A candidatura mais ou menos folclórica de Henrique Neto à Presidência da República, que num país sério mais não mereceria do que uma pequena notícia nas páginas interiores, tem pelo menos para já um propósito e um resultado evidente: nos intervalos de desastres aéreos e de mais algum "caso" envolvendo um político, alimenta a cultura de entertainment (ou de infotainment, se preferirem) dominante nos "media"; oferece de mão beijada à direita, principalmente ao PSD, uma oportunidade de oiro para uma operação de desgaste visando o Partido Socialista, contando para isso com uma comunicação social colaborante e onde a direita do espectro político é amplamente dominante. Só não entendo uma coisa: como é que alguém como Henrique Neto, que tem dedicado o seu tempo de empresário reformado e os últimos dez ou vinte anos da sua vida a atacar sistematicamente o partido do qual - dizem - é militante; que tem utilizado os "media" para difundir e defender políticas populistas em princípio contrárias às propostas do seu partido, ainda é militante do PS. Digamos que tendo permitido o arrastar desta situação, levando para além dos limites do admissível a política do "catch all party", o PS acaba por ter de volta o que merece.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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quarta-feira, março 25, 2015
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Duas notas
Duas notas breves de um início de noite de sexta-feira.
- É lugar comum afirmar-se que o poder das corporações constitui talvez a maior dificuldade à autoridade do estado, à capacidade deste para implementar as suas políticas quando os interesses dessas corporações são postos em causa, quando se tenta desenvolver uma política de reformas. O problema é vermos o governo e os partidos políticos reagirem, e agirem, tal qual corporações quando questionados no seu funcionamento, na sua lógica interna e nos interesses que prosseguem.
- Só pode ser novidade para os menos atentos, porque as suas ideias são públicas há já alguns anos, mas Henrique Neto, que não é um político profissional mas um empresário que também é político, emerge como a única oposição consequente, “de projecto”, dentro do PS, ao actual governo e ao actual partido. Também ao modelo de desenvolvimento dominante no bloco central. É sempre, ou tem sido sempre, interessante ouvi-lo: em nome das ideias, da política e da inteligência.
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