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sexta-feira, maio 30, 2014

O que têm a ver o PS, a "moção de censura" e Ricardo Araújo Pereira?

Alguém entende a posição do PS face à moção de censura do PCP? Primeiro, as eleições europeias indiciaram que nenhuma maioria estável e com forte liderança de um partido (PS ou PSD) deverá sair de próximas eleições legislativas. Depois, Seguro afirma que a moção de censura é "um frete ao governo" mas decide que o seu partido iria votar a favor, mesmo sem conhecer os respectivos considerandos e fundamentação. Mais tarde, perante esses mesmos considerandos e a decisão prévia de voto a favor, o deputado José Junqueiro faz um péssimo discurso na Assembleia da República, encostado à direita e de forte contestação ao PCP, e em resposta leva uma "abada" de Jerónimo Sousa. Por fim, António José Seguro decide não estar presente na discussão da moção, sofrendo justas críticas de deputados da sua bancada e sujeitando-se a algumas críticas de oportunidade vindas da maioria. Que raio, em vez de se auto-flagelarem com consecutivos tiros nos pés e mãos, teria sido muito difícil, face aos resultados eleitorais, à correcta opinião inicial do secretário-geral ("um frete ao governo"), aos considerandos da moção, à situação actual do PS e à própria actuação política do PCP e tendo em conta a conjuntura política, optarem pela abstenção, a decisão mais lógica e consentânea com a que deveria ser a posição do partido? É de deitar as mãos à cabeça e, para me fazer soltar uma boa gargalhada, só fico à espera de um "gag" de Ricardo Araújo Pereira em conformidade. Já tarda.

quarta-feira, abril 03, 2013

Um mau debate e as opções possíveis

Não quero exagerar dizendo que o debate de hoje na Assembleia da República sobre a moção de censura apresentada pelo PS foi deprimente. Mas foi-o, sem dúvida, de muito baixa qualidade, situação agravada pelo facto do PS, apesar da posição de força que a apresentação de uma moção de censura poderia sugerir, se apresentar a debate fragilizado por saber, e se conhecer, não estar na posse de uma solução governativa viável nem poder implementar uma clara alternativa política e estratégica à actualmente dominante na UE.

Mas perante esta reconhecida mediocridade do debate, duas opções podem ser consideradas:
  1. Criar condições para atrair para a vida política gente melhor preparada, com um perfil mais adequado para a função e para o debate, com melhores qualificações e formação política acrescida, o que inclui, obviamente, prestigiar a função e considerar a oferta de melhores condições de trabalho e salariais.
  2. Ou deixar estar tudo como está, alimentando o ataque aos "altos salários" e "mordomias" dos políticos, arriscando-nos assim a assistir a uma cada vez maior degradação da qualidade do debate e do trabalho político. Também da vida do país, claro está. 
Direi que esta última não será, por certo, a opção que defendo.  

sábado, fevereiro 19, 2011

A moção" do "Bloco" e o seu texto

Depois de se ter assegurado da abstenção da direita parlamentar, não fosse a sua "moção de censura" poder vir a provocar a queda do governo, o "Bloco de Esquerda "suavizou" as referências ao PSD no respectivo texto. Partindo do princípio que os exercícios de hipocrisia fazem parte integrante da vida política, assumindo mesmo nela um papel essencial, não posso deixar de assinalar que a "coisa" foi bem feita. Mas à atenção do "Bloco": depois não se queixem se forem vistos como um partido igual aos outros!

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

A moção

Duas coisas serão curiosas de analisar na moção de censura ao governo que o “Bloco de Esquerda” irá apresentar na Assembleia da República:

  1. Em primeiro lugar se a sua redacção será de molde a “piscar o olho” à direita parlamentar, única hipótese de a moção ter alguma eficácia e de deixar esta em maus lençóis face a uma sua mais do que provável abstenção, pelo menos da parte do PSD. Caso não o seja, optando o BE por uma formulação mais radical “à esquerda”, isso significa que o partido não tem qualquer intenção de derrubar o governo e apenas pretende “marcar a agenda política” e, assim, capitalizar o descontentamento popular face às medidas de austeridade. Passaria a ser uma questão apenas a dois, entre BE e PCP.
  2. Em segundo lugar ver qual a opção do PCP, que ou irá atrás do BE ou terá que se explicar muito bem aos seus militantes. E atenção: o PCP não costuma brincar em serviço. Mas, de facto, perdeu aqui a iniciativa política, embora o partido, pela sua própria natureza, costume recuperar bem destas situações de algum desconforto parlamentar.

Mas, para já, parece-me que será o PSD o partido mais incomodado com esta iniciativa “bloquista. Se optar pela mais do que provável abstenção desagrada ao anti-sócratismo mais populista e radical, que, quer queiram quer não, constitui, neste momento, uma boa parte da sua base eleitoral e, principalmente, da “vanguarda” da opinião publicada; e a não aprovação de uma moção de censura será sempre assinalada como uma vitória do governo e do primeiro-ministro. Se votar a favor tal será recebido com desconforto por uma boa parte do mundo empresarial e dos negócios, e o PSD não escapará à acusação, pelo PS, de actuação “aventureirista”, “anti-patriótica”, “causadora de instabilidade” e por aí fora, sendo obrigado a enfrentar eleições sob o peso deste anátema . Mas penso que, entre estas duas opções, o PSD optará pela “responsabilidade”.