sábado, dezembro 09, 2006

História(s) da Música Popular (19)


"Crónica dos Anos de Chumbo"
1958 e, de modo mais abrangente, o final da década de cinquenta marcam o declínio do rock & roll. Elvis, depois de assinar contrato com a RCA (o que marca o início do fim, apesar de algumas “faixas” ainda interessantes) e de ficar nas mãos do “coronel” Parker, parte para cumprir o serviço militar na Alemanha e vem de lá a cantar “O Sole Mio” ou, pior, “It’s Now Or Never”. Hollywood e Las Vegas esperam-no. Buddy Holly e Ritchie Valens morrem no já aqui referido desastre de avião. Jerry Lee Lewis suscita o escândalo e espanta os defensores da moral e dos bons costumes ao casar com uma prima de treze ou catorze anos, o que, ao que parece, nem era assim tão pouco habitual nos estados do sul. Chuck Berry é preso sob a acusação de rapto e violação de uma branca, pois claro. Johnny Cash afunda-se no álcool e nas drogas e converte-se ao country. Carl Perkins é vítima de um desastre de carro que lhe custa a carreira e Eddie Cocrhan morre em 1960, em Londres, no mesmo desastre que fere gravemente Gene Vincent. Por último, e para não destoar, Little Richard, cuja homossexualidade já não o ajudava muito no lado conservador da América, dedica-se à religião e retira-se de cena. Voltará ainda em 1964, tornando a sumir-se rapidamente.

No meio de tudo isto – e já não é pouco – surge o escândalo payola. Que se passou? Na época, era habitual as pequenas editoras (fundamentais, tal como as rádios locais, para o surgimento do rock & roll na pujante América do pós-guerra) entregarem aos disk-jockeys uma parte dos seus direitos de autor, como forma de retribuição pelo seu papel no lançamento de novos discos. Esta prática era, evidentemente, ilegal, o que levou a ASCAP (sociedade de autores e compositores mais ligada aos interesses das grandes editoras) a ordenar um inquérito sobre o assunto. Os resultados tiveram como consequência o escândalo que se adivinha, com muitos dos disk-jockeys, que tinham apoiado activamente o r&r, a saírem desprestigiados e a serem postos à margem. Entre eles estará Alan Freed, personagem nem sempre acima de qualquer suspeita mas a quem devem ser concedidos enormes e fundamentais créditos na divulgação da música negra para audiências brancas, das editoras independentes e do r&r na década de cinquenta.
Enquanto as mulheres, como Brenda Lee e Connie Francis, “levantam bem alto a bandeira do r&r” (lá iremos), entra-se na época dos teenage idols, dos boys next door com quem todas as mães da América gostavam as filhas saíssem no sábado à noite. É o tempo dos Pat Boone, Fabian, Frankie Avalon e Annette Funicello, mais os seus beach parties, e, claro, da retomada de controlo do mercado por parte das majors de NY e LA. Ah, pois claro, e é o tempo das “danças”, do twist, madison, mashed potatoes and so on. Mas é tudo isto um desastre assim tão grande? Talvez não tanto, porque o r&r adquire também uma maior qualidade, com melodias melhor construídas, um trabalho de produção mais cuidado e letras menos primitivas, tudo isto graças a alguns compositores e jovens produtores do "Brill Building/Tin Pan Alley", o edifício onde muitas editoras tinham os seus escritórios. É também este o período de oiro dos girls groups, da música "Doo Wop" e, na costa oposta, da surf music. Por todos eles passaremos, e a todos daremos a atenção que merecem, mas fiquemo-nos, agora, talvez pelo mais interessante dos teenage idols, Ricky Nelson, que teve também um papel (o jovem Colorado Ryan) no célebre “Rio Bravo” de Howard Hawks. Ricky Nelson nasceu em New Jersey, a 8 de Maio de 1940, dia que viria, cinco anos mais tarde, a ser o do fim da WWII na Europa. Parece que terá começado a cantar logo depois de uma namorada lhe ter confessado estar apaixonada por Elvis Presley!... Depois de um bem sucedido cover de “I’m Walking”, de “Fats” Domino, “Poor Little Fool” (1958) e “Hello Mary Lou (1961) atingem o #1 do hit parade. É este “Poot Little Fool” que por aqui fica, com a indicação de que com a "British Invasion" a estrela de Ricky Nelson empalidece e, após 1966, ele se dedica à country music, deixando cair o “y” a passando a Rick Nelson.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Anglophilia (18)

Tara Fitzgerald and Jennifer Ehle in "The Camomile Lawn"

O Mundo em Guerra (18)

UK & CW

Carolina Salgado e um tal "de" José Esteves.

As declarações de Carolina Salgado (ex- “alternadeira” e ex-namorada de Jorge Nuno Pinto da Costa) sobre as actividades do presidente do FCP, ao que parece no sentido de falsear os resultados de uma indústria que movimenta milhões, valem o que valem: certamente não menos do que as de um tal José Esteves (com várias condenações por crime) sobre os acontecimentos que levaram à morte de um Primeiro-Ministro e de um Ministro da Defesa de um governo de Portugal. Aguardam-se, portanto, com incontida ansiedade, as reacções das diversas entidades judiciais, políticas e mediáticas.

domingo, dezembro 03, 2006

Clássicos do Cinema (14)

"Stromboli" de Roberto Rossellini (1950)

"The Queen", by Stephen Frears

Ironicamente, e ao contrário de interpretações erróneas e apressadas de algumas das suas atitudes por quem tem dos hábitos e das culturas uma ideia que não ultrapassa a massificação redutora, é, no filme de Stephen Frears “The Queen” (por favor e mais uma vez, lê-se Stiven e não Stefan), Elizabeth II a personagem com maior e mais densa estrutura emocional e humana, colocando acima de si enquanto “individualidade” - e, por vezes, mesmo em contradição com ela - os interesses da instituição que representa e jurou servir toda a sua vida. Por isso, e para isso - para cumprir esse seu juramento – faz cedências puramente tácticas àquilo que se pode classificar de efémero: o glamour do jet-set e a histeria de um povo prisioneiro desse mesmo efémero, servido pelos media em formato de telenovela tablóide. De facto, talvez nada possa ser mais visceralmente antagónico entre si do que os valores da aristocracia britânica e os do populismo “à là Evita”, consubstanciado nessa estranha aliança da working class com a futilidade e frívolidade dessa nova classe dominante, das revista do “social”, que vive da exposição pública e de um comércio de sentimentos que obviamente não possui. Enquanto Blair vê no episódio, de modo frio e calculista, a oportunidade única de se impor, política e popularmente, enquanto novo primeiro-ministro trabalhista, portador de um projecto de mudança - o que sabe não ser possível contra a monarquia mas enfraquecendo-a na justa medida em que a obriga a cedências –, em Elizabeth está sempre presente um sopro de nostalgia pela vida privada que nunca teve ou pode, por vezes, apenas ter vislumbrado. Desabafa, para com o seu retratista, que gostava de poder votar, não só para poder expressar uma escolha mas para poder experimentar a sensação de estar presente e “pôr a cruzinha”; escolhe guiar o seu Land Rover e tenta repará-lo quando lhe parte a transmissão, recordando os seus tempos de mecânica na guerra; pragueja contra a sua imperícia e usa o telemóvel como um indiscutível acto de privacidade; e a sua resposta a Charles quando, anteriormente, este lhe recorda que ela tinha pensado em trocar o carro (“este ainda anda muito bem”) é a vitória da mãe e da chefe de família, mas também de uma concepção de vida e de valores. Blair escolheu a sua vida, a Elizabeth foi-lhe imposta. O facto de a família real pretender para Diana Spencer um enterro privado, independentemente da pouca simpatia que esta desperta em Elizabeth, mãe e filha (recordar-se-ão demasiado do cunhado e tio David/Edward VIII), representa o restabelecer de algo que se encontra em perda nos dias de hoje: o pudor na expressão dos sentimentos e a divisão clara entre o público e o privado. O final mostra-nos, sob a aparência de um Blair rendido á instituição monárquica e ao charme de Elizabeth (“vais ter com a tua namorada”, diz Cherie, uma republicana, com ironia), um Blair claramente vencedor e uma Elizabeth onde é visível um sentimento duplo: reconhece-se vencida, nos seus valores, mas sabe que esse foi o preço a pagar para a sobrevivência da instituição que representa, pelo menos no curto prazo, e expressa, de modo subliminar através da partilha do privado – o passeio no jardim com os cães –, a sua gratidão. Uma interrogação fica: até que ponto pode uma instituição como a monarquia, que vive da tradição e da continuidade, fazer cedências ao efémero e circunstancial sem se “travestir”, ela própria, tornando-se desnecessária?

When I Look at the Pictures - Lawrence Ferlinghetti (10)


BOCCIONI’S MORNING AND TWILIGHT

Ah the so-bright future
in Boccioni’s “Morning”
the so-fresh meadows quivering
in the still early light
the Naples Yellow sun
very pale upon
draught horses drawing wagons
on wide rutted roads
bright figures hurrying
to newborn factories
a high church tower in the far distance
full of rising sun
and a field full of light close up
with yellowed grasses
through which a women in white
with bundle under arm
hurries toward some
offstage affair
Ah but the Futurists were wrong
in this so-bright picture of a future world
bathed in industrial glory
And Boccioni saw it too
in his later “Twilight”
of the same sweeping scene
in which the old day heaves a tired sigh
as bent figures limp for home
on dark roads narrowing
to a red horizon
And dumb darkness descends
upon a single stark figure waving farewell
to the trembling future of the world
Poema de Lawrence Ferlinghetti para "The Morning" de Umberto Boccioni (Colecção Privada)

A Guerra Aqui (mesmo) Ao Lado (5)

Cartaz de Espert i Briones para a "Izquierda Republicana" (1937)

As Capas de Cândido Costa Pinto (18)

Capa de CCP para "Um Drama no Atlântico" ("Five Passengers From Lisbon") de Mignon G. Eberhart, nº 36 da "Colecção Vampiro"

Problemas informáticos

As minhas desculpas, mas fruto de problemas informáticos vários a edição deste blog esteve interrompida durante uma semana. Aqui se retoma com esperanças estejam finalmente resolvidos.