternidades. Mas, falando em autarcas, o MAI já se lembrou que uma das reformas urgentes é da administração do território, que já não tem a menor correspondência com o Portugal actual, fundindo municípios e freguesias, criando e eliminando outros, agrupando freguesias nas grandes cidades onde algumas têm quinhentos eleitores e criando autoridades administrativas metropolitanas?
  4. Na Função Pública parece que se criou um quadro de supranumerários e, agora, os novos contratados, em algumas áreas, o serão recorrendo ao contrato individual. Não está mal... Mas que é feito da (assim mesmo, com letra maiúscula) Grande Reforma da Administração Pública, que deveria ser muito mais do que estas pequenas coisas. Não, não quero despedir 200.000 funcionários públicos, o que causaria uma crise social e económica sem precedentes e tornaria o país ingovernável, mas sim de um plano global que torne o Estado mais eficiente, mais apto a resolver os problemas dos cidadãos e das empresas, com menos dinheiro.


Querem que continue?

A continuar assim, o governo arrisca-se a ter comprado uma série de pequenos conflitos sem que nada de fundamental mude. Pequenos conflitos que tenderão a ir ressuscitando e que poderão, mais tarde, dar origem a um grande conflito incontrolável, por este ou outro qualquer governo, de consequências imprevisíveis. O problema é essencialmente de coragem e capacidade política. Precisa-se.

Parece, no entanto, que os resultados obtidos na contenção no déficit público serão positivos... Pois é, temos Bruxelas a zelar pelo seu cumprimento...