Muito má a cobertura das eleições americanas nas televisões portuguesas. Ausência de "foco" nos resultados e projecções (aquilo que realmente interessava) e, de entre estes, nos Estados decisivos; confusão entre previsões, projecções e resultados reais, incluindo a não indicação da percentagem de votos já escrutinada em cada Estado; alguns "pivots" desconhecendo, no fundamental, algumas questões básicas do sistema eleitoral americano (uma tal Débora Henriques, da SICN, chegou a ser patética e acabou salva por Rui Oliveira e Costa); ausência de resultados das eleições para o Congresso; comentadores mal preparados ou desinteressados e, na SICN, tempo interminável perdido com o correspondente em Israel e com o embaixador americano em Lisboa, que, como é óbvio, não quis ser comentador político. Por fim, aquela ideia de incluir o painel da "Quadratura do Círculo" pareceu-me perfeitamente deslocada naquelas circunstâncias. Valeu o excelente trabalho da CNN, mas nem todos os portugueses têm obrigação de pagar para ver televisão nem de saber inglês.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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quarta-feira, novembro 07, 2012
quarta-feira, novembro 05, 2008
No dia da eleição de Barack Obama, aqui se recorda o dia em que tudo começou
Arthur "Big Boy" Crudup - "That's All Right" (gravado em Chicago a 6 de Setembro de 1946)
Elvis Presley - "That's All Right" (gravado em Memphis a 5 de Julho de 1954)
Texto e temas incluídos por este blog no seu post nº 1 de "História(s) da Música Popular" , em Setembro de 2006
"Este foi o dia em que "tudo" começou. Estávamos em Memphis, 5 de Julho de 1954, e, neste dia, depois de algumas tentativas frustradas de gravação de outros temas, Elvis Presley gravava finalmente no Memphis Recording Service", de Sam Phillips, o disco "Sun nº209", um "blues" de Arthur "Big Boy" Crudup ("That's All Right"), tendo como "B" side "Blue Moon of Kentucky" de Bill Monroe, um tema "branco" dos hillbillies, camponeses do sul. Philips procurava há algum tempo um "branco que conseguisse cantar como um negro" e encontrou Presley, oriundo do chamado white trash dos estados do sul, vivendo paredes-meias com a sociedade e a cultura negras. Dois dias depois, o disk jockey Dewey Phillips, da estação de rádio WHBQ, tocou o disco e, a partir daí, nunca mais nada tornou a ser como dantes. Se antes disso havia música para negros e música para brancos, hit-parades, editoras e etiquetas de discos (os chamados race records) e estações de rádio diferentes para uns e para outros, Elvis iria vencer a segregação, apesar de ser considerado pelos mais conservadores como "obsceno" e a sua música "uma música de negros, animalesca e vulgar". Presley gravou (salvo erro) 18 temas para a "Sun" e mudou-se para a "RCA" (uma das majors) pelas mãos do "Coronel" Parker. Foi o início do fim, mas isso é já outra história."
Passaram 54 anos e os USA têm finalmente um afro-americano como seu presidente
As televisões portuguesas e a noite eleitoral: deprimente!
Deprimente, é o que de melhor se pode dizer da cobertura das televisões portuguesas da noite eleitoral americana – confesso que me focalizei na CNN e na SKY, com passagens frequentes pela BBC, RTP N e SIC N. Sim, eu sei que a desproporção de meios para com as grandes cadeias americanas e internacionais era enorme - os meios tecnológicos e cenários utilizados pareciam uma comparação grosseira entre um foguete de aldeia e a cela de um frade capuchinho, de um lado, e o “Minority Report” e o hall do Ritz, do outro - e a RTP e a SIC não tinham acesso a sondagens próprias, restando-lhes o papel de “go-between” entre essas mesmas grandes cadeias e o telespectador português. Mas, que raio!, até esse papel de “go-between” poderia ter sido bem feito, o que não aconteceu. Confundiram-se projecções com votos reais, deu-se relevância a resultados correspondentes a uma minoria de votos contados em alguns estados, em muitos casos, em percentagens inferiores a 10% do total de votantes efectivos, concedeu-se importância desproporcionada ao resultado de estados à partida atribuídos a um ou outro candidato, não assumindo, portanto, esses resultados qualquer importância enquanto elemento indiciador do resultado final da eleição e, por último, não se comparavam “condado a condado” os resultados efectivos, que iam saindo, com idênticos valores da eleição Bush/Kerry de 2004, o que permitia, desde muito cedo a quem sintonizava a CNN, concluir que só um cataclismo retiraria a vitória a Obama. No meio desta confusão, na RTP N assistiu-se à pior performance que me lembro de ver a um Rodrigues dos Santos completamente atarantado, à “nora”, viu-se um “rapazinho” cuja função era coligir dados da net (uma redundância, pois isso era algo que todos podíamos fazer em casa) sem sequer saber interpretar os dados que coligia e “aturámos” ligações sem qualquer sentido ou interesse aos enviados-especiais nos USA, que nada tinham, de facto, a acrescentar pois tinham acesso às mesmíssimas fontes que eu sem sair de casa. Salvou-se Pedro Magalhães - como sempre - o único que sabia o que estava ali a fazer e ao que ia e, por isso, nos mandou para a cama logo que, com cerca de ¼ de hora de atraso, foram anunciadas as projecções do Ohio, favoráveis a Obama, pois o novo presidente dos USA estava encontrado. Foi o que fiz pouco depois das 3 e 1/2. Ah, claro, e a SIC N lá nos foi brindando com umas ligações ao “Hard Rock Café”, num género de “Caras” Notícias da noite eleitoral.
Um conselho: numa noite eleitoral como esta o essencial é conhecer as projecções e votações que, do modo mais exaustivo possível, nos permitam ter uma ideia sobre o resultado final, devendo os comentários incidir sobre essa evolução. Repetir, à exaustão, o que já fora dito sobre Obama, McCain ou a Srª Palin nos últimos meses está ali perfeitamente deslocado.
Um conselho: numa noite eleitoral como esta o essencial é conhecer as projecções e votações que, do modo mais exaustivo possível, nos permitam ter uma ideia sobre o resultado final, devendo os comentários incidir sobre essa evolução. Repetir, à exaustão, o que já fora dito sobre Obama, McCain ou a Srª Palin nos últimos meses está ali perfeitamente deslocado.
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