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terça-feira, março 12, 2013

João Rocha, o SCP e o unanimismo

Desconfio de unanimismos. Por sistema e por convicção. Sempre que vejo demasiado unanimismo em relação a um acontecimento ou a alguém, tendo logo a pensar no que estará mal, onde estará o problema. Acresce que Portugal é um país de unanimismo fácil, facto potenciado por uma comunicação social que tende demasiadas vezes a seguir a metodologia "copy/paste", venha a notícia original da Lusa ou de uma qualquer agência de comunicação (ou de ambas).

 Vem isto a propósito do papel de João Rocha enquanto presidente do Sporting Clube de Portugal. Já tive aqui oportunidade para me interrogar sobre se a sua opção pelo ecletismo, independentemente dos êxitos desportivos nas modalidades ditas "amadoras" que indiscutivelmente trouxe ao clube a até ao país, terá sido a mais correcta para o futuro do clube; se, com essa opção, soube interpretar o "ar do tempo" ou não terá ela contribuído para acelerar, ou pelo menos para não conseguir inverter, um declínio que vinha já dos anos 60. Ontem, devo dizer que "en passant", ouvi algures, numa rádio ou num canal de TV, não me lembro, que durante a presidência de João Rocha o SCP tinha quadruplicado ou quintuplicado o número dos seus associados. Não duvido, claro está. Mas pergunto-me, referindo-me ao tempo e do modo como esse crescimento se terá processado (gostaria de saber, por exemplo, quantos dessas admissões não teriam acontecido apenas para os novos sócios poderem praticar ginástica e natação), se tal seria sustentável ou, contrariamente e como aconteceu em tantos outros casos, tal não passaria de um balão que se iria esvaziando à mesma velocidade a que tinha enchido. Porque digo isto? Bom, porque penso só existe uma estratégia para fazer crescer sustentadamente o número de associados de um clube, e essa estratégia assenta no investimento e nas vitórias e conquista de títulos no futebol. Parece-me ser também essa estratégia a única que  transforma associados em espectadores casuais, estes em espectadores assíduos - de estádio e de TV - e, por fim, todos eles em consumidores de "merchandising". Aliás, foi deste modo, alicerçados nas conquistas nacionais e europeias das suas equipas de futebol, que SLB (nos anos 60) e FCP (nos anos 80) cresceram e se tornaram naquilo que são hoje. O facto do SCP não ter conseguido trilhar percurso semelhante e atravessar hoje graves e reconhecidos problemas devia, pelo menos, levar quem se debruça sobre estas coisas da "bola" a pensar se não existirá nisso uma relação causa/efeito. Mas isto de pensar parece estar mesmo pela "hora da morte".    

sexta-feira, março 08, 2013

João Rocha e o SCP

Enquanto Pinto da Costa, apoiado na importância política, económica e social que o norte adquiriu após a revolução de Abril, investia tudo no futebol para, através dele, tornar o FCP a potência desportiva hegemónica em Portugal e o SLB se entregava nas mãos do presidente responsável pelo seu declínio desportivo (baixar salários, estabelecer um pacto com o FCP e delapidar uma equipa de futebol que tinha chegado à final da Taça UEFA para fechar o "terceiro anel" foram decisões de gestão catastróficas), João Rocha, presidente do histórico rival do meu "Glorioso" num período tremendamente difícil, de grandes transformações para os clubes e para o país, sem dúvida que tornou o SCP no clube mais eclético de Portugal, com vitórias nacionais e internacionais significativas em várias modalidades. Mas, quanto a mim, com essa sua opção pelo ecletismo, sem dúvida que bem intencionada, terá percebido mal o "ar do tempo", o que não terá contribuído para atenuar um declínio futebolístico que vinha já dos anos 60 e evitar a hegemonia portista. Sendo um "self made man", foi talvez o último presidente do SCP que teve do e para o clube uma visão aristocrática.