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segunda-feira, agosto 27, 2012

E se "chover em Lisboa"?

Ora vamos lá ver... A necessidade de existência de um serviço público de rádio e televisão e o modo como ele possa ser assegurado, quer directamente pelo Estado quer indirectamente através de um qualquer regime contratual com privados, é um assunto que deveria ser seriamente discutido e não transformado em arma de arremesso político ou em oportunidade de negócio para poucos, normalmente ligados a empresas que apenas existem e subsistem em função das ligações políticas dos seus detentores e responsáveis. É uma questão política e ideologicamente (sim, ideologicamente) importante no modo como olhamos  o país e na definição de como queremos ele venha a ser no futuro. Não é, nem pode reduzir-se, portanto, a uma mera questão contabilística: a democracia, o bem estar dos cidadãos, uma sociedade aberta, educada e culta, aquilo a que chamamos civilização, enfim, têm custos, e é necessário todos nos convençamos disso e não nos deixemos embalar e iludir pela demagogia populista dos "Correio da Manhã" e quejandos.

O problema... o problema é que tenho sérias dúvidas que a maioria dos portugueses - leitores desse género de "pasquins", espectadores das telenovelas e dos reality shows" da SIC e TVI (convenhamos que a RTP também não tem ajudado), intervenientes nos diversos "fóruns de opinião" e seguidores do "Dia Seguinte", intoxicados diariamente pelo tablóidismo dos "media" - sinta este assunto como seu, seja sensível a este tipo de argumentação e se mostre capaz de pensar para além desse seu mundo demasiado "pequenino" e redutor dos "malandros dos políticos, dos "carros de luxo da RTP", dos "ordenados milionários dos gestores públicos", etc, etc. O problema, o verdadeiro problema é que são os próprios políticos a fomentarem demasiadas vezes esse mesmo populismo mediático - que confundem, erradamente, com luta política - e, mais tarde ou mais cedo, sabemos tal acaba por se voltar contra esses mesmos "aprendizes de feiticeiro". PS, PSD e CDS - e menciono apenas estes por se tratarem dos partidos que exercem ou já exerceram funções governativas - já todos eles provaram à vez do veneno que produziram ou ajudaram a preparar. Por enquanto, vai-nos valendo o guarda-chuva da UE, enquanto esta dura nos moldes actuais. E se houver um "depois" e "chover mesmo em Lisboa"? 

domingo, agosto 26, 2012

Seguro e o serviço público de televisão


Se o actual governo fechar a RTP2 e concessionar a RTP1 por 15 ou 20 anos, gostava que Seguro explicasse como o vai fazer. Ou será que estamos apenas perante um "palpite" ou, pior, perante um "piscar de olho" eleitoralista e demagógico?

sexta-feira, agosto 17, 2012

Da degradação mediática - 2 exemplos 2

Dois exemplos bem ilustrativos do completo estado de degradação a que chegou a comunicação social em Portugal:

  1. Enquanto o jornal "A Bola" destaca que o árbitro Christian Fischer "não classifica o acto de Luisão (no Jogo Fortuna Düsseldorf-SLB) como agressão", "O Jogo" afirma exactamente o contrário. Como é óbvio, um deles está a mentir (ou ambos) e mais do que informar ou analisar preferem assumir cada um a sua barricada e "partir daí para a luta". Apesar da total falta de credibilidade a que a imprensa desportiva já nos habituou, há limites para a desinformação e para a degradação da profissão de jornalista - que é disto que se trata.
  2. Penso não errar muito se disser que o massacre dos mineiros na África do Sul e o julgamento das Pussy Riot terão sido os acontecimentos mais relevantes do dia. Pois a RTP resolveu abrir o seu Telejornal da 20h com um desastre de autocarro que transportava portugueses em França (sem consequências muito graves, note-se) e um caso de negligência médica. Notícias sobre o grave incidente na África do Sul, onde até vivem uns bons milhares de portugueses, e o julgamento de Moscovo vieram já decorrida cerca de 1/2 hora do principal jornal informativo do Serviço Público de Televisão. O "respeitinho" por quem dá jeito é muito bonito...

terça-feira, novembro 23, 2010

"Prós & Contras": megafone e "tempo de antena"

Independentemente da (não)qualidade da moderadora/animadora/apresentadora - assunto já por demais debatido - alguém me explica porque a RTP continua a ocupar o “prime time” de 2ª feira com um programa deprimente como o “Prós & Contras”, que mais não é do que um “tempo de antena” em horário nobre?; um gigantesco megafone concedido às corporações e ao governo e onde qualquer debate inteligente de ideias está normalmente ausente? Que contribuição espera, deste modo, dar o “serviço público de televisão” para o futuro do país? Que hábitos e padrões de comportamento espera induzir nos portugueses?

É que estou a falar do “serviço público”, caramba!

quarta-feira, outubro 06, 2010

"Trio d'Ataque": vão e não voltem!

Não posso pedir tal coisa aos canais privados com programas semelhantes, mas depois do que se passou ontem a RTP tem uma boa oportunidade de acabar com um pseudo-programa sobre futebol que dá pelo nome de “Trio d’Ataque”, prestando, enquanto serviço público de televisão, um inestimável serviço ao futebol, ao país e à inteligência. Mais, concede também aos seus intervenientes a possibilidade de se dedicarem a tempo inteiro àquilo que melhor saberão fazer: António Pedro Vasconcelos ao cinema, Oliveira e Costa às sondagens e Rui Moreira a dirigir a associação comercial da sua cidade. A nós, os telespectadores que gostamos de futebol, abre a possibilidade de vermos, num futuro que espero próximo e em sua substituição, um programa com gente que contribua para nos tornarmos mais conhecedores e amigos do melhor jogo do mundo.

quinta-feira, setembro 30, 2010

"Nós, Republicanos"

Embora possa parecer que não, o “Gato Maltês” gosta de elogiar. O problema, o pequeno/grande problema é que tem muito poucas oportunidades de o fazer. Mas a série documental “Nós, Republicanos”, produzida pela Companhia das Ideias e emitida pela RTP2 em cinco episódios, vale bem um rasgado elogio e é mesmo a não perder.

Apenas um enorme reparo: porquê ser exibida na RTP2 e não no canal principal? Fico a aguardar correcção.

sábado, junho 05, 2010

A selecção e o Papa

Quem hoje “deitou um olho” às televisões generalistas verificou ter sido o Papa substituído pela selecção nacional de futebol e a missa do Terreiro do Paço por um "mega-picnic" de Tony Carreira. Até os jogadores são "os eleitos", e nem mesmo o primeiro-ministro e o Presidente da República quiseram faltar para não existir o risco de se dar pela diferença.

Algo efectivamente mudou? Talvez... Não podendo com rigor afirmar estarmos perante um acontecimento mais laico - digamos que simplesmente mais pagão -, parece-me a vantagem esteve do lado do Papa: nesse caso, e felizmente, não houve direito a perguntas de jornalistas!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Marcelo Rebelo de Sousa, o serviço público de televisão e os políticos-comentadores

Nunca fui leitor ou ouvinte muito fiel e atento dos comentários políticos de Marcelo Rebelo de Sousa, o que nada tem a ver com concordâncias ou discordâncias políticas, muito menos com menor consideração intelectual ou pessoal. Pura e simplesmente, o estilo e o género de comentário (melhor diria, o conteúdo e a forma), muito “a espuma dos dias e das coisas”, embora perfeitamente legítimo, não faz o meu género, embora lhe reconheça mérito e esteja muito longe de o menosprezar e às suas ímpares qualidades de comunicador (antes pelo contrário). Por isso mesmo, não vou aumentar o ruído de fundo com qualquer juízo valorativo sobre a decisão da RTP. Porquê? Porque prefiro realçar o problema não é de agora, é de longa data, o que significa que o serviço público de televisão desde sempre se deveria ter abstraído de ter como comentadores políticos dirigentes, ex-dirigentes, deputados, militantes destacados, etc, etc, de partidos políticos, com agenda política própria, deixando essa tarefa a quem de direito: jornalistas, politólogos, sociólogos, académicos e ”ofícios correlativos”. O debate político, esse, deveria ser entregue a programas específicos ao estilo “Corredor do Poder” (se possível, algo que, ao contrário de tal programa, não ofendesse a nossa inteligência), com participantes designados por cada partido político. Tudo seria mais transparente e acabavam-se, ou minoravam-se, os problemas.

Por isso mesmo, espero que a RTP – enquanto serviço público de televisão - aproveite agora a ocasião para proceder desse modo e, já agora, com o balanço adquirido, trate também de pôr termo àqueles programas de pseudo-debate desportivo com comentadores a defender as cores de cada um dos três maiores clubes (neste caso, penso ser só um, “Trio de Ataque”, na RTPN). Deixe essas coisas para os canais privados, se faz favor, que são livres de o fazer...

segunda-feira, janeiro 11, 2010

"Die Flucht", ou o mau serviço público da RTP

"Die Flucht" (2007)
A RTP 2 exibiu ontem uma razoável mini-série (2007) de ficção, de origem alemã (“Die Flucht” – “A Fuga”), sobre um episódio relativamente pouco conhecido da WWII: a fuga e evacuação, em Janeiro de 1945, da população civil e do exército nazi da Prússia Oriental perante o avanço do exército soviético e as atrocidades por ele cometidas, como represália, sobre militares e civis, principalmente mulheres crianças que seria o que restava do alistamento compulsivo de todos os homens e adolescentes capazes(?) de combater. A série, com dois episódios, começou a ser exibida cerca das 22.30h e acabou perto da 01.30h da madrugada, hora imprópria para quem trabalha no dia seguinte.

Dado o interesse do tema, o seu grande desconhecimento e alguma celeuma que provocou quando da sua estreia (a História é sempre escrita pelos vencedores), teria sido bem mais interessante que a RTP a tivesse desdobrado em 2 ou 4 episódios - o que permitiria terminar a sua exibição a uma hora bem mais decente - e a tivesse feito preceder ou alternar com alguns esclarecimentos adicionais por parte de historiador especialista (é série é um pouco romanceada mas, na generalidade, apresenta alguma rigor face aos acontecimentos históricos). Penso que, desse modo e enquanto serviço público de televisão, teria cumprido bem melhor a sua dupla missão de informar e “entreter”. Assim, ficou-se pelo entretenimento.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Rui Moreira, David Luiz e o "Trio de Ataque"

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre para que servem aqueles pseudo-programas de análise futebolística em que personalidades públicas travestidas de comentadores peroram durante cerca de duas horas, 90% desse tempo a falar dos árbitros e dos penalties por marcar, teve ontem, no “Trio de Ataque” (RTP N), mesmo assim o menos degradante de todos eles, uma resposta concludente: uma das suas utilidades é pressionar árbitros e condicionar jogadores. Neste caso foi o portista Rui Moreira que, aproximando-se o SLB-FCP, resolveu condicionar o comportamento desportivo e técnico do jogador benfiquista David Luiz tentando, simultaneamente e por via de pressão exercida sobre os árbitros para sancionar a sua conduta através da amostragem de cartões, afastá-lo desse jogo.

Sem dúvida inteligente; mas não me parece ser este o tipo de programas e o padrão de comportamentos que competem ao serviço público de televisão divulgar.

sábado, dezembro 06, 2008

O naufrágio na RTP ou a RTP em naufrágio

A morte de três, possivelmente quatro, pescadores portugueses é seguramente um acontecimento triste. Para os que lhe são próximos, uma tragédia. Para os seus colegas de profissão, um drama que sentem como seu. Para todos, algo que nos lembra quanto do nosso bem-estar se deve a homens com uma profissão perigosa. Mas pergunto, correndo o risco de ser politicamente incorrecto: será, noticiosamente, importante o suficiente para abrir não sei quantos Telejornais do “Serviço Público”? Compreendo que SIC e TVI o façam, transformados que estão os seus serviços de notícias em algo a meio caminho entre o “24 Horas” e o “Jornal do Crime”. Mas a RTP 1, num gesto de sensacionalismo mórbido, no limite de falta de respeito pelo luto?

Pois, eu disse que ia ser politicamente incorrecto...

quarta-feira, novembro 05, 2008

As televisões portuguesas e a noite eleitoral: deprimente!

Deprimente, é o que de melhor se pode dizer da cobertura das televisões portuguesas da noite eleitoral americana – confesso que me focalizei na CNN e na SKY, com passagens frequentes pela BBC, RTP N e SIC N. Sim, eu sei que a desproporção de meios para com as grandes cadeias americanas e internacionais era enorme - os meios tecnológicos e cenários utilizados pareciam uma comparação grosseira entre um foguete de aldeia e a cela de um frade capuchinho, de um lado, e o “Minority Report” e o hall do Ritz, do outro - e a RTP e a SIC não tinham acesso a sondagens próprias, restando-lhes o papel de “go-between” entre essas mesmas grandes cadeias e o telespectador português. Mas, que raio!, até esse papel de “go-between” poderia ter sido bem feito, o que não aconteceu. Confundiram-se projecções com votos reais, deu-se relevância a resultados correspondentes a uma minoria de votos contados em alguns estados, em muitos casos, em percentagens inferiores a 10% do total de votantes efectivos, concedeu-se importância desproporcionada ao resultado de estados à partida atribuídos a um ou outro candidato, não assumindo, portanto, esses resultados qualquer importância enquanto elemento indiciador do resultado final da eleição e, por último, não se comparavam “condado a condado” os resultados efectivos, que iam saindo, com idênticos valores da eleição Bush/Kerry de 2004, o que permitia, desde muito cedo a quem sintonizava a CNN, concluir que só um cataclismo retiraria a vitória a Obama. No meio desta confusão, na RTP N assistiu-se à pior performance que me lembro de ver a um Rodrigues dos Santos completamente atarantado, à “nora”, viu-se um “rapazinho” cuja função era coligir dados da net (uma redundância, pois isso era algo que todos podíamos fazer em casa) sem sequer saber interpretar os dados que coligia e “aturámos” ligações sem qualquer sentido ou interesse aos enviados-especiais nos USA, que nada tinham, de facto, a acrescentar pois tinham acesso às mesmíssimas fontes que eu sem sair de casa. Salvou-se Pedro Magalhães - como sempre - o único que sabia o que estava ali a fazer e ao que ia e, por isso, nos mandou para a cama logo que, com cerca de ¼ de hora de atraso, foram anunciadas as projecções do Ohio, favoráveis a Obama, pois o novo presidente dos USA estava encontrado. Foi o que fiz pouco depois das 3 e 1/2. Ah, claro, e a SIC N lá nos foi brindando com umas ligações ao “Hard Rock Café”, num género de “Caras” Notícias da noite eleitoral.

Um conselho: numa noite eleitoral como esta o essencial é conhecer as projecções e votações que, do modo mais exaustivo possível, nos permitam ter uma ideia sobre o resultado final, devendo os comentários incidir sobre essa evolução. Repetir, à exaustão, o que já fora dito sobre Obama, McCain ou a Srª Palin nos últimos meses está ali perfeitamente deslocado.

sábado, agosto 30, 2008

RTP - Serviço Público?

"Portugal é hoje um paraíso criminal onde alguns inocentes imbecis se levantam para ir trabalhar, recebendo por isso dinheiro que depois lhes é roubado pelos criminosos e ajuda a pagar ordenados aos iluminados que bolsam certas leis".

Não, este vómito em forma de “escrita” não é um dos muitos comentários extraídos dos milhares, semelhantes, que têm inundado as caixas respectivas de blogs e jornais on-line nas últimas semanas, e que bem atestam o grau de educação e instrução do “bom povo” português (melhor: a falta dele), e o atraso de um país. Foi publicado no JN de hoje e é da autoria de Barra da Costa, comentador convidado da RTP, Serviço Público de Televisão, para o caso McCann e que chegou a afirmar como factor relevante para este mesmo caso a condição de swingers de Kate e Gerry McCann. Dois pedidos à dita RTP: para a próxima, vejam lá como escolhem os comentadores e, entretanto, tratem de pintar a cara de preto. Bem escuro!
Resta acrescentar que este mesmo Barra da Costa "foi inspector-chefe da Polícia Judiciária durante 30 anos, intervalando com passagens pelo MAI/SEF e Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais". É gente desta que vem pedir mais poderes, clamar por um endurecimento da legislação criminal, reclamar contra o excesso de garantias e exigir um alargamento da prisão preventiva. Tenham medo! Tenham mesmo muito medo!

segunda-feira, agosto 06, 2007

A "lei Barreto" e a RTP

A entrevista de ontem com António Barreto no DN, sobre a lei que ficou para a história com o seu nome, bem como a exibição do documentário Torre Bela no cinema, são um excelente pretexto para mostrar como seria interessante o serviço público de televisão - ou o assim denominado - em vez de dedicar o domingo a transmitir jogos da neófita Taça da Liga com equipas da 2ª divisão, produzir uma série documental sobre a reforma agrária, as ocupações e o “modelo” UCP, o papel dos militares e dos governos, a vida no Alentejo antes, durante e depois do PREC, os seus heróis e mitos, o papel do PCP nesses períodos e na vida autárquica da região. Com o distanciamento e o rigor que mais de trinta anos já permitem. Seria, isto sim, verdadeiro serviço público.