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sexta-feira, janeiro 18, 2013

"Doping" e moralismos

Perguntas:
  1. Quantos espectadores se entusiasmariam com a Volta a França sem o Tourmalet, o Aubisque, Alpe d'Huez, o Galibier e etc? Como uma vez disse Joaquim Agostinho, acham que essas montanhas se sobem de bicicleta, em competição, "só a comer bifes com batatas fritas"?
  2. Alguém se interessaria por uma final olímpica dos 100 metros em que todos os participantes fizessem tempos à volta dos 10 segundos e tal? Acham se corre esta prova em nove segundos e una pózinhos só a tomar vitaminas?
  3. E de provas olímpicas de natação sem os Mark Spitz, os Ian Thorpe e os Mike Phelps deste mundo? São todos uns anjos? 
  4. Quantos dos hipócritas que agora acusam e condenam Lance Armstrong o aplaudiram e endeusaram quando das suas vitórias sabendo todos nós, desde sempre, o que agora foi revelado?
  5. Para os jornalistas cá do sítio: e se um destes dias fosse revelado que algum dos heróis olímpicos indígenas, como Rosa Mota, Carlos Lopes, Francis Obikwelu e por aí, tinham recorrido a "ajudas"? Alguém põe as "mãos no fogo"?
Desabafo: vão-se lixar com os moralismos...

sexta-feira, agosto 24, 2012

Lance Armstrong e o "doping"

Não sei que efeitos positivos poderá ter esta decisão da Agência Anti-Dopagem norte-americana tomada passados treze anos da primeira vitória de Lance Armstrong no Tour, sete após a sua última (2005) e quando o ciclista já abandonou a competição. Em vez desta ânsia persecutória, seria bem melhor que os organismos encarregues do combate ao "doping" se tornassem mais eficazes em tempo útil, não me parecendo para tal despropositado que, também aqui, a figura da prescrição passasse a ter validade.

sexta-feira, junho 15, 2007

Doping...

Não me interessando especialmente por ciclismo, confesso tenho lido com alguma curiosidade e interesse as notícias sobre as acusações e condenações por doping de alguns ciclistas de topo, mormente antigos vencedores da “Volta a França”. Ainda hoje o “Público” faz menção das acusações de um tal ex-ciclista Rolf Järmann em relação à legalidade das classificações de ciclistas como Bjarne Riis, Jan Ullrich ou Richard Virenque no Tour de 96.

Bom, deixemo-nos de hipocrisias. Nos idos de setenta – tenho isso nas minhas memórias de forma bem nítida – lembro-me de ler, salvo erro em “A Bola”, uma entrevista ao “velho” Joaquim Agostinho (acho que sempre foi velho...) em que este, na sua frontalidade de aldeão da região saloia talvez um pouco agastado com tanto fingimento, acaba a perguntar ao entrevistador (talvez o seu também “velho” amigo Carlos Miranda) :
"mas vocemecê acha que se sobem os Alpes e os Pirinéus de bicicleta só a comer bifes com batatas fritas?"

Talvez não se referisse especificamente ao doping, mas, de forma mais abrangente, a todas as ajudas ligadas à medicina desportiva, dietética, metodologia de treino, etc, objecto de grande evolução e desenvolvimento nos últimos anos e de grande aplicação no ciclismo. Mas, mudando de desporto, duas perguntas me ocorrem sempre que vejo uma final dos 100m nos jogos olímpicos ou nos campeonatos do mundo de atletismo:
  • Será que alguém corre os 100 metros em nove segundos e oitenta ou noventa e tal centésimos sem recurso ao consumo de substâncias dopantes?
  • E se esses mesmos atletas fizessem tempos na ordem dos dez segundos e qualquer coisa alguém perderia o seu tempo a ver, com todas as consequências que daí adviriam?

Enfim, para as federações e instituições que legislam sobre o assunto tratar-se-á sempre de manter o equilíbrio aceitável, desejável e possível entre o espectáculo e a credibilidade da indústria enquanto desporto, isto é, de manter o negócio. Não será de mim com certeza que vão esperar a censura ou o voto piedoso...